Minha volta ao Mundo de Bicicleta! Um pouco da aventura, um pouco do aventureiro!

Sempre considero o primeiro dia, como o mais importante dos meus projetos! Nada acontece se não dermos o primeiro passo, não é verdade? E foi ele que me trouxe a Dakar, capital do Senegal, 47° país visitado com o Projeto Da China para Casa by Bike em 3 anos e 5 meses, onde completei a distância equivalente a circunferência da Terra, 40.075 km, ratificando assim, minha Volta ao Mundo de Bicicleta.

Saí do Brasil para pedalar 6.000 km por 6 meses entre Hong Kong e Singapura, e ainda não fazia ideia onde iria chegar. Me sentia pleno e feliz e ao mesmo tempo angustiado com a aproximação do término da minha viagem pela Ásia. Aliás, este foi o mesmo sentimento que me ocorreu com o Projeto Noruega by Bike em 2011.

Então, incentivado pela minha irmã Cynthia, decidi ir mais longe.

Cynthia: _ Se não agora, quando? Não é você que diz para não desperdiçar as oportunidades?

Eu: _ Provavelmente nunca, tenho medo! É arriscado!

Cynthia: _ Na contra capa do seu livro está escrito que coragem não é a ausência de medo e sim a presença da ação, esqueceu?.

Eu: _ E se eu fracassar? Já tenho mais de 40!

Cynthia: _ Ahhh Muleke! Vai viver com essa dúvida? Não é você que diz que o seu maior medo é chegar na velhice sem ter vivido seus sonhos? A idade só te ajuda a administrar os riscos. Experiência conta nessas horas…

Eu: _ Meu planejamento para o Noruega e Ásia by Bike foram minuciosos. Nem sei para onde ir se decidir continuar.

Cynthia: _  Muda o estilo, se reinventa! Você pode planejar por etapas, não precisa ter uma visão global. Aos poucos Zé, aos poucos… E quando “der” pra você, você volta. Relaxa!

Eu: _ Falar é fácil! E a Ana Laura? Tenho responsabilidades como pai, sabia?

Cynthia: _ Bom! Realmente com isso eu não posso te ajudar… mas você pode contar comigo para todo o resto.

Estávamos em uma praia paradisíaca na Tailândia, e a conversa continuou mais ou menos nessa toada por horas, regadas por sucos de frutas tropicais e pela deliciosa gastronomia local.

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Ilha de Kho Tao – Tailândia

A minha insegurança era tamanha que ao invés de focar nas soluções só enxergava problemas. A mesma tática usada por milhões de pessoas em todo o mundo para boicotar projetos e sonhos… e no fundo eu sabia disso!

E tudo que a Cynthia me dizia fazia sentido. Ela estava usando as minhas palavras contra mim, ou ao meu favor, e me deixou sem saídas!

A Cynthia voltou para o Brasil poucos dias depois. Tive a sensação de que ela acendera o pavio e deixara a bomba em minhas mãos. Eu fiquei, com meu “inquilino”, debatendo por vários dias, buscando as respostas que me faziam sentido.

Com minha irmã  fazendo o “meio de campo” no Brasil, bastava um pouco de atitude e determinação para solucionar os  meus dilemas. Meus medos nunca foram capazes de subtrair o meu impulso. Já conhecia bem a matemática de viajar de bicicleta. O “x” sempre esteve relacionado com as minhas responsabilidades como pai, ausência e saudade! E para solucionar essa equação, recorri aos mesmos princípios que adotei nos projetos anteriores.

Como posso responsabilizar a minha filha por abrir mão de um sonho? Fuga? Seria injusto para mim e muito pesado para ela carregar. Subterfúgio? É minha responsabilidade! Eu empunho o lema de que para conquistar o que se almeja, é preciso abrir mão de muitas coisas, e sei que quanto mais importantes forem essas privações, maior será a motivação para buscar e a satisfação ao alcançar o objetivo.

Eu sabia que poderia usar esses sentimentos a meu favor. E acredito que ao adotar esse novo estilo de vida aventureiro, agrego ainda mais princípios e valores importantes a minha vida e consequentemente ao da minha filha. Juntamente com essa aventura, tem a busca pelo meu melhor!

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Taipei – Taiwan.

Assumir a responsabilidade de dar a volta ao mundo de bicicleta, tinha muito mais a ver com o risco de voltar para casa com a sensação de fracasso, e conviver com essa frustração pelo resto da vida, do que propriamente pedalar os 40.000 km equivalentes a Linha do Equador. O que mais distingue um aventureiro de um cagarola, senão o fato de assumir riscos? Sempre acreditei na minha capacidade em administrá-los. Como disse em outra oportunidade, o risco é proporcional a intensidade que você decide viver! E naquela altura eu já estava no ritmo frenético e cego da paixão em viajar de bicicleta, da sensação de liberdade e tudo aquilo que a viagem estava me proporcionando. Me sentia motivado, minha energia transbordava! Eu e meu coração estávamos alinhados e continuar fazia todo sentido para minha alma!

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Nova Zelândia.

Seguir em frente no entanto, exigia mudanças significativas, tanto comportamentais como estratégicas. Sabia que não teria controle de tudo que aconteceria a partir desta decisão, mas me sentia tranquilo, e de uma certa forma pronto para aceitar e praticar as mudanças necessárias. Mudar sim, mas perder a essência nunca! Tem coisas na minha natureza que não abro mão!

Nunca serei um aventureiro “porra louca”, insensato do tipo destemido. Planejamento, avaliação, estratégia, pesquisa sempre farão parte do meu dia a dia. A sorte é só uma aliada, não é o meu norte. Embora adore experimentar o novo, necessito um pouco de rotina. Gosto de ser surpreendido pelo inesperado, pela casualidade, mas preciso me sentir preparado para o desafio. Tenho ímpeto de conhecer lugares, mas priorizo encontros com pessoas, e tudo isso fica mais evidente a medida que a viagem cresce!

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Líbano.

E como ela cresceu substancialmente, percebi que o melhor a fazer seria fracionar meu objetivo em etapas. Definir pequenos trechos e estudá-los seria muito mais fácil e flexível do que planejar a rota definitiva. Muita gente sabe onde quer chegar, mas vê o objetivo tão distante, que se sente desmotivada, e desiste, as vezes, antes mesmo de começar. Ao desmembrar meu grande objetivo, perdi a “linearidade” do sentido leste/oeste e ziguezagueei um pouco pelo mundo, mantendo o foco em locais, culturas e sabores que me interessam.

Aliás, encarei a flexibilização da viagem como a grande evolução estratégica. Ao contrário dos projetos anteriores, com datas de saída e chegada estipuladas, ganhei ainda mais liberdade e consegui melhor controle da ansiedade. Sem falar que a expectativa de cumprir cada etapa, mantem a motivação elevada, o foco ajustado, transformando cada conquista em estímulo para seguir em frente! É muito mais fácil manter a motivação e o foco quando o objetivo não está muito distante!

