Denali National Park – Alaska

O Denali National Park está completando 100 anos  de um importante trabalho de preservação da fauna e da flora local. O parque é uma das maiores atrações do Alaska. São mais de 15.000 km² (maior que Alemanha, Holanda e Bélgica juntos), tendo como principal cartão postal o Monte Mc. Kindley, a montanha mais alta da América do Norte com 6.190 m de altitude. O Denali é um lugar único, onde é possível conviver com animais como ursos, lobos, renas, alces e outros em seu habitat natural, depois de um treinamento comandado pelos Ranger´s (Guardas do Parque).

Lagos cercados por montanhas cobertas de gelos, rios e corredeiras de degelo cortando vales de diferentes tons de verdes e muita vida animal fazem do Denali National Park um dos lugares mais lindos que já visitei no mundo. Vale a pena conferir!

 

Nouakchott – Capital da Mauritânia

Devido a uma forte contratura muscular na região cervical que se estendeu até o ombro, acabei ficando uma semana em Nouakchott. Fui ao hospital, tomei algumas injeções, e comprei uma batelada de remédios. Com fortes dores, não tive ânimo para passear como normalmente faço ao visitar uma cidade pela primeira vez. Fiquei a maioria dos dias dentro do quarto do hotel, descansando, fazendo alongamento e desafiando minhas limitações tecnológicas. Finalmente, baixei o Movie Maker no computador e resolvi, depois de muito relutar, a aprender editar vídeos. Desci dos tamancos da excelência, vesti as sandálias da humildade, e resolvi publicar abaixo, meu primeiro vídeo editado, com imagens que fiz  durante uma tarde e quando estava deixando a cidade.

Me atrapalhei bastante nos comandos, teve coisas que não consegui deixar como eu queria, e para ser sincero, me parece que quando subi o vídeo no youtube, o japonesinho que mora dentro do meu computador, mudou algumas configurações. kkkk

Mas agora é tarde demais!!! A internet aqui é muito lenta! Este vídeo levou 6 horas baixando… e não vai rolar baixar de novo! Peço desculpas aos mais exigentes e prometo melhorar nos próximos.  Afinal, a prática é que leva a perfeição! É ou não é! Faça como eu, seja tolerante e confira como Nouakchott é fervilhante, colorida, caótica! Surpreenda-se!

 

Mauritânia é coisa de louco meu amigo!!!

Cultura chocante, a mais estranha oferta sexual que já recebi na vida, cruzar território não reconhecido internacionalmente (terra de ninguém),  deserto e raríssimos pontos de apoio, calor, e uma derrota marcante que me deixou muito triste! São os mais de 3 anos de viagem cobrando seu preço!

Geograficamente localizado no norte da África entre dois países conhecidos pelos brasileiros, Marrocos ao norte e Senegal ao sul, muito pouco se sabe sobre a Mauritânia. O Saara cobre 75% do país e sua economia provém principalmente do minério de ferro (50% das exportações), petróleo, ouro, prata e bronze. A maioria da população vive na pobreza e o fato curioso é que o país aboliu a escravatura apenas em 1981.

Sempre falo aqui sobre culturas diferentes das nossas e coisa e tal… mas a  República Islâmica da Mauritânia (Nome oficial do país) surpreendeu! Ao mesmo tempo em que as mulheres são chefes de família e responsáveis pela casa e crianças, elas são impedidas de ir a escola e trabalhar. Quanto a isso, se entendermos que estamos em um país muçulmano sunita, podemos até considerar “normal”, não é verdade? Todos nós sabemos sobre as diferenças dos direitos entre os sexos em um país regido pelas leis do Islã.

Mas se liga no que acontece por aqui!

Diferente do padrão mundial, na Mauritânia as mulheres magras não tem vez! Isso mesmo! Segundo a tradição Leblouh, são as gordinhas que fazem sucesso por aqui! E a coisa é levada a sério meu chapa! As famílias mandam suas filhas para um Acampamento de Engorda. Um tipo de campo de concentração , onde as crianças entre 5 a 9 anos são forçadas a ingerir até 16.000 kcal por dia! Aos 12 anos já pesam mais de 80 kg. Se vomitarem, ou não seguirem as regras, sofrem castigos e torturas. A obsessão pelos “pneuzinhos”  e estrias é tão grande, que chegam a drogar as crianças para comer mais e mais. Algumas meninas são abandonadas pelas famílias caso não consigam engordar.

