Drakkars e Knorrs – as temíveis naus vikings

Drakkars - embarcação viking


No início da Idade Média, noruegueses e dinamarqueses desenvolveram um tipo de embarcação que só veio a ser superada cerca de seiscentos anos mais tarde pelos portugueses, com a invenção das Caravelas e Naus.
As embarcações vikings eram de dois tipos básicos: as de transporte e comércio; e as de guerra. Ambas tinham em comum o fato de serem longas, estreitas e com quilhas (parte de baixo do navio) que penetravam muito pouco na água, o que permitia navegar com estabilidade tanto no mar profundo, quanto em rios rasos, podendo chegar até a praia para que os guerreiros descessem e atacassem o lugar.
A diferença entre elas era que as embarcações destinadas à guerra, as chamadas drakkars, eram menores e mais estreitas que as mercantes e de transporte, chamadas knorrs – destinadas ao transporte de produtos, algumas vezes levavam até gado, além de transportarem as pessoas comuns que se mudavam para alguma das colônias recém estabelecidas.
Tantos as drakkars quanto as knorrs eram enfeitadas com cabeças de dragões ou serpentes em suas proas e com velas listradas (ou xadrezes) em misturas de verde, vermelho ou azul com branco. Nas drakkars, cada homem ia sentado em cima de um pacote contendo suas armas e armadura, e esse pacote lhe servia de banco. Cada um, também, tinha um remo, e o último homem era o encarregado do leme, que dava direção ao navio. Quando o navio estava para chegar ao local planejado, os homens desfaziam seus pacotes e se preparavam para o ataque. Cada drakkar transportava em média quarenta guerreiros; uma knorr transportava muito mais pessoas ainda. Foi graças as drakkars e as knorrs que os vikings conseguiram colonizar grande parte das ilhas Britânicas, assaltar a Europa e descobrir a Islândia, a Groenlândia e a América.

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OS VIKINGS

Não se sabe quando, exatamente, eles se fixaram no extremo Norte da Europa, nas penínsulas Escandinava e da Jutlândia. Entraram para a História com o nome de Vikings (mesmo sendo chamados de nórdicos ou normandos na época) mas não eram um único povo – distinguiam-se em três grupos bem definidos: os noruegueses, os dinamarqueses e os suecos.
Durante três séculos, entre 800 e 1100 d.C aproximadamente, eles protagonizaram a chamada “Era Viking”, atacando a Europa em sucessivas invasões que lhes renderam a imagem de bárbaros sanguinários, saqueadores impiedosos e pagãos, o que de fato, também, foram, mas não foram só isso. Conquistaram, fundaram e colonizaram povoados, revitalizando, em plena Idade Média, o comércio marítimo Europeu, ainda que temporariamente, com rotas através dos mares Báltico e do Norte, além de rios Europeus como o Ródano, o Reno, o Sena e o Tâmisa.
Em comum, esses três povos tinham a língua, o modo de vida e a religião nórdica, com preceitos tão avançados que só foram de novo pensados (ou copiados) no século 16, por Lutero e Calvino. Usavam as Runas (letras mágicas gravadas em pedras)como forma de adivinhação. Possuíam um apurado senso estético e viviam num peculiar regime democrático regido por assembléias populares, enquanto todo o resto do continente estava atolado no feudalismo. Eram comerciantes, agricultores e exímios artesãos, sabendo trabalhar a madeira, o marfim e o ferro muito bem.
Porém o que mais os distinguia era a maestria como construtores de navios, valendo-se de técnicas tão avançadas que só foram superadas pelos portugueses no século 15, ou seja, mais de quatrocentos anos depois. Construíam frotas de velozes e espaçosas embarcações, projetadas para o transporte de seus exércitos, e as usavam com velocidade e mobilidade. Foi esse prodígio náutico, insuperável na maior parte da Europa, que lhes deu decisivas vantagens em seus ataques em tão grande número de costas, e os transformou nos “Reis dos Sete Mares” que exploraram cada canto do Atlântico Norte e expandiram-se para bem longe – costearam toda a Europa rodeando as costas européias desceram os rios Dnieper e Volga e chegaram aos mares Mediterrâneo, Negro e Cáspio. Estiveram em Bagdá; criaram um reino na Ucrânia, e, navegando para Oeste, descobriram a Groenlândia, chegando ao continente norte-americano, onde estabeleceram um assentamento, cerca de 500 anos antes de Cristóvão Colombo.
Os barcos eram tão importantes na cultura nórdica que serviam de urna funerária para os grandes chefes. Graças a esse costume, que ajudou a preservar várias embarcações enterradas no solo fofo da Escandinávia, hoje se conhece bastante bem as técnicas de construção deles.

