Papo longo: Agradecimentos, minhas impressões, novidades e a surpresa do meu próximo destino

Pô Galera, show de bola esses 100 mil hein! Obrigado do fundo do coração!

Fiz o blog para minha família e os amigos mais próximos me acompanharem durante os 100 dias que pedalei na Noruega. Além de me empurrar para esse super desafio, a crise da meia idade também me alertou sobre a necessidade de me aventurar no mundo tecnológico. O blog me ajudou desde os primeiros dias, exigindo rotina e disciplina para escrever, postar e estudar as minúcias do projeto, e me forçou a ficar mais tempo no computador, tornando inevitável  aprender um pouco mais. O blog veio logo depois de fechar o conceito “Aventura, Fotografia e Gastronomia” das minhas viagens. Com ajuda, mesmo porque não fazia ideia por onde começar, fui criando página por página, e entendendo como administrá-lo.  Aos poucos fui percebendo que ele era parte do projeto, ajudando a divulgar o meu estilo de viagem, atraindo um número cada vez maior de simpatizantes. Daqueles que me acham um bravo aos que me acham um doido! Mas sempre demonstrando carinho e preocupação, se divertindo e se emocionando junto comigo. Percebi também que se tornou fonte de pesquisas par cicloturistas, e referência para quem vai pedalar na Noruega. Para comemorar os 100 mil acessos, decidi criar a página “O Pai da Matéria”, com opiniões, depoimentos e dicas de especialista sobre preparação física, nutrição esportiva, equipamentos, tipos de hospedagem, fotografia, planejamento e todo universo que abrange as minhas viagens de bicicleta. Uma página para ajudar todo mundo que curte aventura. A página estreia em breve!

Wanaka, Nova Zelândia em 18/11/14.

Wanaka, Nova Zelândia em 18/11/14.

O blog se tornou em pouco tempo a principal atenuante da variável solidão e preencheu um enorme vazio que atormenta qualquer um que viaja sozinho por um longo período. Ganho fôlego a cada curtida… Me emociono com os comentários… de chorar mesmo! No duro! Você não imagina o tamanho do favor que me faz ao me enviar um recadinho, compartilhar ou marcar os meus posts! Muito obrigado mesmo!

Pôr-do-sol em Boracai, Filipinas - 13/05/14.

Pôr-do-sol em Boracai, Filipinas – 13/05/14.

Bom! Vamos ao caso! Falei que hoje o papo é longo!

Como já expliquei antes, nem mesmo a intervenção diplomática brasileira fez com que eu conseguisse o visto paquistanês. A solução foi aplicar o visto para o Irã e sair de Deli de avião, passando por cima do Paquistão. O processo do visto é longo e complicado. A primeira parte podendo levar até 10 dias úteis. Nesse meio tempo, fiz um tour como turista convencional, de trem e ônibus. 11 dias pelo Rajastão. Terminei o tour e retornei a Deli no último dia do prazo para receber o protocolo, e dar entrada na segunda etapa, aqui na embaixada do Irã em Deli. Ao dar entrada, levaria de 3 a 5 dias úteis. Os dias foram passando! Com passagem comprada para o dia 8 e o visto indiano expirando no dia 10, o tempo passou a pressionar. Esperei o dia limite! Nada! Mandei e-mails solicitando uma posição e fui ignorado. Até cheguei a pensar que caí em um golpe usando um site falso. Sem opção, troquei minha passagem. No mesmo dia, mais tarde, recebi uma resposta da iranianVisa.com dizendo que precisariam de mais dias. Como meu roteiro passaria muito próximo de uma área em estado de alerta por conflito militar, sob ameaça de terroristas, e tratando-se de viagem de bicicleta, certamente  o processo passaria por uma análise mais minuciosa. Com isso, abrem-se as possibilidades de descartar ou adiar a minha ida ao Irã, fato que me deixa triste. Assim como o Japão, foram as grandes baixas nessa etapa que está se encerrando. 15 países, 21.000 km pedalados, 20 meses de viagem. Ásia e Oceania.

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Hoje deixo a Índia para desbravar outras fronteiras, outros ares, outros mundos… Ahhh, a Índia!

Varanasi, às margens do sagrado Rio Ganges. Índia

Varanasi, às margens do sagrado Rio Ganges. Índia

Como não defini-la como incrível? Apesar de testar todos os meus limites em mais de 1.100 km pedalados, saio da Índia com a sensação de quero mais.  Sim! Minha opinião mudou! E estou super feliz por isso!

Posso elegê-la como o país do contraste! Ame e/ou odeie! E isso depende muito do seu espírito! Depois de um início turbulento, comecei a entender as regras do jogo e fui me encaixando. Demorou mais que nos outros países, mas também a diferença é muito maior! Uma atmosfera única, que te deixará excitado só de ver o colorido dos sáris (roupas típicas das mulheres), a espiritualidade, a devoção, os aromas únicos e sabores exóticos. O acervo turístico é enorme! Museus, templos, fortes, castelos, montanhas, desertos e praias. Coisas que você só vai encontrar aqui!

De tudo que vi e senti, além da incrível herança arquitetônica, dou destaque para a atmosfera da cidade de Varanasi, berço de religião Hindu; o Taj Mahal em Agra; os incríveis fortes do Rajastão; e para o insano misticismo religioso que rege o país, capaz de levar milhões de fiéis a beberem água do poluído Rio Ganges ou venerarem um templo com 20 mil ratos, entre outros exemplos. O caos e a sujeira também vai marcar qualquer um que se aventura por essas terras. É impossível vir a Índia e não experimentar a confusão causada por 1.25 bilhões de pessoas, seja no trânsito ou em uma passeio nas vielas das grandes cidades. Carros, tuktukes, rikshas, vacas, camêlos, cachorros, pessoas e até elefantes disputando os centímetros no tapa, como dizemos no interior. Infelizmente não é possível deixar a Índia sem falar na sujeira. Eu nunca estive em um país sujo como a Índia. A forma com que os indianos convivem com o lixo, em pleno século XXI, é deprimente! Se você não estiver com o espírito preparado, a Índia pode se tornar uma roubada. Por mais que eu sabia de tudo e tal, foi um choque para mim!

O lixo impera ao redor da mais importante mesquita do país. Deli, Índia.

O lixo impera ao redor da mais importante mesquita do país. Deli, Índia.

Estou sentado no saguão do aeroporto agora. Meu voo atrasou. Vou tentar fechar esse post antes de embarcar.

Já fazia tempo que estava com a intensão de pegar um avião somente para cruzar o Atlântico em direção as Américas. Paquistão e Irã seguia um roteiro lógico, dando continuidade à uma linha imaginária que me deixariam cada vez mais perto de casa. Com esse fato, abriram-se algumas possibilidades. Uma delas, seria apenas dar sequência ao roteiro e voar para a Turquia, e dali, optar por umas das bifurcações que a geografia impõe. Descer para o Oriente Médio e África; seguir em frente em direção a Europa, ou subir para o Leste Europeu. Até poderia cometer uma loucura e combinar duas dessas possibilidades, dando um giro maior. Mas seria uma decisão difícil deixar qualquer uma delas para trás. Vários interesses se conflitavam na minha decisão. Pontos turísticos, culturas diferentes, época do ano (clima) e é claro a gastronomia.

Como eu sempre digo: Não há mal que não venha para o bem!

