Ahhhh… os Alpes! Que coisa mais linda!

Cruzar os Alpes em duas rodas foi sem dúvida uma das mais belas jornadas da minha viagem. Certamente é um trecho que recomendo para todos os amantes do cicloturismo. É preciso preparo físico, mas garanto que você, assim como eu, vai se encantar com as paisagens, vilas e a natureza esplêndida que separa a Itália da Áustria.

Cruzar os Alpes pedalando requer muito empenho e determinação! Longas subidas e dois passos com 1530 m e 1370 m de altitude, sem contar o sobe e desce das encostas das montanhas. O frio e o vento também são grandes desafios nesta época do ano. No entanto, o visual é incrível! E este trecho entre Veneza e Innsbruk, foi sem dúvida um dos mais lindos de todo o Projeto Da China para casa by Bike!

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Parque Nacional Tre Cime – Dolomites. Itália.

A ciclovia que liga Veneza na Itália, a Innsbruk na Áustria é sensacional, oferecendo boa infraestrutura, segurança e um visual de tirar o fôlego!

Super bem sinalizada, é praticamente impossível se perder da rota, que segue em grande parte em vias exclusivas para ciclistas e pedestres. É claro que com isso o perfil altimétrico aumenta consideravelmente, mas a tranquilidade em poder pedalar com segurança em meio a natureza é recompensadora. A maioria do trajeto é asfaltado. Os trechos em terra e cascalhos são muito bem conservados. Mesmo com pneus relativamente finos (700x35cc), não encontrei nenhuma dificuldade. Jordi, com pneus de mountain bike, parecia pedalar no asfalto!

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Ciclovia Veneza-Monique . Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes. Itália.

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JOrdi e eu na ciclovia Veneza-Munique. Alpes. Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Túnel da ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Passo Cimabanche. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

As distâncias entre vilas e cidades são curtas! Toda hora tem uma linda vila ou cidade onde é possível se abastecer de comida e água. Mas cuidado, tudo está fechado entre 12:30h e 15:30h, inclusive alguns restaurantes. E como é uma região turística, os preços não são muito atrativos. As pizzas é a opção mais barata do cardápio. Os preços em geral vão de 6 a 11 euros. E não se esqueça, aqui é Itália, belo! Elas são ótimas! Também compramos queijos, salames e presuntos no mercado. Delícia! No jantar, sempre cozinhamos! Na última vila andes de pararmos, compramos cebola, alho, e ingredientes para uma pasta. Ah! E um vinhosinho para esquentar um pouco…

Um fato curioso é que nesta região da Itália a língua mais falada é o alemão, e não o italiano.

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Jordi se hidratando em uma das fontes de água potável da ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Cortina d’Ampezzo. Alpes, Itália.

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Pieve di Cadore. Alpes, Itália.

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Pizza capreze: Mussarela de búfala, tomate e orégano! Massa fantástica! Itália.

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Preparando um penne carbonara para o amigo Jordi. Alpes. Itália.

Levamos cinco e dias para fazer esse trecho de 345 km. As subidas são longas e exige bastante esforço. Outro fator que deixa a viagem morosa são as paradas para as fotos. O visual é tão lindo que paramos toda hora para fotografar. Fizemos também algumas longas parada para poder se esquentar e se proteger da chuva e do vento gelado.

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Alpes, Itália.

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Alpes, Itália.

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Dolomites Nacional Parque. Alpes, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munique. Alpes, Itália.

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Aples, Itália.

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Ciclovia Veneza-Munque. Alpes, Itália.

Conseguimos nos abrigar em todas as noites. Uma vez na Paróquia em Pieve di Cadore, uma noite no sala de uma escola de música em Vandoies di Sotto e duas noites em casas ao lado da estrada. A primeira casa foi em Marcora, tinha pernilongo pra burro, estava em fase final de reforma. A segunda estava abandonada, foi bem pertinho do Passo Comabanche, onde chegou a gear de madrugada.

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Casa onde passamos a noite em Marcora. Itália.

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Preparando o café da manhã em casa abandonada perto do Passo Comabanche (1530 m). Itália.

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Sala da escola de música onde passamos a noite aquecidos em Vandoies di Sotto. Itália

Praticamente não existe fronteira entre a Itália e a Áustria. Passei pela pequena placa indicando que havia trocado de país sem perceber. Jordi mais atento do que eu chamou minha atenção. Voltei e fiz uma foto e um vídeo para registrar a minha entrada no 38° país do Projeto da China Para Casa by Bike. Estava um frio de lascar!

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Fronteira entre Itália e Áustria. 

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Chegando em Innsbruk, Áustria.

