Veneza! Despedidas, comemoração, encontros, imprevistos…

Depois de me despedir do irmão Gian Luca e da D. Lea, seguimos em uma deliciosa manhã ensolarada na companhia de Marco, que nos guiou por estradinhas secundárias até Camacchio, conhecida como a “Pequena Veneza”.

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Eu, Marco e Jordi deixando Ravenna. Itália.

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Jordi e Marco a caminho de Camacchio. Itália.

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Camacchio. Itália.

Em Camacchio, almoçamos um arroz delicioso que D. Lea preparou carinhosamente para nós, tomamos um café e nos despedimos com um forte abraço. Uma despedida emocionante tanto para mim como para Marco. Vi lágrimas nos olhos do amigo e confesso que minha vista também embaçou! Vou sentir saudade do amigo! Mas estou certo que nos encontraremos novamente em breve!

Ainda pensando em tudo que aprendi com Marco e com as lembranças dos bons momentos que passei com sua família e amigos, rapidamente chegamos em Mesola. Mesola é minúscula e não foi difícil encontrar o padre que foi super gente boa! Nos acomodou na paróquia e nos ofereceu alguns enlatados para o jantar. Fiz uma gororoba com feijão, atum e tomates e uns temperinhos… Ficou bom pra burro!

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Cozinhando na Paróquia de Mesola. Itália.

No outro dia foi aniversário de Jordi. A ideia foi fazer um pedal tranquilo para comemorar. Optamos por atravessar algumas ilhas até chegar em Veneza ao invés de seguir pelo caminho tradicional. Da simpática Chioggia, onde nos abastecemos com pão, queijos, presuntos, salames, azeitonas, vinho e outras coisinhas mais, seguimos para a ilha de Palestrina. Na travessia conhecemos duas cicloturistas alemãs que digamos, deixou nossa festinha um pouco mais animada! kkk. Jéssica e Laura estavam no seu último dia de tour e também tinham algo para festejar. De noite, pegariam o trem para Munique.

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Chioggia. Itália.

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Em Chioggia, esperando a balsa para Palestrina.

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Comemorando o aniversário de Jordi com as cicloturistas alemãs Laura e Jessica. Ilha Palestrina. Itália.

Depois do lanche, no despedimos das amigas e seguimos em um delicioso pedal através da ilha , até o ponto para tomar uma nova balsa para a Ilha de Lido. Como o lanche foi mais demorado do que esperávamos, praticamente cortamos Lido sem parar. Mas não adiantou… o pneu de Jordi começou esvaziar e por poucos minutos perdemos a balsa até Veneza, nossa última travessia do dia. Jordi teve tempo de reparar o pneu e por incrível que pareça, encontramos mais duas cicloturistas alemãs. Como Laura e Jessica, elas também pegariam o trem noturno para Munique. Foi um encontro legal… mas tão rápido que os seus nomes se perderam na memória…

De certa forma o atraso foi bom! Conhecemos as alemãs e pudemos desfrutar de um belo pôr do sol em Veneza.

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Cicloturistas alemãs na travessia entre as Ilhas de Lido e Veneza. Itália.

 

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Veneza. Itália.

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Pôr do sol em Veneza. Itália.

Na balsa, notei que o pneu de Jordi havia abaixado novamente. Como já estava escurecendo, ele optou por não reparar o furo e ir enchendo o pneu toda vez que sentisse necessidade. Ainda tínhamos 11 km de pedal até Mestre, na parte continental da Itália, onde passaríamos a noite. Ouvimos o conselho das alemãs e atravessamos a movimentada ponte que liga Veneza ao continente pela passarela, que fica no sentido de quem chega na ilha, ou seja, no sentido oposto que seguíamos. Quando a ponte terminou nos vimos sem saída, pois não havia como continuar. Decidimos seguir pela beirada da pista, em uma pequena picada, com o guardrail (cerca de proteção) entre nós e a estrada. Chegou um ponto que não deu mais! Eu estava bravo por estar naquele lugar cheio de mosquitos e muito perigoso e já de noite. Em uma manobra que exigiu força, levantamos as bikes por cima da grade. A do Jordi foi fácil. A minha escorregou e o câmbio traseiro bateu com tudo. A gancheira, parte que conecta o câmbio traseiro na bicicleta entortou levemente e perdi as passagens de marcha. Fiquei ainda mais puto! Atravessamos a estrada, entramos em mais uma picada e finalmente conseguimos alcançar o lado certo da pista. Mas ainda tinha um tantão para pedalar na estrada movimentada e escura. Em uma pequena subida para cruzar uma ponte, Jordi se assustou com um trem urbano e ao me ultrapassar, seu pneu entrou no buraco do trilho e o desequilibrou. Um tombo bobo que rendeu um ralado no braço e no joelho aumentando ainda mais o nervosismo.

Jordi chegou no albergue empurrando a bike e nós dois com um “bico” deste tamanho! Depois do banho, já mais calmos, resolvemos dar sequência as comemorações dos seus 36 anos e fomos comer uma pizza.

Na manhã seguinte, fomos a uma bicicletaria onde pude dar um jeito na gancheira e no câmbio e Jordi repor a câmara de ar, antes de visitamos Veneza.

A cidade de Veneza é composta por um arquipélago com 117 ilhotas, separadas por pequenos canais usados por todos os tipos de embarcações que substituem os carros, e conectadas por inúmeras pontes, onde turistas do mundo inteiro se encantam com a arquitetura e as obras de arte espalhadas pelos palácios, largos, praças e ruelas, num ambiente que mescla romantismo, mistérios, agitação.