De acordo com instituições que defendem os direitos das mulheres, o Leblouh vem perdendo força nas classes média e alta do país,  mas ainda é muito praticado nas classes mais baixas e na zona rural. Segundo a tradição, quanto maior a mulher, mais espaço ela ocupa no coração do marido, não dando espaço para concorrentes. A cultura diz que ser gorda, traz felicidade e estimula o casamento precoce. Assustador, não é mesmo!!! Mas não termina por aqui. Mais abaixo vou relatar um fato curioso que aconteceu comigo.

Posso dizer que minha chegada ao país também foi um pouco sinistra. Entre as fronteiras de Marrocos e Mauritânia existe uma faixa de terra  de 6 km, não reconhecida internacionalmente, ocupada pelas Nações Unidas. Uma terra de ninguém, podemos dizer assim! Sem estrada e muito militarizada.

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Estrada entre as fronteiras entre Marrocos e Mauritânia. Território não reconhecido internacionalmente ocupado pela Nações Unidas..

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Estrada entres as fronteiras de Marrocos e Mauritânia sendo guardada por bases militares e viaturas da ONU. Território não reconhecido internacionalmente ocupado pela Nações Unidas.

Depois de atravessar o território não reconhecido, chegamos, Jordi e eu, na Mauritânia. Eu já estava com o visto em meu passaporte, mas Jordi teve que enfrentar a burocracia e “morrer” com uma grana a mais para receber o carimbo.

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Posto de fronteira da Mauritânia.

Conforme o esperado, nossa dificuldade aumentou no Saara do lado da Mauritânia. O sol, cada dia mais forte, exigiu mais cuidado e os pontos de apoio ficaram ainda mais escassos, nos obrigando a carregar mais água e comida. Para se ter uma ideia, o país é coberto por apenas 4 estradas asfaltadas. Sabendo disso, aproveitamos o vento a favor e paramos, já na boca da noite, em Boulenouar, cerca de 45 km da fronteira. Como já estávamos há alguns dias tomando banho com lenços umedecidos, que nunca conseguem vencer o poeirão do deserto com satisfação, decidimos alugar um quarto no único hotel do vilarejo. E que besteira que fizemos!!! Para começar, o hotel parecia uma prisão e a gororoba que jantamos estava mais para ração do que refeição. Além de pagar caro em relação ao Marrocos, fomos devorados por pulgas, carrapatos e piolhos. Que tristeza meu amigo! Decidimos que a partir de então, passaríamos as noites acampando. A lua cheia e a temperatura agradável durante a noite ofereciam as condições ideais.

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Nome das duas mais importantes cidades da Mauritânia.

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Nunca pare nesse hotel. Boulenouar. Mauritânia.

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Recepção do hotel em Boulenouar. Mauritânia.

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Jordi e eu esperando a nossa “ração” no hotel El Heze. Boulenouar. Mauritânia.

Em algumas pequenas vilas, a precariedade é tão grande que não existe eletricidade e a água é armazenada e barris de plástico. Não existe água mineral para comprar. Durante todo o trajeto é comum encontrar carcaças de carros abandonados, fato que nos remete ao terrorismo. Alguns estão tão contorcidos, com as fuselagens queimadas que parecem terem sidos bombardeados. Vale lembrar que em 2008, a maior prova de Rali do mundo, o Paris-Dakar, sofreu um ataque terrorista por fanáticos religiosos na Mauritânia, obrigando os organizadores mudarem o Rali de lugar.

As paisagens do Saara no lado da Mauritânia continuam muito parecidas com o Saara marroquino. Reparei apenas um pouco mais de verde, com algumas árvores, arbustos e moitas.

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Cidade fantasma. Mauritânia.

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Mauritânia.

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Mauritânia

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Mauritânia.

Quando aparece uma oportunidade, nos protegemos do sol nos pequenos armazéns de beira da estrada onde aproveitamos para cozinhar algo simples, já que ou não existe restaurantes ou a higiene do lugar não convence.  Mas como já disse, são raros. Teve dia que não achamos nada e nos escondemos debaixo de uma carroceria de caminhão abandonada. Os mosquitos azucrinam nossas vidas durante o dia, mas somem durante a noite e com isso, associado ao clima mais ameno, caprichamos mais no rango.

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Cozinhando em um armazém de beira de estrada. Mauritânia.

