Deserto do Saara – Marrocos

Naquele altura, não sabia direito se era um sonho ou um pesadelo! No dia seguinte a inesquecível experiência de passar uma noite com os nômades, eu vencia a última pirambeira da Cordilheira Atlas, para entrar definitivamente, no maior e mais desafiador deserto do mundo, o Saara. Mais uma vez, meu sonho de dar a volta ao mundo de bicicleta, me colocava frente a frente com um grande desafio.

A cordilheira é um dos limites do deserto, já que as nuvens pesadas vindas do oceano não conseguem transpô-la. Ainda lá em cima da montanha, onde o verde predomina, a vista era apavorante. O forte vento varria a areia formando uma enorme nuvem de poeira sobre o monocromático ocre do deserto. Era possível sentir o bafo quente do vento! Excitado pela longa descida, onde a velocidade ultrapassava 60 km⁄h, me lembrava das dificuldades que enfrentei nos desertos da Mongólia, Israel e Jordânia, quando a temperatura ultrapassou 50⁰ C. Sem falar nos escassos pontos de apoio, recapitulando em meus pensamentos, todos cuidados a serem tomados. Um pitada de sofrimento antecipado! E aquela velha pergunta me atormentando: O que estou fazendo aqui?

Mas por outro lado, cruzar o maior, mais quente e temido deserto do mundo, é um desafio que excita qualquer aventureiro! Eu gosto de testar os meus limites, (de vez em quando… kkkk), pois sei que cada obstáculo ultrapassado, me deixa mais forte! A experiência ajuda nessas horas! E tudo aquilo que já enfrentei, associado ao fato de não estar só, me trazia confiança.

É… mas bastou um pequeno acidente na descida para me lembrar que toda experiência do mundo não é garantia de sucesso. Vários tipos de imprevistos podem aparecer, e estava certo que apareceriam… é a rotina de uma viagem de bike! Atropelei um abelha que me ferroou na cabeça, em uma das aberturas do capacete.  Nada grave! Mas isso foi o alerta que precisava para não baixar a guarda! Presta atenção moleque! Foco! Dizia para mim mesmo, lembrando do meu cunhado que sempre me alerta com essa palavra!

Em Guelmim, cidade apelidada de “A porta do deserto”, Jordi e eu fizemos uma bela refeição, ajustamos nosso estoque de água e comida e seguimos, com vento em popa, até a boca da noite, onde acampamos em uma escola.

Alí, conforme minhas pesquisas, tive a certeza que o vento seria um aliado na grande maioria dos dias, e assim se fez! Nunca andei tão rápido! Nossa média até agora no deserto foi de 98 km por dia. Bárbaro!

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Primeira noite no Saara em uma escola religiosa para meninos. Deserto do Saara. Marrocos.

Nos primeiros 12 dias no Saara, não fez muito calor! Mas em uma incrível coincidência, assim que cruzamos o Trópico de Câncer, o bicho pegou! E a partir de então, se esconder do sol na parte mais quente do dia passou a ser inevitável!

Basicamente, o deserto é monótomo, com paisagens cansativas até. Isso muda um pouco quando a estrada ganha um pouco de sinuosidade e ondulação ou quando beira o Atlântico.

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Saara. Marrocos

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Saara. Marrocos.

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Saara. Marrocos.

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Saara. Marrocos.

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Litoral no Saara. Marrocos.

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Litoral no Saara. Marrocos.

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Litoral no Saara. Marrocos.

O Saara marroquino, diferente dos outros desertos que atravessei, é mais habitado e o movimento na estrada é maior. Fomos parados algumas vezes por turistas curiosos que sempre contribuem com nosso estoque de água. Basicamente são europeus de férias com motor-home ou motoqueiros que são atraídos pela rota Paris ⁄ Dakar.

Teve um dia que ficamos sem água. O posto que contávamos para nos reabastecer estava abandonado. Aí, fiz sinal para um caminhoneiro com minha caramanhola em mãos. Pumba! O motorista parou na hora! Em uma das raras montanhas desse trecho, ao alcançar o topo, outro caminhoneiro com seus ajudantes nos convidaram para almoçar e tomar e chá! Para quem me segue aqui no blog, lembra do polvo que ganhei em uma vila de pescadores. Se viajar de bike inspira solidariedade,  em lugares remotos como o Saara, a ajuda é ainda mais presente.

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Motoqueiro inglês que nos brindou com pastilhas isotônicas. Saara. Marrocos.

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Almoçando na beira da estrada com locais. Saara. Marrocos.

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Vila de pescadores. Saara. Marrocos.

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Meu polvo, ainda na mão de um local. Saara. Marrocos.

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Jordi e eu cozinhando dentro da barraca para fugir dos fortes ventos. Saara. Marrocos.

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Polvo com ovo cru. Iguaria caiçara do litoral do Saara. Marrocos.