Com mais de 1000 anos, a cidade ostenta um legado histórico cultural  ímpar, sendo uma das cidades mais visitadas do mundo. O bacalhau, o arroz ou pasta com tinta de lulas, os peixes e frutos do mar em geral, são as melhores opções da gastronomia local.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

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Veneza. Itália.

Mais uma vez, recomendo um bom guia de viagens para melhor explorar a cidade. Para os cicloturistas fica o alerta de que as bicicletas são proibidas em Veneza. A melhor opção é buscar uma acomodação na Ilha de Lido ou em Mestre, e visitar a cidade a pé ou de barco. Eu optei por Mestre devido aos preços. Já Lido é uma ótima opção se estiver viajando em casal.

A Itália de bons amigos, lugares incríveis e gastronomia de dar água na boca!

Deixamos Roma em uma manhã ensolarada com temperatura muito agradável. Jordi, que havia pedalado comigo na Nova Zelândia, veio de Barcelona para me fazer companhia por alguns dias. Como já nos conhecíamos, foi fácil “achar” o ritmo da viagem. Nas duas primeiras noites, dormimos em duas paróquias. A Primeira foi em Sutre, onde encontrei um padre brasileiro. Já há muito tempo na Itália, Padre Fernando, nos ajudou cedendo uma sala da paróquia. A segunda foi em San Lourenço Novo. Tanto em San Lourenço como em Sutre, conseguimos achar bons restaurantes com preços justos. Estas cidades estão na rota de peregrinação chamada Via Francigena. Algumas igrejas  estão preparadas para acomodar os peregrinos enquanto os restaurantes oferecem o “menu do peregrino” com preços que variam entre 6 e 15 euros. A via Francigena foi uma importante estrada que ligava a Inglaterra a Roma, usada desde então por peregrinos que desejam visitar os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. A via corta vilas e paisagens incríveis!

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Paisagem da Via Francigena. Itália.

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Sutre . Itália

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Salão paroquial de Sutre. Itália.

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Via Francigena. Toscana. Itália.

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Bolsena – Itália

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Itália.

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Bem vindos a Toscana! Bar Paralelo 43. Itália.

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Via Francigena. Toscana. Itália.

Em Siena ficamos na casa do Carlinhos e da Valéria. O Carlinhos é primo do meu cunhado. Nos encontramos em Barcelona meses atrás e meio que deixamos certos minha passagem por lá. Infelizmente coincidiu com suas férias. O casal deixou tudo acertado e ficamos nas mãos carinhosa da D. Ciça, mãe da Valéria. D. Ciça nos recebeu com um sorriso daqueles que todos gostam de ganhar! Com simplicidade e a elegância de uma boa anfitriã, D. Ciça desfilou seus dotes culinários nos brindando com pratos deliciosos! Do brasileiríssimo arroz com feijão a uma belíssima pasta italiana, passando por sobremesas incríveis. Jordi, que teve o primeiro contato com a gastronomia brasileira ficou encantando com as mãos mágicas da nossa anfitriã! Tudo delicioso! D. Ciça também me presenteou com uma deliciosa receita que conecta as gastronomias brasileira e italiana. Sorvete de café! Nosso tão conhecido café com o melhor sorvete do mundo! Eu já provei! E vocês não perdem por esperar. Mais uma receita para o livro Da China para Casa by Bike!

Valéria emprestou seu carro para agilizarmos um tour pelas redondezas de Siena. Visitamos o Castelo de Monteriggioni e a lindíssima e sofisticada San Gimignano.

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Castelo de Monteriggioni. Toscana. Itália

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Castelo de Monteriggioni. Toscana. Itália.

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San Gimignano. Toscana. Itália.

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San Gimignano. Tosccana. Itália.

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San Gimignano. Toscana. Itália.

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San Gimignano. Toscana. Itália.

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Eu e a queridíssima D. Ciça. Siena. Itália.

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Piazza del Campo. Siena. Itália

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Catedral de Siena. Itália.

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Siena. Toscana. Itália.

Gostaria de deixar registrado aqui meus sinceros agradecimentos ao Carlinhos, Valéria e D. Ciça! Muitíssimo obrigado! Deixo um abraço também ao Wandré, neto da D. Ciça.

De Siena seguimos firmes para a bela Florença. Passamos a tarde na cidade. Visitamos os principais pontos turísticos e passamos a noite nos fundos de um posto de gasolina já na saída da cidade. As montanhas deste dia serviram de aquecimento para o que estava por vir.

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Siena – Florença. Toscana. Itália.

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Siena – Florença. Toscana. Itália.

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Florença. Itália

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Florença. Itália

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Florença. Itália.

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Terminando o dia com uma pizza. Florença. Itália.

Chegou a hora de cruzar os Apeninos, a mais importante cadeia montanhosa da Itália que se estende de norte a sul do país, por mais de 1000 km . Pela estrada SS 67, atravessamos o Passo del Muraglione, com 906 metros de altitude. A estrada também corta cidadezinhas charmosas, vinícolas, plantações de uva, florestas e um dos três parques nacionais da Toscana.

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Enfrentando o Apeninos em etapas. Hora de descansar. Estrada SS 67. Florença – Ravenna. Itália.

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Estrada SS 67. Próximo ao passo Del Muraglione. Apeninos, Toscana. Itália.

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Esse tonel entro no meu caminho… Itália.

Depois de escalar, veio um delicioso descidão que nos levou para a região de Emília-Romanha, mais precisamente em Ravenna, onde estou agora. Escolhi vir a Ravenna para encontrar Marco e alguns amigos que fiz na estrada. Para minha surpresa Matteo veio de Reggio Emilia, onde mora, para passar uns dias com a gente. De quebra, também revi Colin, que acabara de voltar de Honduras. Pedalei com eles na Austrália.