Depois do árabe, o francês é a língua mais falada, seguido pelo espanhol. Com sorte, é possível achar alguém que fala inglês. A população é bastante miscigenada entre mouros e negros. Sempre são muito simpáticos. Em alguns lugares, onde a pobreza e a falta de cultura prevalessem, tivemos dificuldades de comunicação e aborrecidos por pedintes. O lixo ao relento e o fedor também incomodam bastante!

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Jovens curiosos vestidos tipicamente com o Drâa, nos abordando amigavelmente na estrada. Mauritânia

Entre a fronteira e a capital Nouakchott, são 400 km e a única cidade propriamente dita é Chami. A cidade impressiona pela pobreza, sujeira e desorganização. Muita gente na rua, que foram atraídos pela febre do ouro. Quando chegamos a cidade, eu não me sentia bem. Um torcicolo me deixou travado e com fortes dores no ombro e por isso não consegui fazer muitas fotos. Devido a dor, buscamos um hotel, mas o único da cidade estava lotado. Seguimos viagem e paramos para acampar debaixo de um luar maravilhoso.Com a claridade da lua, praticamente não precisamos das lanternas para cozinhar. Mas a dor não me deixava curtir o momento como gostaria. Nem mesmo uma cáfila de camelos que pastava perto de nós me animou. Fui para a cama, ou melhor, para barraca mais cedo que gostaria.

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Chami. Mauritânia.

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Garimpeiros tomando chá em Chami. Mauritânia.

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A lua surgindo com tudo! Mauritânia.

Praticamente não dormi durante a noite. Desmontei acampamento com dores e pedalamos 8 km até um posto de combustível. Ali comemos, descansamos até o sol baixar novamente, compramos água e comida. Quando voltamos a pedalar já não conseguia ficar com a mão esquerda no guidão da bike. Fiz de tudo e a única posição que não me fazia ver estrelas era elevar o braço acima da cabeça. E assim fui, com vento ajudando por mais 20 km. Em uma barreira policial decidi pedir ajuda.

Enquanto Jordi ficou no check point, gentilmente, o comandante escalou um soldado para voltar comigo até Chami, para me levar a um pequeno hospital, que ficou sem energia durante todo o tempo que fiquei lá. O médico que me atendeu teve sensibilidade e mesmo sem falar inglês, conseguiu entender as minhas necessidades. Enquanto o soldado segurava a lanterna, o doutor me injetou um relaxante muscular e anti-inflamatório. Me deu uma caixa de remédio e me desejou boa sorte.

Aí aconteceu mais um momento inusitado da viagem.

Aproveitando a folga, o soldado me convidou para passar em sua casa. Era uma oportunidade para ele visitar a família. A cidade inteira sem energia. Só a rua principal, ou melhor, a estrada, com luminárias abastecidas com painéis solares, ao longe, e a lua é claro, traziam um pouco de luminosidade. Muita gente sentada em frente as casas e crianças correndo e brincando. Em 5 minutos de caminhada chegamos. Como não conseguíamos nos comunicar através de palavras, muita coisa se perdia na mímica, exigindo muito do meu senso de interpretação. Meio sem paciência devido a dor e cansado, fui “levando” o soldado da maneira que deu. Cumprimentei seus familiares homens, que estavam em frente a casa, sentados em uma esteira. A penumbra não permitindo a completa identificação dos rostos.

_ Salamaleico (Salaam Aleikum em árabe)! Soltei a saudação mais comum do mundo árabe com meu sotaque português.

_ Alaikum As-Salaam! Os 5 homens responderam simultaneamente, fazendo sinal para me sentar.

Sentei! Ou melhor, tentei, mas estava impaciente e com dor. Minha cabeça só pensava em descansar e eu já duvidava da minha recuperação para seguir pedalando no outro dia pela manhã. Ainda estava a 200 km da capital.

Me levantei e tentei me distrair com a lua, laranja naquele momento. Enorme! Linda!

Andando para lá e para cá, minha curiosidade me levou até a porta da casa, onde 3 mulheres conversavam em vós alta. A única luz vinha de uma lanterna de pilhas postada bem no meio do único cômodo da casa. Uma delas com uma criança no colo. As outras, se maquilando com um pó branco que as deixavam com uma aparência assustadora. A luz não era forte suficiente para revelar suas feições, que associadas ao rosto branco, parecia um filme de terror!  Nossa! Fantasmas, pensei!