Em outro vilarejo de pescadores, onde a estrada passa bem ao lado, fiz sinal para duas mulheres, perguntando onde poderia achar comida. Ela fez sinal com as mão para que eu esperasse um minuto e foi chamar o marido. Ele veio, com um sorriso aberto, falando que poderíamos almoçar com eles. Nos levou para dentro de casa, nos deu comida, abrigo do sol e ainda compartilhou um pouco de sua história de vida com a gente. Um momento emocionante onde pudemos buscar em uma simples conversa, momentos de sua vida passada. Uma das mulheres era sua irmã. Que arranhava bem o espanhol… as lembraças culminaram no momento que acharam uma foto dos tempos de criança. Vi emoção nos olhos deles! Me emocionei também… De barriga cheia, voltei ao pedal feliz, sabendo que ao relembrar uma emoção esquecida no passado, pudemos retribuir o favor que nos fizeram.

E talvez seja esse o grande barato da vida! As lembranças… colecionar emoções!

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Vila de pescadores. Saara. Marrocos.

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Momento único! Na parede um trecho do Alcorão. Saara. Marrocos.

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Jordi e eu entre família no Saara. Marrocos.

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Boas lembranças… fortes emoções! Saara. Marrocos.

Devido a monotonia da estrada, fui procurar distração nas pequenas sutilezas do enorme deserto. Abaixo, segue um pouco da fauna e flora do Saara. Imagens que fiz nas pequenas parada para o xixi! A primeira vista, o deserto é inóspito, mas olhando com mais cuidado, encontra-se muita vida! Basta a umidade trazida pelo oceano ou pequenas cuhvas para a vida florescer. O chão é forrado de pequenos insetos como aranhas, formigas, carrapatos e besouros, e meu amigo…. os mosquitos são um inferno! Milhões! Em todos os lugares!!!

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3 camelos… Saara. Marrocos.

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Flores do deserto. Saara. Marrocos.

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Flores do deserto. Saara. Marrocos.

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Flores do deserto. Saara. Marrocos.

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Flores do deserto. Saara. Marrocos.

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Saara. Marrocos.

O vento que ajuda muito quando estamos pedalando, atormenta a nossa vida em todos os outros momentos, nos obrigando a cozinhar dentro da barraca, correr atrás de coisas que ele carrega e prestar atenção para não se molhar na hora de fazer xixi. Em uma vacilada, quando estava desmontando a barraca, cometi um erro grave que resultou em uma vareta quebrada! Mas você não disse que é experiente e coisa e tal? É irmão.. eu disse sim!!! Essa barraca me acompanha desde o Projeto Noruega by Bike (2011). Já montei e desmontei-a, chutando baixo, 350 vezes! (O Projeto da Noruega by Bike durou 100 dias, e o Da China Para Casa By Bike já ultrapassou 1200 dias). Mas também cometo erros infantis, mesmo com toda e experiência do mundo! Fiz uma besteira!!! (Entende-se por cagada!). Pô! Quantas vezes já armei e desarmei a barraca? Onde vou conseguir repor a minha vareta, se nem loja para comprar outra barraca existe por aqui? Bom, dei uma remendada e vou seguir viagem… acho que o remendo aguenta por mais um tempo! Esse são os “imprevistos e erros” que comprovam que a experiência ajuda, mas não garante nada, e que não somos infalíveis! Mas que fiquei puto com meu erro… ahhhh se fiquei!

O que me consolou um pouco, foi ter encontrado um pobre chinês que vinha na direção contrária, se “esfarfando”, para vencer o vento. Daí pensei… poderia ser pior… boraaa!!!!!

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Jordi, o pobre chinês e eu. Saara. Marrocos.

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Jordi e eu comemorando os bons ventos. Saara. Marrocos.

A polícia e o exército nos para em todas as barreiras. São os chamados check points! Diferente de outras áreas militarizadas que atravessei, pelo menos por aqui eles não pedem para tirar tudo dos alforjes. Apenas registram dados do passaporte e fazem interrogatório sobre destino, procedência, profissão e tudo mais… No geral são amigáveis. Para chegar em Dakla, uma importante cidade situada em uma península já no sul do país, seria necessário fazer um desvio de 40 km, que ida e volta se transformariam em 80 km. Sendo assim, metade contra o vento. Então, decidimos seguir viagem até o vilarejo seguinte e de lá, pegamos um táxi coletivo para voltar e visitar a cidade. Tivemos dificuldades em achar um lugar seguro para deixar as bicicletas, mas no final tudo deu certo. Deixamos as bicicletas em um posto. No dia seguinte, depois de dar a visita em Dakla por encerrada, fomos ao mesmo ponto que o táxi nos deixou com a esperança de achar um outro, para voltar ao posto onde estavam as bikes. Acontece que o preço da corrida  triplicou, pois não havia mais ninguém para dividir os custos. Então, lembrei do policial que fez questão de deixar seu numero de telefone dizendo para eu ligar se houvesse algum problema. E ele resolveu nosso problema de maneira incrível! Foi nos buscar com a viatura policial, nos levou até o posto onde deixamos as bicicletas e ainda nos ofereceu o almoço.

