Nem todo dia é dia de flores em uma longa viagem de bike meu amigo!

Nada como um dia atrás do outro.

Uma viagem longa de bicicleta como a minha, não é muito diferente do dia a dia normal das pessoas NORMAIS. (Para muitos o doido sou eu!).

Como todo mundo, tem dia que acordo com preguiça, sem vontade de faze nada! Tem dia que acordo disposto e parece que vou pedalar 400 mil km. Tem dia que meu ânimo desaparece por um único fato não esperado. Tem dia que o desânimo vai embora apenas por um breve raio de sol. Meu humor muda várias vezes ao dia! As notícias vindas do Brasil, por exemplo, são um termômetro que pode me encher de felicidade como também despejar toda a minha indignação nos ouvidos de quem está no outro lado da linha, né Cynthia?

É comum eu vir cantarolando uma música, todo radiante, e quando o caminhão tira uma fina, sem perceber, xingo o motorista de tudo quanto é nome! FDP! Só eu e você na estrada!!! Tá querendo me matar de susto, pô! ( O pô na verdade continua com mais 3 letras… mas ando soltando muito palavrões ultimamente.. resolvi pegar leve neste post!).

Outro dia, eu estava todo animado com a possibilidade de cumprir o planejado, aí, minha corrente quebrou e me bateu uma depre! Tudo bem que veio junto a frustração, uma certa culpa e tudo mais… Eu que sou tão minucioso, deixei minha corrente quebrar… eu sabia do risco! Deveria ter  trocado antes, pô! (estou falando do outro pô).

Aí, quebra meu bagageiro traseiro no meio do nada! Fato que é difícil prever! Eu fiquei tão tranquilo, que tinha hora que eu mesmo me questionava! O meu… você tá ferrado (entenda outra palavra que começa com F e termina com dido), e está aí nessa tranquilidade! Cara, tá escurecendo! Mas algo me dizia que tudo sairia bem,como de fato saiu!

E muitas outras coisas mais… mas como post grande ninguém lê, vou resumir.

Depois de um dia sensacional, onde pedalei com tranquilidade, em uma estradinha maravilhosa, colhendo, preparando e comendo o que a estrada me ofereceu, do jeitinho que eu adoro fazer, fui dormir todo realizado! Acordei disposto e nem mesmo o frio de 8° C atrapalhava. Pelo menos não esta ventando, dizia enquanto o meu fogareiro esquentava a água do café.

Preparei um sanduba com queijo e o restinho do presunto parma que havia sobrado do dia anterior, tomate, pepino em um delicioso pão integral. Separei castanhas e uvas passas para complementar o desejum.  Tudo lindo! Rapaz! Quando tomei o primeiro gole de café, quentinho e cheiroso, uma pontada no meu dente me fez ver estrela em plena luz do dia! Uma puta dor(dessa vez não da para pegar leve! Doeu pra caralho!)!

Tô “F dido…”! E agora?

Enquanto cumpria a obrigação de pedalar até Kaliningrado, fui pensando no preço de viajar por muito tempo, da maneira que estou viajando. Não é todo dia que encontro as condições ideais para manter uma boa higiene. Privadas imundas e muitas vezes não encontro lugar para tomar banho, apelando para os lenços umedecidos, e vez ou outra durmo sem escovar os dentes. Como?

É assim! Paro perto de escurecer, e depois de fazer todas as obrigações, entro no saco de dormir, e geralmente tem um docinho ou chocolatinho para relaxar enquanto leio um livro. O último foi: Projeto Homem Livre – Volta ao mundo de bike de Danilo Perrotti, e agora estou lendo o Transpatagônia do Guilherme Cavalari.

Livro Projeto Homem Livre - Danilo Perrotti. Eu recomendo!

Livro Projeto Homem Livre – Danilo Perrotti. Recomendo!

Livro Transpatagônia - Guilherme Cavalari - Também recomendo!

Livro Transpatagônia – Guilherme Cavalari – Também recomendo!

Aí meu amigo, pego no sono e quem falou que tenho coragem de sair da barraca com um frio de lascar “só para escovar os dentes”. Muitas vezes acordo no outro dia!

