Já comeu cabeça de pato? Acredita que o bico é a melhor parte?

 

Um dos grandes baratos de viajar de bicicleta é passar por lugares fora do roteiro turístico, conhecer pessoas comuns, e as coisas que fazem parte do seu dia a dia. A gastronomia de Dongshan- Taiwan é muito simples, mas me revelou uma grande surpresa, cabeça de pato. Você já provou?

Já era fim de tarde quando cheguei em Dongshan District, pequena cidade de 23.000 habitantes na parte central de Taiwan. Uma feira ao longo da estrada que corta a cidade, que naquele trecho parece uma avenida, já sinalizava a forte influência rural. Pequenos produtores vendendo frutas, verduras, legumes, ovos, carne e muitos tipos de iguarias. As barraquinhas tomando boa parte da estrada, ou avenida, e as pessoas circulando, faziam os carros diminuir a velocidade, em um clima tranquilo, com um ventinho gostoso e muita sombra, já que o sol já se aproximava da linha do horizonte.

Feira de rua em Dongshan - Taiwan.

Feira de rua em Dongshan – Taiwan.

Antes de ir ao corpo de bombeiros para pedir alojamento, comi um milho verde e um delicioso melão. Experimentei também uma espécie de panqueca com sorvete, coentro, e paçoca ralada que é uma delícia. Minha bike encostada em uma mureta chamava atenção de todos que passavam, enquanto eu, sentado em uma deliciosa sombra, curtia o movimento e me deliciava com as guloseimas. Tinha muita coisa diferente, e quase todas as barraquinhas tinha fila de pessoas aguardando a vez para se deliciar.

Vendedora na feira de rua em Dongshan - Taiwan

Vendedora na feira de rua em Dongshan – Taiwan

No corpo de bombeiros fui muito bem recebido por todos. Ganhei um quarto só para mim, com ventilador e banheiro. River, era o único que falava inglês e o mais empolgado com a minha maneira de viajar. Enquanto tomava banho, ele navegou pelo meu blog e ficou ainda mais entusiasmado ao saber sobre a pegada gastronômica do meu projeto. Me contou que também gostava de cozinhar e que a cidade é grande produtora de patos e que muita gente de outras cidades vem comer o pato de Dongshan. Ele contou que as partes nobres do animal são vendidas enquanto que os produtores ficavam com as partes menos, digamos, atrativas, como miúdos, pés e cabeças. Aquela mesma relação de escravos e feijoada, manja?

Eu e River no corpo de bombeiros em Dongshan - Taiwan.

Eu e River no corpo de bombeiros em Dongshan – Taiwan.

Pois é!? Acabaram inventando uma maneira única de se preparar essas partes do pato e a cidade ficou famosa por isso. E é claro que aceitei o convite para experimentar.

Meia hora depois, dentro de um saquinho plástico, chegaram meia dúzia de cabeças de pato, alguns pés e algumas moelas.

Comecei pela moela. Me parecia mais familiar e eu adoro! Realmente uma delícia! Textura que conhecemos e um toque doce delicado, deixando um rastro picante que só aparece no final e permanece na boca. Muito bom mesmo!

Aí me pediram para deixar a cabeça para o final e me deram um pé!

Rapaz, eu gosto de pé, mas com a cabeça ali me chamando, não fiz muita questão de ir fundo e depois de duas bocadinhas dispensei e fui para a cabeça, que me parecia muito mais apetitosa! Só para relatar, o pé de pato é pior que o de galinha, a pouca pele e as membranas entre os dedos são mais rígidas.

Peguei a cabeça pelo bico sequinho (pensei: não vou sujar os dedos)… e comecei a destrinchar a parte oposta. Uma carne macia e deliciosa, derretendo na boca com as mesma característica doce e apimentada da moela… rapaz… que delícia! As partes iam se desfazendo na minha boca! Até o miolo (cérebro) eu comi com a boca cheia! Os ossos do pequeno crânio se destacavam com facilidade até que restou apenas o bico em minha mão… No instante que dispensei o bico no lixo já com o olho na outra cabeça, um sonoro NÃO, gritado por todos me assustou… O que foi que eu fiz? Não o quê? Vocês falaram que eu poderia comer todas!!!