Um bom exemplo disso aconteceu quando surgiu a ideia da última etapa, cumprida ao chegar em Dakar, onde estou agora. A decisão surgiu como um impulso.

Pedalava na Europa. Já havia “subido” da Itália (ponto inicial da etapa) até a Holanda, e agora estava “descendo” até Lisboa (ponto final da etapa). De Lisboa iniciaria uma nova rota, mas ainda estava pesquisando sobre qual rumo tomaria. Estava chegando na capital da França, atravessando uma região chata do subúrbio, me esquivando do tráfego e prestando atenção na rota traçada pelo GPS. Tempo nublado com chuviscos ocasionais. Frio. Um pedal chato. Barulho! De repente ela surgiu em minha frente, tímida, com a neblina deixando-a pálida. Vi, registrei a imagem em meu cérebro, mas não tive a sensibilidade de dar a devida importância ao momento. Minha atenção estava voltada as buzinas que me azucrinavam, e ao corredor entre os carros que se estreitava à medida que me aproximava de um grande cruzamento. Alguns quilômetros à frente a ficha caiu. Me deparei com ela novamente, ainda pálida, mas desta vez ela estava  imponente, gigante, linda! Torre Eiffel!!! Meus olhos transbordaram e foi difícil me convencer que havia chegado em Paris pedalando. E quando eu soltei um _ Caraca!!! Estou em Paris!!!! Dakar explodiu na minha cabeça! Paris – Dakar! E por que não!

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Paris – França

A etapa Europa deu lugar a etapa Paris-Dakar, e o roteiro parecia perfeito! A medida em que minhas pesquisas foram se aprofundando, fui encontrando pistas de que estava “no caminho certo”! Um roteiro que culminaria com uma quilometragem muito aproximada da Linha do Equador – 40.075 km, contemplando a realização do grande sonho em dar a volta ao mundo de bicicleta, e que ao mesmo tempo preencheria as expectativas não só minhas, mais de muitos aventureiros. Dos líricos aos racionais!

Acredito que os aventureiros de um modo geral são motivados pela exploração, descoberta, aprendizado, prazer e é claro diversão, ou melhor, muita diversão! Creio que a busca pelo equilíbrio entre as sensações do corpo, mente e alma também são senso comum da comunidade. A partir daí, as vertentes se diferem bastante, pois cada indivíduo possui sua própria personalidade, estilo, interesses e crenças. Gosto de associar minha aventura a coordenadas geográficas, extremos, marcos naturais. Amo desafiar meus limites e superá-los. Gosto de criar meus próprios roteiros e de estar em um lugar pela primeira vez, ao mesmo tempo que sou atraído pelo romantismo dos roteiros tradicionais, assim como gosto de voltar a lugares que me marcaram.  Gosto de encontrar pessoas e da intensidade da viagem, mas também gosto dos momentos solitários que me proporcionam reflexões. E para mim,  faz todo sentido associar tudo isso a um apego cultural.

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Egito

E para me infiltrar na cultura local, não poderia ter sido mais feliz ao incorporar cicloturismo e gastronomia aos meus projetos.

Enquanto viajar de bicicleta possui a magia de atrair e encantar, a gastronomia me oferece a oportunidade de entrar nas casas, revelando a identidade dos locais, os sabores e aromas de cada país visitado. Como se não bastasse, meus dois hobbies despertam carinho, solidariedade e a sensibilidade das pessoas, me dando cada vez mais certeza de que o mundo é, na grande maioria das vezes, um lugar bom e seguro.

A rota Paris-Dakar coroou minha volta ao mundo resumindo toda emoção que estou vivendo desde quando deixei o Brasil em novembro de 2013. Grandes desafios, destinos exóticos, novas culturas, encontros emocionantes, paisagens incríveis, contato com a natureza e muito aprendizado!

Com a minha máquina fotográfica, registro a trilha que meus pneus desenham no mundo, eternizo minhas lembranças, e relato o dia a dia da minha aventura. Através das minhas lentes, desnudo a poesia, a diversidade, e a realidade do mundo que estou descobrindo de cima do selim da minha bicicleta, e através do Blog, Youtube e das outras mídias sociais, como Instagram e Facebook, faço a ponte de conexão entre minhas emoções e sentimentos com a minha família, amigos e todos aqueles que pegam carona na minha garupa. Essas ferramentas, além de encurtar distâncias, é também uma maneira de me sentir presente. Confesso que esse longo período de solidão judia demais do caboclo aqui!

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Croácia.

Noto que meu blog cada vez mais, vem sendo usado como ferramenta de pesquisas, ajudando a preservar meu compromisso e responsabilidade em buscar informações, curiosidades e dicas. Esse comprometimento me ajuda tanto na logística, me dando confiança para seguir em frente, quanto em meu enriquecimento cultural, unindo o prazer de aprender e compartilhar. Reconheço, no entanto, que a prospecção da minha viagem deixa muito a desejar. Sinceramente, creio que minha jornada merecia maior visibilidade se comparado ao seu tamanho global. Não quero e não vou vulgarizar ou adotar um tom de oba oba, mas acho que chegou a hora de dedicar um pouco mais de atenção a divulgação, buscando aumentar o número de seguidores que se interessam pela essência dos meus projetos, e de parceiros que se identificam com os ideias e me ajudem a divulgar e explorar de maneira adequada tudo que minha aventura representa.

Então família, amigos e simpatizantes, quero pedir a sua ajuda! Se você ainda não me segue, que tal me dar uma forcinha, clicando no botão “seguir” do meu blog e no canal do youtube? Ao mesmo tempo em que você oficializa seu apoio, vai ficar sabendo em primeira mão toda vez que rolar uma novidade. E se quiser ir ainda mais longe, curta e compartilhe meus posts no Facebook. Vai ajudar mais que imagina e me deixar feliz pra caramba! Conto com vocês!

Aliás, chegou a hora de agradecer você que está viajando comigo já há algum tempo. Saiba que receber o seu carinho faz toda a diferença. Para expressar a minha gratidão, me perdoe usar o chavão eternizado por Christopher McCandless no filme Na Natureza Selvagem – “A felicidade só é verdadeira se for compartilhada”. Muito obrigado pelo carinho e por não me deixar andar sozinho! Embora tenha ciência de que foi minha paixão que me trouxe até aqui, aliás, a relação paixão e resultado é outro princípio no qual acredito, considero cada um dos meus seguidores, dos mais chegados aos mais distantes, o alicerce da minha aventura.  Compartilhar as histórias e aprendizados faz tanto sentido para mim que ao término desse sonho, quero continuar a minha missão de ministrar palestras motivacional com objetivo de influenciar e motivar a busca do sonho e o melhor de cada um

Por último, não entenda que sou desapegado pelo fato de estar tanto tempo na estrada. Não sou!!! A saudade grita dentro de mim! Sinto falta de tudo e de todos que gosto! Minhas lembranças e a vontade de estar presente machucam muito! Sinto falta da minha TV e do meu sofá, sim Senhor! No entanto, uma das coisas que me fez romper com o conservadorismo e mudar meu estilo de vida foi decidir não desperdiçar as oportunidades. Quero aproveitar ao máximo minha aventura. Continuo tão motivado como se fosse o primeiro dia!

