O incrível deserto do Sinai no Egito.

Logo ao cruzar a fronteira entre Israel e Egito, e pagar tudo quanto são taxas… deparei me ao longo da estrada com dezenas de hotéis abandonados, o que aumentou ainda mais o meu alerta com relação aos terroristas. A estrada é linda, com visuais incríveis!  No entanto possui pouco movimento, longas subidas e alguns longos trechos sem asfalto. O sol cozinhava meus miolos… e eu só pensava em achar um lugar para me proteger da parte mais quente do dia! Ufa! Depois de uma curva em aclive, achei! Um posto de gasolina praticamente abandonado! Apenas dois funcionários que não falavam inglês. Foram simpáticos, me ofereceram um sofá onde pude descansar e comer com tranquilidade.

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Fronteira entre Israel e Egito ainda de madrugada. Taba border, Egito.

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Castelo egípcio no Mar Vermelho. Egito.

O primeiro contato com o Egito me deixou preocupado! Aqueles hotéis as moscas representavam um lugar que já havia sido próspero em turismo, mas que com as incidências de terrorismo, sofreu uma enorme debandada! Com a debandada, além dos grandes hotéis, pequenos comerciantes e pousadas também fecharam as portas. E com isso, cada vez mais, menos pessoas visitam o Sinai, e é claro, menos estrutura para um pobre ciclista mortal! Durante as 5 horas que fiquei no posto, apenas 5 carros vieram abastecer, sendo que 4 deles de uma empreiteira local.

Os conflitos abalaram significativamente a economia não apenas do Sinai, mas de todo o Egito. A maioria da população do Sinai é composta por beduínos, que deslumbraram por um tempo, todos os benefícios que o turismo traz a uma região, deixando de lado suas origens. Agora, os beduínos encontram bastante dificuldade em voltar a difícil labuta do dia-a-dia de outrora, e se agarram a esperança de que tudo vai voltar ao normal um dia! Quem viver verá!

Bom, mas a minha impressão começou a mudar logo em seguida, quando cheguei ao meu primeiro destino no Egito. Na cidade de Nuweiba, cerca de 70 km de distância da fronteira, encontrei o Sr. Maged (warmshowers), proprietário do Habiba Camp e de uma fazenda orgânica que possui um programa voluntário extra curricular para as crianças locais. Tudo é muito simples mas extremamente agradável! Além de usufruir de um dos quartos da pousada, tive a oportunidade de ministrar uma mini palestra para as crianças, onde mostrei minha rota e meus equipamentos de viagem, visitei a fazenda e aprendi muito sobre a região. Para saber um pouco mais do projeto que busca voluntários, click:  http://www.habibaorganicfarm.com/

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Habiba Camp. Nuweiba, Sinai – Egito

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Habiba Camp. Nuweiba, Sinai – Egito.

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Sr. Maged orgulhoso da sua plantação de tâmaras. Habiba Farm. Nuweiba. Sinai – Egito.

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A amiga Nour em meio a plantação de quinoa. Habiba Farm. Sinai – Egito.

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Centro de aprendizado Habiba Farm. Nuweiba, Sinai – Egito

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Centro de aprendizado Habiba Farm, Nuweiba, Sinai – Egito.

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Centro de aprendizado Habiba Farm, Nuweiba, Sinai – Egito.

O Sr. Maged também organizou algumas excursões na região. Em uma delas, fui visitar um oásis em um desfiladeiro no meio do deserto do Sinai. Depois de uma caminhada de meia hora no leito de um rio seco, uma piscina natural faz a alegria dos beduínos e de turistas também…

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Oásis. Deserto de Sinai – Egito.

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Oásis. Deserto de Sinai – Egito.