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Jordi esperando nossos passaportes em um check point. Saara. Marrocos.

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De carona com os policiais. Saara. Marrocos.

Nas pequenas vilas, tive oportunidade de fazer algumas fotos mostrando a simplicidade e o cotidiano dos habitantes.

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Ciclista marroquino. Saara.

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Feira no Saara. Marrocos.

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Criança marroquina. Saara.

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Simplicidade. Saara. Marrocos.

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Típica vila de beira de estrada. Marrocos. 

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Cidade marroquina. Saara.

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Saara. Marrocos.

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Saara. Marrocos.

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Saara. Marrocos.

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Mulheres marroquinas em Dakla. Saara.

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Feira livre em Dakla. Saara. Marrocos.

Quando deixamos Dakla, nosso objetivo passou a ser alcançar a fronteira entre Marrocos e Mauritânia. E quando chegamos lá, embora soubesse que o pior trecho do Saara estava do outro lado, fiquei feliz com o nosso desempenho até agora.

Atravessar a Mauritânia em duas rodas será sem dúvida alguma, um grande desafio. As dificuldades que enfrentamos até aqui se somam a extrema pobreza, falta de saneamento básico, ainda menos pontos de apoio e todos os mistérios que um dos países mais pobres do mundo, com uma cultura completamente diferente da nossa pode oferecer.

Sobe na garupa e vamos juntos!

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A caminho da Mauritânie. Saara. Marrocos.

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O guerreiro Jordi e a estrada sendo varridos pelo vento. Saara. Marrocos

 

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Vale de Loire, uma das mais belas ciclovias da França.

Minha estada em Paris serviu também para eu tomar algumas decisões em relação ao roteiro que farei até Lisboa. Entre o caminho mais curto para tentar cumprir a viagem dentro dos 90 dias que são permitidos aos brasileiros na Europa, e esticar um pouco a viagem para rever amigos, decidi pela segunda opção, e essa decisão me fez tomar outras decisões.

Resolvi sair de Paris de trem para adiantar um pouco a viagem e ganhar tempo para rever meus amigos Vincent e Florian, que vivem em Theix, na Bretanha Francesa, região que estava fora do meu roteiro, já que fica na parte oeste, entre o Canal da Mancha e o Oceano Atlântico. Peguei o trem até Tours, e de lá segui pedalando por dois dias pelo lindíssimo Vale do Loire até Nantes, já pertinho do Atlântico. Média de mais de 100 km por dia com uma pernoite em Angers, na casa de mais um membro do Warmshowers.

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Minha bike no trem. França.

Foi uma decisão difícil na verdade! Confesso que não gosto da ideia de pegar o trem durante uma viagem de bicicleta. Mas a amizade que fiz com os dois franceses que viajaram comigo pela Croácia, Montenegro e Albânia, foi tão sólida  e verdadeira que não tive como negar a visita depois de uma conversa ao telefona. E estou super feliz indo para lá! Vou comemorar os 3 anos do Projeto da China para Casa by Bike com eles!

O Vale do Loire é um dos destinos mais procurados por cicloturistas do mundo inteiro. Dizem que 800 mil cicloturistas passeiam por lá todos os anos! E não é por menos! Ladeando o rio Loire, a ciclovia cruza a região com mais castelos por km² do mundo! Vinículas, parques nacionais, cidades medievais e muita natureza! Aliás, não me canso de repetir! As cores do outono deixam a paisagem ainda mais linda!

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Parque Regional Francês.

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Ciclovia Eurovelo Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Ciclovia Vale do Loire. França.

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Ciclovia Vale do Loire. França.

A ciclovia se estende por mais de 800 km e é extremamente plana e segura! Quase sempre exclusiva, muito bem sinalizada e com pavimento super bem conservado. Chega a impressionar!

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Sr e Sra. Gannon do warmshowers. Angers. França.

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Sinalização Eurovelo Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Vale do Loire. França.

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Ciclovia Eurovelo 6 – Vale do Loire. França.

Com a agenda cada vez mais apetada aqui na Europa, no entanto super feliz, vou cumprindo com a obrigação de deixar vocês informados sem perder os encantos que a minha viagem de bicicleta me proporciona… a quase 3 anos…

 

Bem vindos à Alemanha.

Entre Innsbruk na Áustria e Munique na Alemanha, foram 3 dias de pedal com muita chuva. Apenas no terceiro dia, já bem perto de Munique, o sol apareceu novamente. Foi o último trecho de Jordi, que volta para Barcelona amanhã, enquanto eu, sigo minha jornada rumo norte, onde pretendo visitar bons amigos que fiz na estrada.

