Bye Bye Grécia

Eu já estou na Turquia, mas vou fazer um resumo dos meus últimos dias de Grécia.

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Divisa entre Grécia e Turquia, 31° país do Projeto da China para Casa by Bike.

Depois do roubo das peças que conectam o bagageiro ao quadro da bike, fiquei preocupado com a improvisação. De um dos lados, um mecânico de motos conseguiu instalar um cano de alumínio que me pareceu bem resistente. No entanto, do outro lado, coloquei um pedaço de alumínio um tanto quanto frágil. Mas na verdade a adaptação correspondeu bem! Já pedalei mais de 500 km, e acho que o improviso vai acabar sendo definitivo. (Veja aqui como ficou a adaptação: https://atmagalhaes.wordpress.com/2016/03/13/roubaram-algumas-pecas-da-minha-bike/)

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A linda cidade de Kavala, onde as peças da bicicleta foram roubadas. Grécia.

Viajando em 3, conseguimos estabelecer uma rotina bastante interessante. Nos entrosamos bem! Não tivemos nenhuma discussão grave. Geralmente nos entendemos com uma conversa franca quando os pontos são divergentes ou quando temos que tomar uma decisão.

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No café da manhã ajustamos os planos para o dia, geralmente com um lindo visual. Eric, Marc e eu.Grécia.

Sem hora para acordar, inciamos o pedal perto das 11h, na parte mais quente do dia, depois de um reforçado café da manhã. Pão, queijo, manteiga, nutella, manteiga de amendoim, cereais, frutas, iogurte, café ou chá.

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Dia em que enfrentamos longas subidas e fortes ventos. Eric e Marc “no empenho”, nas montanhas da Grécia.

Durante o dia a temperatura varia entre 11 e 20° C, e o vento muda constantemente de direção, sempre em torno de 4 m/s. Quando está a favor, pedalamos cerca de 65 km por dia, quando está contra, a quilometragem fica em torno de 50 km. Sempre fazemos uma parada para comer alguma coisa e tomar um café. É assim que nos conectamos com os locais que sempre são hospitaleiros e prestativos com tudo que precisamos. Às vezes o café sai na faixa. Às vezes ganhamos umas guloseimas, almoço de verdade, ou um bocado de Uzo ou Raki, aguardentes tradicionais dos locais. Aliás o café sempre vem acompanhado com uma generosa dose de um deles! kkk… Um dia, logo depois do café da manhã, um homem, dono de um restaurante nos parou antes mesmo de completarmos o primeiro quilômetro. Fez a gentileza de nos oferecer um delicioso café grego na beira de uma linda praia, e de quebra trouxe uma dose 3 vezes maior que o café de Raki. Ufa! Foi difícil mandar o aguardente para dentro aquela hora da manhã! kkk… Mas mandamos ver! Afinal, cavalo dado… ninguém quer saber da hora! kkkkkk

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Café com Raki (aguardente local) oferecido pelo dono do restaurante em Paralia Ofriniou, Grécia.

 

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A local Ana, nos ofereceu refeição completa: Sopa, pão, suco e banana. Grécia.

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Porto de Alexandroupoli, Grécia.

 

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Ilha de Samothraki, Grécia.

 

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Acampamento na ilha de Samothraki, Grécia.

No final do dia, paramos em um mercado para fazer as comprar para o jantar. Sempre compramos somente aquilo que iremos consumir no jantar e café da manhã. Na maioria das vezes o rango é ótimo! Esbanjamos nas verduras e hortaliças. E nunca falta o que para mim os gregos tem de melhor: azeite, azeitonas, queijos fetas variados, berinjelas e abobrinhas. Como meus amigos preferem não comer carne, deixo para comer os deliciosos pratos com cordeiros e porcos quando vamos aos restaurantes. Foi nos restaurantes também que experimentei alguns peixes e frutos do mar, já que a minha sorte não está ajudando nas pescarias.

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Panceta de porco com fritas.

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Beringelas recheadas.