Embora o vento gelado continuou a nos açoitar, depois que cruzamos a fronteira foi só alegria com um descidão delicioso. Como estávamos com muito frio, quase que “atropelamos” esse trecho. Só queríamos um lugar quente e um banho! Chegamos em Innsbruk já na boca da noite. Estamos hospedados na casa de Benjamin que é membro do Warmshower. E aqui, conseguimos tudo queríamos! Um lugar quente e um banho! Ufa!

É a minha segunda vez em Innsbruk. A ideia é descansar, cuidar de uma antiga lesão no pé, e rever alguns pontos da cidade em um único dia e seguir viagem. Minha jornada na Áustria será curta! Por isso, não vacila! Sobe na garupa e vem comigo até meu próximo destino: Munique – Alemanha.

 

Veneza! Despedidas, comemoração, encontros, imprevistos…

Depois de me despedir do irmão Gian Luca e da D. Lea, seguimos em uma deliciosa manhã ensolarada na companhia de Marco, que nos guiou por estradinhas secundárias até Camacchio, conhecida como a “Pequena Veneza”.

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Eu, Marco e Jordi deixando Ravenna. Itália.

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Jordi e Marco a caminho de Camacchio. Itália.

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Camacchio. Itália.

Em Camacchio, almoçamos um arroz delicioso que D. Lea preparou carinhosamente para nós, tomamos um café e nos despedimos com um forte abraço. Uma despedida emocionante tanto para mim como para Marco. Vi lágrimas nos olhos do amigo e confesso que minha vista também embaçou! Vou sentir saudade do amigo! Mas estou certo que nos encontraremos novamente em breve!

Ainda pensando em tudo que aprendi com Marco e com as lembranças dos bons momentos que passei com sua família e amigos, rapidamente chegamos em Mesola. Mesola é minúscula e não foi difícil encontrar o padre que foi super gente boa! Nos acomodou na paróquia e nos ofereceu alguns enlatados para o jantar. Fiz uma gororoba com feijão, atum e tomates e uns temperinhos… Ficou bom pra burro!

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Cozinhando na Paróquia de Mesola. Itália.

No outro dia foi aniversário de Jordi. A ideia foi fazer um pedal tranquilo para comemorar. Optamos por atravessar algumas ilhas até chegar em Veneza ao invés de seguir pelo caminho tradicional. Da simpática Chioggia, onde nos abastecemos com pão, queijos, presuntos, salames, azeitonas, vinho e outras coisinhas mais, seguimos para a ilha de Palestrina. Na travessia conhecemos duas cicloturistas alemãs que digamos, deixou nossa festinha um pouco mais animada! kkk. Jéssica e Laura estavam no seu último dia de tour e também tinham algo para festejar. De noite, pegariam o trem para Munique.

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Chioggia. Itália.

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Em Chioggia, esperando a balsa para Palestrina.

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Comemorando o aniversário de Jordi com as cicloturistas alemãs Laura e Jessica. Ilha Palestrina. Itália.

Depois do lanche, no despedimos das amigas e seguimos em um delicioso pedal através da ilha , até o ponto para tomar uma nova balsa para a Ilha de Lido. Como o lanche foi mais demorado do que esperávamos, praticamente cortamos Lido sem parar. Mas não adiantou… o pneu de Jordi começou esvaziar e por poucos minutos perdemos a balsa até Veneza, nossa última travessia do dia. Jordi teve tempo de reparar o pneu e por incrível que pareça, encontramos mais duas cicloturistas alemãs. Como Laura e Jessica, elas também pegariam o trem noturno para Munique. Foi um encontro legal… mas tão rápido que os seus nomes se perderam na memória…

De certa forma o atraso foi bom! Conhecemos as alemãs e pudemos desfrutar de um belo pôr do sol em Veneza.

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Cicloturistas alemãs na travessia entre as Ilhas de Lido e Veneza. Itália.

 

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Veneza. Itália.

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Pôr do sol em Veneza. Itália.