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Innsbruk. Áustria.

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Innsbruk, Áustria.

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Jordi eem Innsbruk, Áustria.

A ciclovia que liga essas duas cidades seguiu no mesmo padrão dos Alpes. Muito bem sinalizada, boa infraestrutura, quase sempre exclusiva para pedestres e ciclistas, e em ótimo estado de conservação. Na Áustria, a ciclovia segue ao lado do Rio Inn, afluente do Rio Danúbio, fato que garante boas fotos, mesmo com o tempo nublado. O céu nublado, a chuva, as baixas temperaturas e as folhas das árvores que colorem as trilhas com tons que vai do amarelo, passando pelo cobre e chegando ao marrom, oferecem um cenário original típico de outono. No entanto, o vale do Rio Inn é um importante centro agropecuário, com plantações e pastos ainda verdinhos.

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Ciclovia entre Innsbruk e Munique. Alemanha.

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Típica paisagem do Rio Inn. Áustria.

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Vale do Rio Inn. Áustria.

A chuva associada ao frio, é literalmente, um banho de água fria para fazer fotos. Luvas grossas, lentes molhadas e embaçadas… fica chato pra caramba! Como vai secar ou desembaçar a lente se tudo está molhado?  A chuva também enche o saco na hora de buscar um lugar para passar a noite. Não conseguimos Warmshowers e não tivemos sucesso com o Padre, que por sinal, nem se quer estendeu a mão para me cumprimentar! Super rude o lazarento! Me deixou com uma raiva desgraçada! Tudo bem! Não precisa aceitar o meu pedido, mas não me cumprimentar foi demais! Fiquei o resto do dia ruminando aquele momento. Padre du C.! Não me deu a mão e fechou a porta na minha cara! Ahhhh….. Bom deixa para lá! O jeito foi encarar a chuva e acampar…

Na primeira noite cozinhamos dentro da barraca e na segunda usamos uma casinha de caçadores de patos. O cardápio foi praticamente o mesmo, com pequenas variações. Uma deliciosa sopa com milho verde e abóbora que colhemos ao longo da ciclovia.

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Jordi e eu cozinhando em dia de chuva dentro da barraca, próximo à fronteira entre Áustria e Alemanha. Áustria.

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Acampando na Alemanha.

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Acampando na Alemanha e mostrando a língua para o Padre!

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Cozinhando na casinha de caçadores de pato para se proteger da chuva. Alemanha.

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Casinha de caçadores de pato. Alemanha.

Munique é a terceira maior cidade alemã, capital da região da Baviera, o maior dos 16 estados alemão. Nesta região, a cozinha é rústica, destacando todos os tipos de carne, em especial as carnes de caça, vitelo, pato, os diferentes tipos de salsichas e o porco, talvez a estrala maior da gastronomia da região. Os doces como o Apfelsrudel, torda de maça e creme; e o Nusschneken, uma caracol de massa folhada com diferentes sabores, também são bem interessantes, seja na sobremesa ou na hora do cafezinho com leite para esquentar do frio. No entanto, eles não são lá tão açucarados como os nossos doces brasileiros, e podem decepcionar os fanáticos por açúcar. Ahhh… as cervejas também são muito famosas por aqui. Até a semana passada estava rolando a Oktoberfest!

Com uma “crise de gota”, confesso que ainda não experimentei as carnes. Mas já rolou uns docinhos típicos.

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Apfelsrudel – torta de maça alemã.

Já entrei com a medicação e estou torcendo para melhorar o mais breve possível! Afinal, tem muita coisa para provar, não só na região da Baviera, mas em toda a Alemanha. Sobe na garupa e vamos juntos!

 

Ahhhh… os Alpes! Que coisa mais linda!

Cruzar os Alpes em duas rodas foi sem dúvida uma das mais belas jornadas da minha viagem. Certamente é um trecho que recomendo para todos os amantes do cicloturismo. É preciso preparo físico, mas garanto que você, assim como eu, vai se encantar com as paisagens, vilas e a natureza esplêndida que separa a Itália da Áustria.

Cruzar os Alpes pedalando requer muito empenho e determinação! Longas subidas e dois passos com 1530 m e 1370 m de altitude, sem contar o sobe e desce das encostas das montanhas. O frio e o vento também são grandes desafios nesta época do ano. No entanto, o visual é incrível! E este trecho entre Veneza e Innsbruk, foi sem dúvida um dos mais lindos de todo o Projeto Da China para casa by Bike!

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Parque Nacional Tre Cime – Dolomites. Itália.

A ciclovia que liga Veneza na Itália, a Innsbruk na Áustria é sensacional, oferecendo boa infraestrutura, segurança e um visual de tirar o fôlego!

