Bye bey Turquia!Welcome Líbano!

Meus últimos dias de Turquia foram movimentados. Teve passeio por ruínas e monumentos históricos, escalada, caminhada, um mergulho no Mediterrâneo e muita comida boa!

Nuzhet e seus amigos Benam e Murat nos levaram para um tour no feriado do dia 19. Depois de um banquete no café da manhã em um restaurante nos arredores de Mersin, fomos conhecer várias atrações da região.

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Entrada da caverna Cennet and Cehennem “Céu e inferno”, região de Mersin, Turquia.  

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Caverna Cennet and Cehennem, região de Mersin, Turquia.

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Eu tendo aula de escalada com o mestre Murat. Região de Mersin, Turquia.

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As janelinhas no paredão faz parte de um aqueduto romano com 36 km de extensão. Região de Mersin, Turquia.  

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Eu, Murat, Eric, Larissa, Nuzhet e Benam, após escalada e caminhada em um cânion na região de Mersin, Turquia. 

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Uma das entradas do Monastério de Alahan, região de Mersin, Turquia.

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Ruínas do Monastério de Alahan, região de Mersin, Turquia.

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Ruínas do Monastério de Alahan, região de Mersin, Turquia.

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Ruínas na região de Mersin, Turquia.

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Aqueduto na região de Mersin, Turquia.

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Esculturas romanas no paredão de um cânion na região de Mersin, Turquia.

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Vista de onde se localiza as esculturas romanas. Com a lua cheia em destaque. Região de Mersin, Turquia.

De volta a estrada, levei dois dias para chegar em Tasucu, porto onde parte todas as terças e quintas-feiras, as 20h, os barcos para o Líbano. Com tempo de sobra, arrisquei uma pescaria e depois de muito tempo dei sorte. Quando cheguei ao lugar que iria acampar, um senhor arrumava suas tralhas para ir embora. O netinho, feliz da vida, me mostrava os peixes dentro de um balde branco. Pedi umas iscas e o simpático velhinho deixou quatro camarões. Tudo que ele tinha na verdade. Fez sinal com as mãos dizendo para eu descascá-los e parti-los ao meio antes de por no anzol. Chequei o tamanho do anzol  e nos despedimos, com o netinho babando na minha bike…

Levantei acampamento e segui para o local que o senhor indicou. Arrumei a vara, descasquei o camarão, cortei ao meio, coloquei a parte mais próxima do rabo que me pareceu mais apetitoso no anzol e arremessei, com toda categoria! Não deu um minuto! Pumba!!! Meu jantar estava garantido! KKKK Só pensava no Eric!!! Puta pé frio!!! KKKK Tentamos pescar várias vezes enquanto estávamos juntos e não pegamos nada!! Aí, na primeira vez depois que nos separamos… rapidinho… KKKKK!!!

Pensei tanto no amigo que a sorte foi embora!!! KKK Não beliscou mais!!! Mas já era o suficiente!! Guardei meu arroz e dei outro rumo para as cebolas, alhos, pimentões e berinjelas que seriam refogados.

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Último jantar na Turquia, a caminho de Tasucu.

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Legumes e peixe na brasa. Turquia.

Já em Tasucu, comprei minha passagem e fiz uma horinha no centrinho da cidade. O vento soprava forte quando cheguei ao porto. Por algum motivo que não descobri, o barco zarpou com 4 horas de atraso e balançou muito durante toda a viagem. Adotei a estratégia de dormir em um sofá e não tive enjoos. No desembarque, todos ficaram retidos por duas horas e meia dentro da embarcação. Também não descobri o motivo. Nesse tempo, fiz amizade com os caminhoneiros, a grande maioria dos passageiros. Todos muito curiosos com a minha viagem. Quando fomos liberados, me deixaram ser o primeiro a passar na imigração. Agradeci a gentileza e finalmente pisei na terra dos meus antepassados.

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Caminhoneiro orgulhoso mostrando o braço tatuado no Brasil. Porto de Trípoli, Líbano. 

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Trípoli, Líbano.

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Bem vindos ao Líbano!

Minha viagem pelo Líbano mau começou e já me emocionei algumas vezes… O primeiro pôr-do sol; o senhor dissecando a ovelha no meio da rua- lembrou meus tempos de garoto quando acompanhava meus avôs na lida com os animais; o senhor que me abordou falando em português com sotaque árabe; a devoção a religião cristã… Pequenos acontecimentos que de alguma forma me conectam com o passado… e olha que ainda não deu tempo de provar a típica gastronomia local!

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Senhor Libanês dissecando um animal na calçada. Líbano.

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Primeiro pôr-do-sol no Líbano.

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Senhor libanês que morou no Brasil entre 1955 e 1961, falando um português com sotaque típico dos árabes, surpreendendo a família. Sil´ata, Líbano.

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A fé cristã dos libaneses sendo passada de geração para geração. Broumana, Líbano.

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minha bicicleta sofrendo com o calor… imagina o dono! Líbano!

Agora estou em Broumana, uma pequena cidade em meio as montanhas, a 800 m de altitude, na casa de Chedi Ge, membro do warmshowers. Ele aceitou o meu pedido de hospedagem e vai tentar me ajudar a encontrar algum membro da minha família. Na verdade, sei muito pouco sobre eles. Apenas que vieram de uma cidade chamada Baskinta, cerca de 30 km daqui, a 1300 m de altitude. E é para lá que estou indo antes de rumar para a capital Beirute.

Eu no Líbano, em busca de fortes emoções!

Conto com sua torcida, bons pensamentos e boas energias… e se puder, me ajuda, curtindo, comentando e compartilhando meus posts!

Até breve e muito obrigado!

 

 

 

 

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Entre mar, montanhas, amigos e festival

Para encontrar Eric, sua na morada Larissa e Oz Gun, deixei minha bike na casa de Nuzhet e fiz uma viagem de 10 horas de ônibus entre Mersin e Antália. Passamos uma semana explorando a região que possui o mesmo nome da cidade, e voltamos todos para Mersin para prestigiar o festival anual dos nômades. Antes de partir para ver meus amigos, tive a honra de participar de um programa de rádio e fiz uma palestra na Mersin University onde contei um pouco sobre mim e a minha viagem.

 

Antália possui aproximadamente 1 milhão de habitantes, situada ás margens do Mediterrâneo no sul da Turquia, fundada em 150 a. C.. O porto e o centro histórico tentam manter o charme de um passado distante, com ruelas estreitas e casarões típicos, e as altas montanhas que a cercam oferecem lindas vistas. No entanto, nas praias mais próximas ao centro, a impressão de artificialidade predomina, com turistas mesocêntricos e grandes hotéis modernos, com fachadas de muito mau gosto, que não combinam em nada com o azul translúcido do Mediterrâneo.

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Porta de Antália, Turquia.