Kaliningrado - Rússia

Kaliningrado – Rússia

 

Catedral de Cristo Salvador, Kaliningrado, Rússia

Catedral de Cristo Salvador, Kaliningrado, Rússia

 

Lena e Marcha, família que me hospedou em Kaliningrado, Rússia

Lena e Marcha, família que me hospedou em Kaliningrado, Rússia

 

Tratamento odontológico em Kaliningrado, Rússia. Obs: O dentista usa a bike para ir ao trabalho e a identificação com o Projeto da China Para Casa by Bike me rendeu um ótimo desconto no tratamento.

Tratamento odontológico em Kaliningrado, Rússia. Obs: O dentista usa a bike para ir ao trabalho e a identificação com o Projeto da China Para Casa by Bike me rendeu um ótimo desconto no tratamento.

Como a sorte costuma me acompanhar. Parei no lugar certo em Kaliningrado. Valery e sua esposa Lena são membros do warmshowers. Me receberam com todo o carinho e foram meus anjos da guarda no tratamento dentário. Lena e Marcha me levaram para um tour na cidade e Valery me deu aulas de arco e flecha e me levou para um delicioso passeio de veleiro no final do dia.

Aulas de Arco e flecha com Valery, Kaliningrado, Rússia.

Aulas de Arco e flecha com Valery, Kaliningrado, Rússia.

 

Passeio de veleiro com Valery e Sergey (amigo de Valery) em Kaliningrado, Rússia.

Passeio de veleiro com Valery e Sergey (amigo de Valery) em Kaliningrado, Rússia.

Atrasei um pouco a minha viagem devido a isso, mas a satisfação de conhecer o casal e suas filhas Alina e Marcha recompensou. Crianças adoráveis que matou, ou aumentou, a saudade dos MEUS! Filha, Sobrinhos e todos da família…

Mas ter saudade até que é bom… Melhor do que pedalar sozinho!

Bye bye Rússia! Welcome Finlândia!

Viajei exatamente um mês na Rússia! Ou acampei ou fiquei na casa de membros do cauchsurfing ou warmshowers. Foi a primeira vez que isso aconteceu na viagem. Não gastar um centavo com hospedagem é legal! Mas conhecer o dia a dia dos locais é sensacional!

Gosha, Mary e os dois filhos. Zelenogorsk, Rússia.

Gosha, Mary e os  filhos Ilya (menor) e Fedor. Zelenogorsk, Rússia.

Em Zelenogorsk, no caminho para a Finlândia, passei meus últimos dias na casa de uma família russa, e foi para fechar com chave de ouro! Conhecer Gosha, sua esposa Mary e seus dois garotos, Fedor e Ilya, foi uma experiência incrível! Além de ser tratado com todo o carinho pelo casal, as duas crianças da casa enchem a atmosfera de alegria. É um corre-corre daqui, um pula-pula dali, risadas, gargalhadas e é claro, um pouco de choro e manha. Adultos brincando como crianças e crianças se passando por adultos de uma maneira saudável, descontraída, amorosa! Pega o gato, abraça o gato, amassa o gato! O gato foge! E lá vão eles à captura do gato novamente. Parece lá em casa! Inevitável lembrar da minha filha e dos meus sobrinhos e encher meu coração de saudade. Na casa dessa adorável família, teve city tour, churrasco, vodka, o tradicional banho russo, e até um concerto musical. Gosha é editor de áudio nas horas vagas.

Primeiro acampamento na Finlândia.

Laavu – Abrigo para a acampamentos. Primeiro acampamento na Finlândia.

Ao cruzar a fronteira com a Finlândia, a paisagem mudou consideravelmente. As florestas de coníferas diminuíram consideravelmente, dando lugar a fazendas de cultivo de trigo ou pastagem, trazendo de volta as vistas que as florestas esconderam por dias seguidos. O trigo, exibindo um colorido que vai do verde ao amarelo ouro, dependo da época em que foi plantado, o céu azul e as sombras das nuvens trouxeram uma nova perspectiva, deixando a viagem mais alegre.

Uma dica para quem pretende viajar de bike na Finlândia acampando são os “laavus”, uma área reservada para acampamentos que oferece abrigo e estrutura mínima como banheiro biológico, lenha e água. As condições de estrutura não são sempre as mesma. É melhor se prevenir, pois alguns não oferecem água por exemplo. Mas de qualquer forma é um ótimo lugar para dormir e se proteger do frio da madrugada.