Em um dos nossos dias de folga, na Ilha de Samothraki, passei o dia todo tentando a sorte com a minha varinha… não deu nenhuma “beliscada”! Aí perdi a paciência, peguei uma rede que estava jogada no porto e fui buscar um típico peixinho da região, muito apreciado pelos locais, em um riacho que deságua no mar. Pegamos mais de 50! Foi a nossa mistura da noite!

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Peixinho grego muito parecido com a manjubinha. Ilha de Samothraki, Grécia.

Sempre buscamos um lugar com cobertura para podemos dormir sem precisar armar a barraca. Com a temperatura em torno de 5°C, meu saco de dormir é suficiente para aguentar o frio na rede. Eu particularmente gosto bastante de dormir na rede. Só montamos acampamento quando não temos opção. Às vezes a opção é um tanto quanto incomum, como casas abandonadas ou oficina mecânica por exemplo!

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Acampamento em Nea Chili, Grécia.

 

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Acampamento na Mesquita de Salmoni, Grécia.

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Casa abandonada na beira da estrada em Genisea, Grécia.

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Fugindo da chuva da noite em uma oficina mecânica. Feres, Grécia.

A Grécia só não vai levar a nota 10 devido ao episódio do roubo das peças da bike (e pelo mar que não tem peixe, já que a culpa nunca é do pescador, não é verdade? Quem pesca sabe disso! kkk…). Sei que isso pode acontecer em qualquer lugar, e acho que não dei muita sorte… Mas fica aí minha recomendação: A Grécia é um país maravilhoso com um povo super hospitaleiro… e a comida é dos Deuses!!!! Vale muito a pena pedalar e conhecer!

Vamos juntos para a Turquia! Não desse da garupa!

 

 

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Viagem solitária X Viagem acompanhado.

Como já aconteceu em algumas oportunidades nesses dois anos e quatro meses, minha viagem deixa de ser solitária por algum tempo, e com isso sofre alguns ajustes, e é claro, interferências, já que as decisões agora são tomadas em conjunto.

Quando estou só, tenho uma rotina estabelecida. Hora de acordar, o que comer, distância a percorrer no dia, hora para descansar e procurar um lugar para passar a noite e etc… Quando viajamos em grupo, todas as decisões são discutidas e negociadas, já que nem sempre todos possuem as mesmas vontades, opiniões ou pontos de vistas. Isso pode gerar alguns desgastes, principalmente depois que a empolgação do início passar.

Outro ponto a ser levado em consideração é sobre a quantidade de pessoas que conhecemos no caminho. Quando estou só, fico muito mais aberto e receptivo. É um tanto quanto inconsciente! Mas a quantidade de pessoas que converso é muito maior. O fato de viajar acompanhado, sempre tendo alguém para conversar, limita a interação com os locais e com isso diminui as chances de algo inesperado acontecer.

Quando viajamos em grupo, diminuímos o tempo que gastamos exercitando o autoconhecimento. Fica difícil manter uma conversa séria consigo mesmo. Por outro lado, nos descontraímos com piadas, e estamos mais suscetíveis a aprender e respeitar pontos de vistas diferentes dos nossos.

No meu caso específico, costumo me relacionar bem com as pessoas, e exercito bastante a minha tolerância e flexibilidade. Para mim, quase sempre, “quase tudo está bom”! No entanto confesso que existe momentos que não é fácil!

Quando viajo com a minha irmã Cynthia, por exemplo, tudo é muito mais fácil! Além de nos conhecermos muito bem, ela procura se encaixar á minha maneira de viajar. Na verdade, como temos muita coisa em comum, nós dois cedemos muito pouco! Existe harmonia! Só de olhar já sabemos o que o outro está pensando! E não tenho dúvida em afirmar que ganho muito mais do que perco quando estou com ela!