É ao redor da cidade que estão as melhores atrações da região. Cercada pela cordilheira dos Montes Tauro, a região combina montanhas que mergulhão abruptamente nas águas azuis do Mediterrâneo, vales, cânions, cachoeiras, rios subterrâneos, cavernas, e pequenas planícies costeiras formando lindas baías e penínsulas. Um lugar incrível para quem privilegia o contato com a natureza. Em meio a tudo isso, existe um valioso conjunto histórico arquitetônico dos diferentes impérios que dominaram a região ao longo dos anos, como o bizantino, otomano, grego, romano entre vários outros . A cadeia montanhosa possui vários picos com mais de 3000 metros de altitude, e entre elas, serpenteiam as famosas águas dos rios Tigres e Eufrates.

Nas primeiras três noites optamos por acampar nas montanhas na região do Cânion Koprulu e nas outras duas noites, descemos ao nível do mar para armar nossas barracas no Pan Camping em Kemer.

Nas montanhas, nos encantamos com as lindas vistas, fizemos rafting nas corredeiras do Rio Kopru e nadamos nas geladas águas cristalinas de seus afluentes. Também visitamos as ruínas de um antigo teatro romano em Selge.

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Eu, Larissa, Oz Gun e Eric, bonitos na fita, prontos para descer o rio Kopru. Antália, Turquia.

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Gelada!!!!! Afluente do rio Kopru. Antália, Turquia.

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Larissa e Eric. Antália, Turquia.

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Cânion de Koprulu. Antália, Turquia.

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Parque Nacional de Koprulu. Antália, Turquia.

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Minha barraca no Parque Nacional de Koprulu, Antália, Turquia.

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Rios subterrâneos desaguando no rio Kupru. Antália, Turquia.

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Rios subterrâneos que formam o cânion de Kuprulu. Antália, Turquia.

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Vendedora de artesanato. Selge, Antália, Turquia.

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Selge, Antália, Turquia.

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Ruínas de teatro romano em Selge, Antália, Turquia.

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Ruínas de teatro Romano em Sege, Antália, Turquia.

Em Kerme, praticamente morgamos o dia todo entre um mergulho e outro no mar. É claro que rolou uma cervejinha e um churrasquinho de leve. As amoreiras do Pan Camping estavam carregadas e deliciosas.

O Festival Nacional dos Nômades acontece dias antes da migração para as montanhas mais altas. No inverno, o clima mais ameno permite que as ovelhas pastem em regiões mais baixas. Com o forte calor do verão, as pastagens se tornam abundantes em altitudes mais elevadas, onde a temperatura oferece a condição ideal para as ovelhas ganharem peso. O festival é na verdade uma grande festa de despedida, já que cada família segue para um lado e só se reencontram no próximo inverno.

Fomos muito bem recebidos pela comunidade. Todos vinham até nós para tentar um diálogo e oferecer as boas vindas. De alguma forma, parecia que eles se divertiam mais com a nossa presença do que nós com o festival.

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Eric e eu vestidos com a Salvar, as calças típicas usadas pelos nômades. Festival nômades. Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

A simplicidade do festival fica evidente nas improvisações. O local da festa fica em um descampado entre as montanhas no meio do nada. A cozinha fica ao ar livre e usa-se lenha. O abastecimento de água é feito por um caminhão pipa. A comida é servida em bandejas de isopor e os talhares são de plástico. Tudo doado! Um gerador barulhento é a única fonte de energia e só abastece o palco. Quase não existe árvores e muita gente trás sua própria barraca para tentar fugir do sol ardente. O banheiro químico só apareceu no meio da tarde de domingo. Antes, as necessidades eram feitas ás margens do vale, aos pés das montanhas, atrás de alguns arbustos.

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Local do festival nômades. GozneYaylasi, Mersin, Turquia.

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Modo tradicional de preparação do ayran, bebida de iogurte. Festival nômades. Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

No sábado a noite, uma brincadeira em volta de uma enorme fogueira deu início ao festival. Uma tipo de pega-pega onde o pegador tenta surpreender usando a fogueira como aliada. Um enorme círculo feito pelos participantes delimita a área. Uma corneta e um bumbo ditam o ritmo…

No domingo pela manhã, enquanto os convidados vão chegando e se reunindo com seus familiares para tomar um chay e colocar o papo em dia, os últimos preparativos vão sendo executados. Mudam o gerador de lugar, montam o palco, trazem as cadeiras de plástico, equacionam o som, dão os últimos retoques nas barracas, trazem os burros e as ovelhas, organizam o estacionamento dos carros, finalizam os preparativos na cozinha e tudo o mais…

Foi legal ver a comunidade se organizando, se divertindo e se confraternizando com trajes tradicionais,  brincando em volta da fogueira, ou simplesmente tomando um chay entre parentes e amigos. Dezenas de quilos de grão-de-bico, feijão branco com pedaços de carne de carneiro e pão, são preparados e oferecidos gratuitamente. Muita gente trás sua própria comida e seu fogão para fazer chá.Álcool não faz parte da festa. Alguns ambulantes formam uma feirinha onde são vendidos desde utensílios de cozinha, roupas, relógios, bijuterias, até brinquedos e algodão-doce para as crianças. Tudo muito simples! Também teve shows musicais e apresentações de danças típicas. Houve o momento da fé e agradecimento na tradicional leitura do alcorão. As crianças tiveram sua vez nas competições de arco e flecha  e luta. Para os nômades, o ponto alto da festa foram as competições de tosa de ovelha, corrida de burros, o mais belo animal e a tenda mais caracterizada. Os primeiros colocados são premiados com dinheiro e pequenas barras de ouro.

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Mulheres nômades na lida em cozinha improvisada. Gozne Yaylisa, Mersin, Turquia.

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Mulher nômade cortando lenha para abastecer a cozinha. Festival Nômade em Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia. 

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Festival Nômade em Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

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O show vai começar… Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

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É hora de agradecer… Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

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Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

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Dois anos e meio vivendo como eles! Um nômade brasileiro no meio do festival. Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

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Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia. 

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Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

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Apresentação de dança no Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

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Típico acampamento de família Nômades no Festival. Gozne, Mersin, Turquia.

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Campeonato de luta para as crianças no Festival Nômade. Gozne Yatlasi, Mersin, Turquia.

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Competição de toa de ovelhas no Festival Nômade. Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

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Oz Gun, Eric, Larissa e eu no Festival Nômade, Gozne Yaylasi, Mersin, Turquia.

Ao final do festival, Oz Gun retornou a Istambul, e Larissa, Eric e eu voltamos para a casa de Nuzhet (warmshowers) em Mersin. Vamos aproveitar o feriado nacional do dia 19 e passar o final de semana conhecendo melhor a região. Essa é a minha última semana na Turquia. É a última chance de você concorrer a uma viagem de 15 dias comigo em qualquer parte do meu roteiro. É só acertar meu próximo destino. Click aqui e confira o regulamento no post anterior. 

Um abraço e continue na garupa!