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1.224 dias. 47 países. 40.075 km pedalados. Dar literalmente a volta ao mundo foi uma vitória pessoal que me fez superar meus limites físicos e mentais. Fica a lição que não é possível chegar a lugar nenhum se não dermos o primeiro passo, e que não é a velocidade, e sim a direção a seguir o mais importante. Nunca estive tão perto de casa e alguns poderiam imaginar Dakar como o ponto final da minha aventura. Mas para os aventureiros nem sempre um ponto final representa o fim, e sim o ponto de partida para uma nova aventura!

Sem pressa, mas cada dia mais perto de casa!

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Bye bye Mauritânia! Bye bye Saara! E que venham novos desafios!

Meso não me sentindo 100 % depois de alguns dias de repouso, as dores regrediram, e resolvi enfrentar a estrada novamente. Estava inseguro e me sentindo pressionado pela minha própria vontade de seguir em frente, e por Jordi, que já demonstrava inquietude e impaciência por tanto me esperar. Coitado! Quero ressaltar que meu amigo fez de tudo para me deixar confortável, demonstrando solidariedade em todos os momentos que precisei. Até massagem ele me fez! Valeu amigão! Esse momento está sendo muito mais confortável com sua ajuda! Muito obrigado! Continuo contando com você, Jordi! Aliás, quero agradecer também a todos que me mandaram mensagens e ligaram para me dar uma força! Se os recados já são legais quando estou na boa, eles se tornam ainda mais importante quando estou na pior! Obrigado galera!

Entre Nouakchott e Saint-Louis / Senegal (o próximo ponto de apoio caso eu necessitasse), teria que pedalar cerca de 275 km, sendo 50 deles em estrada sem asfalto. Trepidação, areão e pelo menos  3 noites dormindo em barraca. Tudo isso me colocava em check! Mas depois de adiar nossa partida por duas vezes, fiz um teste e senti que poderia ao menos pedalar com uma das mãos. Decidi correr o risco, contrariando as recomendações!

Com o vento sempre ajudando e relevo gentil, pude realmente poupar o lado comprometido, pedalando apenas com a mão direita no guidão na maior parte do tempo. Diferentemente da parte norte do país, o Saara ao sul da Mauritânia é mais povoado, com muitas vilas e mais pontos de apoio. Embora precários, os pequenos comércios foram suficientes para nos abastecer com água, e nos colocar em contato direto com o curioso e amistoso povo local. A vegetação é outra diferença marcante! Árvores e arbustos são abundantes, marcando a zona de transição desértica, e assim, conseguimos sempre uma boa sombra para descansar no meio do dia.

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Pequenas vilas no Saara. Mauritânia.

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Pequenas vilas no Saara. Mauritânia.

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Jordi recebendo o carinho do povo local. Mauritânia.

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Simpáticos Mauritanos

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Ahhh minha rede!!! Saara. Mauritânia.

Quando nos aproximamos do Rio Senegal, também conhecido por Rio do Ouro, que separa a Mauritânia e o país de mesmo nome, como em um passe de mágica, o cerrado se transformou em zona pantaneira. Nesta região do delta, junto a foz, fica o Parque Nacional Diawling, um santuário ecológico que abriga  mais de 200 espécies de aves como pelicanos, flamingos, cegonhas negras e também crocodilos, javalis e diversas espécies de peixes. Também tem muito gado pantaneiro e camelos, que certamente foram introduzidos nesta região pela população ribeirinha, devido a abundante oferta de alimentos. Existe bastante semelhança entre o parque e a região do Pantanal, inclusive com os enxames de pernilongos perto do nascer e pôr do sol. Barbaridade! Vale lembrar que a malária corre solta neste região. Fato que exige cuidado!

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Típica vegetação do deserto. Mauritânia.

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Descanso em Keur Macéne, cidade entre o deserto e o alagado. Mauritânia.

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Keur Macene. Mauritânnia.

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Ribeirinho. Parque Nacional Diawling. Mauritânia.

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Javali. Parque Nacional  Diawling. Mauritânia.

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Parque Nacional Diawling. Mauritânia.

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Parque Nacional Diawling. Mauritânia.

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Parque Nacional Diawling. Mauritânia.

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Parque Nacional Diawling. Mauritânia.

Se por um lado o ecossistema do parque nos distraiu depois de um longo período de seca, por outro, a estrada de chão foi arruinando minha lesão. Já tomei a decisão de parar e descansar assim que tiver oportunidade. Mas não sou apenas eu que estou sofrendo! Alguns dos meus equipamentos também padecem com a ação do tempo! Já se foram 3 anos e 4 meses de estrada meu! E muita coisa já possuía desde antes da viagem! Os equipamentos vão quebrando ou se danificando pelo simples fato de envelhecer! Muito uso! Desgaste natural! Tudo tem validade! A válvula do meu colchonete quebrou de tanto abrir e fechar! Diversos feixes dos alforjes já eram! Os alforjes estão “comendo” o alumínio na zona de contato com os racks. O fixador da bomba no quadro da bike já era! Barraca com problemas como relatei outro dia. Os pneus já muito perto da vida útil! Câmaras de ar ressecadas, muito tempo guardadas sem usar. Uma das conexões da mangueira dos freios ressecou e o óleo vazou. Estou com apenas um funcionando! Preço de viajar com sistema hidráulico! Eu sei! Mas já tinha a bike antes de viajar… e outra… saí de casa para ficar apenas 6 meses na estrada, lembra?  Pois é! Meus equipamentos vão minguando com o tempo e os riscos devem ser avaliados e levados em consideração para o planejamento da minha próxima etapa, que será definida muito em breve!

Infelizmente não consegui a qualidade desejada com relação a gastronomia na Mauritânia. Os pratos típicos são mais ou menos iguais ao Marrocos, como é o caso do cuscuz e tajine. O arroz acompanhado de frango, ou guizado de carne de ovelha ou de camelo também são muito apreciados. O suco da fruta do cactos é bem interessante e o chá com hortelã é a bebida nacional, servida depois de qualquer refeição ou simplesmente fazendo o papel do nosso cafezinho no meio da tarde.

A expectativa agora se volta para a minha recuperação completa, fato complicado que exige paciência, pois estou trabalhando com hipóteses, já que ainda não tenho um diagnóstico fechado; para Senegal, o 47° país visitado pelo Projeto da China para Casa by Bike; e pela aproximação de uma importante meta pessoal, que me orgulha, me fortalece, me motiva a seguir em frente ou me deixa pronto para voltar para casa! Aguardem novidades!