Fazenda de trigo na Finlândia.

Fazenda de trigo na Finlândia.

Pequena plantação de girassóis traz de volta o colorido habitual das viagens de bicicleta. Finlândia.

Pequena plantação de girassóis traz de volta o colorido habitual das viagens de bicicleta. Finlândia.

A minha ideia é ficar apenas uma semana na Finlândia e seguir para o Leste Europeu. Na primeira perna vou passar por Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia. Preciso começar a “descer” o mapa para fugir do frio que vem chegando.

 

 

São Petersburgo: Minha cidade favorita na Rússia!

Fiquei uma semana em St. Petersburgo em dois lugares diferentes. Primeiro na casa de Artem, um cara super hospitaleiro e com tempo para me mostrar a cidade, e depois na casa de Irina, uma simpática russa que se divide em trabalho e hospitalidade.

Com Artem, fui conhecer os arredores da cidade em busca de berries e cogumelos, fiz um tour de bike, limpei e lubrifiquei a corrente da bicicleta, trocamos recitas e o principal: conversamos sobre viagens de bike e tudo o mais… como velhos amigos!

Colhendo

Colhendo” berries” na floresta ao redor de St. Petersburgo, Rússia.

Artem se deliciando com sorvete de creme e framboesas. St. Petersburgo, Rússia.

Artem se deliciando com sorvete de creme e framboesas. St. Petersburgo, Rússia.

Na casa de Irina fui tratado com carinho, tanto por ela como por Olga, a outra moradora da casa. Muito bem localizado, no apartamento das meninas apurei minha visita na cidade em museus e lugares que ainda não havia visitado com Artem.

Fiquei esse tempo todo por aqui esperando meu novo cartão de crédito. Mas considerei uma semana, o tempo justo para conhecer St. Petersburgo.

Fundada em 1703, Peter, como é chamado pelos locais, foi capital da Russia até 1918. Entre 1924 e 1991 seu nome era Leningrado e entre 1914 a 1924, Petrogrado. Banhada pelo Mar Báltico e na desembocadura do Rio Neva, a cidade possui inúmeros canais navegáveis, o que lhe rendeu o apelido de “Veneza Russa”. É a segunda maior cidade do país com mais de 10 milhões de habitantes se agregarmos seus arredores.

St. Petersburgo, Rússia.

St. Petersburgo, Rússia.

Coração político e cultural por 2 séculos,  seu centro histórico com prédios e fachadas, e monumentos belíssimos são Patrimônio Mundial da Unesco.  À começar pelo Hermitage, um dos maiores museus do mundo com um acervo de mais de 3 milhões de peças, que se espalham em 10 prédios conectados, dos quais 7 são monumentos artísticos e históricos, com destaque para o Palácio de Inverno, residência oficial dos Czares até a queda da monarquia. Ele fica na Palace Square, a praça central da cidade que mescla o estilo barroco do Palácio de Inverno com o neoclássico dos outros prédios.

Hermitage, Palácio de Inverno. St. Petersburgo, Rússia.

Hermitage, Palácio de Inverno. St. Petersburgo, Rússia.

Hermitage, Palácio de Inverno. St. Petersburgo, Rússia.

Hermitage, Palácio de Inverno. St. Petersburgo, Rússia.

Palace Square, St. Petersburgo, Rússia.

Palace Square, St. Petersburgo, Rússia.

As igrejas e catedrais também tem uma rara beleza arquitetônica, com destaque para a incrível arquitetura no mais puro “estilo russo” da Catedral da Ressurreição do Salvador. Igreja Ortodoxa, foi erguida no local em que o Czar Alexandre II foi assassinado em 13 de março de 1881. A catedral funciona também como museu, onde lindos mosaicos contam a história do Czar.

St. Petersburgo, Rússia.

Catedral da Ressurreição do Salvador, St. Petersburgo, Rússia.

St. Petersburgo, Rússia.

Catedral da Ressurreição do salvador, St. Petersburgo, Rússia.

A Fortaleza de São Pedro e São Paulo é uma imponente fortificação que deu origem a cidade. A fortaleza abriga um cais, os armazéns de artilharia, uma igreja com a torre do relógio que a cada 6 horas toca o hino nacional russo.