Pedal entre a Capadócia e o Mediterrâneo

Antes de deixar a Capadócia, Eric e eu fomos até a escola onde Semih (dono da chácara onde ficamos hospedados) é diretor, dar uma palestra sobre nós e a nossa viagem. Visitamos 3 salas de aulas e conversamos 40 minutos em cada uma delas. Gostamos bastante! É legal ver como os adolescentes se interessam por uma aventura como a nossa!

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Eric e eu recebendo presentes após palestrar em uma das salas de aula do colégio onde Semih é diretor. Nevsehir, Turquia.

O pedal entre a Capadócia e Mersin, cidade com cerca de 1 milhão de habitantes situada as margens do Mar Mediterrâneo, onde estou agora, foi sem dúvida o trecho mais legal da minha viagem na Turquia se tratando de visual. Finalmente a monótona paisagem de plantações de trigo deu lugar a uma região de montanhas rochosas com picos nevados, florestas de pinheiros, vales e plantações frutíferas. Claro que com isso, tive que me superar escalando seguidas montanhas, geralmente com vento contra. Mas no entanto, no final desse trecho, me deliciei com uma longa descida com mais de 1300 metros de desnível. Os trechos mais complicados em relação ao trânsito foram entre as cidades de Ulukisla e Pozanti (estrada D750), e entre Tarsus e Mersin (estrada D400). O restante, foi relativamente tranquilo.

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As montanhas ao longe anunciam longas subidas e belos visuais. Estradas da Turquia.

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Ao fundo, em meio ao vale, a cidade de Nigde. Turquia.

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Passo Kolsuz Geçidi, 1490 m de altitude. Turquia.

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Passo Çaykavak – 1600 m de altitude. Turquia.

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Lá vai eu morro acima! Turquia.

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Cidade de Akçatekir, Turquia.

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Passo Kandilsirti Geçidi, 1370 metros de altitude. Turquia.

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Recuperando o fôlego… e aproveitando a vista. Montanhas da Turquia.

Sem o meu companheiro Eric, e com uma notícia triste e preocupante vinda do Brasil, procurei manter o foco e seguir com o mesmo padrão que adotei desde o primeiro dia de viagem na Turquia. Não ter hora para levantar, tomar um café da manhã reforçado, fazer várias paradas e interagir com os locais, estar seguro com as provisões (água e comida), e contar com uma mistura entre estratégia e sorte para conseguir um lugar seguro para passar a noite.

 

Quando cheguei em Tarsus, já quase ao nível do mar, parei em um Café, no shopping da cidade. Precisava de conexão wi-fi para avaliar as condições do clima e fazer contato com os membros do warmshowers (site de hospedagem para ciclistas). Nessa hora, vieram conversar comigo 4 meninas. Gonul, Ezgi Su, Helin e Mirar, todas com 12 anos. Chegaram timidamente, com certa dificuldade em falar inglês pela falta de prática, já que possuíam um bom vocabulário. Aos poucos, foram se soltando e iniciamos um diálogo que resultou em presentes gastronômicos da região. Fiquei um tanto quanto emocionado com a ação das meninas que garantiram o meu jantar, e é claro que fiz uma conexão inevitável com minha filha. A saudade bateu forte naquele dia! Felizmente consegui conversar com minha filha Ana Laura algumas horas depois, aproveitando a conexão de wi-fi de um outro Café, dentro das dependências de uma mesquita onde passei a noite. As meninas se foram, contentes da vida, assim como eu, que fiquei nas mãos de Hookah, um simpático estudante universitário que acabara de chegar de um passeio de bike com seus amigos.

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Gonul, Ezgi Su, Helin e Mirar me presenteando com guloseimas local. Tarsus, Turquia.

Um turco apaixonado por bicicletas, encontra um estrangeiro dando a volta ao mundo de bike… Não deu outra! Hookah foi logo abrindo o leque e mostrando a típica hospitalidade turca. Antes de sairmos em busca de um lugar para eu passar a noite, fez questão de me pagar um café enquanto ligava e mandava recados para os amigos tentando achar um canto para mim. Como não teve sucesso, não desistiu… saiu pedalando comigo e depois de 3 tentativas, conseguiu convencer o Imame (pregador no culto islâmico), a me deixar acampar no jardim da mesquita. Antes de partir, me ajudou a levantar acampamento e ainda ficou comigo mais um tempão, conversando, tomando chay e comendo sementes de girassóis com mais alguns locais.

Foi uma noite segura e tranquila! E a primeira, desde que desembarquei em Moscou em agosto do ano passado, que não precisei do meu saco de dormir. A noite estava incrivelmente agradável!

No outro dia de manhã, Hookah foi me pegar na mesquita e fomos juntos provar uma das maravilhas gastronômicas da região. O hommus (pasta de grão-de-bico) é um dos pratos mais apreciados dessa região, e aqui leva uma porção extra de Pastirma (carne salgada e seca ao ar livre). Foi um dos pratos turcos que mais apreciei até agora! Sensacional!

Já em Mersin, fui super bem recepcionado por Nuzhet. Professora universitária, amante da bicicleta e envolvida em causas sociais, Nuzhet me levou para conhecer uma comunidade nômade de criadores de ovelhas que habitam as montanhas próximas a Mersin. Querida por todos, Nuzhet ajuda a organizar o festival anual da comunidade que acontece no próximo final de semana. Formada por apenas 16 famílias, essa minúscula comunidade que corre o risco de extinção, recebe mais de 2000 convidados todos os anos. Além de presenciar a reunião de organização, visitamos e jantamos na casa de um dos líderes da comunidade. Esse encontro foi mais um momento muito especial da minha jornada.

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Nuzhet com as crianças nômades. Região de Mersin – Turquia.

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Emocionante jantar na casa de uma família nômade na Turquia.

Ainda fico em Mersin por mais alguns dias antes de seguir para Antália, a última região que irei visitar na Turquia. Fique ligado e aguarde novidades! Em breve vou anunciar meu próximo destino! Deixe um comentário com o seu palpite! O primeiro que acertar ganha o direito de pedalar 15 dias comigo em qualquer parte do meu roteiro. Só serão válidos os palpites postados no blog! (No facebook NÃO VALE!!!!!) Ahhh! A viagem será custeada com seu próprio recurso, é claro! kkkk

Obrigado pelo carinho! Não desse da garupa!

 

 

 

Capadócia: Mais um sonho realizado!

A chácara onde Eric e eu estamos hospedado fica na cidade de Nar, cerca de 16 km de Goreme, o coração da Capadócia. É um lugar simples, aconchegante, que nos possibilitou um bom descanso, apesar do banho de mangueira de água fria.

Semih, o dono da chácara, liberou a nossa estadia por tempo indeterminado e com isso tivemos tempo para conhecer as principais atrações da região com muita calma. Eric vai esperar a namora e deve ficar por aqui até o final do mês. Eu vou meter o pé na estrada e seguir para o sul da Turquia.