Super bem sinalizada, é praticamente impossível se perder da rota, que segue em grande parte em vias exclusivas para ciclistas e pedestres. É claro que com isso o perfil altimétrico aumenta consideravelmente, mas a tranquilidade em poder pedalar com segurança em meio a natureza é recompensadora. A maioria do trajeto é asfaltado. Os trechos em terra e cascalhos são muito bem conservados. Mesmo com pneus relativamente finos (700x35cc), não encontrei nenhuma dificuldade. Jordi, com pneus de mountain bike, parecia pedalar no asfalto!

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Ciclovia Veneza-Monique . Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes. Itália.

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JOrdi e eu na ciclovia Veneza-Munique. Alpes. Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Túnel da ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Passo Cimabanche. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

As distâncias entre vilas e cidades são curtas! Toda hora tem uma linda vila ou cidade onde é possível se abastecer de comida e água. Mas cuidado, tudo está fechado entre 12:30h e 15:30h, inclusive alguns restaurantes. E como é uma região turística, os preços não são muito atrativos. As pizzas é a opção mais barata do cardápio. Os preços em geral vão de 6 a 11 euros. E não se esqueça, aqui é Itália, belo! Elas são ótimas! Também compramos queijos, salames e presuntos no mercado. Delícia! No jantar, sempre cozinhamos! Na última vila andes de pararmos, compramos cebola, alho, e ingredientes para uma pasta. Ah! E um vinhosinho para esquentar um pouco…

Um fato curioso é que nesta região da Itália a língua mais falada é o alemão, e não o italiano.

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Jordi se hidratando em uma das fontes de água potável da ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Cortina d’Ampezzo. Alpes, Itália.

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Pieve di Cadore. Alpes, Itália.

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Pizza capreze: Mussarela de búfala, tomate e orégano! Massa fantástica! Itália.

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Preparando um penne carbonara para o amigo Jordi. Alpes. Itália.

Levamos cinco e dias para fazer esse trecho de 345 km. As subidas são longas e exige bastante esforço. Outro fator que deixa a viagem morosa são as paradas para as fotos. O visual é tão lindo que paramos toda hora para fotografar. Fizemos também algumas longas parada para poder se esquentar e se proteger da chuva e do vento gelado.

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Alpes, Itália.

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Alpes, Itália.

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Dolomites Nacional Parque. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Aples, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munque. Alpes, Itália.

Conseguimos nos abrigar em todas as noites. Uma vez na Paróquia em Pieve di Cadore, uma noite no sala de uma escola de música em Vandoies di Sotto e duas noites em casas ao lado da estrada. A primeira casa foi em Marcora, tinha pernilongo pra burro, estava em fase final de reforma. A segunda estava abandonada, foi bem pertinho do Passo Comabanche, onde chegou a gear de madrugada.

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Casa onde passamos a noite em Marcora. Itália.

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Preparando o café da manhã em casa abandonada perto do Passo Comabanche (1530 m). Itália.

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Sala da escola de música onde passamos a noite aquecidos em Vandoies di Sotto. Itália

Praticamente não existe fronteira entre a Itália e a Áustria. Passei pela pequena placa indicando que havia trocado de país sem perceber. Jordi mais atento do que eu chamou minha atenção. Voltei e fiz uma foto e um vídeo para registrar a minha entrada no 38° país do Projeto da China Para Casa by Bike. Estava um frio de lascar!

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Fronteira entre Itália e Áustria. 

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Chegando em Innsbruk, Áustria.

Embora o vento gelado continuou a nos açoitar, depois que cruzamos a fronteira foi só alegria com um descidão delicioso. Como estávamos com muito frio, quase que “atropelamos” esse trecho. Só queríamos um lugar quente e um banho! Chegamos em Innsbruk já na boca da noite. Estamos hospedados na casa de Benjamin que é membro do Warmshower. E aqui, conseguimos tudo queríamos! Um lugar quente e um banho! Ufa!

É a minha segunda vez em Innsbruk. A ideia é descansar, cuidar de uma antiga lesão no pé, e rever alguns pontos da cidade em um único dia e seguir viagem. Minha jornada na Áustria será curta! Por isso, não vacila! Sobe na garupa e vem comigo até meu próximo destino: Munique – Alemanha.

 

Veneza! Despedidas, comemoração, encontros, imprevistos…

Depois de me despedir do irmão Gian Luca e da D. Lea, seguimos em uma deliciosa manhã ensolarada na companhia de Marco, que nos guiou por estradinhas secundárias até Camacchio, conhecida como a “Pequena Veneza”.

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Eu, Marco e Jordi deixando Ravenna. Itália.

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Jordi e Marco a caminho de Camacchio. Itália.

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Camacchio. Itália.

Em Camacchio, almoçamos um arroz delicioso que D. Lea preparou carinhosamente para nós, tomamos um café e nos despedimos com um forte abraço. Uma despedida emocionante tanto para mim como para Marco. Vi lágrimas nos olhos do amigo e confesso que minha vista também embaçou! Vou sentir saudade do amigo! Mas estou certo que nos encontraremos novamente em breve!