Vista do cais da Fortaleza de São Paulo e São Pedro, St. Petersburgo, Rússia.

Vista do cais da Fortaleza de São Paulo e São Pedro, St. Petersburgo, Rússia.

Igreja dos Santos, Fortaleza de São Paulo e São Pedro, St. Petersburgo, Rússia.

Igreja dos Santos, Fortaleza de São Paulo e São Pedro, St. Petersburgo, Rússia.

Igreja dos Santos, Fortaleza de São Paulo e São Pedro, St. Petersburgo, Rússia.

Igreja dos Santos, Fortaleza de São Paulo e São Pedro, St. Petersburgo, Rússia.

Museus e palácios é o que não faltam por aqui. São dezenas dos mais variados. Ai meu amigo, vai do seu interesse. Antes de visitar a cidade, da uma pesquisada e veja o que lhe agrada mais. Mas garanto, opções é que não vão faltar!

É final de verão, começo de outono por aqui. O céu hora com um azul translúcido, hora com nuvens espessas é uma atração à parte. O por do sol trás um colorido vibrante a cidade, onde locais e turistas aproveitam ao máximo o delicioso clima ameno dessa época do ano.

Crianças se divertindo em St. Petersburgo, Rússia.

Crianças se divertindo em St. Petersburgo, Rússia.

Por do sol em St. Petersburgo, Rússia.

Por do sol em St. Petersburgo, Rússia.

St. Petersburgo, Rússia.

St. Petersburgo, Rússia.

O céu é uma atração à parte em St. Petersburgo nessa época do ano. Rússia.

O céu é uma atração à parte em St. Petersburgo nessa época do ano. Rússia.

O céu é uma atração à parte em St. Petersburgo nessa época do ano. Rússia.

O céu é uma atração à parte em St. Petersburgo nessa época do ano. Rússia.

Para quem curte fotografar arquitetura, St. Petersburgo é um paraíso. Não importa a direção, vai ter sempre uma composição,  fachadas e monumentos esperando por um click. A cidade também oferece um bom sistema de ciclovias compartilhadas com pedestres. Por se tratar de uma cidade turísticas, os preços são ligeiramente inflacionados, mas nada muito exagerado. Em restaurantes populares, uma refeição sai por cerca de US$ 5, chegando a US$ 25 se o lugar for mais sofisticado.

A bela Irina com sua bike indo ao trabalho. St. Petersburgo, Rússia.

A bela Irina com sua bike indo ao trabalho. St. Petersburgo, Rússia.

St. Petersburgo respira arte. Rússia.

St. Petersburgo respira arte. Rússia.

St. Petersburgo, Rússia.

St. Petersburgo, Rússia.

Assim como Moscou, St. Petersburgo vai deixar saudade! Aquele mesmo comentário sobre as mulheres vale aqui também. A diferença para mim, foi que Moscou me pareceu mais militarizada, com quase tudo lembrando as guerras e a vida da União Soviética. Peter, é mais light, talvez pelos canais e a proximidade do mar, ou até pela sua beleza arquitetônica. Se fosse para escolher, embora tenha gostado muito de Moscou, ficaria com Peter.

Veliky Novgorod, uma das mais importantes cidades do Leste Europeu na era medieval.

Muito provavelmente você nunca ouviu falar em Veliky Novgorod, uma pacata cidade russa que fica a 160 km de St. Petersburgo com cerca de 200 mil habitantes. É uma das cidades mais antigas da Rússia e saiba que muitas das decisões políticas desse monumental país foram tomadas aqui. Fundada no século I, Novgorod foi o primeiro centro cultural, arquitetônico e artístico da Rússia. A primeira escola do país também foi fundada aqui, tornando-se o principal centro de alfabetização e publicações de livros da época. A cidade influenciou a pintura e a arte decorativa não só na Rússia, mas também em toda a Europa. Sua posição estratégica longe das fronteiras, e seu poderio militar avançado para os padrões da época, conseguiram preservar um complexo único de monumentos arquitetônicos e afrescos dos seculos XI ao XVII, como o mais antigo manuscrito russo, por exemplo. A primeira vez que a cidade sofreu sérios danos foi na II Guerra Mundial, fortemente bombardeada por mais de dois anos. No entanto, o governo russo se esforçou e conseguiu restaurá-la.