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A simpática cidade de Nar, Capadócia – Turquia.

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Goreme, Capadócia – Turqia

Depois de dois dias usando a bike para conhecer a região, optamos em alugar uma scooter para visitar as atrações mais distantes (17 euros por dia). Entre Nar e Goreme é preciso atravessar uma grande montanha e a região é super ondulada. A atração mais longe que visitamos foi a Cidade Subterrânea de Kaymakli, 28 km distante da nossa chácara. Também visitamos o Castelo de Uçhisar, os museus a céu aberto de Goreme e Zelve, a cidade de Avanos, alguns vales e ainda fiz um belo passeio de balão.

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Eu e Eric explorando a Capadócia. Turquia.

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Goreme, Capadócia – Turquia.

 

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Eric e eu na Scooter em frente a chácara de Semih, em Nar, Capadócia, Turquia.

A dica para economizar é comprar um cartão que permite acesso aos principais museus da região. Com direito a 7 atrações, o passaporte sai por 15 Euros mais ou menos. Sei que existe um outro tipo de cartão que da direito a visitar todos os museus do país. Vale a pena dar uma pesquisada se tiver a intenção de vir para cá. Para economizar com o passeio de balão, caso não esteja incluído no seu pacote, vá direto a uma operadora. Eu consegui 33% de desconto na Anatolian Ballons, e acabou saindo por U$ 100, com direito ao transfer de ida e volta, um lanchinho de desejum, champanhe ao final do passeio e um certificado. O voo dura entre 45 minutos e uma hora, de acordo com as condições do vento. Aliás, fique esperto e não deixe para fazer o passeio no último dia. Meu passeio foi adiado devido aos fortes ventos. Eu não costumo fazer propaganda negativa aqui no meu blog, mas se estiver afim de fazer como eu e Eric, e alugar uma moto ou coisa assim, NÃO vá ao HITCHHIKER TOUR. Além de impessoais, são extremamente mal educados, trapaceiros e mentirosos. Não vou entrar em detalhes… mas fica a dica! Já na Anatolian Ballons, pode ir sem medo!

Se você tiver tempo de conhecer tudo, vale a pena! Mas se estiver com tempo apertado sugiro o seguinte:

Existem mais de 30 cidades subterrâneas na Capadócia. As mais famosas são Derinkuyu e Kaymalkli. Embora a primeira seja mais profunda, a segunda é maior e mais interessante com 8 andares abaixo do nível do solo, sendo 4 abertos ao público. Com passagens estreitas, sinuosas, com longos túneis baixos e inclinados, as cidades subterrâneas foram construídas para servir de abrigo e esconderijo quando exércitos inimigos se aproximavam. Equipada com estábulos, adegas, armazéns, cozinhas, salas de repouso, quartos e igrejas, estima-se que mais de 3000 pessoas habitaram a cidade subterrânea de Kaymakli. O calcário poroso predominante na região da Capadócia é de fácil escavação, e sua superfície exótica é desenhada por formações geológicas únicas, provenientes de atividades vulcânicas e pela erosão da chuva e do vento durantes séculos. Sugere-se que as cavernas remontam a época dos Hititas, 1300 a.C., sendo expandidas ao longo dos séculos. Vale a pena contratar um guia ou fazer como fizemos, seguir um grupo guiado e entender melhor como funcionava o sistema de fuga e proteção, ventilação, e como supostamente as pessoas se organizavam para se alimentar e viver longos períodos lá dentro.

O Castelo de Uçhisar é o ponto mais alto da Capadócia, pelo menos turisticamente falando. De origem vulcânica, lembra um cenário de ficção científica, ou simplesmente um enorme formigueiro. O castelo oferece a melhor vista do pôr-do-sol e a entrada sai por 2,5 euros. Não está incluído no passaporte que mencionei acima.

O museu de Goreme faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1984. O acervo é formado basicamente por igrejas escavadas nas rochas, com destaque para a Igreja Escura, a mais conservada e colorida, com painéis que ilustram acontecimentos bíblicos. Eu curti mais o Museu de Zelve. Lar de uma das maiores comunidades da região, o Museu a céu aberto de Zelve só foi desocupado na década de 50, devido ao risco de desabamento causado por erosões. O museu está localizado em 3 vales interligados que são protegidos por montanhas íngremes de coloração avermelhadas. As montanhas foram escavadas e transformadas em aldeia. É o melhor exemplo da verdadeira arquitetura local.
Todos os vales possuem formações geológicas bem interessantes. Mas a melhor maneira de apreciá-los é fazendo um passeio de balão! E é isso que a Capadócia oferece de melhor. É claro que as vistas de outros pontos são realmente bastante interessante e se vê tudo que é visto de cima do balão. Inclusive existe alguns cafés na beira da estrada com excelentes vistas. Mas de balão a perspectiva muda! O balão chega por cima, bem pertinho das formações, passa devagar, oferecendo tempo para apreciar os detalhes. Sem falar na vista do sol nascendo! Uma energia boa! Eu fiz o passeio na noite de lua cheia! Sensacional! Depois o sol veio com tudo, ajudando a espantar um pouco do frio que fez a noite. Aliás um frio inesperado onde a geada pegou os agricultores da região de surpresa, queimando os brotos da parreiras e de diversas árvores frutíferas que eclodem nesta época do ano.
O passeio de balão é caro! Mas posso dizer que vale apena! Assim como valeu cada quilômetro pedalado para chegar na Capadócia!
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Vista de Goreme a partir de Uçhisar, Capadácia. Turquia.

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Castelo de Uçhisar, Capadócia. Turquia.

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Éric e eu desbravando a região da Capadócia. Turquia.

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Formações geológicas típicas da Capadócia. Turquia. 

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Museu a céu aberto de Goreme, Capadócia. Turquia.

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Capela no museu de Goreme, Capadócia. Turquia.

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Afresco do Museu de Goreme, Capadócia. Turquia.

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Museu a céu aberto de Zelve, Capadócia. Turquia.

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Aldeia que faz parte do acervo do museu de Zelve. Capadócia. Turquia.

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Formações geológicas do Vale de Zelve, Capadócia. Turquia.

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Um dos melhores exemplo da arquitetura de Capadócia. Museu de Zelve. Turquia.

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Passeio de balão em noite de lua cheia. Capadócia. Turquia.

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Sol nascendo. Capadócia, Turquia.

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Balão entre as formações geológicas típicas da Capadócia. Turquia.

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Mais um sonho realizado! Passeio de balão na Capadócia. Turquia.