A identificação com Marco e seu parceiro Gio, que ainda está na estrada, foi imediata. Parecia chegar na casa de um velho amigo! Me senti super à vontade com toda sua família. A mãe de Marco, D. Lea, é uma fofa! Sorriso terno, gostoso, falando alto e gesticulando! Uma típica mama italiana. Daquelas donas de casa que não param um segundo. D. Lea esbanjou categoria na cozinha. Como se come na Itália, não! Além de pratos típicos, é uma fartura de queijos, presuntos e tudo quanto é tipo de frios! Perdição! O pai é mais tranquilão! Nas horas vagas é caçador de trufas. E o irmão Gian Luca é um bonachão! Cara legal, sempre sorridente e bem engraçado!

Foram dias super agradáveis com meus amigos. Teve uma baladinha de leve, praia, churrasquinho nas montanhas, e ótimos bate papos. Compartilhamos lembranças e nos divertimos com conversas e mais momentos que serão lembrados no futuro.

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Eu, Marco, Matteo e Jordi. Só cicloturistas! Ravenna. Itália

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Churrasquinho em Premilcoure. Toscana . Itália.

Além dos jantares em família na casa de Marco, fomos convidados pelos pais de Gio para um jantar. Ali, tive a certeza que a amizade que fiz com Marco e Gio será para sempre. Mais delícias gastronômicas italianas e ótimo papo! E é claro! Todo o carinho dos anfitriões. Saio de Ravenna com a certeza que verei todos novamente. Espero um dia poder retribuir um pouco do carinho que recebi aqui!

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Gian Luca (irmão de Marco), Matto, Jordi, Marco, D. Rita (mãe de Gio), Giulia (irmã de Matteo), Eu, Sr. Giordano (pai de Gio) e Valentina (irmã de Gio). Ravenna. Itália.

A mama de Marco e a mama de Gio.

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Exato lugar onde Marco e Gio iniciaram a Volta ao Mundo. Ravenna. Itália.

Daqui, sigo para Veneza, ainda com Jordi. Convido você para subir na garupa e vir com a gente! Aliás, clica o bontãozinho “seguir” lá em cima, do lado direito do blog. Além de saber das novidades em primeira mão, você ainda me dá uma forcinha aumentando o número de seguidores! Valeu e até Veneza!

 

 

 

 

 

Roma, belíssima!

Roma é sem dúvida umas das cidades mais fascinantes que já visitei! Um museu a céu aberto! Já havia visitado suas principais atrações anos atrás, e por isso, resolvi gastar meus dois dias caminhando pelas ruas, com a minha máquina fotográfica na mão. Não estava afim de enfrentar longas filas e gastar uma grana, para ver de novo o Museu do Vaticano, a Capela Sistina e o Coliseu, que para mim, são suas principais atrações. Se você não conhece, não perca! Mas posso afirmar que explorar a cidade caminhando vai te surpreender! Praças, largos, relíquias do império romano, arquitetura, igrejas, monumentos… em fim! Se “perder” nas ruas de Roma é fascinante!

Se tem intenção de visitar “A cidade eterna”, invista em um bom guia, prepare suas pernas e divirta-se!

Como estou na correria, sem tempo para escrever, termino esse post com alguns clicks da belíssima cidade de Roma.

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Basílica de São Pedro. Vaticano. Roma.

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Piazza del Popolo. Roma.

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Scalinata di Trinitá del Monti. Roma

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Fountain Trevi. Roma.

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Monumento a Vitor Emanuel. Piazza Venezia. Roma.

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Roma. Itália.

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Ruínas de Roma.

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Coliseu. Roma

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Roma

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Pantheon. Roma

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Porchetta. Típica iguaria de Roma. 

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Piazza Navona. Roma

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Roma

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Roma: a terra do sorvete!

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Castelo de Santo Ângelo. Roma

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Sanfoneiro em Roma

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Roma

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Roma

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Roma

 

 

 

 

Benvenuti in Italia

A minha viagem pela Itália começou com muitas surpresas, me mostrando um país diferente daquele que conheci anos atrás. É a magia da bicicleta me proporcionando novas experiências em um país que eu adoro! Antes, meu fascínio era pela gastronomia e pela suas atrações históricas. Agora, com a minha bicicleta, estou mais perto do italianos, coisa muito difícil de acontecer como um turista tradicional!

Como sempre faço, antes de chegar a um novo destino, recorro a minha agenda de contatos e geralmente recebo uma ajuda importante para a minha viagem. Dicas, alertas, informações das mais variadas e muito mais! Ainda na Austrália, dois anos atrás, conheci Marco e Gio que também estavam em volta ao mundo de bike. Aliás, Gio continua sua empreitada e já rodou mais de 50.000 km. Já Marco, foi fisgado pelo amor e resolveu ficar no Canadá. Os dois conectaram seus familiares e amigos e já estou recebendo os benefícios. Aqui em Roma, onde faço uma pequena pausa, estou hospedado na casa da namorada de Gio, Flávia.

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A vovó Teresa, Flávia e a mamãe Ornella. Recebendo o carinho das 3 gerações em Roma, Itália.

Durante os meu primeiros dias de pedal na Itália, fui forçado a parar por alguns dias em Mondragone, na região da Campania, a terra da mussarela de búfala. Que rapaz! É de chorar!!!!

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Mussarela de búfala com salada de tomates em Mondragone. Itália.