Igreja de Santa Sophia, o mais antigo edifício Russo. Kremlin, Veliky Novgorod. Rússia.

Igreja de Santa Sophia, o mais antigo edifício Russo. Kremlin, Veliky Novgorod. Rússia.

 

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Monumento do Milênio (1862), projetado por Mikhail Mikeshin. Monumento que imortaliza os maiores nomes do país. Kremlin de Novgorod, Rússia.

 

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Devotos na Catedral de Santa Sophia, o mais antigo edifício russo. Kremlin, Novgorod, Rússia.

 

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Casamento sendo realizado em uma linda tarde de sol a beira do Rio Volkhov, em frente ao Kremlin de Novgorod, Rússia.

Novgorod exala história! A Catedral de Santa Sophia por exemplo, é o mais antigo sobrevivente edifício russo. Erguida em 1045, está protegida pela mais antiga fortaleza russa, ou Kremlin. O Kremlin de Novgorod é mais antigo que o de Moscou, sendo citado pela primeira vez em 1044. Dentro do Kremlin, além da catedral, o conjunto de sinos de Santa Sophia, o Palácio do Arcebispo e o monumento em homenagem ao milênio recebem destaque especial. A cidade ainda possui vários museus com exposições das mais variadas, como jóias, bordados, achados arqueológicos, pinturas, esculturas e manuscritos em casca de tronco de bétulas (árvores típicas da região).

As águas do rio Volkhov passam lentamente ao lado da fortaleza, que com o sol de verão, trazem um charme todo especial a cidade. Minha visita foi rápida. Yuri, meu anfitrião, me guiou em um tour de bike que me deixou com gostinho de quero mais. Para quem, que como você, nunca tinha ouvido falar, Veliky Novgorod acabou sendo uma agradável surpresa!

Kremlin, fortaleza em Novgord, Rússia.

Kremlin, fortaleza em Novgorod, Rússia.

 

Novgord, Rússia.

Novgorod, Rússia.

Yuri e eu em Novgord, Rússia.

Yuri (couchsurfing) e eu em Novgord, Rússia.

 

 

 

Rússia, a viagem e os encontros…

De Bologoye até Valday, pedalei em uma estradinha secundária bem tranquila, beirando rios, lagos, florestas e cruzando algumas vilas abandonadas. Meu objetivo do dia era conhecer o monastério de Valday, que fica em uma ilha no meio do lago que banha a cidade e achar um lugar para acampar por ali. Chegando lá, parei na ponte que da acesso a ilha, onde alguns locais tentavam a sorte em uma pescaria. Sempre estou atento à possibilidade de incrementar o meu jantar. Carrego um kit de pesca com iscas artificiais. Enquanto sondava a pescaria, dois meninos, atraídos pela minha bike vieram conversar comigo.

Nikita, Filipp e eu em Valday, Rússia.

Nikita, Filipp e eu em Valday, Rússia.

Acampamento ao lado do lago, Valday, Rússia.

Acampamento ao lado do lago, Valday, Rússia.

Filipp e Nikita, de 12 e 14 anos, passeavam pelo ilha com suas bikes e mesmo com um vocabulário limitado, se esforçaram bastante para me ajudar. É o que sempre digo! Quando existe boa vontade, dá-se um jeito de se comunicar. Com poucas palavras ditas em inglês, estabelecemos um diálogo suficiente para nos entender. De vez em quando usamos o tradutor do celular.

Crianças adoráveis! Quando acabei a visita no monastério, me indicaram um lugar para reabastecer minhas caramanholas, comprar comida e acampar. Comprei pão e queijo cottage na lojinha do monastério, que temperei com pimenta do reino, cebola picadinha e azeite. Os meninos, depois de me ajudarem a levantar acampamento e tentar achar minhocas para pescaria, se deliciaram com meu jantar.

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Monastério em Valday, Rússia.

Igreja do monastério em Valday, Rússia.

Igreja do monastério em Valday, Rússia.

Teto da igreja do monastério em Valday, Rússia.

Teto da igreja do monastério em Valday, Rússia.