 

 

Pedal entre Istambul e Capadócia

Depois de 18 noites em Istambul, já era tempo de voltar para estrada. O desafio agora seria percorrer cerca de 670 km até a Capadócia, o último trecho em que Eric e eu percorreríamos juntos, totalizando mais de 1500 km desde que deixamos Tessalônica (Grécia). Fizemos uma bela parceria que vai deixar saudade! Eric é mais um amigo que fiz para a vida toda! Tenho certeza que o verei por mais vezes, e fico na esperança de um dia podermos pedalar mais uns quilômetros juntos. Agora teremos alguns dias para aproveitar juntos a Capadócia. Queria deixar um abraço também para Marc, outro ótimo companheiro e amigo, que percorreu boa parte desse percurso com a gente! Valeu Marc! Valeu Eric! Muito obrigado! Nos vemos na Alemanha!

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Eric, eu e Marc, no nosso primeiro dia de pedal. Tessalônica, Grécia

A viagem começou com uma travessia de balsa no Mar de Mármara entre Istambul e Mudanya. Foi a maneira que encontramos para evitar o trânsito carregado das estradas na saída de Istambul. Por 1 minuto, perdemos a balsa das 12:30h e só embarcamos ás 15:30h. De Mudanya seguimos para a região metropolitana de Bursa. Com aproximadamente 2 milhões de habitantes, Bursa tem um entroncamento rodoviário bastante movimentado, nada agradável de se pedalar. A coisa piorou um pouco por que chegamos já escurecendo, no horário do rush, com os carros em alta velocidade tirando finas, nos obrigando a pedalar junto ao meio fio. Neste pedaço não havia acostamento. Foi o trecho mais perigoso de todo o percurso.

No outro dia, depois de dormir na área externa de um Café, debaixo de uma cobertura ao lado de uma rua barulhenta, deixamos Bursa. Em poucos quilômetros entramos em uma estradinha secundária e começamos a escalar. A vista de um pico nevado de uma montanha ao longe e o dia lindo amenizavam o sofrimento. Embora a estradinha fosse menos movimentada que a autoestrada, o tráfego de caminhões pesados exigia atenção. Apenas um ou outro dia percorremos estradinhas mais tranquilas. Não posso dizer que este trecho entre Istambul e a Capadócia foi um pedal super agradável. Depois de pequenos trechos em estradinhas secundárias, caímos novamente na autoestrada. Ainda bem que na maioria das vezes o acostamento era suficientemente largo, limpo e de boa qualidade.

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O lindo visual amenizou um pouco o sofrimento da nossa grande primeira escalada logo após deixarmos a região metropolitana de Bursa, Turquia.

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Um dos poucos dias de total tranquilidade nas vias secundárias da Turquia.

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O devagar e o quase parando! Grande encontro nas estradas da Turquia.

 

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Eric pedalando no acostamento de uma autoestrada nas proximidades de Aksaray, Turquia.

Entre Istambul e a Capadócia, saímos do nível do mar e chegamos a 1350 metros de altitude.  Sempre com ondulações. Sobe até 500, desce até 300 metros, no outro dia, vai a 1000 e volta aos 500 metros. E assim foi… Sempre escalando uma ou duas grandes montanhas por dia. Foram quase 5500 metros de subida total neste trecho. Para piorar, a paisagem foi super monótona, com raríssimas exceções! Um vasto campo desmatado, hora com plantações de trigo, hora com um poeirão danado causado pela extração de areia e pedras pelas fábricas de cerâmica ou cimento. Praticamente sem florestas nem árvores. Só no penúltimo dia de viagem, nas proximidades de Akasaray, a paisagem voltou a ficar agradável com montanhas altas, cheias de neve. Mas a estrada continuou na mesma! Ondulada, e um tanto quanto perigosa para ciclistas. Ahhh! Teve alguns dias que o pôr-do-sol foi bem legal!

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Eric e eu comemorando o final de uma grande subida logo após Polatli, Turquia.

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Sobe e desce dos diabos nas estradas da Turquia.

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Visual típico do interior da Turquia. Morros e áreas desmatadas para o cultivo predominante de trigo.

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Pôr-do-sol em Aksaray, Turquia.

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Nas estradas da Turquia.

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Último dia de pedal antes de chegar na Capadócia, Turquia.

Em Sereflikoçhisar, após dormimos em uma mesquita, o pneu de Eric amanheceu murcho. Não tivemos problema em remendar o furo. O problema foi recolocar o pneu na roda. Extremamente apertado (justo, quase sem folga para encaixar o pneu), que até quebrei uma espátula (ferramenta para deslocar o pneu do aro), toda vez, na parte final do processo, acontecia o que o mundo do ciclismo conhece como “snake bite”, ou “picada de cobra”. Isso acontece quando a câmara de ar sofre uma “mordida” do pneu e do aro, causando dois furos, muito parecidos com as marcar de uma picada de cobra. Mesmo tomando cuidado, tivemos que refazer o processo por 8 vezes! É mole? Tudo bem que 4 furos foram feitos por um mecânico de motocicletas que surgiu do nada e se propôs a ajudar. Como já havíamos tentado por quatro vezes, resolvemos apostar na experiência do sujeito! Resultado: O cara deixou mais 4 furos na câmara. Foi um dia cansativo! Estávamos no pátio de uma mesquita, era sexta-feira, o dia mais importante da semana para os muçulmanos. Todos que chegavam para a cerimônia religiosa faziam as mesmas perguntas, mesmo sabendo das respostas, pois já estávamos ali tempo suficiente para todos saberem tudo ao nosso respeito. Estávamos irritados com os insucessos nos reparos do pneu… muita gente colocando a mão na bike… falando alto… dando palpites em turco… como se o volume da voz fosse a chave para que entendêssemos o idioma. É igualzinho quando um brasileiro encontra um gringo! Já viu? O cara manda o português pausado, falando auto pra burro, como se resolvesse! Kkkk

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Um dia para ficar para a história! 8 furos em uma só câmara de ar… Haja incompetência! Sereflikoçhisar, Turquia.

Só por questão de curiosidade, já estou perto de pedalar 30.000 km e meu pneu furou apenas uma vez… Nem gosto de falar muito… Sorte né?! Insha’Allah (“se Deus quiser” ou “se Alá quiser” em turco), continue assim! Sai pra lá olho gordo! Pé de pato, mangalô, três veis! Saravá meu pai!

O dia foi tão cansativo psicologicamente que resolvemos ficar e dormir no confortável carpete da mesquita por mais uma noite. A parte boa desse perrengue foi conhecer Mesut, o Imame da mesquita. O Imame é o pregador das cerimônias religiosas do Islã. O Imame está para os muçulmanos assim como o padre está para os católicos.  Além de nos abrigar na mesquita, Mesut nos ofereceu apoio em tudo que precisamos. Foi um encontro muito especial. As crianças também foram um caso à parte! Passaram o tempo todo conosco, tentando um diálogo, fazendo perguntas usando o tradutor do celular e brincamos de bola.

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As crianças de Sereflikoçhisar com a minha bicicleta no pátio da mesquita durante a cerimônia religiosa. Turquia.

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Café da manhã com a família de Mesut (camisa branca). Sereflikoçhisar, Turquia.