Já que teria que voar, escolhi um voo longo, que se por um lado pode descaracterizar uma “volta ao mundo de bicicleta” para alguns, por quebrar essa “linha lógica imaginária”, por outro, me possibilita abranger  praticamente todos os países que tenho curiosidade em conhecer, quase sem descartes, e isso faz todo o sentido para mim. Nessa nova etapa, que inicia-se na Rússia, tenho a intenção de pedalar pela parte “central” do globo terrestre. Leste Europeu, Europa, Oriente Médio e África. O roteiro ainda não está definido. De concreto, tenho apenas o primeiro trecho: Moscou / São Petersburgo.

Estou feliz com a minha decisão!

É hora de embarcar…

Nos vemos em Moscou!

 

 

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A “minha” comida indiana.

Assim como a pimenta e a grande variedade de ervas e especiarias, a diversidade de pratos é uma das principais características da culinária indiana. Eu precisaria da vida toda para experimentar tudo que vi por aqui e mais dez vidas para provar o que ainda não vi, principalmente viajando de bicicleta.  Por isso o título leva a palavra MINHA.

Enquanto pedalei, com exceção ao rico período que fiquei na casa de Juity e Amam e nas cidades turísticas como Varanasi e Agra, não tive muitas oportunidades de experimentar algo bacana devido a baixa qualidade e os padrões de higiene dos restaurantes de beira de estrada.

Samosa,com massa  parecida com nosso pastel, geralmente recheada com vegetais.

Samosa,com massa parecida com nosso pastel, geralmente recheada com vegetais. Pode até parecer quentinho. Mas  a fumaça é de incenso,  para tentar deixar os mosquitos longe.Foto tirada da minha bicicleta.

Barraquinha de comida na beira da estrada, Allahabad. Uttar Pradesh, Índia. Foto  tirada da minha bicicleta.

Barraquinha de comida na beira da estrada, Allahabad. Uttar Pradesh, Índia. Foto tirada da minha bicicleta.

De vez em quando encontrei uma samosa com “a cara boa”. No geral, esses pasteizinhos fritos de massa grossa, geralmente recheados com batata levemente apimentados, são encharcados de óleo e ficam expostos a mosquitos e poeira. São muito saborosos! Fritos na hora, diminui o risco de dar merda. Literalmente!  Abusei dos pães. Eles não possuem o valor nutricional como os da Noruega, por exemplo, mas são apetitosos! Lembram o pão sírio no formato. São vários tipos com diferentes formas de preparo! O meu preferido é o tandoori butter naan. Bem queimadinho, vai que é uma beleza com o massala tea. Uma das minha opções prediletas no café da manhã.

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Torradinho! Levemente crocante. Quentinho, com manteiga. Nota 10!

Massala tea é o chá mais popular da Índia, pelo menos nos lugares onde passei. Vai leite e especiarias, com uma leve predominância do cardamomo. Pena que em muitos lugares ele é muito doce. Mas é beeeeeem gostoso.

Não é fácil encontrar supermercados, inclusive nas grandes cidades. Por sorte encontrei um em Agra, o único, no mais, consegui recarregar meu estoque de frutas secas, castanhas e biscoitos em feiras de rua ou pequenos armazéns. Frutas e água não foram problemas. Encontrei com relativa facilidade por todo caminho.

Pedalava sempre com a ideia de encontrar um restaurante minimamente confiável, que me oferecesse o conforto de um ventilador para amenizar o calor. As vezes até encontrava um velho ventilador de teto, mas energia sempre foi um problema para mantê-los funcionando. Impressionante como falta energia em Uttar Pradesh. Na estrada encontrei muitos cardápios em Hindi (हिन्दी), alfabeto completamente diferente do nosso. Comi muitas vezes sem saber o que estava comendo. Escolhia meu prato na “dedada”, apontando, depois de passar o olho nos pratos dos fregueses.

Durante todo esse tempo na Índia, praticamente não comi carne.  Mais de 95% das refeições foram vegetarianas. É possível encontrar frango e cabrito, mas as condições de higiene e armazenamento não são nada incentivadoras. A esmagadora maioria da população no norte da Índia não come carne. Não sei como é no resto do país.  Não vi carne de gado, é claro, pois elas são sagradas, também não vi carne de porco. Peixe vi em apenas um cardápio, e duas vezes na beira da estrada ao cruzar um rio, sendo vendido com “aquele” padrão de higiene. Puta cheiro e mosca prak7!

Para cozinhar comprei os produtos na hora. Apenas o que iria usar. Fiz ovos mexidos, batatas, mas me dei bem mesmo foi no penne com berinjela, cebola, tomate e alho. Quando dava sorte de achar, incrementava com um queijinho. Repeti essa receita várias vezes.

Uma boa surpresa foi o leite e seus derivados. Em saquinho, e quase sempre bem gelado, o leite é encorpado com um leve sabor de queijo coalho. Uma delícia!Lembrou o leite que tomava na infância e adolescência, ordenhado no sítio dos meus avós. Foi outra boa opção de café da manhã. O iogurte e a coalhada também são ótimos! Eles são vendidos em todos os lugares. Sempre que achei em boas condições de higiene eu tomava um lassi. O Lassi foi uma das melhores coisas que provei na Índia! Iogurte batido com água e frutas ou especiarias na versão salgado. O mais exótico que tomei foi o Bhang Lassi, com estrato de cannabis. Caí no conto do meu grande amigo e colaborador de assuntos relacionados a Índia, Allex Ferreira, fotógrafo dos bons, diga-se de passagem. Aprendeu comigo! (Ele vai ficar puto!kkkk). Com aquele jeitão dele: _ Pode tomar! Não pega nada! Vai no médio! Eu já dei mancada contigo? Aí eu fui né?! Rapaz!! Fiquei com uma leseira dos diabos! O trem é doido! Logo depois de tomar, fui assistir o ritual religioso de Varanasi. O que foi aquilo, meu irmão! O misticismo da cerimônia e os efeitos mental causados pela bebida me transportaram por lugares que nunca estive antes. kkkk Seguinte, se você tiver a oportunidade de tomar, vai no “small”. O médio foi uma pancada para mim! Relaxei! kkkkk Se não tiver coragem, vai no de abacaxi com coco, é o meu favorito!

Lassi, bebida à base de iogurte.

Lassi, bebida à base de iogurte.

O queijo é outro derivado do leite que também é ótimo! Chamado de paneer, fica entre o minas, cottage  e coalho, possui ótima consistência para cozinhar. Meu prato vegetariano (lacto-vegetariano) favorito é com ele: Paneer Butter Masala, pedaços de queijo mergulhados em um molho vermelho grosso, bastante aromatizado com coentro, cominho e outras especiarias.

Aloo Phujia e chapati (pão indiano)

Aloo Phujia e chapati (pão indiano)

Em Deli, fui apresentado a um restaurante local onde o cardápio é bem variado. É sujo, fica em uma rua com pouco movimento, já vi rato, limpam a mesa com um pano imundo que fica no chão, colocam as mãos na comida, baratas, mas está sempre lotado! Os pratos são simples, bons e baratos. Um típico restaurante de e para locais.  Nunca vi um turista ali, e talvez por isso fui muito bem tratado. Lá tive contato com vários pratos do dia a dia. Um deles que gosto muito é o Aloo Phujia, um prato a base de batatas bastante picante e aromatizado com sementes de cominho. Muito bom também!