Quando a última mulher terminou a auto maquilagem, senti um movimento diferente entre todos. O soldado me chamou até a porta, e com o dedo indicador, apontou para uma e depois para outra mulher, excluindo a que estava com o bebe. Estranhei, e demorei alguns segundos para entender que ele estava perguntando qual delas eu preferia. Bicho, fiquei sem graça que soltei uma gargalhada. As duas sentadas no chão com os olhos fixos em mim. Aqueles rostos brancos fantasmagóricos me deixavam pilhérico! Onde eles querem chegar? Tentei dar uma de “João sem braço”(expressão usada lá nas bandas de onde venho, que significa: dar uma de desentendido), e sair. Mas o soldado ao mesmo tempo que me segurou com firmeza o braço, fez sinal para uma delas se levantar e se aproximar. Me segurando com uma mão, e com a outra segurando o braço da mulher, ele nos aproximou. Com a cabeça, fez um movimento perguntando o que achei, soltando um: _ Small sister.

Não consegui sacar a idade da moça, que tinha um rosto bonito até, contrastando com os dentes desalinhados quando sorriu. Perfume barato exagerado! Roliça! Ela usava um bonito mulafa, traje típico das mulheres da Mauritânia.

Tentei me desvencilhar  das garras do soldado. Mas ele foi irredutível! Notei a expressão do seu rosto e fiquei um tanto quanto apavorado! O rosto amigável até então, exibia traços sérios, lembrando um soldado em formação. Naquele instante, percebi que o melhor a fazer era dar um sorriso e brincar. Nem me lembro o que falei…

Ao mesmo tempo que soltou o braço de uma,  fez um sinal para a outra moça se aproximar. Percebi a dificuldade que a mulher teve ao se levantar do chão com toda a banha que carregava. O mesmo perfume exagerado! _ Big sister, disse o soldado! Essa não era feia, era lazarenta de feia! Enorme! Essa deu medo! kkkk

De uma maneira mais incisiva e ao mesmo tempo fazendo parecer uma brincadeira, me livrei do soldado, dei um sorriso, e fazendo gestos com a mão imitando umas pedaladas disparei: Você quer pedalar comigo até o Brasil? kkkkk

Ao mesmo tempo em que estava achando engraçado,  sentia que as coisas estavam rolando com seriedade para eles. Não senti medo, mas fiquei inseguro e não entendi direito o que estava acontecendo. Será que o soldado estava tentando arrumar um casamento para as irmãs? Será que estavam apenas fazendo uma brincadeira entre família querendo saber minha opinião sobre qual era a mais bonita?

Fui me afastando da porta e o soldado tentando me segurar. Quando parei, com uma postura mais austera, pude ler os sinais que ele fazia com as mãos. O indicador de uma das mãos entrando no buraco que fazia com a outra, deixando claro que era sobre sexo o negócio.

Inacreditável! O soldado estava oferecendo as suas irmãs. E o pior, com o consentimento dos familiares e das próprias meninas. Ele ficou inconformado com a minha negativa. Batia a mão direita no peito suavemente, sobre o coração, como se estivesse dizendo: Vai lá cara, é de coração! Pode comer! Sinceramente não consegui interpretar sua intensão. O gesto que fazia parecia se tratar de uma cortesia, mas eu sentia que no fundo eles queriam dinheiro. Será que aqui rola o se comer tem que casar? Será que isso também faz parte da tradição Leblouh?

Joguei a culpa da minha negativa em minha dor e consegui fazer com que ele me levasse de volta ao acampamento. Jordi me ajudou a montar a barraca. As dores só aumentando! Quase não consegui dormir com meus pensamentos oscilando entre a experiência que acabara de viver e o quanto tudo aquilo me chocou, e a preocupação com as dores e ter que sair dali pedalando.

Pela manhã, tive a impressão que a dor não retrocedeu uma vírgula e uma angustia ainda maior, tomou conta de mim. Enquanto desmontava acampamento fui tentando me convencer que o melhor a fazer seria não pedalar. Aliás, com aquelas dores, não seria possível. Nenhum ponto de apoio, vento contra, forte calor, bicicleta ainda mais pesada com o estoque de água e comida e muitas outra coisas mais…

Chamei Jordi e lhe informei que não conseguiria chegar pedalando em Nouakchott. Foi difícil ver meu amigo se aprontando para partir sozinho! Fiquei com um nó na garganta. Ele partiu depois de um abraço e da promessa de um reencontro breve. Chorei ao ver meu amigo partir…

Os soldados pararam uma caminhonete. E os 200 km que fiz de carro foram os mais difíceis desde que iniciei a empreitada no Saara. Um sentimento de derrota! Fracasso! Angústia! Foram 3 horas e meia onde meu foco passou a ser o problema, e não a solução! A dor me impedindo de buscar uma saída!