De volta a estrada, finalmente alcançamos o lago Tuz Golu, um lago salgado que fica entre a capital Ancara e Aksaray. Já cansado da monótona paisagem, apostávamos em um visual mais atraente quando percorrêssemos a extensão do segundo maior lago do país, responsável por produzir 70% do sal consumido na Turquia. No entanto, acabou sendo uma decepção. Com cor opaca e sem vegetação nas margens,  o lago é muito pouco atraente. Feio que dói, coitadinho!!!

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Lago salgado Tuz Golu, o segundo maior do país, responsável por produzir 70% do sal consumido na Turquia.

Se por um lado a estrada desmotivava, a  população foi um fator motivacional importante. Seja em encontros casuais ou via sites de hospedagens, sempre encontramos pessoas hospitaleiras e dispostas a ajudar. Foi assim que conseguimos ter qualidade gastronômica neste trecho da viagem. Demos sorte em encontrar um ou outro restaurante de beira de estrada onde também comemos bem! Conseguimos hospedagem quase todas as noites. Só um dia, em Sivrihisar, tivemos que nos virar sozinhos. Além de chegarmos na boca da noite, a chuva atrapalhou na procura de ajuda e acabamos dormindo em um parque, dentro de uma casinha. Dormimos em salão de posto de gasolina, debaixo de uma cobertura de um café, dentro de mesquitas, em um posto de plantão 24h de resgate de autoestrada, e nas casas dos locais. Não pagamos por hospedagem e usamos a barraca apenas uma vez, mesmo assim, em um espaço cedido pelo dono de um restaurante. Fomos sempre recebidos com muito carinho!

 

 

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Dono de um Café muito simples que Eric e eu usamos para descansar depois de uma longa subida. Turquia.

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Eric e eu brindando a vida com um chay em uma de nossas paradas de descanso. Turquia.

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Beyti Kebab – Carne fatiada enrolada em uma massa de parecida com pão sírio, regado com molho de tomates. Arroz, pimenta assada e coalhada de acompanhamento. restaurante em Polatli, Turquia.

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Eric e eu devorando um extra big “pide”, bem parecido com nossa esfiha, em um restaurante de Haymana, Turquia. 

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Feijão branco, salada e coalhada preparados pela mãe de Nazim. Eskeshir, Turquia.

Para fechar com chave de ouro, a hospitalidade turca nos brindou com uma chácara, onde Eric e eu estamos hospedados. Nazim, um amigo que nos recebeu em Eskisehir por duas noites, cunhado de Burak, do warmshowers, que nos hospedou em Bozuyuk, conseguiu desenrolar uma chácara na cidade de Nar, já na Capadócia. Nazim cuidou de tudo e quando chegamos, duas famílias estavam nos esperando com um delicioso jantar. O dono da chácara, Semih é professor de música na mesma escola em que Segvi da aulas de inglês. Os dois já trabalharam com a mãe de Nazim, que também deu aulas neste mesmo colégio. E assim, estamos instalados e prontos para explorar uma das regiões mais visitadas da Turquia, a Capadócia.

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Chácara em que Eric e eu estamos hospedados na região da Capadócia. Nar, Turquia.

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Semih preparando o jantar no dia de nossa chegada em Nar, Turquia.

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Mesa farta para recepcionar a nossa chegada! Obrigado Segvi, Semih e família. Nar, Turquia.

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Clássica foto com as famílias de Segvi e Semih no jantar de boas vindas. Nar, Turquia.

 

 

Em Istambul: Na sombra dos atentados

Cheguei a Istambul na noite anterior ao atentado que matou 4 pessoas e deixou mais de 30 feridos em uma das ruas mais importantes da cidade. Ainda trazia na bagagem a pesada notícia de outro atentado, ocorrido dias antes na capital Ancara, que deixou mais de 125 feridos e 34 mortos depois que um carro bomba explodiu. Para piorar a situação, no final de semana, os Curdos comemorariam a chegada da primavera, um evento que gerou uma tensão enorme nos habitantes da cidade. O “Noruz” é uma festa tradicional Curda que acontece a mais de 3000 anos em comemoração ao Ano Novo no calendário Persa. Por ser uma festa originalmente iraniana, histórico adversário político dos turcos, e por muitos outros motivos, o governo turco proíbe essa comemoração. Considerados a maior nação sem estado do mundo, os Curdos são um grupo étnico nativo do Curdistão, que inclui partes dos territórios do Irã, Síria, Turquia, Armênia e Geórgia, onde 14 milhões deles vivem no momento. O grupo terrorista separatista Curdo (PKK),que reivindicam a criação do seu Estado próprio, responsabilizados pelos atentados, prometiam revidar a represália do governo com mais ataques.

Essa ameaça gerou forte tensão na população que praticamente não saiu de casa no final de semana. E foi assim, intocado na casa de Oz Gun, do warmshowers, que Eric e eu passamos os primeiros dias em Istambul. Depois, ainda com medo, fomos conhecer alguns lugares fora do roteiro turístico e longe das zonas de risco, sempre evitando o transporte público, obrigando-nos caminhar muito.

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Istambul, Turquia.

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Fortaleza Rumelihisari, Estreito de Bósforo, Istambul, Turquia.

 

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Estreito de Bósforo, Istambul, Turquia.

 

IMG_1800Em primeiro plano a Mesquita Nova, ao fundo a Hagia Sophia. Istambul, Turquia.

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Estação de metrô Haliç, ao fundo a Mesquita Suleymaniye. Istambul. Turquia.

 

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Istambul, turquia.

Os dias foram passando e a população começou voltar ao ritmo normal. Com os novos atentados na Bélgica, o foco foi desviado e conseguimos enfim, um pouco de coragem para explorar a cidade. Mas confesso que foi um tanto quanto estranho. No início quase não consegui relaxar. Sempre atento, parecia estar procurando um suspeito, um possível homem-bomba, e todo carro parado sem motorista com piscas ligados parecia pronto para explodir. Tudo era motivo para preocupação. Entre milhares de pessoas, parecia que feições preocupadas sempre cruzavam o meu olhar e a sombra do terrorismo parecia ser uma nuvem negra em minha consciência. Confesso que acabou sendo um sentimento exagerado. Aos poucos fui relaxando… Afinal, como reconhecer um homem-bomba? E mesmo parecendo invasivo, fiz algumas fotos…

Em 2015 Istambul recebeu cerca de 12,5 milhões de visitantes, tornando-se o 5° destino mais visitada do mundo. É claro que a ameaça terrorista derrubou esses números, mesmo assim, ainda se vê muitos visitantes lotando os maiores pontos de visitação, como as mesquitas, mercados, centro histórico e fazendo passeio de barco pelo Estreito de Bósforo, que separa a Europa da Ásia.

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Cúpula da Mesquita Azul, Istambul, Turquia.

 

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Hagia Sophia, Istambul, Turquia.