Também visitei a cidade de Santa Catarina, seu famoso mosteiro ortodoxo, e fiz uma linda caminhada ao pico do Monte Sinai. A cidade fica em meio as montanhas e possui um clima muito mais ameno se comparado ao “caldeirão” ao nível do mar. Através do Sr. Maged, conheci Dr. Ahrmed, um entusiasta das ervas medicinais. Além de produzir e comercializar, o Sr. Ahrmed trata muitos pacientes com as plantas, que vem de longe para serem consultados. Ele me disse que primeiro herdou o conhecimento do pai e dos beduínos e depois, através de livros, se tornou autodidata e fez vários cursos em vários países do mundo. Na sua pequena propriedade, além das plantações e consultório, funciona um pequena pousada e foi lá que pernoitei. É um lugar que vale a pena conhecer! No final do dia, tomar um chá com Dr. Ahrmed é uma opção bastante interessante para mergulhar na cultura local e vivenciar a sua rotina de consultas.

O Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina foi construído em 565 d.C. aos pés do Monte Sinai, em homenagem a Transfiguração de Jesus, que consiste em um episódio do Novo Testamento no qual Jesus é transfigurado (metamorfoseado) e se torna radiante do alto de uma montanha,. É um lugar sagrado para os judeus, cristãos e muçulmanos. Com 2285 metros de altitude, foi lá que Moisés recebeu os 10 mandamentos, e o local é visitado por milhares de peregrinos todos os anos.

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Mosteiro de Santa Catarina, Egito.

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Mosteiro de Santa Catarina. Egito

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Trilha ao Monte Sinai, Egito

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Caminhada rumo ao Monte Sinai. Egito.

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Igrejinha no alto do monte Sinai. Egito

Entre Nuweiba e Sharm El-Sheik, cidade situada no extremo sul do Sinai, foram dois duros dias de pedal e uma noite péssima em um posto de gasolina em Dahab. Forte calor, grandes montanhas e quase nada de apoio. No entanto, quando cheguei a capital egípcia do mergulho, ou Sharm, como a cidade é carinhosamente chamada, os amigos que fiz em Noweiba e Santa Catarina me receberam com a típica hospitalidade egípcia. Entre um mergulho nas águas translúcidas do Mar Vermelho, passeios e boas conversas, pude descansar e organizar a próxima etapa da minha aventura.

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Sharm El-Sheik, Egito

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Sharm El-Sheik, Egito

Minha ideia era cruzar o Mar Vermelho de balsa e seguir para Luxor e depois Cairo pelo Vale do Rio Nilo. No entanto, sem me avisar, cancelaram a balsa e fiquei na mão. kkkkk Acontece que o número de turistas no Egito caiu abruptamente e consequentemente as operadoras de turismo estão sofrendo muito. Aliás, como já mencionei acima!

Com isso restaram duas opções. Seguir pedalando pelo Sinai rumo ao Canal de Suez e de lá seguir para o Cairo, ou pegar um ônibus até Luxor, e de lá seguir o meu plano inicial. Optei pela segunda opção, pois terei a oportunidade de pedalar no Vale do Rio Nilo, um cinturão verde em meio ao deserto do Saara que muito me fascina.

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Minha bike no bagageiro do ônibus rumo a Luxor, Egito.

Ao pedalar em regiões inóspitas como o deserto, a prioridade passa ser conseguir o mínimo de conforto, como uma garrafa de água gelada, um cantinho com ventilador para passar a noite ou mesmo uma sombra na beira da estrada para poder descansar e se proteger do sol escaldante. Com isso, até consigo durante o pedal, fazer uma ou outra boa foto, mas o lado gastronômico passa para o segundo plano, e conseguir uma receita que vale a pena passa a ser questão de sorte! Comi alguns pratos bons e diferentes durante a minha estadia no Sinai, mas nada que valesse a pena registrar ou catalogar para o livro. Espero que na beira do Nilo isso possa mudar.

Gostaria de finalizar esse post agradecendo todos que de alguma forma contribuíram e fizeram dos meus dias no Sinai muita mais agradáveis! Muito obrigado!