A pescaria foi um fracasso. Mas a noite foi ótima. No outro dia, os dois me aparecem 7 da manhã com suco e maçãs e cheios de apetite pelo meu queijinho temperado. Estava uma delícia mesmo! Me levaram para um rápido tour em Valday e nos despedimos. Eu adoro encontrar locais pelo caminho, mas quando se trata de crianças, fico ainda mais feliz! Criança é certeza de sorriso e alegria! Uma curiosidade sadia, sem interesse!

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Feira de rua em Valday, Rússia.

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Típica vendinha de chá, café e tortas de beira de estrada. Rússia.

Cai de novo na auto-estrada e o pedal voltou a ser chato. Mas em uma viagem de bike, embora tudo possa parecer repetitivo, nunca um dia é igual ao outro. Sempre acontece alguma coisa que tempera a viagem. Depois de parar em um restaurante de beira de estrada para recarregar GPS e celular, segui viagem sem muita empolgação, tomando um cuidado danado com os caminhões, pois vez ou outra o acostamento ficava bem estreito.

E foi parado no acostamento que encontrei Bogdan consertando o pneu furado de sua bike. O sérvio, também seguia para St. Petersburgo e depois para a Finlândia, onde pretende arrumar emprego. Conversador, daqueles que fala mais que a boca, acabou sendo um boa companhia para acampar e viajar até Veliky Novgorod no outro dia pela manhã. Chegamos a cidade perto do meio dia. Ele se foi, eu fiquei, com a intenção de conhecer uma das cidades mais importantes do leste europeu na era medieval.

Borgdan, o sérvio que encontrei na estrada arrumando o pneu furado de sua bike. Rússia.

Borgdan, o sérvio que encontrei na estrada arrumando o pneu furado de sua bike. Rússia.

Pedalando na Rússia

Para ter uma ideia do tamanho da Rússia, pense no seguinte: O fuso horário entre Moscou e Brasília é de 6 horas. Dentro do território russo são 8 horas de fuso! Se adicionarmos Kaliningrado, um território russo entre a Polônia e a Lituânia, no mar Báltico, sobe para 9 fusos. A Rússia ocupa 1/9 da área terrestre. É enorme! E é claro que não se pode conhecer tudo de bike. Eu escolhi um roteiro entre as duas cidades mais visitadas do país: Moscou – St. Petersburgo.

Os 3 primeiros dias de pedal foram extremamente chatos. Meu GPS não me oferece alternativas de rotas e eu não consegui achar um mapa do país que não fosse em cirílico. Pedalei em uma estrada movimentada, barulhenta, entre um corredor de floresta de coníferas que encobria o horizonte.Vista limitada, templo nublado, vento contra, relevo ondulado. Fui vencendo os quilômetros sem muita empolgação usando o excelente acostamento da via. Quase não fiz fotos. Pois não havia nada interessante para isso além de umas casas abandonadas com fachadas interessantes. Uma igreja aqui, outra ali. O legal que fui encontrado anfitriões pelo caminho. Acampei apenas uma vez, nos outros dias fiquei na casa dos locais, me infiltrando na cultura e quebrando o preconceito de que os russos são frios e não sorriem. Tudo bem que eles não são como nós, mas estão longe de ser aquele ser gélido, sem emoções, que os norte-americanos nos enfiaram goela abaixo.

Anastasiia e eu em Klin, Rússia.

Anastasiia e eu em Klin, Rússia.

Olya experimentando um filé à moda brasileira.

Olya experimentando um filé à moda brasileira. Tver, Rússia.

Em  Vyshny Volochyok, me encontrei com Alex, um membro do warmshowers que mora em Moscou. Ele veio pedalar comigo por dois dias. Aí foi legal! O tempo abriu e a temperatura subiu. Viajamos quase 200 km em dois dias por estradas secundárias, entre florestas, lagos, rios e vilarejos. Almoçamos com sua família em uma típica casa de campo onde passamos a noite entre seus familiares. Fui convidado para tomar um banho russo, ou banya. Algo parecido com uma sauna rústica. Relaxante e revigorante, comum em todas as casas de campo do país. Comida típica e deliciosa! Com destaque para o pimentão recheado de café da manhã. Um pimentão suave, que também é servido crú como salada. Fácil digestão. Quando como pimentão no Brasil, fico “conversando” com ele o dia todo. Com o pimentão russo não rola esse “bate-papo”.

Pimentão recheado no interior da Rússia.

Pimentão recheado no interior da Rússia.