 

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Mesquita Yeni ou Nova, Istambul, Turquia.

 

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Uma das entradas do Grand Bazaar, um dos maiores e mais antigos bazares cobertos do mundo. Istambul, Turquia.

 

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Grand Bazaar, Istambul, Turquia.

 

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Grand Bazaar, Istambul, Turquia.

Esperando o pai de Eric que chegou para uma visita de 4 dias, tivemos tempo para fazer tudo com calma. Até tempo para arriscar uma pescaria no coração da cidade nós tivemos. Mas a fase continua ruim!!! Acho que o Eric está dando azar!!! kkkkk Mais uma vez não tivemos nenhuma beliscada! Com isso, tivemos que pagar caro para experimentar um pescado local! kkkk

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Pescadores sobre a Ponte de Gálata, Istambul, Turquia.

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Eric e eu arriscando uma pescaria sobre a Ponte Gálata, Istambul, Turquia.

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Como não existe peixe no canal do Bósforo, tivemos que comprar um e preparar um ceviche na casa de Oz Gun, com o Sr. Ralf, Eric e eu. Bairro de Sisli, Istambul, Turquia.

Selecionamos alguns restaurantes recomendados por Oz Gun, e arriscamos em outros, sempre com boas surpresas. Estrategicamente localizada com um”pé” na Ásia e outro na Europa, Istambul possui uma cozinha incrivelmente diversificada. E deliciosa! Dos abundantes kebabs, que são encontrados em todos os cantos da cidade, passando pelos peixes, carnes, vegetais, doces, massas e iogurtes,  nos deliciamos em cada bocada! Temperos, castanhas, frutas secas! Istambul exale cheiro de comida por onde quer que você vá! Vitrines de doces chamam atenção, aguçam o paladar, produzindo saliva só de olhar os baclavas, tahines, e lokuns ( bala de goma a base de amido de milho) variados. É fácil ser hipnotizado pelas riquezas das cores e promessas de sabores. Vi e provei muitas coisas diferentes como o Simit, um delicioso pão em formato de argola com sementes de trigo ou gergelim. O surpreendente Manti, uma espécie de ravióli recheado geralmente com carne bovina ou carneiro servida ao molho de iogurte. O incrível Hunkar begendi, que leva um ensopado de carne com purê de berinjela. O Ayran, uma bebida de iogurte levemente salgada que acompanha as refeições.  O estranho kokorec, um churrasquinho feito com tripa de cordeiro. O Boza, outra bebida original feita com grão-de-bico, açúcar e  canela. A exótica cabeça de cordeiro que me recordou a que comi na Mongólia (Veja aqui a cabeça de cordeiro que comi no interior da Mongólia). E muitas outras guloseimas mais.

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Doner de cordeiro. Istambul, Turquia.

 

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O Sr. Ralf e eu com muito apetite. Istambul, Turquia.

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Balcão de especiarias, chás, castanhas e frutas secas  no Egypt Bazaar. Istambul, Turquia.

 

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Figos secos. Mercado de Especiarias, (Egypt Bazaar). Istambul, Turquia.

 

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Boza – bebida típica feita com grão-de-bico. Istambul, Turquia.

 

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“Pide de sucuk”, um tipo de pizza com linguiça local que lembra um pouco o nosso chouriço. Istambul, Turquia.

 

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Kebab. Istambul, Turquia.

 

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Pescado grelhado que serve para rechear um delicioso sanduíche.  Istambul, Turquia.

Também encontrei alguns pratos trazidos como herança para o Brasil muito comum na minha casa e nas casas de famílias árabes brasileiras. Abobrinhas ou beringelas recheadas, charuto de folhas de uva, cafta, pão sírio, homus, babaganuche, labneh (coalhada seca) doces e molhos de tahine. Aí deu uma saudade danada da minha mãe! O charuto e a coalhada dela são incomparáveis! Assim como o quibe cru, um prato que ainda não vi por aqui! Cuida da mão aí em mãe! Quando eu voltar quero me esbaldar!!! kkkk

Istambul que já foi capital de 4 impérios ( Romano, Bizantino, Latino e Otomano) também deve ser a capital mundial dos gatos de rua! Nunca vi tantos! Eles dominam a cidade e estão presentes em todos os lugares. Nas estações de metrô, nas poltronas dos cafés, nas janelas das casas, nos tetos dos carros, nas escadarias que conectam os bairros altos com os baixos, em meio aos passos apressados dos locais ou dos passos relaxados dos curiosos turistas, muuuiiitttooosss nas caçambas de lixos. A quantidade é realmente de impressionar!

Istambul possui diversos bares tradicionais que são famosos pela dupla café e tabaco. O café é bastante forte e servido sem coar, enquanto o tabaco é aromatizado e fumado em uma espécie de cachimbo com reservatório de água, que me lembra um abajur, chamado narguilé. O café eu gosto bastante, mas o narguilé eu “passei”! Já havia experimentado antes e não gostei! O troço me deixa zonzo! Este hábito turco me pareceu um tanto quanto deprimente. Os homens, que são maioria absoluta, ficam sentados lado a lado, tragando e baforando fumaça, quase sem conversar. Olhando para o nada! Sei lá! Gostei mais do banho turco! Conhecido como Haman, as casas de banho turca também é uma tradição no país. Uma sauna a vapor com espaço para relaxar, que oferece massagem, banho de espuma, barbeiro e camas.

O último lugar que visitei foi a Ilha de Adalar, que faz parte de um arquipélago de 9 ilhas no Mar de Mármara, apelidado de Ilhas dos Príncipes, à 2 horas de barco de Istambul. Oz Gun tem uns amigos que moram lá. Enquanto ela ficou de bate-papo com os amigos, Eric e eu aproveitamos para caminhar e curtir os lindos visuais que a ilha oferece. Seja pelos visuais, por um passeio de charrete, para conhecer uma capelinha no alto do morro, ou mesmo para almoçar e tomar um sorvete no frenético centrinho da cidade, vale a pena fazer um passeio de um dia caso sua estada em Istambul for longa como a minha.

Minha temporada em Istambul chegou ao fim. Foram 18 dias! Mas ainda tenho muito a explorar na Turquia! Convido você para pegar uma garupa comigo e irmos juntos até a Capadócia, cerca de 800 km distante. Afinal, em uma viagem de bicicleta, não é apenas o destino que importa! O caminho é tão excitante quanto!

 

 

 

A incrível hospitalidade dos turcos!

Em uma escala que criei para avaliar a hospitalidade dos 30 países que visitei até agora, tenho no topo do ranking a Coréia do Sul, Taiwan e Mongólia, seguidos pelos russos e australianos. Os critérios de avaliação são simples: hospitalidade e solidariedade espontânea.

Estou a menos de uma semana na Turquia, o 31° país visitado, mas já estou convicto que os turcos irão ficar entre os mais bem avaliados.