 

 

Deserto de Israel rumo ao Egito

Entre Jerusalém e Eilat, cidade localizada às margens do Mar Vermelho em Israel, bem próximo ao Egito, enfrentei mais uma vez a hostilidade de um deserto, com temperaturas superiores a 40°C, muitas montanhas, e longos trechos sem apoio. No entanto, diferentemente da empreitada no deserto da Jordânia, recebi ajuda em todas as cidades que pernoitei, que além de deixar a minha vida um pouco mais confortável com cama, banho e comida, me proporcionou um contato direto com a cultura local.

Como relatei no post anterior, minha ideia era fazer parte deste trecho pela Palestina, me poupando pelo menos, 45 km de pedal, ou meio dia de sofrimento no calor escaldante. Mas um atentado deixou a região em estado de alerta, e pensando e minimizar o risco, dei uma volta maior e fiz o percurso todo por Israel.

Antes de deixar Jerusalém, estudei a rota, cataloguei os quilômetros entre as cidades e/ou pontos de apoio e organizei meu estoque de comida e água. Não corri riscos com meus suprimentos, mas trabalhei sempre no limite para pedalar com o menor esforço possível. Gastar energia desnecessária neste tipo de clima é muito perigoso. Em geral, não me importo em pedalar mais carregado para dar qualidade as minhas refeições. Mas desta vez fui econômico, e só carreguei o básico. Estava tudo certinho e organizado na minha cabeça! Gastaria cinco dias de pedal (4 noites na estrada) e teria hospedagem na casa de um membro do Warmshowers (o velho e bom site de hospedagem para quem viaja de bike) na segunda noite.

Mas meu amigo! Todo planejamento fura! Por mais que tudo esteja certinho na cachola, em uma viagem de bike sempre rola surpresas! E quando o planejamento fura, é preciso contar com Deus e Nossa Sra. Aparecida! kkkk … Tô zoando!  Não… quer dizer… isso também, se você acredita… Mas quando o planejamento fura, o negócio é manter a calma e focar no problema, isso, além de um pouco de intuição e experiência, geralmente resolvem o problema.

Ao final do meu primeiro dia, estava pedalando em uma estradinha bem no meio da fronteira entre Israel e Palestina. Zona de alto risco! A estrada toda ladeada com cerca de arames farpados, blocos e muros de concretos e sinais de acesso proibido. Os únicos carros que trafegavam ali eram do exército de Israel. Guaritas e brigadas militar a cada poucos quilômetros. Ficou claro que mesmo se eu achasse meio metro quadrado entras as cercas para armar a minha barraca, não me deixariam acampar ali. Não me restou alternativa e o jeito foi continuar pedalando até que a estrada se afastasse da divisa. A noite caiu, ascendi as lanternas da bike e segui, num sobe e desce desgraçado!

Seguindo a rota no meu GPS, notei a estrada se afastando da zona de risco e lá na frente, um conjunto de luzes anunciava civilização. Era a minha chance de achar um lugar para montar a barraca ou armar minha rede. Meu GPS, apesar de mostrar um conjunto de meia duzia de ruas, não dava nome a localidade, o que me fez suspeitar ser uma base militar, e se fosse, teria que pedalar um pouco mais, pois não me deixariam ficar ali.

Já se passava das 22h, e meu velocímetro já apontava 101 km quando me deparei com uma cerca e um portão fechado na entrada do lugar. Não me pareceu base militar, o que me encorajou dar uns berros para chamar a atenção do segurança que estava dentro da guarita a uns 30 metros do portão. Demorou um pouco, tempo suficiente para eu ficar apreensivo… Mas o sujeito abriu!

Para a minha surpresa estava em  Lahav Kibutz! Kibutz é uma fazenda comunitária israelense que oferece trabalho, moradia, estudo e iguais condições aos seus integrantes. Já vinha ouvindo falar deles, e queria muito conhecer! Na minha cabeça, era uma comunidade fechada, com vida simples e pessoas alternativas ou religiosas… Mas que nada! Carros sofisticados nas garagens, internet, equipamento agrícola de última geração, salas de aula equipadas e todas as modernidades que as cidades oferecem. O legal em viver em um Kibutz é que todos os recursos são compartilhados, com uma estrutura similar ao socialismo. O que para muitos é tida como utopia, aqui rola legal!