 

 

 

 

 

 

 

Nouakchott – Capital da Mauritânia

Devido a uma forte contratura muscular na região cervical que se estendeu até o ombro, acabei ficando uma semana em Nouakchott. Fui ao hospital, tomei algumas injeções, e comprei uma batelada de remédios. Com fortes dores, não tive ânimo para passear como normalmente faço ao visitar uma cidade pela primeira vez. Fiquei a maioria dos dias dentro do quarto do hotel, descansando, fazendo alongamento e desafiando minhas limitações tecnológicas. Finalmente, baixei o Movie Maker no computador e resolvi, depois de muito relutar, a aprender editar vídeos. Desci dos tamancos da excelência, vesti as sandálias da humildade, e resolvi publicar abaixo, meu primeiro vídeo editado, com imagens que fiz  durante uma tarde e quando estava deixando a cidade.

Me atrapalhei bastante nos comandos, teve coisas que não consegui deixar como eu queria, e para ser sincero, me parece que quando subi o vídeo no youtube, o japonesinho que mora dentro do meu computador, mudou algumas configurações. kkkk

Mas agora é tarde demais!!! A internet aqui é muito lenta! Este vídeo levou 6 horas baixando… e não vai rolar baixar de novo! Peço desculpas aos mais exigentes e prometo melhorar nos próximos.  Afinal, a prática é que leva a perfeição! É ou não é! Faça como eu, seja tolerante e confira como Nouakchott é fervilhante, colorida, caótica! Surpreenda-se!

 

Mauritânia é coisa de louco meu amigo!!!

Cultura chocante, a mais estranha oferta sexual que já recebi na vida, cruzar território não reconhecido internacionalmente (terra de ninguém),  deserto e raríssimos pontos de apoio, calor, e uma derrota marcante que me deixou muito triste! São os mais de 3 anos de viagem cobrando seu preço!

Geograficamente localizado no norte da África entre dois países conhecidos pelos brasileiros, Marrocos ao norte e Senegal ao sul, muito pouco se sabe sobre a Mauritânia. O Saara cobre 75% do país e sua economia provém principalmente do minério de ferro (50% das exportações), petróleo, ouro, prata e bronze. A maioria da população vive na pobreza e o fato curioso é que o país aboliu a escravatura apenas em 1981.

Sempre falo aqui sobre culturas diferentes das nossas e coisa e tal… mas a  República Islâmica da Mauritânia (Nome oficial do país) surpreendeu! Ao mesmo tempo em que as mulheres são chefes de família e responsáveis pela casa e crianças, elas são impedidas de ir a escola e trabalhar. Quanto a isso, se entendermos que estamos em um país muçulmano sunita, podemos até considerar “normal”, não é verdade? Todos nós sabemos sobre as diferenças dos direitos entre os sexos em um país regido pelas leis do Islã.

Mas se liga no que acontece por aqui!

Diferente do padrão mundial, na Mauritânia as mulheres magras não tem vez! Isso mesmo! Segundo a tradição Leblouh, são as gordinhas que fazem sucesso por aqui! E a coisa é levada a sério meu chapa! As famílias mandam suas filhas para um Acampamento de Engorda. Um tipo de campo de concentração , onde as crianças entre 5 a 9 anos são forçadas a ingerir até 16.000 kcal por dia! Aos 12 anos já pesam mais de 80 kg. Se vomitarem, ou não seguirem as regras, sofrem castigos e torturas. A obsessão pelos “pneuzinhos”  e estrias é tão grande, que chegam a drogar as crianças para comer mais e mais. Algumas meninas são abandonadas pelas famílias caso não consigam engordar.

De acordo com instituições que defendem os direitos das mulheres, o Leblouh vem perdendo força nas classes média e alta do país,  mas ainda é muito praticado nas classes mais baixas e na zona rural. Segundo a tradição, quanto maior a mulher, mais espaço ela ocupa no coração do marido, não dando espaço para concorrentes. A cultura diz que ser gorda, traz felicidade e estimula o casamento precoce. Assustador, não é mesmo!!! Mas não termina por aqui. Mais abaixo vou relatar um fato curioso que aconteceu comigo.

Posso dizer que minha chegada ao país também foi um pouco sinistra. Entre as fronteiras de Marrocos e Mauritânia existe uma faixa de terra  de 6 km, não reconhecida internacionalmente, ocupada pelas Nações Unidas. Uma terra de ninguém, podemos dizer assim! Sem estrada e muito militarizada.

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Estrada entre as fronteiras entre Marrocos e Mauritânia. Território não reconhecido internacionalmente ocupado pela Nações Unidas..

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Estrada entres as fronteiras de Marrocos e Mauritânia sendo guardada por bases militares e viaturas da ONU. Território não reconhecido internacionalmente ocupado pela Nações Unidas.

Depois de atravessar o território não reconhecido, chegamos, Jordi e eu, na Mauritânia. Eu já estava com o visto em meu passaporte, mas Jordi teve que enfrentar a burocracia e “morrer” com uma grana a mais para receber o carimbo.

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Posto de fronteira da Mauritânia.

Conforme o esperado, nossa dificuldade aumentou no Saara do lado da Mauritânia. O sol, cada dia mais forte, exigiu mais cuidado e os pontos de apoio ficaram ainda mais escassos, nos obrigando a carregar mais água e comida. Para se ter uma ideia, o país é coberto por apenas 4 estradas asfaltadas. Sabendo disso, aproveitamos o vento a favor e paramos, já na boca da noite, em Boulenouar, cerca de 45 km da fronteira. Como já estávamos há alguns dias tomando banho com lenços umedecidos, que nunca conseguem vencer o poeirão do deserto com satisfação, decidimos alugar um quarto no único hotel do vilarejo. E que besteira que fizemos!!! Para começar, o hotel parecia uma prisão e a gororoba que jantamos estava mais para ração do que refeição. Além de pagar caro em relação ao Marrocos, fomos devorados por pulgas, carrapatos e piolhos. Que tristeza meu amigo! Decidimos que a partir de então, passaríamos as noites acampando. A lua cheia e a temperatura agradável durante a noite ofereciam as condições ideais.

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Nome das duas mais importantes cidades da Mauritânia.

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Nunca pare nesse hotel. Boulenouar. Mauritânia.

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Recepção do hotel em Boulenouar. Mauritânia.

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Jordi e eu esperando a nossa “ração” no hotel El Heze. Boulenouar. Mauritânia.

Em algumas pequenas vilas, a precariedade é tão grande que não existe eletricidade e a água é armazenada e barris de plástico. Não existe água mineral para comprar. Durante todo o trajeto é comum encontrar carcaças de carros abandonados, fato que nos remete ao terrorismo. Alguns estão tão contorcidos, com as fuselagens queimadas que parecem terem sidos bombardeados. Vale lembrar que em 2008, a maior prova de Rali do mundo, o Paris-Dakar, sofreu um ataque terrorista por fanáticos religiosos na Mauritânia, obrigando os organizadores mudarem o Rali de lugar.