Desde o momento em que Eric, Marc e eu cruzamos a fronteira, recebemos seguidas demonstrações de solidariedade e hospitalidade. Seja através do chai, ou simplesmente chá (bebida mais popular do país), de um delicioso salgadinhos, ou até mesmo um lugar para passar a noite, os turcos não perdem a oportunidade de demonstrar que aventureiros como nós, somos muito bem vindos.

Nas paradas de descanso, várias vezes tivemos que tomar 3 ou 4 copos de chai antes de conseguir partir. Todos querem oferecer um agrado. O chai faz parte da cultura do país assim como o nosso cafezinho. Não importa a hora do dia, toda hora é hora de tomar um.

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O chai é a bebida mais apreciada na Turquia, sempre servidas nesse típico copinho.

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Grupo de locais demonstrando hospitalidade em um típico bar de chai nas ruas de Kesan, Turquia.

É comum grupos de homens se juntarem ao nosso lado para tentar um diálogo. Quase sempre com sinais, conseguimos nos comunicar de maneira satisfatória. Os turcos estão sempre sorridentes e sempre demonstram carinho de alguma forma.

Logo no primeiro dia no país, um casal nos parou perguntando se estávamos precisando de ajuda. Tudo através de mímicas ou palavras isoladas em inglês. A nossa ideia era acampar em um parque na entrada de Kesan, e quando revelamos a nossa intenção, rapidamente ligaram para alguém que falava inglês. Não demorou 5 minutos, e veio até nós um funcionário do parque, todo sorridente, e nos guiou até o local que poderíamos armar as barracas. Deixou o banheiro do parque aberto durante a noite. Sempre com um sorriso no rosto!

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Acampamento no parque da cidade de Kesan, Turquia.

No outro dia, já quando deixávamos a cidade, o mesmo homem que agilizou a nossa pernoite, nos parou e nos convidou para tomar um chai. Aceitamos o convite. Afinal é assim que nos infiltramos na cultura local. Ele nos levou a uma casa de chai tradicional onde vários amigos se encontram durante todo o dia. Um lugar onde a rotatividade de pessoas é grande. Tem sempre alguém chegando… e cada um que  chegava nos oferecia um copo da bebida, um salgadinho quentinho, um refrigerante… E o papo foi rolando… Só conseguimos sair da cidade depois das 14h.

Quando chegamos em Gelibolu, no final da tarde de um dia chuvoso e frio, paramos em mais uma casa de chá, bem ao lado do porto onde pegaríamos a balsa para Cardak. Quando fiz a pesquisa na internet, vi que o tempo não mudaria nos próximos dois dias e foi fácil convencer meus amigos que ficar na cidade e esperar o tempo melhorar seria a melhor opção. Com isso, nosso desafio passou a ser um lugar para passar as noites. Era senso comum não gastar com acomodação nesta perna da viagem até Istambul. Naturalmente atraímos a atenção dos locais que se organizaram na função de tentar nos ajudar. Um deles, me colocou em uma caminhonete e me levou a um ponto do outro lado da cidade onde poderíamos acampar. O lugar ficava exposto ao vento que soprava forte e gelado. Eu e meus amigos estávamos buscando uma cobertura onde pudéssemos passar a noite secos. De volta ao café, decidimos por nós mesmo, procurar um lugar mais apropriado, que nos desse o mínimo de conforto, já que passaríamos 3 noites na cidade. Conseguimos achar uma imensa cobertura na parte de trás de um museu de tratores. É claro que no primeiro dia, até pelo horário, não pedimos autorização. Estávamos apreensivos com o que poderia acontecer na manhã seguinte. O desfecho foi até meio engraçado! Eu estava na rede e meus amigos dormiam no chão. Já estávamos acordados quando um funcionário apareceu. Foi legal ver sua feição mudando de acordo com que ele ia compreendendo o que estava acontecendo… Primeiro fez uma cara de poucos amigos… tipo… o que vocês estão fazendo aqui? Depois viu as bikes, percebeu que éramos estrangeiros, e foi abrindo um sorriso, tímido é verdade. Deu meia volta e voltou pelo mesmo lugar que chegou…

Começamos então a levantar acampamento. Passou 5 minutos e o funcionário estava de volta, com 3 xícaras de chá e 3 pães… kkk. Todos rimos e o clima de descontração se estabeleceu. Dormimos as 3 noites nos fundos do museu e pela manhã, sempre as 10 e pouco, aparecia nosso amigo com as xícaras de chá.

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Marc e Eric tomando chá nos fundos do museu de tratores onde passamos 3 noites em Gelibolu, Turquia.

Num outro dia, paramos em uma pequena cidade chamada Guvemalani e gentilmente nos autorizaram a acampar do lado de fora de uma mesquita. Como a fome era grande e o frio e o vento nada gentis, resolvemos jantar em um restaurante antes de levantar acampamento. Nessa hora, uma chuva forte caiu. Adotamos então a estratégia de nos mantermos secos e aquecidos até a hora do restaurante fechar, e só então aprontar o acampamento. O dono do restaurante, que já havia demonstrado toda sua hospitalidade traduzindo o cardápio e nos oferecendo mel e pão, se solidarizou conosco, e foi até um café ali perto, pedir ao amigo proprietário, um lugar dentro da sua varanda onde pudéssemos passar a noite. A varanda tinha uma cortina de plástico que protegia mal e porcamente do vento, mas para nós, o chão seco já era uma maravilha. O dono do café num primeiro momento disse que poderíamos passar a noite ali, sem nenhum problema, mas teríamos que esperar mais uma hora e meia até o café fechar. Legal! Já tínhamos um lugar seco e wi-fi. Acontece que nessa hora e meia, muitos dos frequentadores do café, sempre homens, vieram até a gente para tentar um diálogo. Entre risadas, mímicas e mais chai, Eric, Marc e eu, conseguimos cativar não só os clientes, mas também o dono do café que acabou nos convidando para passar a noite dentro do estabelecimento. Deixou a chave conosco, e de quebra encheu a lareira de madeira que nos aqueceu a noite toda.

Na manhã seguinte, perdi as contas de quantos chai tomei! kkk

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Café onde passamos a noite em Guvemalani, Turquia

 

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Eu e um amigo agricultor que fez questão de me oferecer um chá em sinal de boas vindas. Guvemalani, Turquia.

Para confirmar a hospitalidade dos turcos, ainda teve a história do zelador de um condomínio de casas de praia que nos permitiu acampar no gramado da quadra de vôlei. O soldado que me guiou pela cidade de Gelibolu em busca de uma casa de câmbio e foi meu intérprete na aquisição de um chip de telefone local e vários outros pequenos gestos.

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Acampamento na quadra de um condomínio fechado em Korukoy, Turquia.

Para completar, já em Istambul, fomos muito bem recebidos por Oz Gun, membro do warmshowers, que irá nos hospedar por alguns dias.

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Istambul, Turquia.

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Istambul, Turquia.