Uma antiga lesão na sola do pé esquerdo se manifestou novamente alguns dias atrás, me obrigando a baixar o selim da bicicleta para aliviar o contato com a região afetada. Essa manobra mudou a biomecânica da pedalada, resolvendo o problema do pé esquerdo, mas afetou outra antiga lesão no tornozelo direito. Quando atravessava as ruas de pedras de Nápoles, acabei exigindo muito e o tornozelo inchou bastante. Além disso, pedalei 113 km neste dia. Não me restou alternativas se não procurar uma pousadinha para melhor tratar a lesão.

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Rápida passagem por Nápoles, para provar a mais famosa pizza do Mundo! Margherita da Pizzaria da Michele. Nápoles.

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Nápoles.

Rapaz! E que surpresa boa tive em Mondragone! Nicola, Elena e o filho Paolo transformaram o quartinho dos fundos da casa na Pousada Verdemare. Eles acabaram se encantando com a minha viagem e me ajudaram muito! Além de um baita desconto, me convidaram a comer com eles, preparando pratos para lá de especiais!

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Elena e o filho Paolo preparando um delicioso prato com frutos do mar. Pousada Verdemare. Mondragone. Itália.

Uma outra surpresa legal neste início de viagem foi encontrar Paolo, um  cicloturista italiano de Turim, que fazia uma viagem entre Brindisi, ao sul da Itália, até Roma. Nos encontramos em Gaeta e pedalamos juntos por dois dias, até pertinho de Roma, quando ele teve que se apressar para não perder o trem até sua cidade natal. Foi uma pena sua viagem ter acabado! Fizemos uma rápida amizade! Ele se mostrou um cara bacana, companheiro!

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Mais um amigo! Obrigado Paolo!

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Eu, Paolo e Don Pier Luigi. Capela de Frasso, Itália.

Paolo tem uma carteirinha de peregrino e acabou me levando com ele até a Igreja de Frasso di Sonnino, onde pernoitamos. O Padre Pier Luigi nos tratou muito bem! Nos alojou em confortáveis suítes individuais com wi-fi, e não aceitou de forma alguma, a oferta voluntária de praxe que os peregrinos oferecem.

Um bom trecho dos 323 km entre Salerno e Roma, pedalei pela famosa Via Appia, uma das principais estrada da Roma Antiga. Sua construção foi iniciada em 312 a.C. É uma estrada relativamente plana, pelo menos no trecho que percorri, tornando se ondulada apenas nas proximidades de Roma. Cortando vários vilarejos e cidade, a estrada possui duas colunas de enormes árvores que a deixam ainda mais bela e ajuda a proteger do sol. Por outro lado, é uma estrada estreita, com tráfego relativamente pesado e um tanto quanto perigosa. Em alguns trechos, optei por pedalar em vias adjacente. O asfalto no sul da Itália é bastante  irregular ou esburacado, principalmente no entorno das cidades, exigindo bastante atenção.

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Via Appia. Itália.

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Via Appia. Itália

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Formia. Itália.

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Praia de Gaeta. Itália.

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Terracina. Itália.

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Terracina. Itália.

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Já provei vários tipos de uvas na beira da estrada! Época certa para visitar o país se for apaixonado por frutas como eu! Itália.

Já em Roma, visitei apenas o Vaticano que estava no caminho para a casa da Flávia. Hoje choveu bastante!

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E de repente o Vaticano aparece em meu caminho. Roma. Itália 

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Piazza San Pietro. Vaticano, Roma. Itália.

A última surpresa boa que compartilho com vocês ainda está por vir. Quem chega amanhã direto de Barcelona é meu amigo Jordi, que pedalou comigo na Nova Zelândia. A ideia é visitar Roma e seguir juntos rumo norte! Legal pra caramba! Baita surpresa!

E você, pega uma garupa com a gente e vamos juntos!

Uma travessia para ficar para a história!

A travessia de navio entre Tunes na Tunísia e Salerno na Itália, foi sem dúvida uma das mais bizarras viagens que já fiz em toda a minha vida.  E a história começou muito antes do navio zarpar.

Por € 162, comprei uma passagem que me deu direito a uma poltrona “luxo”, café da manhã, almoço e jantar, saindo as 17h e chegando ao meu destino 21h do outro dia. A Grimaldi Lines exige que seu check-in seja feito com 180 minutos de antecedência ( escrito no ticket), e as 14:10h, depois de pedalar forte contra o vento da casa da família Gaidi, que me hospedou carinhosamente, diga-se de passagem, cheguei ao porto completamente suado.

Enquanto desequipava minha bike para passar os alforjes no escâner, um aglomerado de curiosos me rodeou. Entre eles policiais da alfândega, que pareciam se revezar na tarefa de me perguntar de onde eu era e pedir meu passaporte. Na boa, 6 policias me abordaram no pequeno intervalo de tirar os alforjes, passar no escâner e recolocar na bike. Eu já comecei a ficar irritado… bom, mas vá lá! Não é todo dia que aparece cicloturista por lá. Consegui disfarçar bem a minha irritação e entrei no porto.

Fui direto fazer o check-in. 8 ou 10 pessoas na minha frente. Estacionei a bike ao lado da fila e ainda pingando, esperei pacientemente a minha vez. Aí, um espertinho da fila ao lado, entrou na minha frente, como se eu não estivesse ali! Rapaz, eu já estava com o pavio meio curto… fui logo dando um chega pra lá no rapaz! Folgado pra caramba meu! Ele ficou me olhando assustado e eu não quis nem saber… a mocinha atrás de mim falou umas poucas e boas pra ele!