As paisagens do Saara no lado da Mauritânia continuam muito parecidas com o Saara marroquino. Reparei apenas um pouco mais de verde, com algumas árvores, arbustos e moitas.

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Cidade fantasma. Mauritânia.

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Mauritânia.

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Mauritânia

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Mauritânia.

Quando aparece uma oportunidade, nos protegemos do sol nos pequenos armazéns de beira da estrada onde aproveitamos para cozinhar algo simples, já que ou não existe restaurantes ou a higiene do lugar não convence.  Mas como já disse, são raros. Teve dia que não achamos nada e nos escondemos debaixo de uma carroceria de caminhão abandonada. Os mosquitos azucrinam nossas vidas durante o dia, mas somem durante a noite e com isso, associado ao clima mais ameno, caprichamos mais no rango.

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Cozinhando em um armazém de beira de estrada. Mauritânia.

Depois do árabe, o francês é a língua mais falada, seguido pelo espanhol. Com sorte, é possível achar alguém que fala inglês. A população é bastante miscigenada entre mouros e negros. Sempre são muito simpáticos. Em alguns lugares, onde a pobreza e a falta de cultura prevalessem, tivemos dificuldades de comunicação e aborrecidos por pedintes. O lixo ao relento e o fedor também incomodam bastante!

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Jovens curiosos vestidos tipicamente com o Drâa, nos abordando amigavelmente na estrada. Mauritânia

Entre a fronteira e a capital Nouakchott, são 400 km e a única cidade propriamente dita é Chami. A cidade impressiona pela pobreza, sujeira e desorganização. Muita gente na rua, que foram atraídos pela febre do ouro. Quando chegamos a cidade, eu não me sentia bem. Um torcicolo me deixou travado e com fortes dores no ombro e por isso não consegui fazer muitas fotos. Devido a dor, buscamos um hotel, mas o único da cidade estava lotado. Seguimos viagem e paramos para acampar debaixo de um luar maravilhoso.Com a claridade da lua, praticamente não precisamos das lanternas para cozinhar. Mas a dor não me deixava curtir o momento como gostaria. Nem mesmo uma cáfila de camelos que pastava perto de nós me animou. Fui para a cama, ou melhor, para barraca mais cedo que gostaria.

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Chami. Mauritânia.

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Garimpeiros tomando chá em Chami. Mauritânia.

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A lua surgindo com tudo! Mauritânia.

Praticamente não dormi durante a noite. Desmontei acampamento com dores e pedalamos 8 km até um posto de combustível. Ali comemos, descansamos até o sol baixar novamente, compramos água e comida. Quando voltamos a pedalar já não conseguia ficar com a mão esquerda no guidão da bike. Fiz de tudo e a única posição que não me fazia ver estrelas era elevar o braço acima da cabeça. E assim fui, com vento ajudando por mais 20 km. Em uma barreira policial decidi pedir ajuda.

Enquanto Jordi ficou no check point, gentilmente, o comandante escalou um soldado para voltar comigo até Chami, para me levar a um pequeno hospital, que ficou sem energia durante todo o tempo que fiquei lá. O médico que me atendeu teve sensibilidade e mesmo sem falar inglês, conseguiu entender as minhas necessidades. Enquanto o soldado segurava a lanterna, o doutor me injetou um relaxante muscular e anti-inflamatório. Me deu uma caixa de remédio e me desejou boa sorte.

Aí aconteceu mais um momento inusitado da viagem.

Aproveitando a folga, o soldado me convidou para passar em sua casa. Era uma oportunidade para ele visitar a família. A cidade inteira sem energia. Só a rua principal, ou melhor, a estrada, com luminárias abastecidas com painéis solares, ao longe, e a lua é claro, traziam um pouco de luminosidade. Muita gente sentada em frente as casas e crianças correndo e brincando. Em 5 minutos de caminhada chegamos. Como não conseguíamos nos comunicar através de palavras, muita coisa se perdia na mímica, exigindo muito do meu senso de interpretação. Meio sem paciência devido a dor e cansado, fui “levando” o soldado da maneira que deu. Cumprimentei seus familiares homens, que estavam em frente a casa, sentados em uma esteira. A penumbra não permitindo a completa identificação dos rostos.

_ Salamaleico (Salaam Aleikum em árabe)! Soltei a saudação mais comum do mundo árabe com meu sotaque português.

_ Alaikum As-Salaam! Os 5 homens responderam simultaneamente, fazendo sinal para me sentar.

Sentei! Ou melhor, tentei, mas estava impaciente e com dor. Minha cabeça só pensava em descansar e eu já duvidava da minha recuperação para seguir pedalando no outro dia pela manhã. Ainda estava a 200 km da capital.

Me levantei e tentei me distrair com a lua, laranja naquele momento. Enorme! Linda!

Andando para lá e para cá, minha curiosidade me levou até a porta da casa, onde 3 mulheres conversavam em vós alta. A única luz vinha de uma lanterna de pilhas postada bem no meio do único cômodo da casa. Uma delas com uma criança no colo. As outras, se maquilando com um pó branco que as deixavam com uma aparência assustadora. A luz não era forte suficiente para revelar suas feições, que associadas ao rosto branco, parecia um filme de terror!  Nossa! Fantasmas, pensei!

Quando a última mulher terminou a auto maquilagem, senti um movimento diferente entre todos. O soldado me chamou até a porta, e com o dedo indicador, apontou para uma e depois para outra mulher, excluindo a que estava com o bebe. Estranhei, e demorei alguns segundos para entender que ele estava perguntando qual delas eu preferia. Bicho, fiquei sem graça que soltei uma gargalhada. As duas sentadas no chão com os olhos fixos em mim. Aqueles rostos brancos fantasmagóricos me deixavam pilhérico! Onde eles querem chegar? Tentei dar uma de “João sem braço”(expressão usada lá nas bandas de onde venho, que significa: dar uma de desentendido), e sair. Mas o soldado ao mesmo tempo que me segurou com firmeza o braço, fez sinal para uma delas se levantar e se aproximar. Me segurando com uma mão, e com a outra segurando o braço da mulher, ele nos aproximou. Com a cabeça, fez um movimento perguntando o que achei, soltando um: _ Small sister.

Não consegui sacar a idade da moça, que tinha um rosto bonito até, contrastando com os dentes desalinhados quando sorriu. Perfume barato exagerado! Roliça! Ela usava um bonito mulafa, traje típico das mulheres da Mauritânia.