_ O bico é a melhor parte!!!

Como assim?? É seco, duro, não tem carne!

Eu não poderia acreditar que o bico era comestível! Nunca passou pela minha cabeça comer o bico “duro” de um pato cheio de penas ( tentando achar uma justificativa) kkk! Pensei… o pé ainda vai… mas o bico!? Quem comeria?

Cabeça, pé e moela de pato em Dongshan - Taiwan

Cabeça, pé e moela de pato em Dongshan – Taiwan

Desconfiado, peguei a outra cabeça e mudei a estratégia (vou começar com o bico então…). Todos me olhando… e eu desconfiado destaquei o bico da cabeça. Aproveitei uma pequena fenda perto do buraco de uma das narinas e parti um pedaço… Opa! Não é duro como eu pensava… levei até boca… todos me olhando… um “crec” emanou da minha boca seguido por vários outros “crecs”… o meu olhar de desconfiança foi se transformando em um sorriso satisfeito e surpreso! Bicho, que delícia! Impressionante!!! O bico de pato é bom pra caramba!!! (E não tem penas, kkk). Crocante, como uma batata frita (elma ships), com a crocância um pouco mais prolongada… e o mesmo toque doce.

Um cabeça brilhante e uma cabeça de pato... kkkk Dongshan - Taiwan

Um cabeça brilhante e uma cabeça de pato… kkkk Dongshan – Taiwan

Vivendo e aprendendo! Eu nunca imaginei que o bico de pato fosse comestível, e muito menos que poderia ser tão bom!! E você, sabia? Legal, não é mesmo? Não desce da garupa que tem muito mais ainda por vir! A minha visita em Taiwan já está no final, mas o meu próximo destino também promete! Aguarde as novidades!!!

 

 

Bon appetit aos membros do Warm showers….

Estou usando e abusando do warm showers! Aquele site de hospedagem para ciclistas que já mencionei algumas vezes.

A logística é simples! Dias antes de chegar eu mando uma mensagem com algumas informações sobre mim e sobre o projeto da China para Casa by Bike e fico na torcida por uma resposta afirmativa. Vez ou outra não funciona… Algum ciclista chegou primeiro, ou o anfitrião não se encontra em casa ou simplesmente não obtenho resposta em tempo hábil… Mas no geral minhas investidas são aceitas e sou muito bem recebido!

O warm showers é legal porque a maioria dos anfitriões também viajam de bike e a sintonia é imediata! Eles sabem do que preciso, pois já viveram essa situação e as coisas se tornam bem mais fácil em comparação ao Couchsurfing por exemplo.

No geral, encontro lugar seguro para guardar a bike, máquina de lavar roupas, internet, cama confortável, boa comida e muito bate papo! É uma mistura de troca de conhecimento e algo mais, que só quem viaja de bike entende… Parece que já somos amigos de longa data e o papo rola solto… por todos os cantos e lugares do mundo… É uma delícia conversar e aprender com esse povo todo que encontro em minha jornada. Uns são vegetarianos, outros religiosos, tradicionais, modernos, alternativos… cada país com suas particularidades e variáveis… dentro de uma só cultura… interessantíssimo…

Vira e mexe, me convidam para cozinhar, e é claro que  eu aceito! Pois é uma ótima oportunidade de comer aquilo que eu adoro! Geralmente vou ao mercado, compro os ingredientes e aí… é só alegria!!! Mas estes mexilhões foram colhidos na hora!

Mexilhão ao creme.

Mexilhão ao creme.

Cozinhando na casa de Don. Westport - Nova Zelândia

Cozinhando na casa de Don. Westport – Nova Zelândia

Picadinho de filé

Picadinho de filé

Ceviche

Ceviche

Banana assada em dia de acampamento selvagem.

Banana assada em dia de acampamento selvagem.

Também encontro boa comida e gente que gosta de cozinhar… e a alegria é a mesma!!! kkkk

Ms. Glanys preparando curry de vegetais e grão de bico!

Ms. Glanys preparando curry de vegetais e grão de bico!

Schoot se deliciando com um hambúrguer.

Schoot se deliciando com um hambúrguer.