Berries, frutinhas russas.

Berries, frutinhas russas.

Nesta época do ano as macieiras estão carregadas, e é possível achar vários tipos de frutas na beira da estrada. Morango silvestre, framboesa e vários tipos de “berries”.

Fazendo um lanche com Alex na beira da estrada. Rússia.

Fazendo um lanche com Alex na beira da estrada. Rússia.

Alex levando flores para a namorada. Rússia.

Alex levando flores para a namorada. Rússia.

No final do nosso segundo dia de pedal, nos encontramos com Alexey, outro membro do warmshowers que mora em uma pequena cidade chamada Bologoye. Ele também possui uma casa de campo onde fomos passar o dia com sua família. Churrasco e banya! Mais um dia perfeito.

Alexey na churrasqueira em um lindo dia de outono russo.

Alexey na churrasqueira em um lindo dia de outono russo.

Alexey e eu curtindo o Banya, típico banho russo.

Alexey e eu curtindo o Banya, típico banho russo.

Lindo entardecer em Bologoye, Rússia.

Lindo entardecer em Bologoye, Rússia.

Moscou: Apaixonei!

Meu vou de Nova Deli para Moscou atrasou 6h. Por conta disso, fiz um cansativo voo noturno chegando na capital da Russia com o dia amanhecendo. A fila da migração estava enorme. Levei quase duas horas para receber o carimbo no meu passaporte. Aí, peguei minha bagagem e fui fazer os procedimentos de praxe. Toda vez que mudo de país, troco o chip do celular, e troco ou saco uma grana. Esses procedimentos são fáceis, complicado mesmo é arrumar uma condução para me tirar do aeroporto. Ou é caro, no caso do táxi, que às vezes é pequeno demais para a caixa da bike, ou dá um trabalho danado, se decido usar o transporte público. Nesse caso, saio carregando aos trancos e barrancos toda minha parafernália. O ideal, é montar a bike e sair pedalando. Mas estava cansado e o aeroporto ficava a 64 km da casa de Nickolay, onde me hospedei durante os dias que fiquei na cidade.

Cheguei em sua casa 6:45h. Tirei o rapaz da cama, nos apresentamos. Agradeci e  ele me colocou em um apartamento vizinho ao dele, onde mora sua mãe e irmã, que estavam viajando de férias, e descansei, ou melhor, desmaiei até as 13h.

Nickolay é fanático por bicicletas. Possui várias de diferentes modelos. Depois de ajudar a desempacotar a minha bike, fizemos um tour pelas principais atrações de Moscou. Era domingo. Pouco trânsito. O que deixou o passeio ainda mais gostoso.

Conheci os principais pontos turístico da cidade. Quando voltamos para casa, já eram 2h da manhã.

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Catedral de São Basílio, Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Catedral de São Basílio, Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Catedral de São Basílio, Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Catedral de Cristo Salvador, Mascou, Russia.

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Visão noturna do Kremlin ao lado do Rio Moscou.

Moscou possui mais de 15 milhões de habitantes e se revelou muito diferente do que imaginava. Quando se pensa em Russia, é inevitável, pelo menos para mim, pensar em frio, comunismo e é claro, vodka. Esperava uma cidade cinza, com frota automobilística velha, cheia de “Lada” (marca de carro). No entanto, cheguei com um calor de 30°C, céu azul. A cidade é repleta de parques, praças e lagos. Super arborizada! Incrivelmente verde!Limpa, organizada. Carros novos, prédios com lindas fachadas coloridas e se tratando de verão, muita, mas muita gente nas ruas. E meu amigo! Que mulherada linda!!! Coisa de louco! Fiquei com dor no pescoço e me apaixonei em cada esquina! Mãos, pés, cabelos bem tratados! Corpo esbelto e olhos maravilhosos. Uma combinação que de todos os lugares que andei só conheci no Brasilzão de meu Deus! Ao lado de vocês brasileiras, as russas passaram a ser as minhas prediletas. Ai, ai… como é bom sentir um perfume feminino novamente!

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Centro de Exibições, Moscou, Russia.

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Igreja Santíssima Trindade, Moscou, Russia.