Os caras me ofereceram banho, comida e um quartinho bagunçado com ventilador para eu passar a noite!

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Coloquei o colchonete aí no meio e dormi sem problemas depois de pedalar mais de 100 km. Lahav Kibutz. Israel

No segundo dia, segui o meu plano! Levantei bem cedinho, pedalei com o vento nas costas ajudando, fiz uma longa parada na parte mais quente do dia em um pequeno bosque com árvores na beira da estrada, e cheguei no final da tarde, na casa de Tamir do Warmershowers. Ele, a esposa Adi e a filhinha Zivi, vivem em Midreshet Ben Gurion, uma cidade no meio do deserto de Negev, a beira de um vale maravilhoso. A cidade é um centro avançado de estudos sobre o deserto. Quase todos que vivem na cidade são professores, mestres, doutores ou pesquisadores, com projetos de pesquisas que buscam tirar o máximo que um deserto pode oferecer. Acabei ficando por 3 noites com a família, e foi super legal! Me fazendo sentir em casa, o casal me proporcionou viver a cultura local e conhecer de perto seu tranquilo e simples estilo de vida. Tive tempo para curtir o Vale Zin, descansar e repor as energias e o melhor, comi bem e consegui mais uma receita para o meu futuro livro. A família vive em forma de cooperativa, fazendo trabalhos em conjuntos. Um deles, eu achei bem interessante. Seis famílias cuidam de algumas cabras, e um dia por semana cada família fica responsável em tratar e ordenhar os animais. Com isso, dividem os gastos, trabalham apenas um dia na semana e se abastecem de leite até a semana seguinte. Genial! Fui com eles ordenhar e fizemos um queijo com a produção. Fiquei surpreso com a simplicidade do processo e com o sabor! E o melhor, rola com qualquer tipo de leite! Segura aí que no livro vai rolar a receita!

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Tamir, Adi e Zivi trabalhando na ordenha das cabras. Midreshet Ben Gurion, Israel.

 

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Vale Zin, deserto de Negev, Midreshet Ben Gurion. Israel

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Cervos selvagens no Vale Zin, deserto de Negev, Medreshet Ben Gurion, Israel.

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Cervos no desfiladeiro do Vale Zin, deserto de Negev, Israel.

Tamir conseguiu através de um amigo, um lugar para eu passar a noite em Mitzpe Ramon, cerca de 35 km da casa dele. O proprietário estava viajando. A namorada do cara foi me buscar na entrada da cidade e me deixou na boa, passar a noite sozinho no apto. do namorado com ar condicionado e tudo o mais! Neste dia, pedalei apenas no período da tarde. Apesar da curta distância, levei quatro horas para cumprir o percurso… subidas longas e váaaarias paradas para curtir o visual.

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Pedal no deserto de Negev em Israel.

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Vale Zin, deserto de Negev, Israel

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Deserto de Negev, Israel.

Meu penúltimo dia foi o mais bonito. Cruzei paisagens incríveis…

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Deserto de Negev, Israel

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Deserto de Negev, Israel.

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Deserto de Negev, Israel

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Chegando em Eliat, às margens do Mar Vermelho, Israel

E no meu último dia, depois de passar a noite na rede, na bifurcação entre as estradas 40 e 12, em frente a um restaurante, segui para o mais difícil dia desta perna da viagem. O sobe e desce continuou exigindo, só que desta vez, para piorar, o vento soprou forte e contra, e não encontrei uma sombra para descansar no meio do dia, me obrigando a pedalar debaixo de um baita solzão! Cheguei em Eilat 13:45h. Fervendo! Transpirando mais do que tampa de marmita, como diria meu pai.