Ainda pensando em tudo que aprendi com Marco e com as lembranças dos bons momentos que passei com sua família e amigos, rapidamente chegamos em Mesola. Mesola é minúscula e não foi difícil encontrar o padre que foi super gente boa! Nos acomodou na paróquia e nos ofereceu alguns enlatados para o jantar. Fiz uma gororoba com feijão, atum e tomates e uns temperinhos… Ficou bom pra burro!

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Cozinhando na Paróquia de Mesola. Itália.

No outro dia foi aniversário de Jordi. A ideia foi fazer um pedal tranquilo para comemorar. Optamos por atravessar algumas ilhas até chegar em Veneza ao invés de seguir pelo caminho tradicional. Da simpática Chioggia, onde nos abastecemos com pão, queijos, presuntos, salames, azeitonas, vinho e outras coisinhas mais, seguimos para a ilha de Palestrina. Na travessia conhecemos duas cicloturistas alemãs que digamos, deixou nossa festinha um pouco mais animada! kkk. Jéssica e Laura estavam no seu último dia de tour e também tinham algo para festejar. De noite, pegariam o trem para Munique.

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Chioggia. Itália.

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Em Chioggia, esperando a balsa para Palestrina.

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Comemorando o aniversário de Jordi com as cicloturistas alemãs Laura e Jessica. Ilha Palestrina. Itália.

Depois do lanche, no despedimos das amigas e seguimos em um delicioso pedal através da ilha , até o ponto para tomar uma nova balsa para a Ilha de Lido. Como o lanche foi mais demorado do que esperávamos, praticamente cortamos Lido sem parar. Mas não adiantou… o pneu de Jordi começou esvaziar e por poucos minutos perdemos a balsa até Veneza, nossa última travessia do dia. Jordi teve tempo de reparar o pneu e por incrível que pareça, encontramos mais duas cicloturistas alemãs. Como Laura e Jessica, elas também pegariam o trem noturno para Munique. Foi um encontro legal… mas tão rápido que os seus nomes se perderam na memória…

De certa forma o atraso foi bom! Conhecemos as alemãs e pudemos desfrutar de um belo pôr do sol em Veneza.

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Cicloturistas alemãs na travessia entre as Ilhas de Lido e Veneza. Itália.

 

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Veneza. Itália.

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Pôr do sol em Veneza. Itália.

Na balsa, notei que o pneu de Jordi havia abaixado novamente. Como já estava escurecendo, ele optou por não reparar o furo e ir enchendo o pneu toda vez que sentisse necessidade. Ainda tínhamos 11 km de pedal até Mestre, na parte continental da Itália, onde passaríamos a noite. Ouvimos o conselho das alemãs e atravessamos a movimentada ponte que liga Veneza ao continente pela passarela, que fica no sentido de quem chega na ilha, ou seja, no sentido oposto que seguíamos. Quando a ponte terminou nos vimos sem saída, pois não havia como continuar. Decidimos seguir pela beirada da pista, em uma pequena picada, com o guardrail (cerca de proteção) entre nós e a estrada. Chegou um ponto que não deu mais! Eu estava bravo por estar naquele lugar cheio de mosquitos e muito perigoso e já de noite. Em uma manobra que exigiu força, levantamos as bikes por cima da grade. A do Jordi foi fácil. A minha escorregou e o câmbio traseiro bateu com tudo. A gancheira, parte que conecta o câmbio traseiro na bicicleta entortou levemente e perdi as passagens de marcha. Fiquei ainda mais puto! Atravessamos a estrada, entramos em mais uma picada e finalmente conseguimos alcançar o lado certo da pista. Mas ainda tinha um tantão para pedalar na estrada movimentada e escura. Em uma pequena subida para cruzar uma ponte, Jordi se assustou com um trem urbano e ao me ultrapassar, seu pneu entrou no buraco do trilho e o desequilibrou. Um tombo bobo que rendeu um ralado no braço e no joelho aumentando ainda mais o nervosismo.

Jordi chegou no albergue empurrando a bike e nós dois com um “bico” deste tamanho! Depois do banho, já mais calmos, resolvemos dar sequência as comemorações dos seus 36 anos e fomos comer uma pizza.

Na manhã seguinte, fomos a uma bicicletaria onde pude dar um jeito na gancheira e no câmbio e Jordi repor a câmara de ar, antes de visitamos Veneza.

A cidade de Veneza é composta por um arquipélago com 117 ilhotas, separadas por pequenos canais usados por todos os tipos de embarcações que substituem os carros, e conectadas por inúmeras pontes, onde turistas do mundo inteiro se encantam com a arquitetura e as obras de arte espalhadas pelos palácios, largos, praças e ruelas, num ambiente que mescla romantismo, mistérios, agitação.