Quando viajo com pessoas que acabo de conhecer, de países e culturas diferentes, o diálogo e a negociação passam a ser vital! Eu encaro a minha viagem como trabalho! Estou aqui para curtir a vida, é verdade, mas tenho algumas obrigações para essa viagem fazer sentido para mim! Fazer boas fotos, colecionar receitas, conhecer lugares e principalmente pessoas! Tenho planos futuros que passam pelo dia a dia da minha viagem ao redor do mundo de bicicleta! Não é todo mundo que se encaixa na minha maneira de viajar.

No entanto, um pouco da minha experiência em aceitar ou não um convite para viajar, um bocadinho de sorte, e a boa vontade e compreensão dos novos parceiros, tem me oferecido a oportunidade ideal para seguir em meus objetivos em ótimas companhias, com mais humor e irreverência. Gostaria de agradecer aos meus parceiros de viagem, o carinho com que enxergaram meu projeto e pela oportunidade de aprendizado!

Muito obrigado!

 

 

 

De Atenas a Thessaloniki: pedal entres as duas maiores cidades gregas

Manhã ensolarada, sem vento, 16° C. Uma delícia para pedalar. Escolhi uma rota mais longa que me guiou pelos subúrbios, evitando ao máximo as movimentadas rodovias que normalmente cercam as grandes cidades. Com tempo de sobra para cumprir o objetivo do dia, pedalei sem pressa, fazendo várias paradas. Foi assim que deixei Atenas rumo a Thessaloniki, um trajeto de aproximadamente 600 km, que une as duas maiores cidades gregas.

Resolvi fazer esse trecho da maneira mais autônoma possível para aproveita ao máximo o contato com a natureza. Que aliás, é linda por aqui! Cozinhei a minha própria comida e usei e abusei da minha barraca ou das construções abandonadas para passar a noite.

 

Os agricultores gregos, protestando contra a economia e o governo, fecharam as principais rodovias do país, desviando o trânsito pesado para as estradinhas secundárias. Justamente aquelas que costumo pedalar. Com isso, fui obrigado a achar rotas ainda mais alternativas, onde quase não existe infra estrutura. Muitos bares, cafés, restaurantes e hotéis estavam fechadas nessa época de inverno.

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Protesto dos agricultores gregos que usaram seus maquinários para fechar as principais rodovias do país. Grécia

Embora com lindos visuais, essas estradinhas geralmente possuem uma altimetria muito mais pesada, exigindo ainda mais da minha forma física. Nos primeiros quatro dias o relevo judiou bastante, depois a coisa melhorou um pouco.

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Lago Marathon, Marathon, Grécia

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Hora do lanche e de aproveitar o visual. Grécia.

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Dia nublado na Grécia.

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Uma pequena parada para apreciar a vista, recuperar o fôlego e se abastecer de água antes de enfrentar uma dolorosa subida. Grécia.

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Lindo visual no cume de uma das montanhas na Grécia.

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Castelo na beira da estrada. Grécia.

Durante os 9 dias que gastei para fazer o percurso, com média de 66,22 km por dia, peguei 3 dias fortes de neblina e cerração, que coincidiram com o momento que estava passando pelo monte Olympus, e não pude apreciar sua linda formação e picos nevados. Já em Thessaloniki, o tempo voltou a abrir, e lá de longe pude ver a sua imponência.

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Thessaloniki, ao fundo o Monte Olympus, Grécia.

Em Thessaloniki, reencontrei meus dois amigos alemães, Eric e Marc. Aqueles que encontrei pouco antes do final do ano. Passamos o Natal e o Ano Novo juntos onde fizemos uma amizade forte e verdadeira. Estamos todos hospedados na casa de Maggi. Ela é local e já trabalhou com Marc na Alemanha. Maggi, além de nos ajudar com tudo que precisamos, ainda nos guiou no final de semana em um trekk pela base do Monte Olympus, onde tivemos a oportunidade de apreciar lindos visuais.

Alguns momentos com Marc, Eric e Maggi.

Aqui em Thessaloniki, inicie um tratamento dentário que vai me tomar 10 dias. Meus amigos Eric e Marc estão me aguardando e juntos seguiremos para Istambul.

E você! Aproveite a carona, sobe na garupa e vem com a gente!