Eilat fica no extremo sul de Israel bem perto da fronteira com o Egito. Com cerca de 60 mil habitantes, a cidade chega quadruplicar a população em alta temporada. Extremamente turística devido suas belezas naturais como o mar vermelho e seus recifes de corais e as altas montanhas adjacentes, a cidade é um dos points preferidos de famílias em busca de um mergulho relaxante no mar e jovens em busca de badalação. A cidade ferve! Lembra um pouco o Guarujá, para nós de São Paulo. Manja o esquemão?!

Já estou com o visto do Egito pronto. Apliquei em um dia e busquei no ouro.Neste tempo, encontrei Fabiana, uma brasileira gente fina que trabalha no hotel que me hospedei. Ela fez as honras de anfitriã, me descolando desconto na hospedagem, e ainda me levou para um rolê pela cidade depois do trabalho! Muito obrigado pelo carinho Fabiana! Você é mais uma amiga que fiz na estrada, para a vida toda!

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Agora estou indo para o Sinai, no Egito. Uma área conturbada, com forte presença de terrorista. Estou estudando a melhor opção de cruzar a região. Minha ideia é levantar algumas informações na fronteira e tomar a decisão de pedalar ou usar um meio de transporte mais rápido. Todo cuidado é pouco! Depois de atravessar o Mar Vermelho as coisas tendem a se acalmarem novamente.

Apesar de continuar pedalando no deserto, estou super ansioso para desvendar o Egito com a minha bicicleta! Templos, museus, pirâmides!! Vamos juntos para a terra dos Faraós! Sobe na garupa, se segura, e vem comigo! O bicho vai pegar!!!

 

 

 

 

 

 

Israel x Palestina; Jerusalém x Tel Aviv

As diferenças entre Israel e a Palestina são enormes, e não apenas no quesito religião. Enquanto Israel é multicultural e desenvolvida, podendo ser comparada aos padrões europeus, a Palestina parece ter parado no tempo, estancada na eterna ilusão de se tornar independente. O nível sociocultural, a língua, a vestimenta, a gastronomia, enfim… Praticamente não existe semelhanças entre estes dois vizinhos que ocupam a Terra Santa. Talvez, o único ponto em comum seja o ódio sustentado entre eles. Eu estive dos dois lados, e sempre notei esse sentimento quando um se refere ao outro.

São grandes também as diferenças entre Jerusalém e Tel Aviv.

Os próprios israelenses referem-se a Tel Aviv como uma bolha dentro de Israel. Moderna, democrática e menos conservadora, a cidade é o centro econômico e cultural do país. Com cerca de 450 mil habitantes, a segunda maior cidade do país foi fundada apenas em 1909 e está situada na costa do Mar Mediterrâneo. Organizada, com prédios modernos e avenidas, a cidade possui uma vida noturna bastante agitada, com destaque para a comunidade LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). As praias são lotadas de gente jovens e bonitas, e atraem muitos adeptos do surf. A cidade antiga de Jaffa, encontra-se na parte sul da metrópole, ostentando o título de uma das mais antigas cidades portuárias do mundo. Na verdade, o único lugar na cidade que me remeteu ao passado, com ruelas e escadarias espremidas entre construções típica de pedra. Mas nada muito espetacular, ou comparado a Jerusalém…

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Orla em Tel Aviv, Israel.

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Torre do relógio de Jaffa, Tel Aviv, Isreal.

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Jaffa, Tel Aviv, Israel.

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Jaffa, Tel Aviv, Israel.

Jerusalém é uma cidade única e ao contrário de Tel Aviv, é uma das cidades mais antigas do mundo. Berço do judaísmo e do cristianismo, e um dos lugares mais sagrados para os muçulmanos, a cidade abriga outras várias tendências religiosas. A Cidade Antiga ao mesmo tempo em que se revela incrivelmente espiritual, possui uma aura segregada, dividida em quatro “bairros” distintos: árabe, cristão, armênio e judeu. Mundos completamente diferentes que convivem lado a lado, alicerçados em padrões religiosos extremamente radicais, responsáveis pela tensão e instabilidade da região. Mas é justamente essa diversidade cultural que faz de Jerusalém um dos lugares mais especiais que já visitei com o Projeto da China para Casa by Bike.