Demorei um tempo para me organizar e me energizar novamente. Era preciso mudar minha atitude. A primeira coisa que fiz foi buscar uma explicação sobre isso. E estava fácil! O assunto está diretamente ligado a minha profissão. Tempos atrás, tive que mudar os ajustes da bike para amenizar uma lesão no pé. Desci o banco e a biomecânica do pedal mudo. Inclinação do corpo, ponto de pressão, alavancas e etc… Certamente, isso sobrecarregou outras áreas, que associado a um torcicolo, causou uma forte contratura que comprometeu a musculatura do trapézio, deltoide, manguito rotador, supraespinhal,  subescapular entre outros. A contratura foi tão forte que sobrecarregou a origem de alguns músculos e certamente exigiram mais dos tendões. Sei bem as consequências de fazer exercícios de maneira inadequada. E na verdade estava tentando administrar os problemas para seguir em frente. Mas chega uma hora que não dá mais! Nesses mais de 3 anos, sinto que, enquanto consigo manter a massa muscular dos músculos da perna, venho definhando na parte superior, principalmente braços e ombros. Estou certamente mais fraco nessas áreas e a bomba estourou.

Estou em fase de tratamento agora. Repouso forçado! Na capital Nouakchott, fui a um ortopedista, tomei mais uma injeção de anti-inflamatório, acionei minha irmã e cunhado que são fisioterapeutas e associado a um repouso, estou me recuperando.

Já me sinto melhor, embora ainda sinto dores neste momento e tento me livrar da sensação de fracasso. O que me consola é um velho ditado chinês que diz:

_  Para se dar um grande salto á frente, é necessário dar uns passos para trás…

 

 

 

 

 

 

Marrocos: fortes emoções

Deserto, montanhas nevadas, lindas praias, cidades históricas, arquitetura, diversidade cultural, povo hospitaleiro, novos amigos, cheiros e sabores deliciosos e muita diversão! Minha viagem pelo Marrocos está sendo muito divertida e surpreendente!

Embora meu natal tenha sido melancólico, sozinho dendro de um quarto de hotel, meu Ano Novo não poderia ter começado melhor! Meus pais fizeram a gentileza de trazer minha filha Ana Laura, e juntos, além de comemorar seus 15 anos, passeamos pelos principais destinos do país. Uma viagem que me colocou frente a frente com as diferenças em viajar como turista convencional e de bicicleta. Acostumado a receber gentilezas quando estou com a minha magrela, estranhei um pouco o fato de não ser “mimado” pelos locais como de costume, e experimentei de maneira mais incisiva, a abordagem hiperbólica do mundo turístico na busca sedenta pelo dinheiro! Uma insistência que tira qualquer um do sério!!! Aquela velha prática da barganha do mundo árabe… e o vender a qualquer custo! Qualquer coisa!

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Passeio em família. Deserto do Saara. Merzouga. Marrocos.

O deserto do Saara é uma das principais atrações do Marrocos, ocupando grande parte do seu território. Para chegar até as dunas de areia é preciso cruzar o país e chegar bem pertinho da fronteira com a Argélia, atravessando a cordilheira Atlas ou Rif, que se estende por mais de 2400 km entre o oceano e o deserto. A montanha mais alta da cordilheira é  a Jbel Toubkal, com 4 167 m acima do nível do mar, a segunda mais alta da África, perdendo apenas para o Kilimanjaro na Tanzânia. Nesta época do ano, os picos mais altos estão nevados, deixando a paisagem ainda mais bonita!

Os Berberes são o povo do deserto. Nômades, vivem principalmente da criação de camelos e do turismo, explorando desde os fósseis da região até excursões para os entusiastas que desejam passar a noite debaixo do incrível céu estrelado do Saara. Acompanhar o pôr do sol, e as sutileza das mudanças de cores das dunas é imperdível.

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Deserto do Saara. Merzouga. Marrocos

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Deserto do Saara. Merzouga. Marrocos.

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Os berberes no deserto do Saara. Merzouga. Marrocos.

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Crianças berberes vendendo fósseis e souvenires. Saara. Merzouga. Marrocos

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Passeio de camelo nas dunas do Saara. Merzouga. Marrocos.

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Por do sol no Saara. Merzouga. Marrocos.