Na balsa, notei que o pneu de Jordi havia abaixado novamente. Como já estava escurecendo, ele optou por não reparar o furo e ir enchendo o pneu toda vez que sentisse necessidade. Ainda tínhamos 11 km de pedal até Mestre, na parte continental da Itália, onde passaríamos a noite. Ouvimos o conselho das alemãs e atravessamos a movimentada ponte que liga Veneza ao continente pela passarela, que fica no sentido de quem chega na ilha, ou seja, no sentido oposto que seguíamos. Quando a ponte terminou nos vimos sem saída, pois não havia como continuar. Decidimos seguir pela beirada da pista, em uma pequena picada, com o guardrail (cerca de proteção) entre nós e a estrada. Chegou um ponto que não deu mais! Eu estava bravo por estar naquele lugar cheio de mosquitos e muito perigoso e já de noite. Em uma manobra que exigiu força, levantamos as bikes por cima da grade. A do Jordi foi fácil. A minha escorregou e o câmbio traseiro bateu com tudo. A gancheira, parte que conecta o câmbio traseiro na bicicleta entortou levemente e perdi as passagens de marcha. Fiquei ainda mais puto! Atravessamos a estrada, entramos em mais uma picada e finalmente conseguimos alcançar o lado certo da pista. Mas ainda tinha um tantão para pedalar na estrada movimentada e escura. Em uma pequena subida para cruzar uma ponte, Jordi se assustou com um trem urbano e ao me ultrapassar, seu pneu entrou no buraco do trilho e o desequilibrou. Um tombo bobo que rendeu um ralado no braço e no joelho aumentando ainda mais o nervosismo.

Jordi chegou no albergue empurrando a bike e nós dois com um “bico” deste tamanho! Depois do banho, já mais calmos, resolvemos dar sequência as comemorações dos seus 36 anos e fomos comer uma pizza.

Na manhã seguinte, fomos a uma bicicletaria onde pude dar um jeito na gancheira e no câmbio e Jordi repor a câmara de ar, antes de visitamos Veneza.

A cidade de Veneza é composta por um arquipélago com 117 ilhotas, separadas por pequenos canais usados por todos os tipos de embarcações que substituem os carros, e conectadas por inúmeras pontes, onde turistas do mundo inteiro se encantam com a arquitetura e as obras de arte espalhadas pelos palácios, largos, praças e ruelas, num ambiente que mescla romantismo, mistérios, agitação.

Com mais de 1000 anos, a cidade ostenta um legado histórico cultural  ímpar, sendo uma das cidades mais visitadas do mundo. O bacalhau, o arroz ou pasta com tinta de lulas, os peixes e frutos do mar em geral, são as melhores opções da gastronomia local.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

Mais uma vez, recomendo um bom guia de viagens para melhor explorar a cidade. Para os cicloturistas fica o alerta de que as bicicletas são proibidas em Veneza. A melhor opção é buscar uma acomodação na Ilha de Lido ou em Mestre, e visitar a cidade a pé ou de barco. Eu optei por Mestre devido aos preços. Já Lido é uma ótima opção se estiver viajando em casal.

A Itália de bons amigos, lugares incríveis e gastronomia de dar água na boca!

Deixamos Roma em uma manhã ensolarada com temperatura muito agradável. Jordi, que havia pedalado comigo na Nova Zelândia, veio de Barcelona para me fazer companhia por alguns dias. Como já nos conhecíamos, foi fácil “achar” o ritmo da viagem. Nas duas primeiras noites, dormimos em duas paróquias. A Primeira foi em Sutre, onde encontrei um padre brasileiro. Já há muito tempo na Itália, Padre Fernando, nos ajudou cedendo uma sala da paróquia. A segunda foi em San Lourenço Novo. Tanto em San Lourenço como em Sutre, conseguimos achar bons restaurantes com preços justos. Estas cidades estão na rota de peregrinação chamada Via Francigena. Algumas igrejas  estão preparadas para acomodar os peregrinos enquanto os restaurantes oferecem o “menu do peregrino” com preços que variam entre 6 e 15 euros. A via Francigena foi uma importante estrada que ligava a Inglaterra a Roma, usada desde então por peregrinos que desejam visitar os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. A via corta vilas e paisagens incríveis!

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Paisagem da Via Francigena. Itália.

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Sutre . Itália

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Salão paroquial de Sutre. Itália.

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Via Francigena. Toscana. Itália.

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Bolsena – Itália

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Itália.

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Bem vindos a Toscana! Bar Paralelo 43. Itália.

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Via Francigena. Toscana. Itália.

Em Siena ficamos na casa do Carlinhos e da Valéria. O Carlinhos é primo do meu cunhado. Nos encontramos em Barcelona meses atrás e meio que deixamos certos minha passagem por lá. Infelizmente coincidiu com suas férias. O casal deixou tudo acertado e ficamos nas mãos carinhosa da D. Ciça, mãe da Valéria. D. Ciça nos recebeu com um sorriso daqueles que todos gostam de ganhar! Com simplicidade e a elegância de uma boa anfitriã, D. Ciça desfilou seus dotes culinários nos brindando com pratos deliciosos! Do brasileiríssimo arroz com feijão a uma belíssima pasta italiana, passando por sobremesas incríveis. Jordi, que teve o primeiro contato com a gastronomia brasileira ficou encantando com as mãos mágicas da nossa anfitriã! Tudo delicioso! D. Ciça também me presenteou com uma deliciosa receita que conecta as gastronomias brasileira e italiana. Sorvete de café! Nosso tão conhecido café com o melhor sorvete do mundo! Eu já provei! E vocês não perdem por esperar. Mais uma receita para o livro Da China para Casa by Bike!