A História do bacalhau

Pela enorme fecundidade do bacalhau, não é difícil de se imaginar que, há 1000 anos atrás, fosse encontrado em altíssima quantidade em todo o Atlântico Norte. Possivelmente, também, ele tenha sido pescado por vários povos desde a Antiguidade. Mas, se é verdade, isso se perdeu no tempo. Não se sabe ao certo quando sua pesca começou.
O que se sabe, com certeza, é que esse peixe magnífico teve um papel crucial no desenvolvimento da nossa civilização, alimentando milhões de pessoas ao longo dos séculos e viabilizando, sobretudo, as expansões marítimas. Foi pescando bacalhau que reis portugueses treinaram os marinheiros que formaram as tripulações das caravelas lusas que desvendando os oceanos redesenhou o mapa do mundo da época. Mais ainda, transformou-se na dieta básica dos navegadores do século 16. Dele, dependeram algumas economias e formas de subsistência. Desencadeou guerras e revoluções e constituiu um dos motores da expansão européia na América, gerando os primeiros movimentos de colonização das futuras Províncias marítimas canadenses e da costa Leste americana. De fato, em parte, a colonização da América do Norte foi feita com sua preciosa contribuição nutritiva. Em torno dele se desenvolveram importantes indústrias tanto pesqueiras quanto de alimentos processados.

Pesca e processamento do bacalhau

O Bacalhau é facilmente capturado porque prefere águas rasas, raramente se aventura abaixo de 540 metros de profundidade, sendo encontrado a apenas 35 metros ou menos. Em períodos de reprodução, o peixe migra para águas ainda mais rasas e calmas perto da costa e desova em locais mais quentes. Divididos em subgrupos, os peixes se adaptam às condições das áreas em que vivem, podendo variar tanto a cor como o tamanho: no mar escuro próximo a Islândia, eles são marrons com manchas amarelas; mas em apenas dois dias nadando em um oceano iluminado, eles ficam tão claros que parecem até albinos. Conforme as condições do ambiente, variam do amarelo ao marrom ou do verde ao cinza.
O principal destino dos cardumes de bacalhau, quando chega à fase adulta, é o Arquipélago de Lofoten, região a noroeste do mar da Noruega, onde se realizam as maiores pescarias de bacalhau no mundo. A espécie mais comum é o chamado bacalhau do atlântico, que habita as costas da Noruega, Islândia, Groelândia, Mar de Barents, Labrador, Terra Nova, Nova Escócia e também as costas americanas. No Oceano Pacífico, podem-se encontrar outras variedades de bacalhau como o macrocephalus. A cidade de Aalesund, na Noruega, é conhecida como a capital mundial do bacalhau: nela se encontram as maiores indústrias de transformação e um dos principais portos de exportação.
Seu sabor inigualável e seu grande valor nutritivo são mantidos graças ao processo especial de salga e secagem, que tem o objetivo de retirar apenas a água do peixe, preservando suas proteínas, vitaminas e minerais.
No processo de salga, o bacalhau é colocado em tanques cobertos por quilos de sal e assim fica por cerca de quatro semanas. Durante as duas primeiras semanas o peixe fica em salmoura. Depois, é retirado, lavado e armazenado em paletes para permanecer mais uma ou duas semanas descansando em sal. Conforme o tamanho e a espessura do peixe, chega-se a trocar o sal mais de uma vez.
Finalizada essa etapa, o pescado vai para a secagem em câmaras de ar por dois a cinco dias. Depois, segue para o controle de qualidade para ser pesado, embalado e exportado em containers refrigerados entre 2º e 4º graus.
Todo o processamento do bacalhau é natural: não há uso de químicos e conservantes, o que permite a conservação integral de seus nutrientes.
(fonte: conselho norueguês da pesca)