Tentei me desvencilhar  das garras do soldado. Mas ele foi irredutível! Notei a expressão do seu rosto e fiquei um tanto quanto apavorado! O rosto amigável até então, exibia traços sérios, lembrando um soldado em formação. Naquele instante, percebi que o melhor a fazer era dar um sorriso e brincar. Nem me lembro o que falei…

Ao mesmo tempo que soltou o braço de uma,  fez um sinal para a outra moça se aproximar. Percebi a dificuldade que a mulher teve ao se levantar do chão com toda a banha que carregava. O mesmo perfume exagerado! _ Big sister, disse o soldado! Essa não era feia, era lazarenta de feia! Enorme! Essa deu medo! kkkk

De uma maneira mais incisiva e ao mesmo tempo fazendo parecer uma brincadeira, me livrei do soldado, dei um sorriso, e fazendo gestos com a mão imitando umas pedaladas disparei: Você quer pedalar comigo até o Brasil? kkkkk

Ao mesmo tempo em que estava achando engraçado,  sentia que as coisas estavam rolando com seriedade para eles. Não senti medo, mas fiquei inseguro e não entendi direito o que estava acontecendo. Será que o soldado estava tentando arrumar um casamento para as irmãs? Será que estavam apenas fazendo uma brincadeira entre família querendo saber minha opinião sobre qual era a mais bonita?

Fui me afastando da porta e o soldado tentando me segurar. Quando parei, com uma postura mais austera, pude ler os sinais que ele fazia com as mãos. O indicador de uma das mãos entrando no buraco que fazia com a outra, deixando claro que era sobre sexo o negócio.

Inacreditável! O soldado estava oferecendo as suas irmãs. E o pior, com o consentimento dos familiares e das próprias meninas. Ele ficou inconformado com a minha negativa. Batia a mão direita no peito suavemente, sobre o coração, como se estivesse dizendo: Vai lá cara, é de coração! Pode comer! Sinceramente não consegui interpretar sua intensão. O gesto que fazia parecia se tratar de uma cortesia, mas eu sentia que no fundo eles queriam dinheiro. Será que aqui rola o se comer tem que casar? Será que isso também faz parte da tradição Leblouh?

Joguei a culpa da minha negativa em minha dor e consegui fazer com que ele me levasse de volta ao acampamento. Jordi me ajudou a montar a barraca. As dores só aumentando! Quase não consegui dormir com meus pensamentos oscilando entre a experiência que acabara de viver e o quanto tudo aquilo me chocou, e a preocupação com as dores e ter que sair dali pedalando.

Pela manhã, tive a impressão que a dor não retrocedeu uma vírgula e uma angustia ainda maior, tomou conta de mim. Enquanto desmontava acampamento fui tentando me convencer que o melhor a fazer seria não pedalar. Aliás, com aquelas dores, não seria possível. Nenhum ponto de apoio, vento contra, forte calor, bicicleta ainda mais pesada com o estoque de água e comida e muitas outra coisas mais…

Chamei Jordi e lhe informei que não conseguiria chegar pedalando em Nouakchott. Foi difícil ver meu amigo se aprontando para partir sozinho! Fiquei com um nó na garganta. Ele partiu depois de um abraço e da promessa de um reencontro breve. Chorei ao ver meu amigo partir…

Os soldados pararam uma caminhonete. E os 200 km que fiz de carro foram os mais difíceis desde que iniciei a empreitada no Saara. Um sentimento de derrota! Fracasso! Angústia! Foram 3 horas e meia onde meu foco passou a ser o problema, e não a solução! A dor me impedindo de buscar uma saída!

Demorei um tempo para me organizar e me energizar novamente. Era preciso mudar minha atitude. A primeira coisa que fiz foi buscar uma explicação sobre isso. E estava fácil! O assunto está diretamente ligado a minha profissão. Tempos atrás, tive que mudar os ajustes da bike para amenizar uma lesão no pé. Desci o banco e a biomecânica do pedal mudo. Inclinação do corpo, ponto de pressão, alavancas e etc… Certamente, isso sobrecarregou outras áreas, que associado a um torcicolo, causou uma forte contratura que comprometeu a musculatura do trapézio, deltoide, manguito rotador, supraespinhal,  subescapular entre outros. A contratura foi tão forte que sobrecarregou a origem de alguns músculos e certamente exigiram mais dos tendões. Sei bem as consequências de fazer exercícios de maneira inadequada. E na verdade estava tentando administrar os problemas para seguir em frente. Mas chega uma hora que não dá mais! Nesses mais de 3 anos, sinto que, enquanto consigo manter a massa muscular dos músculos da perna, venho definhando na parte superior, principalmente braços e ombros. Estou certamente mais fraco nessas áreas e a bomba estourou.

Estou em fase de tratamento agora. Repouso forçado! Na capital Nouakchott, fui a um ortopedista, tomei mais uma injeção de anti-inflamatório, acionei minha irmã e cunhado que são fisioterapeutas e associado a um repouso, estou me recuperando.

Já me sinto melhor, embora ainda sinto dores neste momento e tento me livrar da sensação de fracasso. O que me consola é um velho ditado chinês que diz:

_  Para se dar um grande salto á frente, é necessário dar uns passos para trás…

 

 

 

 

 

 

Marrocos: fortes emoções

Deserto, montanhas nevadas, lindas praias, cidades históricas, arquitetura, diversidade cultural, povo hospitaleiro, novos amigos, cheiros e sabores deliciosos e muita diversão! Minha viagem pelo Marrocos está sendo muito divertida e surpreendente!

Embora meu natal tenha sido melancólico, sozinho dendro de um quarto de hotel, meu Ano Novo não poderia ter começado melhor! Meus pais fizeram a gentileza de trazer minha filha Ana Laura, e juntos, além de comemorar seus 15 anos, passeamos pelos principais destinos do país. Uma viagem que me colocou frente a frente com as diferenças em viajar como turista convencional e de bicicleta. Acostumado a receber gentilezas quando estou com a minha magrela, estranhei um pouco o fato de não ser “mimado” pelos locais como de costume, e experimentei de maneira mais incisiva, a abordagem hiperbólica do mundo turístico na busca sedenta pelo dinheiro! Uma insistência que tira qualquer um do sério!!! Aquela velha prática da barganha do mundo árabe… e o vender a qualquer custo! Qualquer coisa!

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Passeio em família. Deserto do Saara. Merzouga. Marrocos.

O deserto do Saara é uma das principais atrações do Marrocos, ocupando grande parte do seu território. Para chegar até as dunas de areia é preciso cruzar o país e chegar bem pertinho da fronteira com a Argélia, atravessando a cordilheira Atlas ou Rif, que se estende por mais de 2400 km entre o oceano e o deserto. A montanha mais alta da cordilheira é  a Jbel Toubkal, com 4 167 m acima do nível do mar, a segunda mais alta da África, perdendo apenas para o Kilimanjaro na Tanzânia. Nesta época do ano, os picos mais altos estão nevados, deixando a paisagem ainda mais bonita!

Os Berberes são o povo do deserto. Nômades, vivem principalmente da criação de camelos e do turismo, explorando desde os fósseis da região até excursões para os entusiastas que desejam passar a noite debaixo do incrível céu estrelado do Saara. Acompanhar o pôr do sol, e as sutileza das mudanças de cores das dunas é imperdível.

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Deserto do Saara. Merzouga. Marrocos

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Deserto do Saara. Merzouga. Marrocos.

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Os berberes no deserto do Saara. Merzouga. Marrocos.