Valéria emprestou seu carro para agilizarmos um tour pelas redondezas de Siena. Visitamos o Castelo de Monteriggioni e a lindíssima e sofisticada San Gimignano.

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Castelo de Monteriggioni. Toscana. Itália

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Castelo de Monteriggioni. Toscana. Itália.

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San Gimignano. Toscana. Itália.

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San Gimignano. Tosccana. Itália.

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San Gimignano. Toscana. Itália.

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San Gimignano. Toscana. Itália.

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Eu e a queridíssima D. Ciça. Siena. Itália.

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Piazza del Campo. Siena. Itália

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Catedral de Siena. Itália.

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Siena. Toscana. Itália.

Gostaria de deixar registrado aqui meus sinceros agradecimentos ao Carlinhos, Valéria e D. Ciça! Muitíssimo obrigado! Deixo um abraço também ao Wandré, neto da D. Ciça.

De Siena seguimos firmes para a bela Florença. Passamos a tarde na cidade. Visitamos os principais pontos turísticos e passamos a noite nos fundos de um posto de gasolina já na saída da cidade. As montanhas deste dia serviram de aquecimento para o que estava por vir.

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Siena – Florença. Toscana. Itália.

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Siena – Florença. Toscana. Itália.

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Florença. Itália

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Florença. Itália

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Florença. Itália.

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Terminando o dia com uma pizza. Florença. Itália.

Chegou a hora de cruzar os Apeninos, a mais importante cadeia montanhosa da Itália que se estende de norte a sul do país, por mais de 1000 km . Pela estrada SS 67, atravessamos o Passo del Muraglione, com 906 metros de altitude. A estrada também corta cidadezinhas charmosas, vinícolas, plantações de uva, florestas e um dos três parques nacionais da Toscana.

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Enfrentando o Apeninos em etapas. Hora de descansar. Estrada SS 67. Florença – Ravenna. Itália.

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Estrada SS 67. Próximo ao passo Del Muraglione. Apeninos, Toscana. Itália.

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Esse tonel entro no meu caminho… Itália.

Depois de escalar, veio um delicioso descidão que nos levou para a região de Emília-Romanha, mais precisamente em Ravenna, onde estou agora. Escolhi vir a Ravenna para encontrar Marco e alguns amigos que fiz na estrada. Para minha surpresa Matteo veio de Reggio Emilia, onde mora, para passar uns dias com a gente. De quebra, também revi Colin, que acabara de voltar de Honduras. Pedalei com eles na Austrália.

A identificação com Marco e seu parceiro Gio, que ainda está na estrada, foi imediata. Parecia chegar na casa de um velho amigo! Me senti super à vontade com toda sua família. A mãe de Marco, D. Lea, é uma fofa! Sorriso terno, gostoso, falando alto e gesticulando! Uma típica mama italiana. Daquelas donas de casa que não param um segundo. D. Lea esbanjou categoria na cozinha. Como se come na Itália, não! Além de pratos típicos, é uma fartura de queijos, presuntos e tudo quanto é tipo de frios! Perdição! O pai é mais tranquilão! Nas horas vagas é caçador de trufas. E o irmão Gian Luca é um bonachão! Cara legal, sempre sorridente e bem engraçado!

Foram dias super agradáveis com meus amigos. Teve uma baladinha de leve, praia, churrasquinho nas montanhas, e ótimos bate papos. Compartilhamos lembranças e nos divertimos com conversas e mais momentos que serão lembrados no futuro.

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Eu, Marco, Matteo e Jordi. Só cicloturistas! Ravenna. Itália

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Churrasquinho em Premilcoure. Toscana . Itália.

Além dos jantares em família na casa de Marco, fomos convidados pelos pais de Gio para um jantar. Ali, tive a certeza que a amizade que fiz com Marco e Gio será para sempre. Mais delícias gastronômicas italianas e ótimo papo! E é claro! Todo o carinho dos anfitriões. Saio de Ravenna com a certeza que verei todos novamente. Espero um dia poder retribuir um pouco do carinho que recebi aqui!

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Gian Luca (irmão de Marco), Matto, Jordi, Marco, D. Rita (mãe de Gio), Giulia (irmã de Matteo), Eu, Sr. Giordano (pai de Gio) e Valentina (irmã de Gio). Ravenna. Itália.

A mama de Marco e a mama de Gio.

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Exato lugar onde Marco e Gio iniciaram a Volta ao Mundo. Ravenna. Itália.