 

Dim Sum – Petisco Chinês

Dim Sum

Dim Sum

A principal razão que me levou a escolher o Sudeste Asiático como destino da minha cicloviagem foi a gastronomia. Com um cronograma mais flexível se comparado com a viagem da Noruega, vou atrás das melhores oportunidades de se infiltrar na cultura local através da comida. Em Hong Kong, onde inicio a viagem, meu desafio gastronômico é provar os deliciosos Dim Sum da cidade.

O Dim sum são pasteizinhos fritos ou cozidos no vapor, com diferentes recheios, servidos em pequenas porções em cestos de bambu ou travessas de porcelanas. A massa é feita de farinha ou amido de trigo, milho ou batata. Os recheios são de legumes, peixe, porco, frango com porco, pato com porco, frutos do mar com frango e por aí vai! As porções são sempre acompanhadas de chá, na maioria vermelho ou de jasmim.

O Dim Sum é para o chinês, o que a tapa é para o espanhol, o antepasto é para o italiano, ou o petisco é para o brasileiro. O Dim sum surgiu na China na época da seda, entre os séculos IX e X. Cansados, os mercadores que trabalhavam na Rota da Seda paravam em Casas de Chá para se recomporem. Os proprietários dos estabelecimentos logo ofereciam a iguaria como cortesia, agradecendo a preferência. Daí vem o nome Dim Sum, que traduzido significa “tocar o coração”.

Delícias do mundo: sashimi e língua de bacalhau

Deixei Vardo com destino a Komagvaer para pescar salmão em um dos melhores rios da região. O rio Komagelva é famoso e bem procurado pelos pescadores.
Ao chegar, comprei a licença nacional e a local. Uma paulada! Kr 620 (R$ 180) por apenas um dia de pesca. Na Noruega não existe pesca grátis em rios. No rio Komagelva só é permitido pescar com fly. Fly é aquele tipo de pesca que o pescador faz movimentos sincronizados com a vara para lançar a isca artificial supostamente onde está o peixe. Mariana, a filha de D. Eva, proprietária do café que comprei a licença, foi minha professora. Ela me ensinou os princípios básicos e depois lá fui eu tentar a sorte.

“O grande pescador”

É sempre mais indicado pescar quando a maré esta alta. Mas eu não quis saber. Pesquei praticamente o dia todo. Depois da aula, fui comer um lanche e corri para a beira do rio. Um vento gelado e eu lá, ziguezagueando minha vara tentando fazer o que Mariana me ensinara. Só parei de pescar quando comecei a tremer de frio por volta das 3h da madrugada. 9h já estava novamente no rio. Só parei para comer. O consolo foi que nem mesmo os mais experientes pescadores obtiveram sucesso.
Quando minha licença expirou, fui improvisar um sashimi na cabine de Asbjion, um dos mais tradicionais pescadores da região.

Sashimi na Noruega

Hoje pedalei até Vadso.

Igreja em Vadso

Enquanto fazia o check-in conheci a gerente do hotel. Ela ficou encantada com o projeto Noruega by Bike e me apresentou á Terje Baumann,o Chef que me convidou á sua cozinha para que acompanhasse o preparo do meu jantar.

Língua de bacalhau á moda do chef Terje Baumann

Delights of the world: sashimi and codfish tongue

I left Vardo to Komagvaer to fish salmon in one of the best rivers of the region. The river Komagelva is famous and very sought after by the fisherman.
By the time I got there I bought a local and a national license. Very expensive! Kr 620 (US$ 114.00) just for one day fishing. In Norway there’s no free fishing in rivers. In the river Komagelva there’s only permission for fly fishing. Fly fishing is that kind of fishing where the fisherman makes synchronized movements with the rod as to launch the artificial bait presumably in the spot where the fish is. Mariana, D. Eva’s daughter, owner of the cafe where I bought the license, was my teacher. She thought me the basic principles and there I went to try my luck.
It’s always best suited to go fishing when the tide is high. But I didn’t care. I fished almost all day long. After the class, I had a snack and ran to the riverbank. A cold wind and me swinging my rod from side to side trying to do what Mariana had thought me. I only stopped fishing when I started to shiver with cold at around 3am. At 9am I was back to the riverbank. I only stopped to eat. The consolation was that not even the most experienced fisherman were successful.
When my license expired, I improvised a sashimi in the cabin of the Asbjion, one of the most traditional fishermen of the region.
Today I pedaled to Vadso.
While I was making the check-in I met the hotel manager. She was enchanted with the Norway by Bike Project and introduced me to Terje Baumann, the Chef Who invited me to go to his kitchen to see him preparing my dinner.

