6.000 KM SUDESTE ASIÁTICO – CICLOTURISMO MALÁSIA – VOLTA AO MUNDO DE BICICLETA

TEMPORADA MALÁSIA

EPISÓDIO #2

6.000 KM SUDESTE ASIÁTICO – CICLOTURISMO MALÁSIA – VOLTA AO MUNDO DE BICICLETA

Com 1,6 milhões de habitantes, mais de 7 milhões se considerar a Grande Kuala Lumpur, a capital da Malásia é muito parecida com São Paulo do ponto de vista de um ciclista.

Motoristas apressados, vias rápidas sem acostamento, e quase nenhuma estrutura para ciclista torna a cidade muito difícil para pedalar. Isso sem falar nos motoristas sem educação…

Chegar ao centro da cidade onde fica meu hotel foi uma verdadeira aventura. Por sorte, cheguei em um domingo a tarde quando o trânsito é mais calmo. O caminho que meu GPS indicou possuía apenas um pequeno trecho de ciclovia. Depois, tive que me aventurar por avenidas rápidas e interligações muito parecidas com as marginais de São Paulo. Em alguns trechos achei uma faixa exclusiva para motos. A velocidade média dos carros e motos são altas comparadas a outras cidades do sudeste asiático, me senti razoavelmente seguro apenas nas faixas exclusivas. Pedalar aqui me deixou tenso! É mais ou menos como pedalar em São Paulo, é preciso prestar muita atenção em tudo… Com o agravante de não conhecer o caminho.

Para se ter uma ideia, costumo fotografar ciclistas em todos os lugares por onde passo, seja pedalando ou circulando a pé pela cidade. Já estou na cidade a três dias e não consegui fotografar ninguém pedalando. O calor e as fortes chuvas estão atrapalhando bastante minha visita. Mesmo assim, consegui visitar alguns dos principais pontos turísticos da cidade, com destaque para as maiores torres gêmeas do mundo.

Localizada em um lugar estratégico no mapa, Melaka se tornou um importante entreposto portuário. O comércio impulsionou sua economia tornando-a próspera e uma importante base de expansão territorial na Índia Oriental (1400 dC). Colonizada por portugueses, holandeses e britânicos em épocas distintas, a cidade mistura uma arquitetura que lhe rendeu o título de Patrimônio Mundial da Unesco em 2008. Em meio a essa arquitetura, a cidade exibe um charme especial, com casarões coloridos em tons pastéis, lindas fachadas, bares, cafés e lojas sofisticadas.

As ruelas de Chinatown é o lugar mais animado da cidade. No fim da tarde, pelo menos aos domingos, dia que estava por lá, as ruelas são fechadas para os carros e o bairro vira um enorme restaurante a céu aberto. Os cheiros e as etnias se misturam… malaios, chineses, indianos e turistas de todo o mundo!

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BEM VINDO A MALÁSIA – CICLOTURISMO – VOLTA AO MUNDO DE BICICLETA

TEMPORADA MALÁSIA

EPISÓDIO #1

BEM VINDO A MALÁSIA

Influenciada basicamente por 3 grandes culturas, malaios muçulmanos(60%), chineses (25%) e indianos (10%), a Malásia foi um grande enigma para mim. Foi a primeira vez que visitei um país com maioria islâmica, embora os budistas e hindus também são muito presentes por aqui. Aliás, a diferença religiosa foi uma das maiores atrações do país. É comum chegar em algum lugar frequentado pelos 3 povos e consequentemente presenciar 3 culturas bem distintas que são fortemente embasadas na religião. No entanto, as vezes me surpreendi ao estacionar a bike e ver apenas um dos povos frequentando o local. Eu não sei, mas me parece que existe um certo distanciamento entre as culturas beirando a discriminação, tanto que as autoridades tentam censurar os debates religiosos para diminuir o fanatismo dos fiéis. Uma das ações recentes sobre o tema foi a tentativa do primeiro ministro em diminuir o som dos auto falantes das mesquitas. Isso gerou muita polemica lá! No mundo muçulmano, sexta-feira é o dia sagrado que equivale ao nosso domingo. Ou seja, todos vão a escola domingo enquanto sexta tudo esta fechado. Para um viajante com mais de 6 anos e meio de estrada, honestamente isso não faz muito diferença, mas é preciso ter conhecimento das regras locais. Outra dificuldade são os autofalantes das mesquitas que chamam os fiéis para as preces 5 vezes ao dia. Claro, isso não seria problema se a primeira chamada não fosse as 5h da manhã. As preces também regem o horário do comércio, por ex. Então é comum encontrar mercadinhos, lojas, restaurantes fechados quando os auto falantes estão pregando.