Daqui, sigo para Veneza, ainda com Jordi. Convido você para subir na garupa e vir com a gente! Aliás, clica o bontãozinho “seguir” lá em cima, do lado direito do blog. Além de saber das novidades em primeira mão, você ainda me dá uma forcinha aumentando o número de seguidores! Valeu e até Veneza!

 

 

 

 

 

Roma, belíssima!

Roma é sem dúvida umas das cidades mais fascinantes que já visitei! Um museu a céu aberto! Já havia visitado suas principais atrações anos atrás, e por isso, resolvi gastar meus dois dias caminhando pelas ruas, com a minha máquina fotográfica na mão. Não estava afim de enfrentar longas filas e gastar uma grana, para ver de novo o Museu do Vaticano, a Capela Sistina e o Coliseu, que para mim, são suas principais atrações. Se você não conhece, não perca! Mas posso afirmar que explorar a cidade caminhando vai te surpreender! Praças, largos, relíquias do império romano, arquitetura, igrejas, monumentos… em fim! Se “perder” nas ruas de Roma é fascinante!

Se tem intenção de visitar “A cidade eterna”, invista em um bom guia, prepare suas pernas e divirta-se!

Como estou na correria, sem tempo para escrever, termino esse post com alguns clicks da belíssima cidade de Roma.

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Basílica de São Pedro. Vaticano. Roma.

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Piazza del Popolo. Roma.

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Scalinata di Trinitá del Monti. Roma

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Fountain Trevi. Roma.

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Monumento a Vitor Emanuel. Piazza Venezia. Roma.

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Roma. Itália.

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Ruínas de Roma.

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Coliseu. Roma

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Roma

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Pantheon. Roma

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Porchetta. Típica iguaria de Roma. 

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Piazza Navona. Roma

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Roma

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Roma: a terra do sorvete!

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Castelo de Santo Ângelo. Roma

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Sanfoneiro em Roma

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Roma

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Roma

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Roma

 

 

 

 

Benvenuti in Italia

A minha viagem pela Itália começou com muitas surpresas, me mostrando um país diferente daquele que conheci anos atrás. É a magia da bicicleta me proporcionando novas experiências em um país que eu adoro! Antes, meu fascínio era pela gastronomia e pela suas atrações históricas. Agora, com a minha bicicleta, estou mais perto do italianos, coisa muito difícil de acontecer como um turista tradicional!

Como sempre faço, antes de chegar a um novo destino, recorro a minha agenda de contatos e geralmente recebo uma ajuda importante para a minha viagem. Dicas, alertas, informações das mais variadas e muito mais! Ainda na Austrália, dois anos atrás, conheci Marco e Gio que também estavam em volta ao mundo de bike. Aliás, Gio continua sua empreitada e já rodou mais de 50.000 km. Já Marco, foi fisgado pelo amor e resolveu ficar no Canadá. Os dois conectaram seus familiares e amigos e já estou recebendo os benefícios. Aqui em Roma, onde faço uma pequena pausa, estou hospedado na casa da namorada de Gio, Flávia.

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A vovó Teresa, Flávia e a mamãe Ornella. Recebendo o carinho das 3 gerações em Roma, Itália.

Durante os meu primeiros dias de pedal na Itália, fui forçado a parar por alguns dias em Mondragone, na região da Campania, a terra da mussarela de búfala. Que rapaz! É de chorar!!!!

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Mussarela de búfala com salada de tomates em Mondragone. Itália.

Uma antiga lesão na sola do pé esquerdo se manifestou novamente alguns dias atrás, me obrigando a baixar o selim da bicicleta para aliviar o contato com a região afetada. Essa manobra mudou a biomecânica da pedalada, resolvendo o problema do pé esquerdo, mas afetou outra antiga lesão no tornozelo direito. Quando atravessava as ruas de pedras de Nápoles, acabei exigindo muito e o tornozelo inchou bastante. Além disso, pedalei 113 km neste dia. Não me restou alternativas se não procurar uma pousadinha para melhor tratar a lesão.

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Rápida passagem por Nápoles, para provar a mais famosa pizza do Mundo! Margherita da Pizzaria da Michele. Nápoles.

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Nápoles.

Rapaz! E que surpresa boa tive em Mondragone! Nicola, Elena e o filho Paolo transformaram o quartinho dos fundos da casa na Pousada Verdemare. Eles acabaram se encantando com a minha viagem e me ajudaram muito! Além de um baita desconto, me convidaram a comer com eles, preparando pratos para lá de especiais!

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Elena e o filho Paolo preparando um delicioso prato com frutos do mar. Pousada Verdemare. Mondragone. Itália.