Tipos de Bacalhau

Há mais de dez famílias de bacalhau, e mais de duzentas espécies. Quase todas vivem em águas salgadas e geladas no hemisfério Norte. Peixe da família dos gadídeos, o bacalhau é mundialmente conhecido como Cod e sua principal espécie utilizada para o consumo é o Cod Gadus morhua.
Vivendo em mares com temperaturas entre 1º e 10° graus, o bacalhau é habituado a permanecer sempre na mesma temperatura, por isso, viaja constantemente até encontrar águas ideais para sua sobrevivência. Em geral, é encontrado nos mares da Noruega, Rússia, Islândia, Canadá e Alasca. A espécie se destaca principalmente por ter rápido crescimento e fertilidade excepcional – as fêmeas chegam a colocar de 2 a 8 milhões de ovos por ano, conforme seu tamanho. A reprodução ocorre entre janeiro e abril e o principal local de desova é no Arquipélago de Lofoten, na região ao Noroeste do Mar da Noruega. Em média, o bacalhau pode viver de 20 a 30 anos.
Graças ao aperfeiçoamento contínuo da indústria pesqueira da Noruega, descobriu-se que, além do Cod Gadus morhua, existem mais quatro espécies de peixe adequadas à produção de bacalhau. Todas fazem parte da família dos gadídeos, mas cada uma mantém características próprias. Desses peixes aproveita-se praticamente tudo: sua carne é consumida fresca, salgada e seca ou defumada no mundo inteiro. As ovas também são consideradas iguarias; do fígado se extrai óleo e da bexiga se faz alguns tipos de cola.
BACALHAU COD GADUS MORHUA – Considerado o mais nobre bacalhau, esse tipo é pescado no Atlântico Norte e apresenta postas altas, largas e coloração palha e uniforme, quando salgado e seco. Depois de cozido, sua carne se desfaz em lascas claras e tenras.
BACALHAU COD GADUS MACROCEPHALUS – Comercializado no Brasil há cerca de dez anos, o macrocephalus também é conhecido como Bacalhau do Pacífico e, em comparação ao morhua, possui coloração levemente mais branca e sua carne não desmancha em lascas, mas pode ser facilmente desfiada.
PEIXE TIPO BACALHAU SAITHE – Possui sabor mais forte e coloração menos clara. Quando cozido, sua carne macia desfia com facilidade. É o tipo perfeito para preparar bolinhos, saladas e ensopados.
PEIXE TIPO BACALHAU LING – O mais estreito entre os peixes tipo bacalhau. Sua carne branca e apetitosa é perfeita para assados, cozidos e grelhados.
PEIXE TIPO BACALHAU ZARBO – É o menor entre os cinco peixes tipo bacalhau. É mais roliço do que o Ling e possui barbatana dorsal contínua. É ótimo para a preparação de pratos desfiados, caldos, pirões e bolinhos.
(fonte: conselho norueguês da pesca)