Desde o dia que entrei na Malásia, tinha como primeiro objetivo conhecer George Town, que está situada na Ilha de Penang. Fundada em 1786 pelos Britânicos, a cidade tornou se patrimônio mundial da Unesco graças a arquitetura remanescente do seu centrinho.

No caminho, descobri o brasileiro Leonardo Azevedo, carinhosamente chamado por Sarita, que já está por estas bandas á 8 anos. O Leo é preparador físico do Penang, time que disputa a primeira divisão do país. Foi o amigo Rene Duarte que nos apresentou. Nós 3 trabalhamos juntos na antiga Fórmula Academia, no entanto, o horário de trabalho distinto não permitiu que eu conhecesse o Leo naquela época. Acabei ficando em sua casa por alguns dias, e além de descansar, também me diverti cozinhando para sua família e amigos. Fui muito bem tratado pelo Leo e a esposa Mônica, e brinquei bastante com a Maia e Lara, que são gêmeas e na época tinha sete meses. Duas mesticinhas lindas que são a alegria da casa.

Sempre tento fazer uma comidinha para retribuir o carinho que recebo e creio que todos gostaram.

Foi aqui em George Town que troquei definitivamente a configuração da minha bicicleta. Como meu trailer já dava sinais que daria problemas em breve, decidi substituí-los pelos alforjes. Em breve vou contar os motivos reais que me levaram a essa decisão e quais as principais vantagens e desvantagens de viajar com trailer.

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O 1° PASSO É SEMPRE O PRÓXIMO! CICLOTURISMO TAILÂNDIA – VOLTA AO MUNDO DE BICICLETA

TEMPORADA TAILÂNDIA

EPISÓDIO #9

O 1° PASSO É SEMPRE P PRÓXIMO!

Sempre considero o primeiro passo, como o mais importante dos meus projetos! Nada acontece se não dermos o primeiro passo, não é verdade? E foi ele que me trouxe da China para Colômbia em bicicleta. No entanto, o dia a dia me ensinou, que o primeiro passo é sempre o próximo! Depois que atingimos ou conquistamos um objetivo, desfrute, celebre, e comece a planejar suas ações em busca da próxima etapa a ser alcançada.

Saí do Brasil para pedalar 6.000 km por 6 meses entre Hong Kong e Singapura. Me sentia pleno e feliz com a viagem e ao mesmo tempo angustiado com a aproximação do término da minha empreitada pela Ásia. A passagem da Cynthia pela viagem não só foi a mais divertida, mais a mais importante até aquele momento. Nossas conversas me conduziram a entender melhor quais eram meus medos verdadeiros, e o que implicaria a decisão de seguir em frente ou retornar para casa. Temos uma proximidade muito grande, ela me conhece muito bem, e na verdade, me incentivou a seguir adiante!

Quando a Cynthia foi embora, fiquei com a sensação de que ela acendeu o pavio e deixou a bomba em minhas mãos. Novamente sozinho, enquanto seguia rumo sul, pelas tranquilas estradinhas do sul tailandês, em um calor infernal, entre florestas húmidas que pareciam me cozinhar por dentro, suando pelas tampas , fiquei trocando uma ideia com meu “inquilino”, buscando respostas que me faziam sentido. Me refiro ao inquilino como aquele cara que conversa com você mesmo, manja?

E o meu inquilino empunha o lema de que para conquistar o que se almeja, é preciso abrir mão de muitas coisas! Mas acredito também que quanto mais importantes forem essas privações, maior será a motivação para buscar e a satisfação ao alcançar o objetivo.

Juntamente com essa aventura, tem a busca pelo meu melhor!

A principal religião praticada na Tailândia é o budismo, mas é notória a presença de mulçumanos no sul do país. Isso fica evidente com os minaretes das mesquitas e as vestimenta dos locais.

Existe 30 pontos fronteiriços para cruzar entre Tailândia e Malásia. Escolhi uma das menos movimentadas, usada mais por moradores de ambos os lados do que por turistas. Isso acaba sendo uma vantagem no processo migratório. A bicicleta cheia de alforje já seria suficiente, mas é a bandeira do Brasil que chama mais atenção, e a história do Rei, os dribles do Fenômeno, os gols do Romário e a tradição da Amarelinha, costumam aliviar a truculência dos agentes.

O momento de cruzar a fronteira sempre é meio tenso! Talvez a mais tensa tenha sido entre a Jordânia e a Palestina, ali no mar morto, em Jericó. Mas essa aqui foi bem tranquila! Até fiz amizade com os agentes e ganhei um refrigerante.

