Introdução

Ainda tenho gravado em minha retina a primeira vez que vi uma foto da montanha mais alta do mundo. Eu ainda era garoto, talvez uns 9 ou 10 anos. Não fazia a menor idéia da dimensão de 8848m. Meus pais haviam acabado de comprar uma importante enciclopédia para eu poder pesquisar os meus primeiros trabalhos de escola. Naquela época fazer pesquisas na internet era coisa do futuro.

A enciclopédia tomou toda estante de um armário de madeira marrom de uma das paredes da sala de visitas. Logo abaixo, um aparelho de som. Pela primeira vez, Rita Lee fazia um show na cidade. “Lança Perfume” tocava sem parar no radio. Ganhei um LP, não me lembro mais de quem, e quase furei o disco de tanto escutar enquanto percorria, folha por folha, os 15 volumes da enciclopédia. “Novo Tesouro da Juventude”. Como a primeira foto do Everest, me lembro de várias outras coisas. Vi pela primeira vez a Torre Eiffel, onde Alberto Santos Dumont fez seu vôo tão famoso (sonhos de menino… voar de avião…), vi o Grande Cânion, vi fotos do Alaska, o monte Fuji no Japão, as pirâmides do Egito, e como qualquer criança normal, guardei todas essas imagens, e muitas outras, em um cantinho muito privilegiado da minha consciência. Vira e mexe eu vou lá!

A verdade é que já faz muito tempo que não abro a enciclopédia. Todas as vezes que vou á Marília visitar meus pais, vejo sua imponência obsoleta na estante da sala. Lá no alto, onde ninguém alcança. Talvez tenha sido assim que tudo começou…

Nunca tive isso como obstinação. Nunca tracei meu caminho para um dia, quem sabe, conhecer o Everest. O Everest tinha para mim a mesma importância de conhecer qualquer outro lugar interessante da terra. Associar um lugar incomum com um desafio pessoal é o mais importante na minha maneira de viajar. Conhecer a Europa não é muito difícil. Difícil é viajar por 24 países durante seis meses, sozinho, com U$ 37 por dia e sem falar inglês. Bom, mas essa história eu já contei. E já fazia tempo que não fazia uma viagem dessas. Uma viagem que você guarda para a vida toda com o sentimento de ter sido uma das coisas mais emocionantes que fez na vida. Uma viagem que desperta o interesse de qualquer pessoa. Estava precisando mais uma vez, despejar um pouco de audácia, coragem e sentimento real em uma viagem. Fazer uma viagem que marcasse mais uma vez a minha personalidade. Uma viagem cheia de sentimentos e análises interiores. Estava precisando conversar comigo mesmo, reorganizar algumas idéias e mais do que tudo, buscar, se não o caminho certo da minha vida futura, a direção mais interessante para ser seguida.

Hoje o que eu quero da vida está mais claro. O que falta agora é achar um meio de buscar esse meu futuro. Vou buscando aos poucos, passo a passo, como nessa aventura que me mostrou que nada resiste ao “devagar e sempre”.

Um comentário em “Introdução

  1. Adriana disse:

    Adoro esta sua introdução às viagens através das enciclopédias!

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