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Instituto Berbere em prevenção a língua e cultura berbere. Merzouga. Marrocos.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Estrada marroquina em direção as Cordilheiras Atlas.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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A fauna da Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Azrou. Marrocos.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Marrocos

Chefchaouen, a cidade azul, situada no norte do país, nas encostas da cordilheira, é outro ponto muito visitado do Marrocos. Fundada em 1471 para tentar impedir a invasão portuguesa no continente africano, a cidade acabou virando refúgio dos judeus a partir de 1930. Existe muitas teorias para explicar o azul, entre elas, que espanta mosquitos. No entanto, a teoria mais aceita é que os judeus, para preservar a tradição sagrada das roupas dos reis do Antigo Testamento, resolveram reverenciar o azul, fazendo da pacata cidade a “extensão do céu”. O número de judeus da cidade é bem pequeno nos dias de hoje, mas os habitantes ainda seguem a tradição, pintando as fachadas, ruelas e escadarias em diferentes tons de azul.

Chefchaouen passou a ser ponto obrigatório para os “malucos”. Dizem que o haxixe da região é um dos melhores do mundo!

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Chefchaouen. Marrocos.

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Chefchaouen. Marrocos.

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Chefchaouen. Marrocos.

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Chefchaouen. Marrocos.

As grandes cidades como Fez, Casablanca, Rabat (capital), Marraquexe e Tanger, possuem como principal atração os palácios reais, as grandes mesquitas e a Medina. Medina é o nome do bairro mais antigo da cidade. Toda cidade tem a sua, que geralmente é cercada por grandes muralhas que no passado serviam de fortificações. A dica é se hospedar dentro das muralhas em um Riad, nome dado aos pequenos hotéis tipo pousada. Geralmente administrado por famílias que também habitam o local.

As Medinas são verdadeiros emaranhados formados por ruelas, escadarias e becos que exigem bastante do senso de direção. Certamente você vai se perder dentro dela. Então, procure guardar o nome de um ponto de referência como uma mesquita, o nome do hotel ou um dos grandes portões das muralhas Todos os portões possuem nomes. E não se preocupe, há sempre um guia para te levar de volta em troca de alguns trocados.

Além da arquitetura genuína, as Medinas possuem identidade única, um comércio vibrante, onde turistas e locais se espremem em meio a carroças, motos e bicicletas em um agitado frenesi. Em geral, parecem desorganizadas, mas existe os Souks, setorizando diferentes áreas do comércio como vestimenta, especiarias, restaurantes e souvenir por exemplo.

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Medina de Fez. Marrocos.

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Riad em Fez. Marrocos.

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Fez. Marrocos.

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Curtume em Fez. Marrocos.

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Fez. Marrocos.

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Fez. A maior medina do mundo árabe. Marrocos.

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Medina. Fez. Marrocos.

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Mesquita Hassan II. Casablanca. Marrocos.

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Feira livre na Medina de Casablanca. Marrocos.

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Casablanca. Marrocos.

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Marraquexe. Marrocos.

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Marraquexe. Marrocos.

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Rabat. Marrocos.

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Rio Bouregreg. Rabat. Marrocos.

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Medina de Rabat. Marrocos.

Viajar de bicicleta pelo centro-norte do Marrocos é bastante excitante, com paisagens de tirar o fôlego! Geralmente o trânsito é moderado, mas as pistas sem acostamentos, as curvas nas regiões de montanha, a frota antiga e motoristas agressivos exigem muita atenção. As vilas ou cidades são frequentes, e os marroquinos estão sempre dispostos a ajudar, seja com um simples copo de água, passando por um prato de comida e até um lugar para passar a noite. Carente de saneamento básico, o povo do interior é muito simples, vivem quase que exclusivamente da produção rural de subsistência, calcado por grandes latifúndios de plantação de trigo, soja e milho, fazendo algum dinheiro com o excedente da produção. Os mais afortunados possuem pequenos comércios ou industrias de manufaturas que exploram a matéria prima local. Pequenas fábricas de azeite,pão, especiarias, tapetes, panelas de barro, artesanato são alguns exemplos.

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Estadas do Marrocos.

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Marrocos.

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Marrocos.

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Estradas do Marrocos.

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Estradas do Marrocos.

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Mulher marroquina vendendo hortaliças em feira livre. Chefchauoen. Marrocos.

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Mulher do campo. Marrocos.

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Tear. Marrocos.

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Mulher do campo II. Marrocos.