Com mais de 1000 anos, a cidade ostenta um legado histórico cultural  ímpar, sendo uma das cidades mais visitadas do mundo. O bacalhau, o arroz ou pasta com tinta de lulas, os peixes e frutos do mar em geral, são as melhores opções da gastronomia local.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

Mais uma vez, recomendo um bom guia de viagens para melhor explorar a cidade. Para os cicloturistas fica o alerta de que as bicicletas são proibidas em Veneza. A melhor opção é buscar uma acomodação na Ilha de Lido ou em Mestre, e visitar a cidade a pé ou de barco. Eu optei por Mestre devido aos preços. Já Lido é uma ótima opção se estiver viajando em casal.

A Itália de bons amigos, lugares incríveis e gastronomia de dar água na boca!

Deixamos Roma em uma manhã ensolarada com temperatura muito agradável. Jordi, que havia pedalado comigo na Nova Zelândia, veio de Barcelona para me fazer companhia por alguns dias. Como já nos conhecíamos, foi fácil “achar” o ritmo da viagem. Nas duas primeiras noites, dormimos em duas paróquias. A Primeira foi em Sutre, onde encontrei um padre brasileiro. Já há muito tempo na Itália, Padre Fernando, nos ajudou cedendo uma sala da paróquia. A segunda foi em San Lourenço Novo. Tanto em San Lourenço como em Sutre, conseguimos achar bons restaurantes com preços justos. Estas cidades estão na rota de peregrinação chamada Via Francigena. Algumas igrejas  estão preparadas para acomodar os peregrinos enquanto os restaurantes oferecem o “menu do peregrino” com preços que variam entre 6 e 15 euros. A via Francigena foi uma importante estrada que ligava a Inglaterra a Roma, usada desde então por peregrinos que desejam visitar os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. A via corta vilas e paisagens incríveis!

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Paisagem da Via Francigena. Itália.

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Sutre . Itália

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Salão paroquial de Sutre. Itália.

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Via Francigena. Toscana. Itália.

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Bolsena – Itália

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Itália.

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Bem vindos a Toscana! Bar Paralelo 43. Itália.

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Via Francigena. Toscana. Itália.

Em Siena ficamos na casa do Carlinhos e da Valéria. O Carlinhos é primo do meu cunhado. Nos encontramos em Barcelona meses atrás e meio que deixamos certos minha passagem por lá. Infelizmente coincidiu com suas férias. O casal deixou tudo acertado e ficamos nas mãos carinhosa da D. Ciça, mãe da Valéria. D. Ciça nos recebeu com um sorriso daqueles que todos gostam de ganhar! Com simplicidade e a elegância de uma boa anfitriã, D. Ciça desfilou seus dotes culinários nos brindando com pratos deliciosos! Do brasileiríssimo arroz com feijão a uma belíssima pasta italiana, passando por sobremesas incríveis. Jordi, que teve o primeiro contato com a gastronomia brasileira ficou encantando com as mãos mágicas da nossa anfitriã! Tudo delicioso! D. Ciça também me presenteou com uma deliciosa receita que conecta as gastronomias brasileira e italiana. Sorvete de café! Nosso tão conhecido café com o melhor sorvete do mundo! Eu já provei! E vocês não perdem por esperar. Mais uma receita para o livro Da China para Casa by Bike!

Valéria emprestou seu carro para agilizarmos um tour pelas redondezas de Siena. Visitamos o Castelo de Monteriggioni e a lindíssima e sofisticada San Gimignano.

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Castelo de Monteriggioni. Toscana. Itália

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Castelo de Monteriggioni. Toscana. Itália.

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San Gimignano. Toscana. Itália.

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San Gimignano. Tosccana. Itália.

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San Gimignano. Toscana. Itália.

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San Gimignano. Toscana. Itália.

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Eu e a queridíssima D. Ciça. Siena. Itália.

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Piazza del Campo. Siena. Itália

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Catedral de Siena. Itália.

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Siena. Toscana. Itália.

Gostaria de deixar registrado aqui meus sinceros agradecimentos ao Carlinhos, Valéria e D. Ciça! Muitíssimo obrigado! Deixo um abraço também ao Wandré, neto da D. Ciça.

De Siena seguimos firmes para a bela Florença. Passamos a tarde na cidade. Visitamos os principais pontos turísticos e passamos a noite nos fundos de um posto de gasolina já na saída da cidade. As montanhas deste dia serviram de aquecimento para o que estava por vir.

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Siena – Florença. Toscana. Itália.

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Siena – Florença. Toscana. Itália.

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Florença. Itália

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Florença. Itália

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Florença. Itália.

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Terminando o dia com uma pizza. Florença. Itália.