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Crianças berberes vendendo fósseis e souvenires. Saara. Merzouga. Marrocos

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Passeio de camelo nas dunas do Saara. Merzouga. Marrocos.

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Por do sol no Saara. Merzouga. Marrocos.

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Instituto Berbere em prevenção a língua e cultura berbere. Merzouga. Marrocos.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Estrada marroquina em direção as Cordilheiras Atlas.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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A fauna da Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Azrou. Marrocos.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Marrocos

Chefchaouen, a cidade azul, situada no norte do país, nas encostas da cordilheira, é outro ponto muito visitado do Marrocos. Fundada em 1471 para tentar impedir a invasão portuguesa no continente africano, a cidade acabou virando refúgio dos judeus a partir de 1930. Existe muitas teorias para explicar o azul, entre elas, que espanta mosquitos. No entanto, a teoria mais aceita é que os judeus, para preservar a tradição sagrada das roupas dos reis do Antigo Testamento, resolveram reverenciar o azul, fazendo da pacata cidade a “extensão do céu”. O número de judeus da cidade é bem pequeno nos dias de hoje, mas os habitantes ainda seguem a tradição, pintando as fachadas, ruelas e escadarias em diferentes tons de azul.

Chefchaouen passou a ser ponto obrigatório para os “malucos”. Dizem que o haxixe da região é um dos melhores do mundo!

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Chefchaouen. Marrocos.

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Chefchaouen. Marrocos.

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Chefchaouen. Marrocos.

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Chefchaouen. Marrocos.

As grandes cidades como Fez, Casablanca, Rabat (capital), Marraquexe e Tanger, possuem como principal atração os palácios reais, as grandes mesquitas e a Medina. Medina é o nome do bairro mais antigo da cidade. Toda cidade tem a sua, que geralmente é cercada por grandes muralhas que no passado serviam de fortificações. A dica é se hospedar dentro das muralhas em um Riad, nome dado aos pequenos hotéis tipo pousada. Geralmente administrado por famílias que também habitam o local.

As Medinas são verdadeiros emaranhados formados por ruelas, escadarias e becos que exigem bastante do senso de direção. Certamente você vai se perder dentro dela. Então, procure guardar o nome de um ponto de referência como uma mesquita, o nome do hotel ou um dos grandes portões das muralhas Todos os portões possuem nomes. E não se preocupe, há sempre um guia para te levar de volta em troca de alguns trocados.

Além da arquitetura genuína, as Medinas possuem identidade única, um comércio vibrante, onde turistas e locais se espremem em meio a carroças, motos e bicicletas em um agitado frenesi. Em geral, parecem desorganizadas, mas existe os Souks, setorizando diferentes áreas do comércio como vestimenta, especiarias, restaurantes e souvenir por exemplo.

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Medina de Fez. Marrocos.

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Riad em Fez. Marrocos.

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Fez. Marrocos.

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Curtume em Fez. Marrocos.

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Fez. Marrocos.

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Fez. A maior medina do mundo árabe. Marrocos.

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Medina. Fez. Marrocos.

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Mesquita Hassan II. Casablanca. Marrocos.

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Feira livre na Medina de Casablanca. Marrocos.

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Casablanca. Marrocos.

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Marraquexe. Marrocos.

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Marraquexe. Marrocos.

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Rabat. Marrocos.

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Rio Bouregreg. Rabat. Marrocos.

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Medina de Rabat. Marrocos.

Viajar de bicicleta pelo centro-norte do Marrocos é bastante excitante, com paisagens de tirar o fôlego! Geralmente o trânsito é moderado, mas as pistas sem acostamentos, as curvas nas regiões de montanha, a frota antiga e motoristas agressivos exigem muita atenção. As vilas ou cidades são frequentes, e os marroquinos estão sempre dispostos a ajudar, seja com um simples copo de água, passando por um prato de comida e até um lugar para passar a noite. Carente de saneamento básico, o povo do interior é muito simples, vivem quase que exclusivamente da produção rural de subsistência, calcado por grandes latifúndios de plantação de trigo, soja e milho, fazendo algum dinheiro com o excedente da produção. Os mais afortunados possuem pequenos comércios ou industrias de manufaturas que exploram a matéria prima local. Pequenas fábricas de azeite,pão, especiarias, tapetes, panelas de barro, artesanato são alguns exemplos.

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Estadas do Marrocos.

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Marrocos.

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Marrocos.

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Estradas do Marrocos.

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Estradas do Marrocos.

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Mulher marroquina vendendo hortaliças em feira livre. Chefchauoen. Marrocos.

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Mulher do campo. Marrocos.

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Tear. Marrocos.

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Mulher do campo II. Marrocos.

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Hospitalidade local. Marrocos.

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Pão fresco o dia todo. Marrocos.

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Um dos símbolos da superstição marroquina.

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Mulher do campo III. Marrocos.

A diversidade gastronômica do Marrocos é incrível! Quase sempre rústica, com carnes variadas, peixes e vegetais, o país se orgulha do cuscuz (sêmola de trigo), e do tajine. Na verdade tajine é o nome da panela em forma de vulcão, geralmente de cerâmica, que dá nome ao prato servido com uma carne e vegetais. O tajine de cordeiro é o meu preferido.

Os restaurantes de beira de estrada possuem um açougue agregado que servem os dois pratos típicos e também churrasco. Os miúdos como fígado, coração e rins também são muito apreciados. Você escolhe a parte que quer assar, compra por peso, e é adicionado uma taxa para preparar. Um quilo de carrê de cordeiro sai em torno de US$ 7.

O Harira é uma sopa de grão de bico, o Maticha, espécie de omelete que pode levar queijo, tomate ou embutidos, também são muito populares, assim como os peixes e frutos do mar, que podem ser encontrados, fritos, empanados ou na brasa.

Nas casas a comida é geralmente servida em um único prato. O pão acompanha todas as refeições, fazendo o papel dos talheres, que são encontrados apenas em restaurantes mais sofisticados. Embora o país seja o paraíso das especiarias, o cominho é predominante em todos os pratos. Até ovo cozido é “xunxado”  no cominho em pó. Embora os pratos não sejam picantes, o molho de pimenta chamado Harissa acompanha tudo, sempre servido separadamente.

Todas as refeições são acompanhadas de chá, que no geral são de hortelã e bem doce. Por ser um país muçulmano não é comum encontrar bebida alcoólica por aqui. As frutas secas, nozes e castanhas, verduras e hortaliças são abundantes. O quilo de tâmaras custa em média US$ 2,5. Nem preciso falar que caio matando, né? kkk As frutas também são deliciosas, com destaque para a maça, pêra tipo portuguesa e as minhas favoritas mexericas. Ual! São deliciosas!!! Lembra as da minha infância no sítio dos meus avós.

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Típico restaurante de beira de estrada. Marrocos.

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Comendo um peixinho. Marrocos.

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Tajine de cordeiro. Meu prato favorito. Marrocos.