Uma outra surpresa legal neste início de viagem foi encontrar Paolo, um  cicloturista italiano de Turim, que fazia uma viagem entre Brindisi, ao sul da Itália, até Roma. Nos encontramos em Gaeta e pedalamos juntos por dois dias, até pertinho de Roma, quando ele teve que se apressar para não perder o trem até sua cidade natal. Foi uma pena sua viagem ter acabado! Fizemos uma rápida amizade! Ele se mostrou um cara bacana, companheiro!

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Mais um amigo! Obrigado Paolo!

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Eu, Paolo e Don Pier Luigi. Capela de Frasso, Itália.

Paolo tem uma carteirinha de peregrino e acabou me levando com ele até a Igreja de Frasso di Sonnino, onde pernoitamos. O Padre Pier Luigi nos tratou muito bem! Nos alojou em confortáveis suítes individuais com wi-fi, e não aceitou de forma alguma, a oferta voluntária de praxe que os peregrinos oferecem.

Um bom trecho dos 323 km entre Salerno e Roma, pedalei pela famosa Via Appia, uma das principais estrada da Roma Antiga. Sua construção foi iniciada em 312 a.C. É uma estrada relativamente plana, pelo menos no trecho que percorri, tornando se ondulada apenas nas proximidades de Roma. Cortando vários vilarejos e cidade, a estrada possui duas colunas de enormes árvores que a deixam ainda mais bela e ajuda a proteger do sol. Por outro lado, é uma estrada estreita, com tráfego relativamente pesado e um tanto quanto perigosa. Em alguns trechos, optei por pedalar em vias adjacente. O asfalto no sul da Itália é bastante  irregular ou esburacado, principalmente no entorno das cidades, exigindo bastante atenção.

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Via Appia. Itália.

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Via Appia. Itália

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Formia. Itália.

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Praia de Gaeta. Itália.

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Terracina. Itália.

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Terracina. Itália.

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Já provei vários tipos de uvas na beira da estrada! Época certa para visitar o país se for apaixonado por frutas como eu! Itália.

Já em Roma, visitei apenas o Vaticano que estava no caminho para a casa da Flávia. Hoje choveu bastante!

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E de repente o Vaticano aparece em meu caminho. Roma. Itália 

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Piazza San Pietro. Vaticano, Roma. Itália.

A última surpresa boa que compartilho com vocês ainda está por vir. Quem chega amanhã direto de Barcelona é meu amigo Jordi, que pedalou comigo na Nova Zelândia. A ideia é visitar Roma e seguir juntos rumo norte! Legal pra caramba! Baita surpresa!

E você, pega uma garupa com a gente e vamos juntos!

Uma travessia para ficar para a história!

A travessia de navio entre Tunes na Tunísia e Salerno na Itália, foi sem dúvida uma das mais bizarras viagens que já fiz em toda a minha vida.  E a história começou muito antes do navio zarpar.

Por € 162, comprei uma passagem que me deu direito a uma poltrona “luxo”, café da manhã, almoço e jantar, saindo as 17h e chegando ao meu destino 21h do outro dia. A Grimaldi Lines exige que seu check-in seja feito com 180 minutos de antecedência ( escrito no ticket), e as 14:10h, depois de pedalar forte contra o vento da casa da família Gaidi, que me hospedou carinhosamente, diga-se de passagem, cheguei ao porto completamente suado.

Enquanto desequipava minha bike para passar os alforjes no escâner, um aglomerado de curiosos me rodeou. Entre eles policiais da alfândega, que pareciam se revezar na tarefa de me perguntar de onde eu era e pedir meu passaporte. Na boa, 6 policias me abordaram no pequeno intervalo de tirar os alforjes, passar no escâner e recolocar na bike. Eu já comecei a ficar irritado… bom, mas vá lá! Não é todo dia que aparece cicloturista por lá. Consegui disfarçar bem a minha irritação e entrei no porto.

Fui direto fazer o check-in. 8 ou 10 pessoas na minha frente. Estacionei a bike ao lado da fila e ainda pingando, esperei pacientemente a minha vez. Aí, um espertinho da fila ao lado, entrou na minha frente, como se eu não estivesse ali! Rapaz, eu já estava com o pavio meio curto… fui logo dando um chega pra lá no rapaz! Folgado pra caramba meu! Ele ficou me olhando assustado e eu não quis nem saber… a mocinha atrás de mim falou umas poucas e boas pra ele!