O check-in foi rápido! E de lá me posicionei agora, na fila da migração, que deveria ter umas 20 pessoas na minha frente, e fiquei aguardando o portão abrir para carimbar o passaporte e fazer o embarque. 15:45 h o portão abriu… e meu amigo… pra que fila? A multidão, muito mais ágil do que eu com a bicicleta, simplesmente me ignorou e foi avançando. Percebi que era melhor esperar a avalanche e pacientemente esperei todo mundo passar. Engoli mais um sapo… mesmo assim achei melhor do que sair batendo boca com todo mundo… fui para o último lugar no Grid de Largada.

Nesse meio tempo, era criançada correndo pra lá e pra cá com as mães desesperadas correndo atrás… e aqui meu amigo, se a mãe ou o pai alcança a criança, é pancada na certa! A criança apanha pra valer! Sem dó! Tapa na cara, na cabeça, beliscões… Por pouco não me estressei com um pai que espancava os três filhos cujo o mais velho não passava de 6 anos. É a cultura… eu já havia presenciado essas senas durante a minha viagem… Mais tenho certeza que só de eu olhar para o pai ele se intimidou e parou de bater. Acho que ele se tocou… É difícil pra caramba ver adultos batendo em crianças, meu! Nessas, o meu pavio ia diminuindo…

Enquanto a fila andava morosamente, pude presenciar algumas cenas não muito comum nos setores de migrações que estive até agora. E não foram poucos. A Itália é 37⁰ país a ser visitado pelo Projeto da China para Casa by Bike. Uma dupla de policiais, um homem e uma mulher, fazia brincadeiras, digamos, um tanto quanto inapropriada para a ocasião e lugar. Posso dizer que parecia uma paquera dos filmes Loucademia de Polícia, manja!? O policial torcendo o braço da colega que se retorcia e tentava escapar, enquanto que ela, tentava um revide ameaçando com os joelhos o “documento” do valentão. E a fila ia andando… Lá no fundo, depois da migração, algumas malas eram escolhidas aleatoriamente para serem revistadas antes de passar no escâner. Um dos policiais, trabalhava fumando, e quando era preciso usar as duas mãos, ele levava o cigarro na boca,  que dançava de acordo com as palavras que ia soltando… Chegou a ser engraçado! Imagina o policial abrindo a bolsa da mulher com as duas mãos e perguntando se ela tem algo a declarar com o cigarro no meio do beiço… Só rindo mesmo!

Meu passaporte foi carimbado e chegou a minha vez de passar pela revista. Quando a policial viu aquele monte de malas penduradas na bike, fez uma baita cara de preguiça e me mandou seguir. Fui direto ao escâner e tive que mais uma vez, detalhe, com os mesmos policiais que estavam na primeira revista, desequipar a bicicleta e repetir o procedimento. Rapaz… quando eu estou colocando as minhas bagagens na esteira, você não acredita! Não é que a lazarenta da policial, a mesma das joelhadas, estava jogando no celular enquanto as malas passavam no escâner. Um olho no peixe e outro no gato… ela estava com um olho no monitor e o outro no joguinho do celular… Nem acreditei, ó! Brincadeira… Ainda pude perceber os vergões no antebraço da fela! Kkkk Foi demais!!!

Já dentro da embarcação, fui orientado a encostar a bike na amurada do navio e esperar para ser amarrada. Disseram que eu teria que esperar um funcionário trazer uma corda. Tudo bem! Achei um lugarzinho joia e fiquei ali conversando com dois funcionários hondurenhos e dois filipinos. Todos muitos simpáticos. Não teria problemas em ficar ali por mais meia hora se o gás carbônico exalado pelos motores dos caminhões que manobravam dentro do pátio do navio não começassem a me sufocar e fazer os olhos e o nariz arder. Dei um toque nos meus amigos que disseram que o chefe “maledeto” italiano não viria antes de acabar o procedimento com os caminhões, que já estava atrasado. Bom, depois de mais 10 minutos, atravessei a pista, busquei a corda e amarrei eu mesmo a bicicleta. Ele gritou qualquer coisa de longe e eu fingi não escutar. Aí, um dos hondurenhos veio e fingiu me ajudar, acenando para o “maledeto” que estava tudo legal!

Enquanto ia subindo do 3⁰, onde estacionei a bike, para o 5⁰ andar, local da seção das poltronas de luxo, fui notando que a embarcação estava praticamente vazia. Fato que não justificava minhas tentativas de encontrar passagem para os dias anteriores. Entre o dia 31 de agosto e hoje, dia 8 de setembro, quatro barcos zarparam para a Itália, todos lotados!

Mais um simpático hondurenho me recepcionou na porta da seção das poltronas de luxo. Já era 4 e lá vai pedrada! As poltronas são realmente confortáveis e espaçosas. Correspondem ao nome! 17:30 h perguntei ao funcionário se ele sabia o porquê do atraso. Ele disse: _Não amigo! Estamos no horário. A embarcação zarpa ás 20 h. O quê? Mostrei meu ticket para ele e e ele se espantou! _ Essa empresa é brincadeira! Completou!

Com a mudança de horário, fui ao solário fazer algumas ligações de agradecimento e pude observar a enorme fila de carros aguardando para embarcar! Estava explicado! A multidão estava por vir!!