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Hospitalidade local. Marrocos.

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Pão fresco o dia todo. Marrocos.

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Um dos símbolos da superstição marroquina.

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Mulher do campo III. Marrocos.

A diversidade gastronômica do Marrocos é incrível! Quase sempre rústica, com carnes variadas, peixes e vegetais, o país se orgulha do cuscuz (sêmola de trigo), e do tajine. Na verdade tajine é o nome da panela em forma de vulcão, geralmente de cerâmica, que dá nome ao prato servido com uma carne e vegetais. O tajine de cordeiro é o meu preferido.

Os restaurantes de beira de estrada possuem um açougue agregado que servem os dois pratos típicos e também churrasco. Os miúdos como fígado, coração e rins também são muito apreciados. Você escolhe a parte que quer assar, compra por peso, e é adicionado uma taxa para preparar. Um quilo de carrê de cordeiro sai em torno de US$ 7.

O Harira é uma sopa de grão de bico, o Maticha, espécie de omelete que pode levar queijo, tomate ou embutidos, também são muito populares, assim como os peixes e frutos do mar, que podem ser encontrados, fritos, empanados ou na brasa.

Nas casas a comida é geralmente servida em um único prato. O pão acompanha todas as refeições, fazendo o papel dos talheres, que são encontrados apenas em restaurantes mais sofisticados. Embora o país seja o paraíso das especiarias, o cominho é predominante em todos os pratos. Até ovo cozido é “xunxado”  no cominho em pó. Embora os pratos não sejam picantes, o molho de pimenta chamado Harissa acompanha tudo, sempre servido separadamente.

Todas as refeições são acompanhadas de chá, que no geral são de hortelã e bem doce. Por ser um país muçulmano não é comum encontrar bebida alcoólica por aqui. As frutas secas, nozes e castanhas, verduras e hortaliças são abundantes. O quilo de tâmaras custa em média US$ 2,5. Nem preciso falar que caio matando, né? kkk As frutas também são deliciosas, com destaque para a maça, pêra tipo portuguesa e as minhas favoritas mexericas. Ual! São deliciosas!!! Lembra as da minha infância no sítio dos meus avós.

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Típico restaurante de beira de estrada. Marrocos.

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Comendo um peixinho. Marrocos.

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Tajine de cordeiro. Meu prato favorito. Marrocos.

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Tajine. Marrocos.

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Fábrica de panela Tajine. Marrocos.

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Jantando com amigos em Tanger. Marrocos.

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Cozinha típica de restaurante do Marrocos.

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Vendedor de pimenta. Rabat. Marrocos.

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Comida de rua. Marrocos.

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Jantar com a família de Yacine, membro do warmshower. Sale. Marrocos.

Nesta época do ano a produção de azeite de oliva está a todo vapor! Geralmente são as mulheres que debulham as azeitonas do pé com longas varas, na base da pancada. Daí, os frutos são recolhidos e enviados para pequenas fábricas ou para moendas movidas por animais. O quilo da azeitona sai por US$ 2, e o azeite USS 6 o litro. Estou abusando do azeite, azeitonas e um queijo tipo coalhada vendido por mulheres na beira de estrada. Delícia sem fim!

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Mulher colhedora de azeitonas. Marrocos.

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Colhendo azeitonas. Marrocos.

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Moenda de azeitonas. Marrocos.

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Azeitonas do Marrocos.

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Vendedora de queijo. Marrocos.

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Queijo tipo coalhada. Marrocos.

Mesmo ao nível do mar, as temperaturas durante a noite são baixas, exigindo proteção. Em algumas noites, dormi em restaurantes de beira de estrada, aproveitando da hospitalidade do povo local. Chove pouco nesta época do ano, os ventos são relativamente fortes e mudam bastante de direção.

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Restaurante onde passei a noite atrás do balcão. Marrocos.

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Restaurante onde montei minha barraca para passar a noite. Marrocos.

Ainda em Tanger, conheci Leighton, um canadense, e no nosso primeiro dia de pedal, cruzamos o inglês Luck, escalando a primeira grande subida em território marroquino. Todos com planos bem parecidos, seguimos juntos nos primeiros dias. Nos entrosamos bem, mas como estava indo encontrar a minha família me separei precocemente dos amigos. Lucas chegaria em Marraquexe e voltaria para casa. O canadense, voltou para a França, e infelizmente fiquei sabendo que teve a bicicleta roubada. Um duro golpe para o garoto que tinha ambição de chegar ao sul da Croácia.