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Tajine. Marrocos.

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Fábrica de panela Tajine. Marrocos.

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Jantando com amigos em Tanger. Marrocos.

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Cozinha típica de restaurante do Marrocos.

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Vendedor de pimenta. Rabat. Marrocos.

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Comida de rua. Marrocos.

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Jantar com a família de Yacine, membro do warmshower. Sale. Marrocos.

Nesta época do ano a produção de azeite de oliva está a todo vapor! Geralmente são as mulheres que debulham as azeitonas do pé com longas varas, na base da pancada. Daí, os frutos são recolhidos e enviados para pequenas fábricas ou para moendas movidas por animais. O quilo da azeitona sai por US$ 2, e o azeite USS 6 o litro. Estou abusando do azeite, azeitonas e um queijo tipo coalhada vendido por mulheres na beira de estrada. Delícia sem fim!

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Mulher colhedora de azeitonas. Marrocos.

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Colhendo azeitonas. Marrocos.

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Moenda de azeitonas. Marrocos.

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Azeitonas do Marrocos.

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Vendedora de queijo. Marrocos.

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Queijo tipo coalhada. Marrocos.

Mesmo ao nível do mar, as temperaturas durante a noite são baixas, exigindo proteção. Em algumas noites, dormi em restaurantes de beira de estrada, aproveitando da hospitalidade do povo local. Chove pouco nesta época do ano, os ventos são relativamente fortes e mudam bastante de direção.

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Restaurante onde passei a noite atrás do balcão. Marrocos.

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Restaurante onde montei minha barraca para passar a noite. Marrocos.

Ainda em Tanger, conheci Leighton, um canadense, e no nosso primeiro dia de pedal, cruzamos o inglês Luck, escalando a primeira grande subida em território marroquino. Todos com planos bem parecidos, seguimos juntos nos primeiros dias. Nos entrosamos bem, mas como estava indo encontrar a minha família me separei precocemente dos amigos. Lucas chegaria em Marraquexe e voltaria para casa. O canadense, voltou para a França, e infelizmente fiquei sabendo que teve a bicicleta roubada. Um duro golpe para o garoto que tinha ambição de chegar ao sul da Croácia.

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Leighton, eu e Lucas, tomando chá em Chefchaouen. Marrocos.

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Leighton, Lucas e eu recebendo o carinho do povo local em uma fazenda onde passamos a noite. Marrocos.

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Leighton e Lucas descansando depois de longa escalada. Marrocos.

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Eu e meus amigos ajustando a rota em casa abandonada onde passamos a noite. Marrocos.

Agora minha férias acabou! Curti tudo que pude, claro, querendo mais! Ainda posso sentir o cheiro de todos! E isso me alimenta! Me sinto com as baterias carregadas para enfrentar, ou melhor, curtir 2017 de maneira intensa! Meu coração está pronto para as emoções!

Já renovei meu passaporte, e o visto da Mauritânia, meu próximo destino, estréia meu novo documento. As atenções agora se voltam aos preparativos para enfrentar um dos grandes desafios do projeto Da China para Casa by Bike até aqui. Para chegar a Mauritânia será preciso desbravar o maior deserto do mundo, o Saara. Mas antes disso, ainda tem um longo trecho de Marrocos até chegar lá! A boa notícia é que meu velho e companheiro Jordi, o catalão que já pedalou comigo na Nova Zelândia e Europa, está chegando para me acompanhar por mais um trecho.

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A vice-cônsul, Sra. Silvia Ali e Khalid, com meu novo passaporte. Mais uma vez muito bem tratado em uma embaixada. Rabat. Marrocos.

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Welcome Jordi! The Saara is waiting for us! Bem vindo Jordi! O Saara nos espera!

Esse é o meu primeiro post do ano. Aproveito a oportunidade para desejar um ótimo 2017 a todos, e dizer que a sua visita no blog, as curtidas, os recados e mensagens, continuam sendo um grande combustível para eu seguir em frente!

Para me ajudar um pouco mais, da um clik no botão de seguir aí do blog! Fica lá em cima, a direita! Convida um amigo! Tenho como objetivo para esse ano, melhorar a propagação da minha aventura.

Muito obrigado e vamos juntos, de peito aberto, com ou vento a favor, ou não, para o melhor ano de nossas vidas! INSHA’ALLAH (em árabe: esperança em um acontecimento; se Deus, ou Alá, quiser).

Vale de Loire, uma das mais belas ciclovias da França.

Minha estada em Paris serviu também para eu tomar algumas decisões em relação ao roteiro que farei até Lisboa. Entre o caminho mais curto para tentar cumprir a viagem dentro dos 90 dias que são permitidos aos brasileiros na Europa, e esticar um pouco a viagem para rever amigos, decidi pela segunda opção, e essa decisão me fez tomar outras decisões.

Resolvi sair de Paris de trem para adiantar um pouco a viagem e ganhar tempo para rever meus amigos Vincent e Florian, que vivem em Theix, na Bretanha Francesa, região que estava fora do meu roteiro, já que fica na parte oeste, entre o Canal da Mancha e o Oceano Atlântico. Peguei o trem até Tours, e de lá segui pedalando por dois dias pelo lindíssimo Vale do Loire até Nantes, já pertinho do Atlântico. Média de mais de 100 km por dia com uma pernoite em Angers, na casa de mais um membro do Warmshowers.

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Minha bike no trem. França.

Foi uma decisão difícil na verdade! Confesso que não gosto da ideia de pegar o trem durante uma viagem de bicicleta. Mas a amizade que fiz com os dois franceses que viajaram comigo pela Croácia, Montenegro e Albânia, foi tão sólida  e verdadeira que não tive como negar a visita depois de uma conversa ao telefona. E estou super feliz indo para lá! Vou comemorar os 3 anos do Projeto da China para Casa by Bike com eles!

O Vale do Loire é um dos destinos mais procurados por cicloturistas do mundo inteiro. Dizem que 800 mil cicloturistas passeiam por lá todos os anos! E não é por menos! Ladeando o rio Loire, a ciclovia cruza a região com mais castelos por km² do mundo! Vinículas, parques nacionais, cidades medievais e muita natureza! Aliás, não me canso de repetir! As cores do outono deixam a paisagem ainda mais linda!

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Parque Regional Francês.

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Ciclovia Eurovelo Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Ciclovia Vale do Loire. França.

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Ciclovia Vale do Loire. França.

A ciclovia se estende por mais de 800 km e é extremamente plana e segura! Quase sempre exclusiva, muito bem sinalizada e com pavimento super bem conservado. Chega a impressionar!

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Sr e Sra. Gannon do warmshowers. Angers. França.

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Sinalização Eurovelo Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Ciclovia Eurovelo 6 – Vale do Loire. França.

Com a agenda cada vez mais apetada aqui na Europa, no entanto super feliz, vou cumprindo com a obrigação de deixar vocês informados sem perder os encantos que a minha viagem de bicicleta me proporciona… a quase 3 anos…