A pimenta está presente na maioria dos pratos. Ela pode chegar suave ou arrebentando. Em restaurantes acostumados com fregueses estrangeiros o garçom sempre pergunta. Nos restaurantes de beira de estrada o bicho pega! Comi pratos muito apimentados.  De peidar e queimar a cueca! Por outro lado, muitas vezes me surpreendi, hora com a delicadeza, hora com a robustez das ervas e especiarias.

Pimenta verde empanada. Índia.

Pimenta verde empanada. Índia.

Vendedores de especiarias, Índia

Vendedores de especiarias, Índia

A pimenta é característica importante da culinária indiana.

A pimenta é característica importante da culinária indiana.

No período que fiquei na casa de Juity e Aman, nos revezamos na cozinha. Foi uma troca de experiências bem bacana. Pude prestar atenção em vários preparos, conhecer alguns ingredientes local, como vegetais frescos e especiarias. Proporção dos temperos e como eles se relacionam e se interferem. Temperatura do fogo. Um detalhe bastante interessante é que cozinham sem forno, em um fogão de apenas duas bocas. Com isso adquiriram agilidade, habilidade e criatividade na arte de preparar um jantar mais sofisticado. E eu ali, só de butuca! Aproveitando a oportunidade.

Durante minha visita no Rajastão, em um dia de chuva forte, entrei por acaso em um restaurante que também oferece aulas práticas. Na aula, cada um escolhe um prato do menu e todos acompanham o preparo, com um pequeno acréscimo na conta.  Foi uma experiência interessante. Foram 3 pratos: O Paneer Butter Masala (o meu favorito); o Palak Raita, um prato a base de espinafre e yogurte; e o Mutter Mushroom, cogumelos com ervilhas servido em um espesso molho de tomate com castanha de caju.

O arroz também é muito consumido. A variedade é enorme! São aromatizados, saborosos e coloridos. Os currys também aparecem em quase todos os cardápios, assim como sopas ou caldo de lentilhas com vegetais chamados dals. O ghee, ou manteiga sem a parte da lactose, é indispensável na cozinha indiana. Substitui o óleo e supre a falta de azeite. Ela tem a característica de realçar o sabor e aroma dos alimentos.

As sobremesas que provei são extremamente doces e na grande maioria usa-se leite como base. O arroz-doce foi meu favorito. Também com uma leve predominância do cardamomo. O doce de mamão verde e uma espécia de ambrosia também agradaram. Tem um sorvete de cardamomo em forma de cone que também é interessante.

A comida de rua indiana é variada e abundante. Infelizmente as condições de higiene são precárias. Confesso que me arrisquei algumas vezes, mas no geral, segui referências de guias de viagens ou moradores locais. Vi muita coisa que gostaria de ter provado, mas não tive coragem de arriscar. Uma experiência incrível foi fazer um tour gastronômico guiado em Chandni Chowk, um dos maiores centros comerciais de Deli. Guardadas as proporções, poderia ser comparada com a região da 25 de Março em São Paulo. O tour dura 3,5 h. Você paga o que comer e no final oferece a quantia que achar justo para o guia. São de 8 a 10 surpresas entre quitutes, pratos e sobremesas. Só lugares tradicionais. Foi ali que comi a samosa mais apetitosa, um carneiro gostoso, e tive coragem de experimentar o Jalebi, que tinha um pouco menos de mosquitos do que nas outras vendas. Foi legal pacas!

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Mercado de rua em Chandni Chowk, Deli, Índia.

Rabri Faluda, doce indiano

Rabri Faluda, doce indiano à base de leite, açúcar e cardamomo servido  sobre espaguete (noodols) de arroz.

Jalebi, doce indiano.

Jalebi, doce indiano. Massa frita com xarope de açúcar.

O mundo culinário da Índia, assim como quase tudo, mostrou seus altos e baixos. Por um lado, a falta de higiene e cuidado com os alimentos, e a dificuldade em obter qualidade, foram os pontos negativos. E aqui falo da regra, não da exceção. (Infelizmente, os padrões de higiene da sociedade refletem diretamente na forma em que os indianos manipulam os alimentos, e o resultado disso é de tirar o apetite).  Por outro, a robustez e seus sabores fortes e exóticos foram marcantes, confirmando a minha expectativa; mas também me surpreendi ao encontrar sutileza. Experimentei pratos onde os sabores não se sobrepõem, chegando cada um no seu tempo, dando as boas vindas, deixando a língua incrivelmente excitada. Combinações improváveis, enormes quantidades de temperos usados em cada prato, novos ingredientes. Tudo isso aguçou a minha curiosidade e imaginação. A cozinha indiana é tão especial, que mesmo eu sendo um carnívoro voraz, consegui sobreviver numa boa no mundo ovo-lacto-vegetariano. E isso, nem eu sabia que era capaz!

O incrível Rajastão: Jailsamer, Jodhpur e Udaipur (parte 2)

Ainda perplexo com o que vi no Templo dos Ratos e condenando a maneira em que religião moldou a história da sociedade em meus pensamentos perversos, segui viagem para Jaisalmer, a “cidade dourada”, localizada no deserto de Thar, no extremo oeste da Índia, próximo a divisa com o Paquistão.

A cidade viveu seu esplendor cerda de 800 anos atrás, pois era rota obrigatória das caravanas de mercadores, escoando especiarias e pedras preciosas para o Oriente Médio, África e Europa. Com a expansão da navegação a cidade foi esquecida. A herança dessa época de esplendor deixou um legado eterno.  Um dos maiores fortes do mundo, que atrai milhares de turistas todos os anos.

Jaisalmer Fort, Rajastão, Índia.

Jaisalmer Fort, Rajastão, Índia.

Do alto de uma colina, a gigantesca fortaleza impressiona! Chega a tirar o fôlego! Construído com pedras de arenito em tons amarelados, contrasta com a cidade, em um suave degradê, mudando de tonalidade de acordo com a incidência do sol. De todos as fortalezas que vi na Índia, essa foi a minha favorita! Não só pela beleza arquitetônica, mas também pelo fato de muita gente viver ali. É um castelo cheio de vida! É uma delícia passear pelas ruelas e observar o dia a dia dos moradores, se distrair com as lojinhas de artesanato, e sentir os aromas vindos das cozinhas das casas.

Jaisalmer Forte, Rajastão, Índia.

Jaisalmer Forte, Rajastão, Índia.

Moradoras colocando o papo em dia. Jaisalmer, Rajastão, Índia.

Moradoras colocando o papo em dia. Jaisalmer, Rajastão, Índia.

Vendedora ambulante em Jaisalmer Forte, Rajastão, Índia.

Vendedora ambulante em Jaisalmer Forte, Rajastão, Índia.

Jaisalmer, Rajastão, Índia.

Vista do albergue (US$ 2,5  a diária) Jaisalmer, Rajastão, Índia.

Um reservatório de água construído no século XIV rodeado por templos e construções interessantes, um passeio entre as ruelas da cidade baixa, e alguns templos Jainistas são as atrações coadjuvantes do lugar. Também existes alguns complexos templários ao redor da cidade como o Royal Cenotaphs Bada Bagh, que eu preferi trocar por um passeio de camelo no deserto. Se você nunca andou no lombo desse animal, o passeio entre as dunas vale! Mas achei um tanto quanto monótono. Valeu muito mais ver o pôr do sol e acompanhar a preparação do jantar feito pelos guias sobre as dunas do que andar de camelo propriamente. Ao adquirir o passeio você pode optar em dormir no deserto. Talvez seja uma boa opção em noites de lua cheia.