E o navio foi enchendo! Quando voltei a minha poltrona, o ambiente de tranquilidade tinha desaparecido! Alguém aumentou o volume da TV, crianças chorando, um puta cheiro de comida subia dos tapwares, um calor que o ar condicionado não dava conta, pessoas gritando ao conversar no celular! E para piorar, meu assento ficou peto da entrada da seção, e todo mundo que não tinha poltrona reservada, queria dar o “migué” no paciente hondurenho, que calmamente explicava que ali era como nas cabines, era preciso fazer reserva e pagar por elas. O hondurenho deu uma aula de paciência! Enquanto os passageiros se esgoelavam, com as mais esfarrapadas desculpas para conseguir um lugar, chegando a xinga-lo e ameaça-lo, ele calmamente, e sem levantar a voz, explicava que só poderia entrar com a reserva! Teve uma hora que eu me levantei e tomei as dores do coitado! Eu não aguentava mais aquela ladainha e a tremenda falta de respeito! Gritei com dois sujeitos que peitavam o pobre porteiro! Aí os caras se intimidaram e se foram! Depois dessa minha reação, estreitamos os laços de amizade e pude conhecer alguns membros da tripulação. Ramon, o porteiro, contava minha intervenção para cada colega que passava por ali. Mais tarde, Victor, que trabalha no buffet, um dos companheiros de Ramon, me deu um upgrade no jantar com antepasto, e frutas. Victor já havia trabalhado em um cruzeiro no Brasil e toda vez que me encontrava gritava meu nome e soltava algumas palavras de baixo escalão, típicas daquelas que soltamos toda hora!

Bom, mas vamos voltar ao filme de terror! Por volta das 23:30 h o ambiente começou a se transformar. A zoada das crianças deram lugar a uma sinfonia de roncos terríveis! Na cara dura, reduzi o volume da TV, e Ramon, solidariamente, já havia aumentado a potência do ar condicionado. O cheiro de comida deu lugar ao de chulé! Aliás, fato marcante dos países muçulmanos! Nas mesquitas não é permitido entrar calçado, e o cheiro de chulé toma conta! Sem zoeira! É de impressionar! Quando viajei de ônibus foi a mesma coisa! Terrível!

Tudo conspirava contra o meu sono e eu não conseguia me “encaixar” na poltrona e dormir. Fui me irritando cada vez mais! E já com os nervos a flor da pele, resolvi levantar e dar um rolê pelo navio. As imagens vão falar por mim…

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Setor das poltronas de Luxo.

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Hall em frente a recepção.

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Corredor principal.

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Restaurante.

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Corredor lateral.

Ás 6:30 h o navio chegou a Palermo. Boa parte dos passageiros desembarcaram. O restante foi obrigado a passar pela migração, já que em Salerno não existe este procedimento. Aquela história de neguinho furando fila se repetiu! Mas o meu cansaço me impediu de relutar. Liguei o foda-se e esperei pacientemente a minha vez! Este procedimento foi feito em terra, obrigando todos a desembarcarem.

Ao retornar vi a quantidade de lixo e sujeira que os passageiros deixaram. Latas de refrigerante, garrafas de água, saco plástico dos mais variados, resto de comida! O navio estava um lixo! Um horror! O banheiro então… nem se fala! Os caras tiveram a moral de cagar fora do vazo, entupir o mictório com papel, fazendo-o transbordar e inundar de mijo o chão do banheiro! Cara, um nojo! Fiquei com raiva e com uma puta pena dos funcionários que começavam os trabalhos de limpeza!

Por volta das 11 h, partimos novamente e finalmente a viagem se tranquilizou… Só as crianças correndo pra lá e pra cá, deixando a pesada porta bater com força me irritou. Mas foi por meia hora. Estava tão cansado que dormi mesmo assim.

Como já havia recebido o carimbo em Palermo, o desembarque foi tranquilo! O único problema foi o horário. Já passava das 21 h. Minha estratégia foi pedalar até encontrar um puxadinho para armar a minha rede.

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Garagem onde passei minha primeira noite na Itália. Cava de Tirreni.

Eu continuo recomendando fazer cicloturismo na Tunísia! Mas se sua ideia é atravessar o Mar Mediterrâneo, prepare-se muito bem e relaxe, ou reserve uma cabine!

Já passou! Vamos embora! Sobe na garupa que é hora de explorar a Itália!

 

 

 

 

 

Tunísia: Um lugar inesquecível

Minha viagem de bicicleta pela Tunísia teve tudo que uma aventura pode oferecer! Lugares de tirar o fôlego, diversão, encontros inesquecíveis, amizade, imprevistos e improvisos e um verdadeiro mergulho na gastronomia e cultura local.

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Sra. Zribi, nossa querida anfitriã em Mareth. Tunísia.

Entre a Ilha de Djerba e Tunes, foram 700 km em 9 dias de sol forte, hora com vento contra hora com ele nos ajudando, sempre em um terreno relativamente plano. Pegamos um pouco de subidas apenas no último dia. Adotamos a estratégia de acordar cedo e fazer uma longa parada no horário mais quente do dia, para voltar a pedalar no fim de tarde. Mas na maioria dos dias, nos atrasamos um pouco e pedalamos na boca da noite, exigindo ascender os faróis da bicicleta. As estradas na Tunísia não são lá tão seguras. Geralmente são estreitas, com acostamento irregular, nos obrigando a pedalar na margem da estrada. Por outro lado, o trânsito é moderado ou baixo.

A estrutura é boa. Existe muitas vilas ao longo do caminho e não existe a necessidade de carregar muitos suprimentos. Como estava com Samir, não tivemos problemas de comunicação, mas vale lembrar que o segundo idioma na Tunísia é o francês. No interior, é raro encontrar alguém que fale inglês, assim como banheiro com papel higiênico. Um caninho com água e as mãos fazem as vezes do papel.