O check-in foi rápido! E de lá me posicionei agora, na fila da migração, que deveria ter umas 20 pessoas na minha frente, e fiquei aguardando o portão abrir para carimbar o passaporte e fazer o embarque. 15:45 h o portão abriu… e meu amigo… pra que fila? A multidão, muito mais ágil do que eu com a bicicleta, simplesmente me ignorou e foi avançando. Percebi que era melhor esperar a avalanche e pacientemente esperei todo mundo passar. Engoli mais um sapo… mesmo assim achei melhor do que sair batendo boca com todo mundo… fui para o último lugar no Grid de Largada.

Nesse meio tempo, era criançada correndo pra lá e pra cá com as mães desesperadas correndo atrás… e aqui meu amigo, se a mãe ou o pai alcança a criança, é pancada na certa! A criança apanha pra valer! Sem dó! Tapa na cara, na cabeça, beliscões… Por pouco não me estressei com um pai que espancava os três filhos cujo o mais velho não passava de 6 anos. É a cultura… eu já havia presenciado essas senas durante a minha viagem… Mais tenho certeza que só de eu olhar para o pai ele se intimidou e parou de bater. Acho que ele se tocou… É difícil pra caramba ver adultos batendo em crianças, meu! Nessas, o meu pavio ia diminuindo…

Enquanto a fila andava morosamente, pude presenciar algumas cenas não muito comum nos setores de migrações que estive até agora. E não foram poucos. A Itália é 37⁰ país a ser visitado pelo Projeto da China para Casa by Bike. Uma dupla de policiais, um homem e uma mulher, fazia brincadeiras, digamos, um tanto quanto inapropriada para a ocasião e lugar. Posso dizer que parecia uma paquera dos filmes Loucademia de Polícia, manja!? O policial torcendo o braço da colega que se retorcia e tentava escapar, enquanto que ela, tentava um revide ameaçando com os joelhos o “documento” do valentão. E a fila ia andando… Lá no fundo, depois da migração, algumas malas eram escolhidas aleatoriamente para serem revistadas antes de passar no escâner. Um dos policiais, trabalhava fumando, e quando era preciso usar as duas mãos, ele levava o cigarro na boca,  que dançava de acordo com as palavras que ia soltando… Chegou a ser engraçado! Imagina o policial abrindo a bolsa da mulher com as duas mãos e perguntando se ela tem algo a declarar com o cigarro no meio do beiço… Só rindo mesmo!

Meu passaporte foi carimbado e chegou a minha vez de passar pela revista. Quando a policial viu aquele monte de malas penduradas na bike, fez uma baita cara de preguiça e me mandou seguir. Fui direto ao escâner e tive que mais uma vez, detalhe, com os mesmos policiais que estavam na primeira revista, desequipar a bicicleta e repetir o procedimento. Rapaz… quando eu estou colocando as minhas bagagens na esteira, você não acredita! Não é que a lazarenta da policial, a mesma das joelhadas, estava jogando no celular enquanto as malas passavam no escâner. Um olho no peixe e outro no gato… ela estava com um olho no monitor e o outro no joguinho do celular… Nem acreditei, ó! Brincadeira… Ainda pude perceber os vergões no antebraço da fela! Kkkk Foi demais!!!

Já dentro da embarcação, fui orientado a encostar a bike na amurada do navio e esperar para ser amarrada. Disseram que eu teria que esperar um funcionário trazer uma corda. Tudo bem! Achei um lugarzinho joia e fiquei ali conversando com dois funcionários hondurenhos e dois filipinos. Todos muitos simpáticos. Não teria problemas em ficar ali por mais meia hora se o gás carbônico exalado pelos motores dos caminhões que manobravam dentro do pátio do navio não começassem a me sufocar e fazer os olhos e o nariz arder. Dei um toque nos meus amigos que disseram que o chefe “maledeto” italiano não viria antes de acabar o procedimento com os caminhões, que já estava atrasado. Bom, depois de mais 10 minutos, atravessei a pista, busquei a corda e amarrei eu mesmo a bicicleta. Ele gritou qualquer coisa de longe e eu fingi não escutar. Aí, um dos hondurenhos veio e fingiu me ajudar, acenando para o “maledeto” que estava tudo legal!

Enquanto ia subindo do 3⁰, onde estacionei a bike, para o 5⁰ andar, local da seção das poltronas de luxo, fui notando que a embarcação estava praticamente vazia. Fato que não justificava minhas tentativas de encontrar passagem para os dias anteriores. Entre o dia 31 de agosto e hoje, dia 8 de setembro, quatro barcos zarparam para a Itália, todos lotados!

Mais um simpático hondurenho me recepcionou na porta da seção das poltronas de luxo. Já era 4 e lá vai pedrada! As poltronas são realmente confortáveis e espaçosas. Correspondem ao nome! 17:30 h perguntei ao funcionário se ele sabia o porquê do atraso. Ele disse: _Não amigo! Estamos no horário. A embarcação zarpa ás 20 h. O quê? Mostrei meu ticket para ele e e ele se espantou! _ Essa empresa é brincadeira! Completou!