Camelos em Jaisalmer Rajastão, Índia.,

Camelos em Jaisalmer Rajastão, Índia.,

Dunas do deserto de Jasailmer, Rajastão, Índia

Dunas do deserto de Jasailmer, Rajastão, Índia

Flores do deserto. Jasailmer, Rajastão, Índia.

Flores do deserto. Jasailmer, Rajastão, Índia.

Gafanhoto. Jaisalmer, Rajastão, Índia.

Gafanhoto. Jaisalmer, Rajastão, Índia.

Os guias preparando o jantar no deserto de jaisalmer, Rajastão, Índia.

Os guias preparando o jantar no deserto de Jaisalmer, Rajastão, Índia.

Por do sol no deserto de Jaiselmer, Rajastão, Índia.

Por do sol no deserto de Jaisalmer, Rajastão, Índia.

De Jaisalmer, a “cidade dourada”, segui viagem para Jodhpur, a “cidade azul”. Cheguei junto com a chuva trazida pelas monções. Muita água despencou a partir desse momento atrapalhando um pouco meu cronograma e deixando meu único tênis com um cheiro horrível! Ele molhou e secou várias vezes com meus pés dendro. Arrrgggghhhhh!

Com quase 1 milhão de habitantes Jodhpur possui o mesmo padrão de todas as cidades indianas. Frenética, confusa, mal cheirosa (coisa que nessa altura eu não podia reclamar devido ao meu calçado), com motoristas de tuk-tuk tentando te extorquir, buzinaço, vacas, rikshaws e muita gente nas ruas, principalmente em torno da Clock Tower, que fica bem no centro do Sadar Market, fazendo parte de um dos principais pontos turístico e comercial da cidade.  Ali, turistas e locais se misturam em busca de frutas, especiarias, bijuterias, roupas, e tudo mais. Com a chuva, o passeio exige um cuidado especial com as poças e pisos irregulares e escorregadios. Visite o mercado o mais cedo possível, é nessa hora que os locais vão as compras, evitando o forte calor. Dizem que no final da tarde também é legal.

Sadar Market, Clock tower, Jodphur, rajastão, Índia.

Sadar Market, Clock tower, Jodhpur, Rajastão, Índia.

Sadar Market, Clock tower, Jodphur, rajastão, Índia.

Sadar Market, Clock tower, Jodhpur, Rajastão, Índia.

Sadar Market, Clock tower, Jodphur, rajastão, Índia.

Sadar Market, Clock tower, Jodhpur, Rajastão, Índia.

Existe uma “passagem secreta” que liga o mercado ao Forte Meherangarh (1460). O majestoso forte é o principal ponto turístico da cidade que se encontra no alto de uma colina de 120 metros de altura. É uma rampa escondida entre as ruelas. Eu sugiro subir de tuk-tuk até a entrada do forte e de lá, fazer todo o passeio e descer a pé! Assim você vai se encantar com os músicos, encantadores de serpentes, com as fachadas do forte e ainda curtir a incrível atmosfera das escadarias até a Clock Tower novamente. Na entrada do forte é possível subir ao museu de elevador. É uma também… subir de elevador e descer caminhando. O ingresso custa cerca de US$ 5, com museu, audioguia e permissão para fotografar e US$ 0,30 para elevador.

Mehrangarh Fort. Jodhpur, Rajastão, Índia.

Mehrangarh Fort. Jodhpur, Rajastão, Índia.

Além da incrível fachada, a fortaleza impressiona também internamente. A visita guiada te conduz por palácios, aposentos, salões, e um acervo bastante interessante usados pelos marajás em diferentes épocas, já que o forte foi expandido por diferentes governantes entre os séculos XVIII e XIX. De lá é possível entender porque Jodhpur é conhecida como a “cidade azul”. Milhares de casinhas pintadas em diferentes tons de azuis oferecem um visual bastante interessante. Existem algumas teorias que explicam esse colorido. Uns dizem que azul espanta mosquitos, outros que ameniza o calor. No entanto, a teoria mais aceita é a identificação de castas.

Forte Meherangarh, Jodhpur, Rajastão, Índia

Forte Meherangarh, Jodhpur, Rajastão, Índia

Mehrangarh Fort, Jodhpur, Rajastão, Índia.

Mehrangarh Fort, Jodhpur, Rajastão, Índia.

Mehrangarh Fort, Jodhpur, Rajastão, Índia.

Mehrangarh Fort, Jodhpur, Rajastão, Índia.

Mehrangarh Fort, vista de Jodhpur, "Blue City", Rajastão, Índia.

Mehrangarh Fort, vista de Jodhpur, “Blue City”, Rajastão, Índia.

Mehrangarh Fort, vista de Jodhpur, "Blue City", Rajastão, Índia.

Mehrangarh Fort, vista de Jodhpur, “Blue City”, Rajastão, Índia.

Para completar o giro no Rajastão, segui para Udaipur, ao sul do estado. A chuva caiu por dois dias, forte e incessante, derrubando várias árvores. Não consegui ver muita coisa. Conhecida como a “Veneza do Oriente”, foi erguida às margens dos Lagos Pichola, Fateh Sagar, Jaisamand, Rajsamand e Udair Sagar. É a mais compacta das cidades do Rajastão que visitei. A mais organizada e arejada também, talvez pelo fato da chuva e por estar a 600 m de altitude. Da para fazer tudo a pé. Ganhou fama com o filme 007 Contra Octopussy, filmado em 1983 entre os palácios, vielas e arredores da cidade.
Dias antes, um viajante que encontrei no Zostel, hotel onde estou me hospedando em Deli, havia me dito que o lago estava seco. Mas bastou 3 dias de chuva e ele encheu novamente, trazendo um ar romântico para os casais que visitam a cidade.
Andar pelas vielas da cidade beirando os lagos e o City Palace, foi tudo que consegui conhecer. O palácio é incrível! Ampliado por cada marajá que viveu ali, foi decorado em diferentes estilos, com 11 prédios encadeados e inúmeras salas. Como em quase todas as atrações do Rajastão, paga-se para entrar com máquina fotográfica.
Vista do City Palace, Udaipur, Rajastão, Índia.

Vista do City Palace, Udaipur, Rajastão, Índia.

Dicas:

Escolha um dos vários restaurantes nos terraços dos prédios. Além de ótimo padrão, no geral oferecem vista para o lago.

Todos os dias no Bagore-Ki-Haveli, acontece um show de danças típicas do Rajastão ás 19:00 h (perdi, a chuva cancelou o espetáculo nesse dia, mas dizem que é muito legal!).

Perdi também a vista da cidade do alto do morro que sobe-se de teleférico. Dizem que o pôr-do-sol vale a pena.

Udaipur, Rajastão, Índia.

Udaipur, Rajastão, Índia.

Udaipur, Rajastão, Índia.

Lake Palace Hotel, Udaipur, Rajastão, Índia.

 Já era hora de voltar a Deli, afinal, estava na esperança de receber o aval e dar entrada na segunda e definitiva etapa do processo de emissão de visto para o Irã.