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Leighton, eu e Lucas, tomando chá em Chefchaouen. Marrocos.

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Leighton, Lucas e eu recebendo o carinho do povo local em uma fazenda onde passamos a noite. Marrocos.

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Leighton e Lucas descansando depois de longa escalada. Marrocos.

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Eu e meus amigos ajustando a rota em casa abandonada onde passamos a noite. Marrocos.

Agora minha férias acabou! Curti tudo que pude, claro, querendo mais! Ainda posso sentir o cheiro de todos! E isso me alimenta! Me sinto com as baterias carregadas para enfrentar, ou melhor, curtir 2017 de maneira intensa! Meu coração está pronto para as emoções!

Já renovei meu passaporte, e o visto da Mauritânia, meu próximo destino, estréia meu novo documento. As atenções agora se voltam aos preparativos para enfrentar um dos grandes desafios do projeto Da China para Casa by Bike até aqui. Para chegar a Mauritânia será preciso desbravar o maior deserto do mundo, o Saara. Mas antes disso, ainda tem um longo trecho de Marrocos até chegar lá! A boa notícia é que meu velho e companheiro Jordi, o catalão que já pedalou comigo na Nova Zelândia e Europa, está chegando para me acompanhar por mais um trecho.

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A vice-cônsul, Sra. Silvia Ali e Khalid, com meu novo passaporte. Mais uma vez muito bem tratado em uma embaixada. Rabat. Marrocos.

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Welcome Jordi! The Saara is waiting for us! Bem vindo Jordi! O Saara nos espera!

Esse é o meu primeiro post do ano. Aproveito a oportunidade para desejar um ótimo 2017 a todos, e dizer que a sua visita no blog, as curtidas, os recados e mensagens, continuam sendo um grande combustível para eu seguir em frente!

Para me ajudar um pouco mais, da um clik no botão de seguir aí do blog! Fica lá em cima, a direita! Convida um amigo! Tenho como objetivo para esse ano, melhorar a propagação da minha aventura.

Muito obrigado e vamos juntos, de peito aberto, com ou vento a favor, ou não, para o melhor ano de nossas vidas! INSHA’ALLAH (em árabe: esperança em um acontecimento; se Deus, ou Alá, quiser).

Lisboa: o ponto final!

Lisboa foi a última cidade visitada pelo Projeto da China para Casa by Bike na Europa. Foram mais de 180 dias no velho continente, incluindo a primeira passagem no Leste Europeu. Era a minha terceira visita na cidade, e desta vez, mesmo sendo a mais curta, foi a melhor! Não tive a oportunidade de ir as principais atrações turísticas, nem de voltar a alguns restaurantes ou conhecer outros tantos… nem mesmo fui a Belém comer um pastel! Não fui ao Jõao do Grão, um dos restaurantes favoritos do meu mais português dos parentes, meu querido Tio João Caetano… e também não escutei fado! Mas por outro lado, a bicicleta, esse meio de transporte incrível, me colocou em contato direto com os lisboenses, me dando a oportunidade de ver a cidade através da ótica dos moradores locais, seus pontos de vistas, como pensam e vêem a cidade, e conhecendo seus lugares favoritos.

Fiquei hospedado na casa de Gonçalo Peres via warmshowers. Sempre disposto a ajudar e disponível, Gonçalo me ajudou com os preparativos para deixar a Europa, me levou a um show de uma banda popular, por um tour na cidade e fez questão de me apresentar alguns pratos típicos para ajudar o meu projeto.Enveredamos por vários assuntos em longas conversas interessantes, onde tive a oportunidade de aprender bastante com o novo amigo.

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Lisboa – Portugal.

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Castanhas portuguesas. Lisboa – Portugal

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Atenção a TV do bar. É hora de Benfica x Sporting. Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Simpatia dos lisboenses. Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Delícias de Lisboa. Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Bob Marley em Lisboa – Portugal.

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Mosaico de Amália Rodrigues. Lisboa – Portugal.

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Sandra e Gonçalo. Meus amigos portugueses. Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

Agora a aventura toma outros rumos! Depois do Sudeste Asiático, Oceania, parte da Ásia Central e Oriente Média, totalizando 44 países e mais de 36.600 km pedalados, o Projeto da China para Casa by Bike volta para a África. Depois de Egito e Tunísia, te convido mais uma vez a subir na minha garupa, e seguir comigo para o Marrocos.