16/06 – Dia de provar o maior caranguejo do mundo

As cervejas de ontem me fizeram dormir até as 10h.
Hans mora em um casa na beira da estrada construída logo depois da segunda guerra. O banheiro é do lado de fora, a água é bombeada manualmente. Hoje em dia já existe eletricidade, mas o sistema de aquecimento ainda permanece a moda antiga, com um aquecedor á lenha no canto da sala. Um lugar rústico com uma vista maravilhosa.

Vista da casa de Hans


Depois do café da manhã fomos á Skjervoy.

Skjervoy


Hans conseguiu permissão para visitar uma fabrica de bacalhau.

Bacalhau já lavado e sem cabeça


Bacalhau no início do processo de salga


Última etapa de salga


Em seguida fomos á empresa de Stein. Ele exporta frutos do mar para a Ásia.
Ele nos deu uma caixa com 3 Kamtsaka( King Crab). O maior caranguejo do mundo. Sensacional!

King Crab - o maior carangueijo do mundo.

June 16th – Day to taste the largest crab in the world

I slept until 10 am because of the beer from yesterday.
Hans lives in a house on the roadside. It was built after the second war. The bathroom is outside and the water is pumped manually. Nowadays there is electricity, but the heating system still remains in an old fashion way, with a wood heater in a corner of the room. The place is rustic and has a wonderful view.
After the breakfast we went to Skjervoy.
Hans got a license to visit a codfish factory.
Then we went to Stein’s company. He exports seafood to Asia.
He gave us a Box with 3 Kamtsaka( King Crab). The largest crab in the world. Sensational!

Comi carne de baleia no dia que completei 2 meses de estrada


Hoje completei dois meses na estrada. Na verdade nem parece… Passa muito rápido!
Estou em Tromso, a maior cidade do norte da Noruega. Devo ficar por aqui até segunda. Vou trocar algumas peças da La Macchina pela última vez. Já sinto os freios gastos e já é tempo de trocar a corrente.
Fui comer carne de baleia. Confesso que pela primeira vez na vida não me senti confortável fazendo uma refeição. Tenho adoração por baleias. Sou completamente contra a matança deste animal tão especial. Sei que é contraditório aos meus princípios. Como todo tipo de animais sem objeções. Mas com a carne de baleia foi diferente…
Sobre a carne, para quem não experimentou, ela é muito semelhante à carne de boi, em aparência, textura e sabor… Adorei! E ainda não sei se vou comer de novo se houver oportunidade…

Carne de baleia

On the day I turned 2 months of road I ate meat of whale.

I turned two months of road. In fact it doesn’t even look like…..Time goes by very fast!
I am in Tromso, the largest city in the North of Norway. I may stay here until Monday. I will replace some parts of La Macchina for the last time. I already feel the waste of the brakes and it is already time to change the chain.
I ate meat of whale. I must confess that for the first time in my life I didn’t feel comfortable making a meal. I adore whales. I am totally against the slaughter of such special animal. I know it’s contradictory to my principles. As it is with all kinds of animals, without objections. But with whale meat it is different…, the ones who haven’t tasted it yet, should know that it is very similar to beef, in appearance, texture, and taste…I loved it! But I am not sure if I will eat it again in case I have the opportunity…

Dia de descanso com churrasco de salmão com manga

Salmão com manga


Hoje passei o dia descansado na casa de Lúcia e Geir. Mais um casal de brasileira e norueguês que me recebeu muito bem.

Churrasco na casa de Lúcia e Geir


Fizemos um rápido passeio pela manhã e de tarde fizemos um churrasco de salmão com manga. O sol estava gostoso e lembrou um dia de Brasil.

A day to rest – Salmon with mango barbecue

Today I spent the day resting at Lucia’s and Geir’s . One more Brazilian and Norwegian couple by whom I have been so well received.
We went for a quick ride in the morning and made a delicious barbecue of salmon and mango in the afternoon. The sun was nice and remind me of a Brazilian Day.