A origem do bacalhau

Originário das águas frias e límpidas dos mares que circulam o Pólo Norte, o bacalhau é um alimento milenar: registros mostram a existência de fábricas para seu processamento na Islândia e na Noruega desde o século IX. O mercador holandês Yapes Ypess foi o primeiro a fundar uma indústria de transformação na Noruega, por isso, é considerado o pai da comercialização do peixe industrializado. A partir de então, a demanda pelo peixe passou a crescer na Europa, América e África, o que proporcionou o aumento do número de barcos pesqueiros e de pequenas e médias indústrias pela costa norueguesa, transformando a Noruega no principal pólo mundial de pesca e exportação do bacalhau. Mas os grandes pioneiros no consumo do bacalhau são os Vikings que, ao descobrirem o peixe, passaram a secá-lo ao ar livre (na época o sal não existia) até endurecer – perdendo cerca da quinta parte de seu peso – para poder consumi-lo aos pedaços em suas longas viagens marítimas. Antes da industrialização do bacalhau, os bascos – cujo território atualmente está espalhado em províncias da Espanha e da França – já comercializavam o bacalhau. Como já conheciam o sal, eles começaram a salgar o pescado para aumentar sua durabilidade. O bacalhau passou a ser comercializado curado e salgado por volta do ano 1000. Os bascos expandiram o mercado do bacalhau, tornado-o um negócio internacional porque o sal não deixava que o peixe estragasse com facilidade. Quanto mais durável o produto, mais fácil era sua comercialização. Como a geladeira só foi inventada no século XX, os alimentos que estragavam rapidamente tinham comércio limitado. Então, já na idade medieval, o bacalhau ganhou o título de alimento durável e com sabor mais agradável que o dos outros pescados salgados. Para a população pobre que raramente podia comprar peixe fresco, o bacalhau era um prato “cheio” porque era barato e tinha alto valor nutritivo. A soberania da Igreja Católica foi outro facilitador para seu comércio: o catolicismo impunha dias de jejum – que compreendiam as sextas-feiras, os quarenta dias da quaresma e muitos outros dias do calendário cristão – nos quais se proibia a ingestão de comidas “quentes” como as carnes; somente as comidas “frias”, como os peixes, eram permitidas. Assim, a carne passou a ser proibida em quase metade dos dias do ano, e os dias de jejum acabaram se tornando dias de bacalhau salgado.

Arquipélago de Lofoten II

Lofoten


Com 1.227 km² de superfície total, rodeado pelas águas geladas do Mar da Noruega, na costa noroeste, o Arquipélago das Lofoten é um conjunto de ilhas de rochas vulcânicas escarpadas, que parecem brotar do fundo do mar e que se estendem ao longo de 300 km, formando um acolhedor golfo com a linha continental da costa.
Conhecido por sua excepcional beleza natural, permanece como um dos últimos e mais antigos redutos de pesca do bacalhau em todo o mundo, onde a presença desse habitante dos mares gélidos do Hemisfério Norte permanece abundante (os estoques de bacalhau dos mares do Canadá, Groenlândia e Islândia estão muito baixos). Há séculos, o bacalhau garante o sustento de famílias inteiras e a preservação de uma tradição milenar. Os poucos mais de 25 000 moradores, espalhados por dezenas de pequenas e bucólicas vilas, dedicam-se à pesca, ao processamento e à exportação do pescado fresco, seco, salgado e congelado, para mais de 200 países.
Em janeiro e fevereiro a temperatura média é de apenas -1°C, o que é quase calor para o ponto geográfico em que está. O verão propicia um bom cenário para o sol da meia-noite. A vila de Svolvær (na ilha de Austvågøy) tem 4.100 habitantes, é a principal e a mais cheia de turistas. Mais tranqüilo são outros vilarejos como Kabelvag (a 5 minutos de ônibus de Svolvær), Stamsund ou Å.
No mar de Lofoten está a maior barreira de corais do mundo em águas profundas (o Recife Røst, 40 km de comprimento) está situada à oeste de Røst uma vila com 617 habitantes (senso 2004).
A principal atração turística de Lofoten é sem dúvida a pesca de inverno cuja duração abrange os meses de janeiro a abril.