Chegou a hora de cruzar os Apeninos, a mais importante cadeia montanhosa da Itália que se estende de norte a sul do país, por mais de 1000 km . Pela estrada SS 67, atravessamos o Passo del Muraglione, com 906 metros de altitude. A estrada também corta cidadezinhas charmosas, vinícolas, plantações de uva, florestas e um dos três parques nacionais da Toscana.

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Enfrentando o Apeninos em etapas. Hora de descansar. Estrada SS 67. Florença – Ravenna. Itália.

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Estrada SS 67. Próximo ao passo Del Muraglione. Apeninos, Toscana. Itália.

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Esse tonel entro no meu caminho… Itália.

Depois de escalar, veio um delicioso descidão que nos levou para a região de Emília-Romanha, mais precisamente em Ravenna, onde estou agora. Escolhi vir a Ravenna para encontrar Marco e alguns amigos que fiz na estrada. Para minha surpresa Matteo veio de Reggio Emilia, onde mora, para passar uns dias com a gente. De quebra, também revi Colin, que acabara de voltar de Honduras. Pedalei com eles na Austrália.

A identificação com Marco e seu parceiro Gio, que ainda está na estrada, foi imediata. Parecia chegar na casa de um velho amigo! Me senti super à vontade com toda sua família. A mãe de Marco, D. Lea, é uma fofa! Sorriso terno, gostoso, falando alto e gesticulando! Uma típica mama italiana. Daquelas donas de casa que não param um segundo. D. Lea esbanjou categoria na cozinha. Como se come na Itália, não! Além de pratos típicos, é uma fartura de queijos, presuntos e tudo quanto é tipo de frios! Perdição! O pai é mais tranquilão! Nas horas vagas é caçador de trufas. E o irmão Gian Luca é um bonachão! Cara legal, sempre sorridente e bem engraçado!

Foram dias super agradáveis com meus amigos. Teve uma baladinha de leve, praia, churrasquinho nas montanhas, e ótimos bate papos. Compartilhamos lembranças e nos divertimos com conversas e mais momentos que serão lembrados no futuro.

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Eu, Marco, Matteo e Jordi. Só cicloturistas! Ravenna. Itália

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Churrasquinho em Premilcoure. Toscana . Itália.

Além dos jantares em família na casa de Marco, fomos convidados pelos pais de Gio para um jantar. Ali, tive a certeza que a amizade que fiz com Marco e Gio será para sempre. Mais delícias gastronômicas italianas e ótimo papo! E é claro! Todo o carinho dos anfitriões. Saio de Ravenna com a certeza que verei todos novamente. Espero um dia poder retribuir um pouco do carinho que recebi aqui!

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Gian Luca (irmão de Marco), Matto, Jordi, Marco, D. Rita (mãe de Gio), Giulia (irmã de Matteo), Eu, Sr. Giordano (pai de Gio) e Valentina (irmã de Gio). Ravenna. Itália.

A mama de Marco e a mama de Gio.

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Exato lugar onde Marco e Gio iniciaram a Volta ao Mundo. Ravenna. Itália.

Daqui, sigo para Veneza, ainda com Jordi. Convido você para subir na garupa e vir com a gente! Aliás, clica o bontãozinho “seguir” lá em cima, do lado direito do blog. Além de saber das novidades em primeira mão, você ainda me dá uma forcinha aumentando o número de seguidores! Valeu e até Veneza!

 

 

 

 

 

Roma, belíssima!

Roma é sem dúvida umas das cidades mais fascinantes que já visitei! Um museu a céu aberto! Já havia visitado suas principais atrações anos atrás, e por isso, resolvi gastar meus dois dias caminhando pelas ruas, com a minha máquina fotográfica na mão. Não estava afim de enfrentar longas filas e gastar uma grana, para ver de novo o Museu do Vaticano, a Capela Sistina e o Coliseu, que para mim, são suas principais atrações. Se você não conhece, não perca! Mas posso afirmar que explorar a cidade caminhando vai te surpreender! Praças, largos, relíquias do império romano, arquitetura, igrejas, monumentos… em fim! Se “perder” nas ruas de Roma é fascinante!

Se tem intenção de visitar “A cidade eterna”, invista em um bom guia, prepare suas pernas e divirta-se!

Como estou na correria, sem tempo para escrever, termino esse post com alguns clicks da belíssima cidade de Roma.

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Basílica de São Pedro. Vaticano. Roma.

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Piazza del Popolo. Roma.

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Scalinata di Trinitá del Monti. Roma

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Fountain Trevi. Roma.

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Monumento a Vitor Emanuel. Piazza Venezia. Roma.

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Roma. Itália.

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Ruínas de Roma.

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Coliseu. Roma

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Roma

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Pantheon. Roma

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Porchetta. Típica iguaria de Roma. 

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Piazza Navona. Roma

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Roma

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Roma: a terra do sorvete!

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Castelo de Santo Ângelo. Roma

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Sanfoneiro em Roma

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Roma

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Roma

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Roma