Para entrar na Malásia não é necessário visto. As exigências são: passaporte brasileiro com validade de 6 meses, e vacina contra febre amarela. A permissão tem prazo de 90 dias.

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O MELHOR DA TAILÂNDIA – KOH PHI PHI E MAYA BAY – CICLOTURISMO – VOLTA AO MUNDO DE BICICLETA

TEMPORADA TAILÂNDIA

EPISÓDIO #8

O MELHOR DA TAILÂNDIA – KOH PHI PHI E MAYA BAY – CICLOTURISMO – VOLTA AO MUNDO DE BICICLETA

Este é o 8 episódio da temporada Tailândia, o 4 país da minha volta ao mundo de bicicleta que já percorre desde 2013, 61 países e 65.000km, até eu ser bloqueado pela pandemia na Colômbia, bem no meio da cordilheira dos Andes. A ideia é voltar para San Jose de Isnos, resgatar minha bicicleta, e dar continuidade a viagem, assim que os números da pandemia melhorar. Neste episódio, minha irmã e eu, convidamos você para fazer um tour e conferir a magia, beleza e encantos de Koh Phi Phi, um paraíso que fica no Oceano Índico, mais precisamente no mar de Andamão. Foi em Koh Phi Phi, nosso destino favorito na Tailândia, na praia de Maya Bay que foi filmado o famoso filme “A Praia”, com Leonardo DiCaprio, (2000). Um lugar mágico, com águas mornas e cristalinas, protegida por penhascos íngremes e mata nativa.

Deixamos nossas bicicletas em Krabi, (cuja suas belezas você pode conhecer no episódio anterior), e seguimos de balsa por 2 horas pelas águas cristalinas do oceano índico até desembarcamos na na Baia de Ton Sai, o coração da ilha de Koh Phi Phi.

Tonsai é a parte mais habitada do arquipélago, onde encontra-se desde hotéis luxuosos até simples pousadinhas, lojas de souvenir, restaurantes sofisticados, comida de rua, barraquinhas de artesanato, estúdio de tatuagens e a maioria das agências de turismo. De dia, Tonsai possui um movimento relativamente tranquilo, principalmente depois da partida da ultima balsa em direção ao continente, mais tarde, os turistas começam a voltar dos passeios, e entopem as vielas do lugarejo em busca de um jantarzinho tranquilo ou de uma festa agitada, que é muito comum por aqui. Saímos parra um passeio para visitar Pileh Lagoon, Bamboo Island, , Loh Samah Bay, Nui Bay e Long Beach, cada prainha mais linda que a outra. Fizemos alguns mergulhos livres, sempre protegidos do mar aberto por paredões rochosos que despencam abruptamente nas águas mornas e cristalinas do mar de Andamão. A nota negativa, fica por conta da falta de cuidados com o meio ambiente e a a fauna local, onde os peixes são atraídos pelos nacos de pães oferecidos pelos guias, com a falta de cuidado com os corais que praticamente se extinguiram nos lugares mais visitados, ou mesmo pelos macacos, que são estimulados a roubar comida fácil dos turistas. Felizmente, essa falta de cuidado e percepção vem mudando. Devido ao turismo descontrolado, o governo decidiu fechar por tempo indeterminado a praia de Maya bay, que esta localizada dentro de uma reserva ambiental. Desde o lançamento do filme, 6 mil pessoas visitam o lugar todos os dias. Hoje, é impossível desembarcar na ilha. A Cynthia e eu demos sorte! Conseguimos visitar a praia mais bonita de nossas vidas, e tivemos a oportunidade única de passar a noite e amanhecer nesse paraíso. Fizemos um tour completo, que passa pela Caverna Viking, esculpida pela erosão da maré, durante milhares de anos, que é famosa pelas pinturas que relatam a presença humana a mais de 2000 anos, e porque serve de abrigo para uma colônia de pássaros cujo os ninhos são erguidos e solidificados com a própria saliva das aves. Os ninhos são uma espécie de iguaria que pode chegar a US$ 2.500 o kg. Seguimos nosso passeio para mais um rápido mergulho em Phi Leh Laggon e chegamos em May Bay perto do por do sol. Meia hora depois, éramos somente 13 turistas e 4 guias naquele paraíso. Ainda tivemos a oportunidade de mergulhar com os plânctons… uma experiência incrível, onde, em cada mergulho ou movimento na água, os plânctons se ativam, lembrando aquelas estrelinhas que surgem no rastro das fadas, tão singela e intensa ao mesmo tempo, que chega a emocionar. Passamos a noite em colchonetes espalhados pelo deck da embarcação. Ao acordar, voltamos a praia para acompanhar o sol surgir e colorir com cores vivas, os maravilhosos paredões que protegem a baia.

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