 

O incrível Rajastão: Jaipur e o Templo dos Ratos (parte 1)

Com bike empacotada, fiz um roteiro de 10 dias para conhecer o Rajastão, o maior estado indiano em área. Exatamente o tempo estipulado pela embaixada do Irã finalizar a primeira parte do processo de visto, para que eu possa dar entrada na segunda e definitiva etapa.

Em um trem noturno para Jaipur, a capital do estado, tive o meu primeiro contato com o sistema ferroviário da Índia. Fiquei surpreso com a pontualidade! Me lembrei dos meus tempos de infância quando viajava de trem de Marília para São Paulo. Nunca partíamos ou chegávamos no horário. Sempre atrasado! Os trens indianos que viajei me pareciam ser contemporâneos aos daquela época. Frota antiga, relativamente sujo, mas com certo conforto. Viajei sempre de segunda classe, com poltronas reversíveis que viram cama. Deu para dormir legal e também matar a saudade… eu gosto de ouvir o TUMTUM TUMTUM… que vai perdendo intensidade… tumtum tumtum… a medida que meu vagão vai se afastando da saliência que emite o barulho… tumtum tumtum… até desaparecer…

Mesmo na enorme estação de Deli, foi fácil encontrar a plataforma, assim como o número do vagão e assento. Cheguei meia hora antes do horário, com tempo suficiente para confirmar o esperado. Ratos passeando entre os trilhos, que também servem de latrina, plataformas imundas, muita gente, mau cheiro, confusão e pessoas das mais diversas etnias.

Usei ônibus também. Os noturnos também oferecem cama. Mas sacode mais do que bunda de destaque de escola de samba! Não dá para dormir nada!

Fámilia dormindo na estação Central de Deli. Índia.

Família dormindo na estação Central de Deli. Índia.

Vendedor ambulante abordando passageiros de ônibus na rodoviária. Rajastão, Índia.

Vendedor ambulante abordando passageiros de ônibus na rodoviária. Rajastão, Índia.

Conhecida como a “cidade rosa”, Jaipur foi a primeira cidade planejada da Índia e recebeu o apelido de Paris Indiana.  Na verdade não lembra a capital francesa nem de longe e o rosa não é rosa, e sim um tom alaranjado ferrugem, “salmão”, para alguns mais criativos. Regularmente pintada desde a visita do Príncipe de Gales em 1876, Jaipur tem como principal atração o Forte Amber, situado no alto de uma colina com uma bela fachada e boa vista para a cidade. Distante 7 km do centro, a construção impressiona! Erguido no século XVI, o forte abriga palácios, jardins e salas com belos mosaicos. Eu preferi subir as escadarias a pé, mas é possível fazer nas costas de um pobre elefante e chegar no castelo como faziam os marajás da época.

O Templo dos Macacos é outro lugar que vale a visita. Não pelos macacos que podem ser encontrados em qualquer esquina na Índia, mas pela beleza arquitetônica. O Galta Ji, como é conhecido, segue o padrão indiano, sujo e fedido. E tome cuidado com os machos alfas. Eles podem ser são bastante intimidadores ao te ver segurando alguma guloseima como frutas ou amendoins, que são comercializados na entrada do complexo. A entrada é franca, mas cobra-se para fotografar. Eu cheguei a ver uma mãe desesperada com o filho cercado por alguns deles.  A dica é fazer esse passeio no final da tarde para fugir do calor e apreciar o bonito pôr do sol.

O Hawa Mahal, ou palácio dos ventos, possui 365 janelinhas que serviam para as mulheres dos marajás e suas concubinas espiarem a cidade, já que não podiam aparecer em público. A fachada é bem interessante e um dos principais cartões postais da cidade. Em estilo Rajput, exagerada em detalhes, assim como a maioria das fachadas da cidade antiga  é ponto obrigatório a serem visitados, assim como o Water Palace e o Minarete. São 3 atrações que não levam mais de 10 minutos para conhecer.

Quando for visitar o City Palace, reserve um tempo para se “perder” no comércio da cidade velha. Você vai se deparar com encantadores de serpente, músicos vestidos à caráter, e com um comércio pulsante e confuso. Claro, é Índia! Cuidado para não ser atropelado, não pisar na merda e tenha paciência com os comerciantes insistentes.  Se ainda sobrar tempo, você pode conhecer o observatório, o berçário de elefante, um mausoléu, o zoológico e muitas outras atrações de acordo com o seu interesse.

Forte Amber, Jaipur, Rajastão, Índia.

Forte Amber, Jaipur, Rajastão, Índia.

Forte Amber, Jaipur, Rajastão, Índia.

Forte Amber, Jaipur, Rajastão, Índia.

Encantador de serpente em Jaipur, Rajastão, Índia.

Encantador de serpente em Jaipur, Rajastão, Índia.

Hawa Mahal, Jaipur, Rajastão, Índia.

Hawa Mahal, Jaipur, Rajastão, Índia.

Jaipur, a cidade rosa, que na verdade é laranja, vista do alto do minarete. Jaipur, Rajastão, Índia.

Jaipur, a cidade rosa, que na verdade é laranja, vista do alto do minarete. Jaipur, Rajastão, Índia.

Galta Ji, Templo dos Macacos - Jaipur, Rajastão, Índia.

Galta Ji, Templo dos Macacos – Jaipur, Rajastão, Índia.

Galta Ji, Templo dos Macacos - Jaipur, Rajastão, Índia.

Galta Ji, Templo dos Macacos – Jaipur, Rajastão, Índia.

O Templo dos Ratos foi uma das coisas mais bizarras que já vi na vida!

Localizado em Deshnok, próximo a Bikaner, esse santuário também chamado de Karni Mata, foi erguido em homenagem a Deusa Durga, que possui 3 olhos, 8 mãos, e já nasceu adulta. Filha do deus Brahma e Shiva, seria requintadamente bela, com cabelos exuberantes e incrivelmente ornamentada com pérolas, pedras preciosas e ouro. Foi criada como uma guerreira para combater os demônios , É outra história mirabolante da religião hindu, que se você tiver interesse é só “dar um google”. Mas sinceramente é muito para a minha cabeça!

Calcula-se que mais de 20 mil ratos vivem ali, atraindo milhares de turistas de todas as partes do mundo. Fiquei incrédulo ao ver a relação das pessoas com esses animais. Os fiéis, homenageiam a Deusa com oferendas, cânticos, rituais e chegam a beijar o chão, buscando a benção sagrada. Oferecem muita comida para os ratos também. É de embrulhar o estômago! É proibido entrar calçado. Eu calcei sacos plásticos que atraiu vários olhares curiosos como se o estranho fosse eu! kkkk

Templo dos Ratos, Denshnok, Rajastão, Índia.

Templo dos Ratos, Denshnok, Rajastão, Índia.

Templo dos Ratos, Denshnok, Rajastão, Índia.

Templo dos Ratos, Denshnok, Rajastão, Índia.

Templo dos Ratos, Denshnok, Rajastão, Índia.

Templo dos Ratos, Denshnok, Rajastão, Índia.

O vídeo abaixo mostra uma pequena parte de um ritual de uma fiel em homenagem a Deusa Durga no Templo dos Ratos.

Chegada em Nova Deli, a capital da Índia.