Samir foi um parceiro incrível! Cuidadoso e sempre disposto a mostrar o que seu povo e país tem de melhor, meu novo amigo de 53 anos, que faz aniversário no mesmo dia que eu, não poupou esforços para me colocar em contato direto com o povo local e as principais atrações turísticas do nosso roteiro. Me mostrou coisas que passariam despercebidas se eu estivesse sozinho e teve muita paciência em sanar toda a minha curiosidade, já que seu inglês é limitado. Pude perceber o quanto ele é querido pelos seus amigos que nos receberam em suas casas. Notei sua preocupação com os animais, crianças e o meio ambiente. Religioso, sempre faz 5 orações por dia.

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Samir em uma das 5 orações que faz por dia. Tunísia.

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Família do Sr. Ali. Mareth. Tunísia.

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Recebendo o carinho da Sra. Zibri. Mareth. Tunísia.

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Delicioso jantar na casa da família Amorri que nos recebeu em Gabés. Tunísia.

Nas paradas, Samir se apresentava dizendo de onde vínhamos de bike, e falava um pouco sobre mim, sensibilizando e ganhando a simpatia dos locais, que muitas vezes nos ajudaram inesperadamente. Um lugar para passar a noite, uma água bem gelada, uma fruta, pão, cafezinho, ou simplesmente uma pose para foto! Um dia, já escurecendo, Samir pediu permissão para acampar ao dono de um café, bem ao lado da estrada. O dono sem cerimônias, permitiu na hora! Aí, papo vai e papo vem, depois de meia hora, além da permissão de cozinhar, o dono ofereceu o interior do bar para passarmos a noite. Samir é aquele cara que chega de mansinho e vai conquistando todo mundo! Lembra uma pessoa muito querida que eu chamo de pai.

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Samir e o Sr. Mohammed, dono do café em Skhira. Tunísia.

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Samir fazendo amizade em uma de nossas paradas. Tunísia.

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Samir fazendo mais amigos… Tunísia.

Teve um dia, que estava calor pacas, e não achávamos uma sombra sequer para esfrias os miolos. Avistamos uma mesquita! Bastou ele explicar ao Imame (pregador da mesquita) quem éramos e o que estávamos fazendo, que fomos convidados a tomar banho e descansar na refrescante atmosfera do interior da mesquita. Fato que não é comum por aqui! Em geral, só os muçulmanos podem entrar nas mesquitas.

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Eu e Samir com o Imame e as crianças em frente a mesquita em que descansamos. Tunísia.

Dormimos dentro de casa apenas uma vez, com a família Amorri. Acampamos na praia e  jardins, dormimos na beira de estrada, construções inacabadas, dentro de um bar e quintal de locais. A temperatura de noite é super agradável, e com a certeza de que nunca chove nesta época do ano, minha rede ganhou preferência.

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Levantando acampamento em El Jem. Tunísia.

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Acampamento na praia em Hammamet. Tunísia.

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Em Rtbia, dormimos no quintal de locais. Tunísia.

De todos os pontos turísticos que vi, o que mais impressionou foi o Anfiteatro Romano de El Jem. Construído no século III (230 a 238 d. C.) por Gordian, com capacidade para 35 mil espectadores, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1979. O anfiteatro tem a fama de ser o segundo maior e o mais bem conservado do mundo.

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Anfiteatro Romano em El Jem, Tunísia

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Anfiteatro Romano em El Jem, Tunísia.

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Anfiteatro Romano em El Jem, Tunísia.

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Anfiteatro Romano em El Jem, Tunísia.

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Anfiteatro Romano em El Jem,Tunísia.

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Anfiteatro Romano em El Jem, Tunísia.

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Gladiador no Anfiteatro Romano em El Jem, Tunísia.

A surpresa negativa da nossa viagem foi em relação ao pneu traseiro da bicicleta. Quando ele murchou pela primeira vez, não reparei que o problema era causado pela fita protetora que fica entre o pneu e a câmara. Percebi que a câmara de ar estava rachada, e não furada. Associei o fato a sua idade, já que ultrapassava os 30.000 km rodado. Só percebi na segunda vez que o pneu murchou! E aí dei azar, pois as minhas duas câmaras reservas estavam com problemas. A nova, que nunca havia usado, apresentou problema na válvula, e a outra, já remendada, vazou no remendo. O resultado disso foi muita encheção de saco e três trocas em 24 horas.

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Imprevisto de viagem… Ehhh laiá!!! 3 reparos em 24h…. Tunísia.

A forte influência da colonização francesa deixou heranças na arquitetura e na língua falada. No entanto, sua gastronomia rústica, provém dos Magrebinos, ou seja, de países do norte da África, como Marrocos, Argélia e Líbia. O cuscuz é muito apreciado, sempre servido com verduras, peixes, frutos do mar, frango, carneiro ou boi, com um molho de tomates e especiarias.

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Delicioso cuscuz com carne de cordeiro na casa do Sr. Ali. Mareth, Tunísia.

Também encontrei uma salada típica com cebola, tomate, pimentões verdes temperada com limão e azeite. A gastronomia italiana marca presença com os internacionais espaguetes e lasanhas. Todo restaurante serve espaguete com molho de tomates e Harissa, uma deliciosa pasta de pimenta piripiri ardente e espessa, frescas ou defumadas, com aparência do nosso extrato de tomates. Também é servida como entrada com azeite e em pequenas porções em quase todos os pratos.

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Fábrica de Harissa, típico condimento local. Tunísia.

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Senhoras trabalhadoras na fábrica de Harissa. Tunísia.

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Samir com as fieiras de pimentas defumadas na fábrica de Harissa. Tunísia.