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Cristão em Jerusalém, Israel.

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Casal judeu em Jerusalém, Israel.

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Ultra Ortodóxico em Jerusalém, Israel

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Fé cristã, Capela do Santo Sepulcro, Jerusalém. Israel

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Encontro de amigas muçulmanas em Jerusalém, Israel.

As barreiras físicas impostas por detectores de metais, revistas e policiais fortemente armados, não são capazes de tirar o brilho das ruínas, igrejas, monastérios, mesquitas, sinagogas, lojinhas de souvenires, e do frenético movimento de turistas e religiosos de diferentes etnias, mas confesso que se tratando de Israel e Palestina, Judeus e Árabes, é impossível sentir-se 100% seguro por aqui.

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Jerusalém, Israel.

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Muro das lamentações, Jerusalém. Israel.

Enquanto perambulei sem destino pelas ruelas da Cidade Antiga de Jerusalém, pude fazer uma conexão direta com Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, berço da religião hindu.  Click aqui para saber mais sobre Varanasi.  Click aqui para ver mais fotos de Varanasi. Me sentindo hora perplexo e hora encantado (os mesmos sentimentos que tive em Varanasi), pude refletir sobre a minha própria visão sobre religião e todos os preconceitos que carrego comigo! É claro que não vou polemizar emitindo a minha opinião, mas, ao mesmo tempo que me comovi observando a fé das pessoas, confesso que ver a intensidade de tudo aquilo me causou estupefação.

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Igreja do Santo Sepulcro, Jerusalém, Israel.

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Muro das lamentações, Jerusalém. Israel.

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Jerusalém, Israel.

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Jerusalém, Israel.

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Jerusalém, Israel.

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Jerusalém, Israel.

A gastronomia judaica é fortemente influenciada pela lei dietética do Cashrut, um conjunto de normas que proíbem algumas combinações, como misturar carne e laticínios por exemplo. Os judeus só comem animais abatidos dentro de seu próprio ritual e a carne é salgada para o sangue ser completamente eliminado. Entre outras muitas regras… Eu particularmente tive pouco contato com a gastronomia judaica por alguns motivos. Primeiro, não tive oportunidade de ser hospedado por judeus. Segundo, o lado judeu é muito mais caro se comparado ao lado árabe de Jerusalém, e por último, por ser um grande apreciador da gastronomia árabe. No geral, me diverti com os kebabs, hommus, falafel, coalhadas, fruta e frutas secas, azeitonas, iogurtes e me surpreendi com o delicioso “sabih”, um sanduba no pão sírio que leva ovo cozido, berinjela, tahine, hommus e mais alguns ingredientes secretos que vou revelar no meu próximo livro! kkk

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Mercado Mahane Yehuda, Jerusalém, Israel.

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Mercado Mahane Yehuda, Jerusalém, Israel.

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Doce do Mercado de MahaneYehuda, Jerusalém, Israel.

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Diferente tipos de Halawi, típico doce local no mercado de Mahane Yehuda. Jerusalém, Israel.

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Berinjela gigante. Mercado de Mahane Yehuda, Jerusalém. Israel.

Por não ser muçulmano, não pude visitar algumas áreas do bairro árabe, pois estamos no Ramadã. Por estar barbudo e de alguma forma me assemelhar com um árabe, fui tratado rudemente em alguns lugares dominados pelos judeus. Minha mochila foi revistada várias vezes e tive que passar por vários detectores de metais em inúmeros check-points.  E agora, enquanto planejava minha próxima perna da viagem, recebi a notícia que a estrada para Hebron, na Palestina, foi fechada devido a um atentado. Isso vai me obrigar a fazer uma volta maior para chegar em Éliat, onde vou aplicar meu visto para o Egito. Todos esses acontecimentos, tiram um pouco do encantamento em visitar a Terra Santa, no entanto, de uma maneira geral, está sendo muito positivo estar em contato direto com as diferentes etnias religiosas, e ter a oportunidade de entender melhor suas diferenças.