Cheguei em Deli debaixo de uma garoa fininha, que derrubou a temperatura para 35°C (cerca de 10°C), que naquela altura soava como uma maravilha. Horas antes cruzei a poluída, suja, confusa, perigosa,Grande Deli debaixo de 46°C. Um baita mormaço! Fiz uma parada estratégica em um restaurante típico, só para ficar debaixo do ventilador. Não tive coragem de comer nada. Devorei 7 bananas que trazia comigo e tomei 3 litros de água. 2h da tarde. Não aguentava mais ficar ali. Uma mosquitaiada de tirar o sossego! Meti o pé!

Na medida em que fui entrando em Deli, a cidade se revelou surpreendentemente organizada, com avenidas largas, semáforos respeitados, muitas praças arborizadas, monumentos e agradavelmente limpa. Estava cruzando Nova Deli, sede do governo indiano e da maioria das embaixadas. A garoa parecia abençoar a minha chegada.

Já nas proximidades do Zostel, hotel onde me hospedei, que fica muito bem localizado ao lado da estação central de trens, com ótimos preços, quartos confortáveis e equipe de trabalho super prestativos, o caos já tomava conta do pedaço. Tuk-tuk cruzando de um lado para o outro na contra-mão disputando espaço com automóveis, rikshas, pedestre, vacas, cachorros, bicicletas. Muita sujeira… e é claro um buzinaço incessante.   No entanto, com a overdose de Uttar Pradesh, tudo me parecia normal. Foi eu encostar a bike debaixo da marquise do hotel e o aguaceiro caiu! Parecei que a minha sorte estava mudando… mas não foi bem assim!

Riksha atravessando a rua alagada em frente ao Hotel Zostel. Deli, Índia

Riksha atravessando a rua alagada em frente ao Hotel Zostel. Deli, Índia

No dia seguinte fui a embaixada do Brasil buscar algumas encomendas que a Pedal Power me enviou. Corrente, cassete, luvas, capacete. Uma parte para repor as peças gastas e outra para repor o prejuízo do acidente. Aproveitei para pegar uma carta de indicação para entrar com o pedido de visto para o Paquistão. Seria meu próximo país, mas fui barrado no baile mais uma vez. No guichê da embaixada, o atendente não quis pegar meu formulário e nem a carta, pois só é permitido aplicar o visto em seu país de origem. Me disse que a única maneira de aplicar seria através de um pedido formal, via telefone, do setor consular brasileiro para o setor consular do Paquistão. Depois de muito insistir, consegui o telefone e nome do responsável. Passei para o pessoal da embaixada do Brasil e eles me disseram que o pedido foi negado. Foi estranho! Pois o atendente paquistanês foi bem claro, dizendo que bastaria alguém ligar que o processo seria encaminhado. É um procedimento de praxe e já rolou várias vezes com turistas de diversos países. A mesma ladainha do Japão!!

Sendo assim, fiz uma correria para encontrar uma caixa para colocar a bike e poder voar. Mais uma vez meu planejamento foi por água abaixo! Refiz rapidamente os planos e a solução que encontrei foi sair da Índia em um voo para o Irã, que seria o país a ser visitado depois do Paquistão. O processo é longo e complicado. Estou apreensivo já que meu visto indiano vence logo! Já bolei um plano B caso não consiga o visto em tempo.

Deli é a mais importante e a segunda maior cidade do país com aproximadamente 12 milhões de habitante. Esse número dobra se falarmos do complexo metropolitano que engloba a região. Capital de vários impérios, a cidade pode ser comparada a Roma, com ruínas e achados arqueológicos que datam de 300 a. C.. Todos os impérios deixaram suas marcas. Monumentos, palácios, templos, mercados… Atrações é que não faltam em Deli. No entanto são espalhadas e requer um certo planejamento para não desperdiçar tempo e grana.

No primeiro dia de visita fui conhecer a Mesquita Jama Masjid, a maior e mais importante do país, concluída em 1656. A entrada é grátis, paga-se apenas para entrar com máquina fotográfica e não pode entrar de bermuda. Depois fui para o Red Fort, construído no século XVII. A cor das pedras sugerem o nome do forte que é muito parecido com o forte de Agra. E no final do dia, fiz um delicioso passeio em Chandni Chowk, um dos mais velhos e movimentados mercados da cidade. Aqui, vale a pena pegar um riksha. Além de te poupar dos ataques dos vendedores que não dão sossego, eles te levam em lugares secretos que dificilmente você chegaria sozinho. É o grande diferencial do passeio que também pode ser feito a pé. Por 2,5 horas, e depois de barganhar um pouco, o preço fica entre 2 e 5 dólares. É claro que ele também vai te levar nas lojinhas para receber comissão, mas no geral são lugares agradáveis e pode interessar se não estiver viajando de bike, é claro!

Uma das entradas da Mesquita Jama Masjid, New Deli, Índia.

Uma das entradas da Mesquita Jama Masjid, New Deli, Índia.

Mesquita Jama Masjid, New Deli, Índia.

Mesquita Jama Masjid, New Deli, Índia.

Red Fort, New Deli, Índia.

Red Fort, New Deli, Índia.

Red Fort, New Deli, Índia.

Red Fort, New Deli, Índia.

Loja no mercado em Chandni Chowk, New Deli, Índia.

Loja no mercado em Chandni Chowk, New Deli, Índia.

Carregador no mercado em Chandni Chowk, New Deli, Índia.

Carregador no mercado em Chandni Chowk, New Deli, Índia.

Vendedor no mercado de Chandni Chowk, New Deli, Índia.

Vendedor no mercado de Chandni Chowk, New Deli, Índia.

Mercado de rua de Chandni Chowk, New Deli, Índia.

Mercado de rua de Chandni Chowk, New Deli, Índia.

No segundo dia visitei Humayun’s Tomb, erguida no século XVI pala viúva do Imperador Humaium, é o mais antigo mausoléu da dinastia mongol, sendo sua belíssima arquitetura declarada Patrimônio Mundial da Unesco. Depois visitei as ruínas e o complexo de Purana Qila, o sexto império criado pelo imperador Himaium. O passeio vale, mas não espere muito. A arquitetura é legal e tudo o mais, mas nada fora do comum.

Humayun's Tomb - Mausoléu do imperador mongol Humaium, New Deli, Índia.

Humayun’s Tomb – Mausoléu do imperador mongol Humaium, New Deli, Índia.

Isa Khan Niazi tomb. Complexo de Humayun's tomb, New Deli, Índia.

Isa Khan Niazi tomb. Complexo de Humayun’s tomb, New Deli, Índia.

Mesquita de Purana Qila, New Deli, Índia.

Mesquita de Purana Qila, New Deli, Índia.

Detalhes da Mesquita de Purana Qila, New Deli, Índia.

Detalhes da Mesquita de Purana Qila, New Deli, Índia.

Comecei o terceiro dia conhecendo o complexo arquitetônico de Qutub Minar, que inicialmente (1192 a. C.) alojava 27 templos hindus e jainistas, que foram destruídos e seus materiais foram usados na construção de uma mesquita muçulmana (739 a.C.), e o complexo continuou crescendo na mãos de muitos diferentes governantes, e se modificando de acordo com a religião de cada um. A história é rica, ou complicada como queiram… Vale uma pesquisa mais detalhada antes de conhecer o complexo.

Qutub Minar complex, New deli, Índia.