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Aprendendo a colocar as pimentas nas fieiras para serem defumadas na fábrica de Harissa. Tunísia.

Outra salada muito comum por aqui é Mechouia, com pimentões e berinjelas grelhadas nas versões levemente e absurdamente picantes. É o “primeiro prato” mais comum, pelo menos por onde passei.

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Mechouia – Salada típica da Tunísia.

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Típica venda de especiarias. Tunísia.

Aliás, tudo é muito temperado e as especiarias levam destaque em tudo, principalmente o cominho, coentro e o cúrcuma. O cravo, a pimenta da Jamaica, canela, gengibre (geralmente em pó) e a pimenta caiena também são usadas em abundância. Na verdade o que rola é um “garam masala” (mistura de especiarias moídas indiana) que aqui tem características parecidas e leva o nome de “ras ranut”. A quantidade de ingredientes na confecção do “ras ranut” varia de família para família e por isso é quase impossível comer dois cuscuz iguais, por exemplo.

O azeite, as azeitonas, as tâmaras e as frutas frescas como uvas, melões, melancias, figos e pêssegos completaram as nossas refeições. A novidade em relação as frutas foi a fruta do cactos, que são abundantes nessa época do ano. São levemente adocicadas e cheia de sementes… assim como as goiabas, só que diferentes… kkkk. Tem um gosto suave, lembram o perfume de flor.

Samir com a fruta do cactos já descascadas.

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Sempre rolou uma paradinha para as frutas. Tunísia

Como estávamos na maioria do tempo no litoral, demos preferência aos pescados, hora cozinhando, hora comendo em pequenos restaurantes.

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Rolou peixes e legumes grelhados em dia de acampamento. Tunísia.

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Cabeça de peixe ensopado. Iguaria típica da Ilha de Djerba. Tunísia.

 

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Dourada grelhada. Tunísia.

Também é muito comum sentir o cheiro dos pimentões que vem dos fogões dos locais. Eles são geralmente grelhados e estão em todas as refeições nesta época do ano. O churrasco de cordeiro também é muito apreciado. O detalhe que chama atenção são os animais pendurados em frente aos restaurantes. Eles são destrinchados na hora de ir para o fogo. Carne mal passada por aqui não rola! Nem precisa falar o porquê, não é mesmo!

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Pimentões grelhados em casa de locais. Tunísia.

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Churrasqueiro orgulhosos em frente a um típico restaurante de beira de estrada na Tunísia.

Em Tunes, tiramos a tradicional foto de chegada no marco zero da cidade, onde fomos acolhidos pelos amigos de Samir. Seif e Mannoubi, dois jovens aventureiros geólogos, nos providenciaram acomodação, lugar para eu guardar a bike enquanto espero o dia do meu embarque para a Itália e organizaram um mini apresentação, com meia dúzia de amigos, onde pude mostrar um pouco da minha viagem em um café no centro de Tunes.

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Minha viagem de bike com Samir chegou ao fim! Torre do relógio em Tunes. Tunísia.

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Os amigos Mannoubi (na direção) e Seif, que nos ajudaram em tudo que precisamos em Tunes. Tunísia.

 

E depois da apresentação, levei um grande susto! Nos despedimos dos amigos e seguimos pedalando para o albergue, cerca de 10 km do centro da cidade. Mais ou menos na metade do caminho, notei que havia esquecido a minha mochila com o computador, gps e outras coisitas mais! Rapaz, que desespero! Partes das minhas fotos sem backups!!!! O prejuízo que teria para repor os perdidos… Voltei rasgando para o café… que já estava fechado! Samir chegou alguns minutos depois enquanto eu tentava explicar para o segurança do hotel ao lado o que havia rolado… O cara com um puta pouco caso… me dando as costa e sem a menor vontade de ajudar. Samir falou com um guarda que pediu para irmos a delegacia fazer uma ocorrência…  Não vai rolar!!! Cara, passou apenas 20 minutos… precisamos achar o segurança que havia nos pedido para deixar o estabelecimento. Só nós estávamos no bar. As luzes apagadas… dificilmente alguém conseguiria avistar a bolsa preta do lado de fora. As coisas começaram a mudar quando mais uma vez a minha história de estar viajando o mundo de bike, com todas as fotos e registros no computador, sensibilizou o chefe dos policiais. Ele começou a disparar ordens e desapareceu por 2 minutos. Voltou com o fone do segurança do café, o mesmo que havia pedido para sairmos. Bingo!!!! O cara guardou a mochila!!! Não me contive de felicidade e dei um baita abraço no cara! Que alívio!!! Nem me incomodei em morrer com uma grana para recompensar o carinha!!! Era minhas coisas de volta! Mais que o material, que poderia ser restabelecido, o prejuízo emocional certamente me derrubaria por vários dias…

O segurança do café com a minha mochila e o policial amigo entre eu e Samir, no bairro Medina em Tunes. Tunísia.

Minha viagem para Itália é somente no dia 8, pois não encontrei passagem antes. Com uma semana de folga, aceitei o convite do incrível amigo Samir e retornei a Djerba para descansar e poder planejar a minha próxima perna da viagem.

Queria deixar registrado aqui, todo o meu agradecimento a Samir, sua esposa Latifa e seu filho Hakim, que desde o primeiro momento que nos encontramos, não pouparam esforços para me fazer sentir em casa, providenciando tudo aquilo que precisei e mais um pouco! Samir é mais um amigo que fiz para vida toda! Vou ficar muito contente se um dia tiver a oportunidade de retribuir todo o carinho que recebi! Muito obrigado Samir, Latifa e Hakim… espero vocês no Brasil!