Continuei meu passeio por Moscou me deliciando com o visual. Sempre de bike. Cheguei no domingo, e já na terça-feira, Nickolay e o pessoal da Kapibike, bicicletaria que me ofereceu todo o apoio que precisei, organizaram uma mini palestra onde tive o prazer de compartilhar meu estilo de viagem. Fiz uma rápida apresentação em power point e falei quase duas horas para 9 pessoas. Foi muito legal! A turma gostou e para mim, foi legal recapitular algumas histórias.

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Foto pós palestra na Kapibike bicicletaria.

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Palestra improvisada na Kapibike Bicicletaria, Moscou.

A Praça Vermelha é a principal atração da cidade. Lá encontra-se a Catedral de São Basílico, o Kremelin, o mausoléu de Lenin, o museu histórico, e um sofisticado shopping de compras. A Catedral Ortodoxa de São Basílico é o símbolo da cidade. Construída em 1561, é Patrimônio Mundial da Unesco e sua arquitetura é única! Não existe nada similar no país. Parece um castelo de contos de fadas. Lembrei da historinha de João e Maria e fiquei com uma vontade danada de comer um docinho.

O Kremlin, residência oficial do presidente a mais de 2.000 anos, é uma fortaleza que abriga também museus, galerias, praças, monumentos e exibe uma arquitetura interessantíssima. Imperdível!

O museu possui quase 2 milhões de objetos entre relíquias pré-históricas, obras de artes como quadros, esculturas e tudo o mais. A sua fachada é lindíssima!

O mausoléu abriga o corpo embalsamado do mais importante nome e fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS (1922-1991). Aqui cabe um estudo mais detalhado aos interessados na história. O corpo de Lenin (Vladimir Ilyitch Ulianov) 1870-1922 – ainda é visitado por milhares de Russos todos os dias. Lenin foi um líder que combateu a opressão popular da época e por isso é tão querido pela população.

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Eu entre Catedral de São Basílio e Kremlin, Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Vista do Kremlin, Moscou.

Na verdade Moscou é um museu a céu aberto. Prédios com lindas fachadas, parques, igrejas, monumentos. Visitei também um centro de exibições, o teatro Bolshoi entre outras atrações. Não dá para falar de tudo por que se não o post fica enorme e ninguém lê… kkk Foram 6 dias completos na cidade e conheci muita coisa legal!

Uma delas por exemplo, que vale a pena relatar, são as estações de metrô. São mais de 180 estações divididas em 12 linhas. São um luxo! Mais parece um hall de hotel 5 estrelas. Passei uma manhã inteira me “perdendo” e conhecendo algumas das mais interessantes. Em alfabeto cirílico, é impossível decorar os nomes das estações de primeira e com isso fica fácil se perder. Rapaz! É uma confusão danada! Existem tour especializados. Mas no final, achei que valeu a pena o passeio solitário. A ideia das construções das estações foi em homenagem aos trabalhadores  que ali transitam todos os dias.

Ainda me referindo ao cirílico, a Russia é um dos poucos países que conheci que não traduz os rótulos dos produtos industrializados para o inglês. Rapaz! Comprei bombons pela figura estampada no saquinho. Pensei que era crocante, mas era de maçã com castanha de caju. É impossível entender os cardápios também! E aqui, além de não falarem o inglês, parece que sou desprezado a cada lugar que chego dizendo “hello”. Em alguns lugares, simplesmente me dão as costas. kkk Mas sou insistente e fico ali até ser atendido. Em uma padaria, a mocinha me fez esperar por quase 5 minutos, parado em frente do caixa. A padaria estava vazia e ela fingia arrumar os pães. Quando olhava para mim, eu levantava a mão com o indicador para cima e dizia algo sorrindo. Na quinta vez ela resolveu me atender. Foi engraçado!

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Estação de metrô de Komsomolskaya, Moscou, Russia.

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Estação de metô de Elektrozavosdskaya, Moscou.

Ainda estou em fase de adaptação. Já comi algumas coisas interessantes como bisteca de porco, kebab, algumas saladas, tortas e outros quitutes mais. Em breve dou mais detalhes. No dia do meu aniversário, fiz algo que há 7 meses não fazia. Comprei um baita filé e fiz acebolado! 575 gramas e 3 cebolas em rodelas! Comi tudo, ainda querendo mais! kkkk Me desculpe os que são, mas eu não aguentava mais ser vegetariano!