Qutub Minar complex, New deli, Índia.

A atração mais visitada do país em 2006. Qutub Minar complex, New deli, Índia.

A atração mais visitada do país em 2006. Qutub Minar complex, New deli, Índia.

Qutub Minar complex, New deli, Índia.

Qutub Minar complex, New deli, Índia.

Qutub Minar complex, New deli, Índia.

Qutub Minar complex, New deli, Índia.

 

Depois foi a vez de conhecer o maior templo hindu do planeta. Akshardham foi construído por 7.000 artesões e 3.000 voluntários sendo concluído em 2005. Com entrada franca, Akshardham é cercado por um forte esquema de segurança, e é estritamente proibido fotografar seu interior. Mais do que um templo tradicional, o conjunto arquitetônico abriga jardins luxuosos, exibições tecnológicas e cinema Imax, parecendo um centro de propaganda e divulgação religiosa. As paredes são ricamente esculpidas e merecem destaque especial, assim como os adornos que cercam a cúpula principal.

Akshardham - O maior templo Hindu do mundo. New Deli, Índia

Akshardham – O maior templo Hindu do mundo. New Deli, Índia

Deixo aqui um beijo para Cynthia, minha irmã, por estar sempre me ajudando a desenrolar o que preciso; um abraço para o pessoal da Pedal Power pelo carinho que cuidam do meu projeto; e para meu amigo Allex Ferreia, pela indicação do Zostel e por sempre estar disposto a ajudar com informações preciosíssimas! Obrigado pessoal!

Uttar Pradesh, um estado entre o amor e ódio!

Estado de Uttar Pradesh, Índia.

Estado de Uttar Pradesh, Índia.

Com o repouso forçado devido ao acidente, tive tempo para pesquisar e pude entender um pouco mais sobre o Estado de Uttar Pradesh, até então, o único que conhecia na Índia, e fazer as minhas reflexões para entender o porquê que as informações que recebi das pessoas que viajaram pela Índia de bike, não estavam batendo com aquilo que eu estava vendo e vivendo.

Apenas Gio e Marco, uma dupla de italianos que conheci na Austrália, onde pedalamos juntos por alguns dias, disseram que nunca mais voltariam para Índia. Era a mesma impressão que eu vinha tendo! Mas apenas eles cruzaram o estado de Uttar Pradesh. Todos os outros com quem conversei passaram por rotas diferentes. Abaixo, vou tentar explicar um pouco o porquê. Fiquei impressionado com os números que encontrei na internet.

Uttar Pradesh é o estado mais populoso do mundo e o mais pobre da Índia, com uma população quase igual a do Brasil. Isso mesmo! Mais de 210 milhões de habitantes com um crescimento populacional de 26% em 10 anos! A população dobra em menos de 40 anos! Densidade populacional de 850 pessoas por km²! É mole?! Um dos estados mais sagrados e o mais místico da Índia, é berço da religião Hindu, onde 80% da população são alinhados em uma fé, que é no mínimo muito longe da minha realidade. Muita gente vive na miséria, enfrentando sérios problemas de moradia, saneamento básico, educação e saúde.

Lixo serve de pasto para as vacas entre a estrada e o comércio. Uttar Pradesh - Índia

Lixo serve de pasto para as vacas entre a estrada e o comércio. Uttar Pradesh – Índia

Está apertado? Qualquer lugar é lugar! Homem defecando e urinando á beira da estrada. Uttar Pradesh - Índia

Está apertado? Qualquer lugar é lugar! Homem defecando e urinando á beira da estrada. Uttar Pradesh – Índia

Ahhh... com toda privacidade....

Ahhh… com toda privacidade…. só os búfalos estão vendo!

Posso afirmar que viajar de bicicleta neste estado nesta época do ano é super complicado! Foram mais de 1.100 km entre a divisa com o Nepal até Nova Deli! Incrivelmente plano, sem uma única subida (apenas leve inclinação das pontes e viadutos), Uttar Pradesh testou os meus limites com vários tipos de perrengues acontecendo ao mesmo tempo! No começo foi difícil aceitar, gerando uma grande batalha entre eu e meus tabus. Depois de algum tempo, e com a ajuda de Juyti e Aman, meus anjos da guarda depois do acidente, fui me familiarizando com as coisas e aceitando mais. Nos dois últimos dias antes de chegar em Deli, o cenário teve uma ligeira melhora.

Uma névoa de poeira cobre o estado, que associado ao calor de 52° C, chega a sufocar! A estratégia é pedalar bem cedo e de tardinha! No entanto, muitas vezes foi melhor continuar pedalando do que parar! Isso mesmo! Ao parar, o ventinho cessa, e a transpiração aumenta muito! Mina água pela cabeça, principalmente, e se não encontrar um ventilador para ficar embaixo está danado! No início cheguei a me irritar com as pessoas também! Ao estacionar a bike, dezenas se aproximam e não dão 5 centímetros de espaço! Eles colam de uma maneira que também sufoca! Muito perto! Puta calor, sedento, e os caras ali, quase encostando o nariz no meu! Quando tentei cozinhar para me livrar dos riscos de comer nos restaurantes de beira de estrada, quase perdi a paciência! Se vou pegar as panelas na bike, 30 me seguem! Se agacho para ascender o fogareiro, 30 agacham junto comigo! Se corto cebola, 50 querem ajudar, com mãos imundas! E aqui vale um comentário! Não existe papel higiênico na Índia! E os caras colocam a mão em tudo! Dá para imaginar? Os caras defecam com a consistência de um mingau ( ou seja, infectados por bactérias), bem ali… ao lado da estrada, da casa ou do restaurante… tem lugares que é um verdadeiro campo minado…  limpam a bunda com um copo de água, e na hora de  servir, metem a mão na sua comida! Rapaz! Cada refeição é um Deus nos acuda! E eu fico pensando… Caramba! O garçom também caga! Igual a todo mundo! E eu lá! Na porrada com os meus tabus!!

 Ambulantes preparando o almoço em Alahabad, Uttar Pradesh, Índia.

Ambulantes preparando o almoço em Alahabad, Uttar Pradesh, Índia.

Outro ponto que dificultou bastante foi achar um lugar para passar a noite. Embora seja um dos estados indiano que mais recebe turistas, tanto locais como estrangeiros, Uttar Pradesh é incrivelmente carente de hotéis e restaurantes longe dos pontos turísticos. Tentei por duas vezes dormir na barraca, mas o calor, associado a falta de vento tornaram essas noites em um inferno! Além de não conseguir descansar, passei a noite toda transpirando, melado! Manja?! Isso sem falar nos mosquitos e pernilongos! Demais! Já acordava cansado! Como voltava a pedalar apenas no final da tarde, muitas vezes forcei o ritmo para chegar em algum lugar. Alguns dias desencanei e corri o risco de pedalar no escuro. Com a falta de regras no trânsito, passei momentos de muita tensão, chegando a ficar com os músculos doloridos, rígidos! Bom, já falei do trânsito! E já falei sobre o atropelamento também!

Os vendedores ambulantes, motoristas de tuque-tuques e riquixás, são insistentes ao extremo! Os caras não dão sossego! Vários ao mesmo tempo! Brigam entre eles! E cobram pelo menos o dobro do preço justo, apenas por eu ser estrangeiro. Aliás, seguem o exemplo do governo! Para entrar no Taj Mahal por exemplo, estrangeiros desembolsam 750 rúpias indianas, enquanto os locais pagam 20 rúpias! A impressão é que estava sendo extorquido a todo momento! Um saco!