Com a mudança de horário, fui ao solário fazer algumas ligações de agradecimento e pude observar a enorme fila de carros aguardando para embarcar! Estava explicado! A multidão estava por vir!!

E o navio foi enchendo! Quando voltei a minha poltrona, o ambiente de tranquilidade tinha desaparecido! Alguém aumentou o volume da TV, crianças chorando, um puta cheiro de comida subia dos tapwares, um calor que o ar condicionado não dava conta, pessoas gritando ao conversar no celular! E para piorar, meu assento ficou peto da entrada da seção, e todo mundo que não tinha poltrona reservada, queria dar o “migué” no paciente hondurenho, que calmamente explicava que ali era como nas cabines, era preciso fazer reserva e pagar por elas. O hondurenho deu uma aula de paciência! Enquanto os passageiros se esgoelavam, com as mais esfarrapadas desculpas para conseguir um lugar, chegando a xinga-lo e ameaça-lo, ele calmamente, e sem levantar a voz, explicava que só poderia entrar com a reserva! Teve uma hora que eu me levantei e tomei as dores do coitado! Eu não aguentava mais aquela ladainha e a tremenda falta de respeito! Gritei com dois sujeitos que peitavam o pobre porteiro! Aí os caras se intimidaram e se foram! Depois dessa minha reação, estreitamos os laços de amizade e pude conhecer alguns membros da tripulação. Ramon, o porteiro, contava minha intervenção para cada colega que passava por ali. Mais tarde, Victor, que trabalha no buffet, um dos companheiros de Ramon, me deu um upgrade no jantar com antepasto, e frutas. Victor já havia trabalhado em um cruzeiro no Brasil e toda vez que me encontrava gritava meu nome e soltava algumas palavras de baixo escalão, típicas daquelas que soltamos toda hora!

Bom, mas vamos voltar ao filme de terror! Por volta das 23:30 h o ambiente começou a se transformar. A zoada das crianças deram lugar a uma sinfonia de roncos terríveis! Na cara dura, reduzi o volume da TV, e Ramon, solidariamente, já havia aumentado a potência do ar condicionado. O cheiro de comida deu lugar ao de chulé! Aliás, fato marcante dos países muçulmanos! Nas mesquitas não é permitido entrar calçado, e o cheiro de chulé toma conta! Sem zoeira! É de impressionar! Quando viajei de ônibus foi a mesma coisa! Terrível!

Tudo conspirava contra o meu sono e eu não conseguia me “encaixar” na poltrona e dormir. Fui me irritando cada vez mais! E já com os nervos a flor da pele, resolvi levantar e dar um rolê pelo navio. As imagens vão falar por mim…

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Setor das poltronas de Luxo.

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Hall em frente a recepção.

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Corredor principal.

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Restaurante.

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Corredor lateral.

Ás 6:30 h o navio chegou a Palermo. Boa parte dos passageiros desembarcaram. O restante foi obrigado a passar pela migração, já que em Salerno não existe este procedimento. Aquela história de neguinho furando fila se repetiu! Mas o meu cansaço me impediu de relutar. Liguei o foda-se e esperei pacientemente a minha vez! Este procedimento foi feito em terra, obrigando todos a desembarcarem.

Ao retornar vi a quantidade de lixo e sujeira que os passageiros deixaram. Latas de refrigerante, garrafas de água, saco plástico dos mais variados, resto de comida! O navio estava um lixo! Um horror! O banheiro então… nem se fala! Os caras tiveram a moral de cagar fora do vazo, entupir o mictório com papel, fazendo-o transbordar e inundar de mijo o chão do banheiro! Cara, um nojo! Fiquei com raiva e com uma puta pena dos funcionários que começavam os trabalhos de limpeza!

Por volta das 11 h, partimos novamente e finalmente a viagem se tranquilizou… Só as crianças correndo pra lá e pra cá, deixando a pesada porta bater com força me irritou. Mas foi por meia hora. Estava tão cansado que dormi mesmo assim.

Como já havia recebido o carimbo em Palermo, o desembarque foi tranquilo! O único problema foi o horário. Já passava das 21 h. Minha estratégia foi pedalar até encontrar um puxadinho para armar a minha rede.

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Garagem onde passei minha primeira noite na Itália. Cava de Tirreni.

Eu continuo recomendando fazer cicloturismo na Tunísia! Mas se sua ideia é atravessar o Mar Mediterrâneo, prepare-se muito bem e relaxe, ou reserve uma cabine!

Já passou! Vamos embora! Sobe na garupa que é hora de explorar a Itália!