Meu preconceito também atrapalhou! No início foi inevitável fazer a comparação do povo indiano com a distante realidade do povo brasileiro, da qual é a minha referência. O povo indiano é pobre, se veste com simplicidade e vive repleto de carências. No Brasil, muitas pessoas que vivem nessas condições, abandonados à própria sorte, vivem cometendo pequenos delitos, se aproveitando de qualquer oportunidade com a esperteza que só tem quem esta cansado de apanhar.  Era impossível não comparar os nossos meninos de rua com os locais. São aparentemente semelhantes. Com o tempo, percebi que os indianos são extremamente curiosos, mas não tem o hábito de querer o que é dos outros… mexem.. quebram… mas não roubam! Minha reação ao chegar causava antipatia. Eu ficava preocupado com a bicicleta e principalmente com os equipamentos expostos na bike. Quando entendi, passei a “chegar” mais manso.

E por fim, o que mais me marcou! E esse ainda é um tabu que não consigo me livrar! O convívio com a sujeira! Eu não consigo entender que em pleno século XXI a higiene seja tão negligenciada. Eu sei que no Brasil existe muitos lugares imundos, de dar pena, mas em Uttar Pradesh é praticamente em todo lugar. O limpo é que destoa! Pessoas não se incomodam com  nuvens de mosquitos nos alimentos, montanhas de lixos na porta de casa e mesmo fezes de pessoas e animais. O nível de higiene é tão baixo que vendedores passam o dia todo trabalhando em meio á poeira e forte calor, suados, imundos, com as mãos em contato direto com os alimentos. E as pessoas compram! E a Índia está entre as maiores economias do mundo, com previsão de ultrapassar o Brasil no 7° lugar! Como pode? As pessoas simplesmente não acreditam que mosquitos e lixo transmitem doenças. É bizarro! Aqui vale outro comentário. Eu não sei os números, mas tenho certeza que a informalidade na Índia é enorme! Quando o governo indiano conseguir trazer essa massa para a formalidade, certamente irão ganhar várias posições no ranking econômico. Milhões de indianos sobrevivem de pequenos comércios sem pagar um centavo para o governo.

Pois é! É claro que eu sabia que a Índia era uma loucura! Mas Uttar Pradesh foi muito mais do que eu supunha! Para mim foi um choque cultural que nunca havia experimentado com tamanha intensidade. E olhe que passei por países bem distintos do nosso!

Saio de Uttar Bradesh com a sensação de quem amou e odiou ao mesmo tempo! Varanasi e Agra são os pontos altos desse estado. Nunca esquecerei a espiritualidade e o fervor religioso da primeira e toda beleza imperial da segunda. Também será difícil esquecer o caos, a desordem, a sujeira… É mais ou menos assim:  De repente você se depara com algo impressionante, fora do comum, fica de queixo caído, perplexo, admirando… aí, hipnotizado para achar o melhor ângulo para fazer a foto, da um passo para o lado e enche o pé na merda! De vaca, de cachorro, de GENTE! Só para citar um exemplo.

A Índia se caracteriza por ser um país muito distinto culturalmente. Cada estado tem seu povo, cultura e particularidades. Eu apenas conheci Uttar Pradesh e Nova Deli, a capital do país até agora. Tenho planos para visitar os estados do Rajasthan, Haryana, Uttarakhand, Himchal Pradesh e quem sabe Jammu e Kashmir. Isso se tudo der certo com os processos de solicitação de visto para meus dois próximos países. Para isso, terei que deixar a bike um pouco de lado e viajar de trem. Meu visto vence em poucas semanas e seria impossível fazer tudo de bike… Achei que valeria a pena sacrificar um pouco a viagem de bicicleta e ganhar diversidade cultural e conhecer outros sabores. Minha impressão já está um pouco melhor, mas espero conhecer uma outra Índia nesses lugares e como muitos países em que passei, ter o gostinho de querer voltar um dia!

Terreno tomado pelo lixo ao lado do hospital em Etawah, Uttar Pradesh, Índia.

Terreno tomado pelo lixo ao lado do hospital em Etawah, Uttar Pradesh, Índia.

A convivência com o lixo na porta de casa. Uttar Pradesh, Índia.

A convivência com o lixo na porta de casa. Uttar Pradesh, Índia.

Água mineral não tem... mas pode se servir ali na mesa... é grátis... e os mosquitos vem de brinde...  Típico restaurante de beira de estrada em Uttar Pradesh, Índia.

Água mineral não tem… mas pode se servir ali na mesa… é grátis… e os mosquitos vem de brinde… Típico restaurante de beira de estrada em Uttar Pradesh, Índia.

Taj Mahal – Uma das 7 maravilhas do mundo!

De Etawah até Agra são 120 km. 4 horas de viagem em um ônibus barulhento, quente e muito desconfortável. Mas para quem está viajando de bicicleta, aquilo parecia muito bom! Foi a alternativa que achei para ganhar um pouco de tempo. Com os punhos bem doloridos e as feridas abertas era praticamente impossível pedalar. Viajei tomando antibióticos e anti-inflamatórios, e fui melhorando sensivelmente dia após dia.

A minha expectativa em conhecer o Taj Mahal era grande! Classificado como a mais bela construção do planeta, o Taj Mahal foi eleito uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno e é considerado a maior prova de amor do mundo!

 

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Taj Mahal de longe… Agra,, Índia

Este incrível mausoléu foi construído por mais de 20.000 homens  entre 1632 e 1653, sob o comando de Shah Jahan, Imperador Mongol, em homenagem a sua terceira esposa, Aryumand Banu Begam ou Mumtaz Mahal ( “A joia do palácio”), que morreu ao dar a luz ao seu 14° filho. Todo em mármore branco, contem inscrições retiradas do Corão talhados com pedras semi-preciosas, e a incrível cúpula principal é costurada com fios de ouro. Eu já estou viajando por um ano e sete meses e tive a oportunidade de conhecer vários templos, palácios e construções belíssimas, mas nada me impressionou tanto como o Taj Mahal. Mesmo com milhares de pessoas visitando o mausoléu, o lugar é envolvido por uma atmosfera de paz e serenidade e sua arquitetura é deslumbrante, delicada e imponente. Passei cerca de 4 horas visitando o complexo e saí de lá com vontade de ficar apreciando por mais tempo. À medida em que o sol ia baixando, o monumento era tingido por diferentes tonalidades de cores. Do branco mármore a tons pastéis de amarelo e laranja. Um verdadeiro espetáculo!

 

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Taj Mahal – Gate north – Agra, Índia

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Uma das 7 maravilhas do Mundo – Taj Mahal – Agra, Índia

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Por do sol em Taj Mahal, Agra, Índia.

Enquanto os locais desembolsam apenas 20 rúpias, turistas estrangeiros pagam 750 rúpias pelo ingresso que lhe dá direito a uma garrafa de 500 ml de água e um par de protetores de calçados. A visita vale cada centavo, mas também vale muito conhecer outros pontos que oferecem lindas vistas do mausoléu.

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Sol nascendo em Taj Mahal, Agra, Índia.

Taj Mahal, Agra, Índia.

Taj Mahal, Agra, Índia.