De Atenas a Thessaloniki: pedal entres as duas maiores cidades gregas

Manhã ensolarada, sem vento, 16° C. Uma delícia para pedalar. Escolhi uma rota mais longa que me guiou pelos subúrbios, evitando ao máximo as movimentadas rodovias que normalmente cercam as grandes cidades. Com tempo de sobra para cumprir o objetivo do dia, pedalei sem pressa, fazendo várias paradas. Foi assim que deixei Atenas rumo a Thessaloniki, um trajeto de aproximadamente 600 km, que une as duas maiores cidades gregas.

Resolvi fazer esse trecho da maneira mais autônoma possível para aproveita ao máximo o contato com a natureza. Que aliás, é linda por aqui! Cozinhei a minha própria comida e usei e abusei da minha barraca ou das construções abandonadas para passar a noite.

 

Os agricultores gregos, protestando contra a economia e o governo, fecharam as principais rodovias do país, desviando o trânsito pesado para as estradinhas secundárias. Justamente aquelas que costumo pedalar. Com isso, fui obrigado a achar rotas ainda mais alternativas, onde quase não existe infra estrutura. Muitos bares, cafés, restaurantes e hotéis estavam fechadas nessa época de inverno.

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Protesto dos agricultores gregos que usaram seus maquinários para fechar as principais rodovias do país. Grécia

Embora com lindos visuais, essas estradinhas geralmente possuem uma altimetria muito mais pesada, exigindo ainda mais da minha forma física. Nos primeiros quatro dias o relevo judiou bastante, depois a coisa melhorou um pouco.

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Lago Marathon, Marathon, Grécia

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Hora do lanche e de aproveitar o visual. Grécia.

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Dia nublado na Grécia.

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Uma pequena parada para apreciar a vista, recuperar o fôlego e se abastecer de água antes de enfrentar uma dolorosa subida. Grécia.

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Lindo visual no cume de uma das montanhas na Grécia.

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Castelo na beira da estrada. Grécia.

Durante os 9 dias que gastei para fazer o percurso, com média de 66,22 km por dia, peguei 3 dias fortes de neblina e cerração, que coincidiram com o momento que estava passando pelo monte Olympus, e não pude apreciar sua linda formação e picos nevados. Já em Thessaloniki, o tempo voltou a abrir, e lá de longe pude ver a sua imponência.

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Thessaloniki, ao fundo o Monte Olympus, Grécia.

Em Thessaloniki, reencontrei meus dois amigos alemães, Eric e Marc. Aqueles que encontrei pouco antes do final do ano. Passamos o Natal e o Ano Novo juntos onde fizemos uma amizade forte e verdadeira. Estamos todos hospedados na casa de Maggi. Ela é local e já trabalhou com Marc na Alemanha. Maggi, além de nos ajudar com tudo que precisamos, ainda nos guiou no final de semana em um trekk pela base do Monte Olympus, onde tivemos a oportunidade de apreciar lindos visuais.

Alguns momentos com Marc, Eric e Maggi.

Aqui em Thessaloniki, inicie um tratamento dentário que vai me tomar 10 dias. Meus amigos Eric e Marc estão me aguardando e juntos seguiremos para Istambul.

E você! Aproveite a carona, sobe na garupa e vem com a gente!

Madrugada solidária com os refugiados da Síria.

Depois de me separar da família, retornei para Atenas para resgatar a bike e as minhas coisas. Com tempo para visitar a cidade antes de seguir para Tessalônica, rumo Istambul, fiz alguns passeios, uma revisão na bicicleta e ainda fortaleci a amizade com meu anfitrião Dimitri. Mais um amigo que fiz para a vida toda! Acabei ficando uma semana na casa dele.

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Dimitri na cozinha do seu apartamento. Atenas, Grécia.

Dimitri veio de São Francisco para Atenas de bike em uma viagem de 15 meses. Cruzou o Atlântico em um veleiro. Foi muito legal ouvir suas histórias e aprender com ele. Ele também me levou para conhecer alguns bares e restaurantes que gosta de frequentar. Envolvido na campanha de assistência aos refugiados sírios, passamos uma madrugada toda trabalhando como voluntários no porto de Pireu, quando 600 refugiados acabara de chegar à capital grega. Distribuímos refeições, água, colchões e cobertores, roupas, sapatos e produtos de higiene.Eu ajudei na distribuição de fraldas descartáveis, absorventes femininos, sabonetes, pastas e escovas dentais.

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Refugiados sírios desembarcando no Porto de Pireu debaixo de chuva. Grécia.

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Famílias de refugiados sírios no Porto de Pireu, Grécia.

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Criança Síria refugiada aguardando a comida esfriar. Porto de Pireu, Grécia.

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Mais refugiados sírios chegando. Porto de Pireu, Grécia.

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Fila para o jantar. Mulheres e crianças de um lado, homens do outro. Porto de Pireu, Grécia.

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Refugiados sírios acantonados no Porto de Pireu, Grécia.

Pude sentir novamente aquela sensação gostosa de poder ajudar a quem precisa! A mesma sensação que tive no Nepal, quando vivenciei a pior experiência da minha vida no terremoto de abril do ano passado. Lembram? Eu estava lá! Ajudar por ajudar! Doar conforto e carinho aos que estão desamparados. Veja algumas fotos do terremoto no Nepal: https://atmagalhaes.wordpress.com/2015/04/

Este tipo de trabalho voluntário me faz entender e aceitar melhor as demonstrações de solidariedade que recebo na viagem. E no fundo, em um papo franco comigo mesmo, acabo aceitando a ideia que estou fazendo um gesto legal! Sei lá! Retribuição! Manja?  Como o Dimitri, por exemplo! Depois de usar muito o site de hospedagem durante sua jornada, retribui hospedando em sua casa! Na boa! Quando rola! Sem obrigação! Faz porque está afim e se sente satisfeito por retribuir e poder ajudar outros viajantes.

É triste ver pessoas que abandonaram todos seus entes e pertences para fugir da guerra. Fisionomias tristes e preocupadas. Uma expressão de angústia no rosto de cada um. Pude imaginar ter que passar por isso! Sair correndo de casa sem saber direito para onde ir…Medo! Me separar da família e amigos sem a perspectiva de um reencontro. Fiquei pensando onde a sorte de cada um deles os levará!

Foi apenas uma madrugada, no entanto,uma das mais marcantes do Projeto da China para Casa by Bike! Vai ser difícil esquecê-la! Por isso fiz questão de relatar!

 

 

 

 

Família EH! Família AH! Família!!!!

Quando saí do Brasil, em novembro de 2013, me despedi da minha filha, família e amigos com a expectativa de ficar apenas 6 meses viajando. No entanto, o Projeto Ásia by Bike foi rebatizado para Da China para Casa by Bike, e lá se vão 28 meses de estrada!

Como não poderia ser diferente, ficar longe da família é um dos maiores desafios em uma longa viagem como a minha. No meu caso, acho que é ainda pior, pois não tenho data definida de retorno. Se por um lado essa sensação de liberdade me dá prazer, por outro, convivo diariamente com uma certa angústia por estar tanto tempo longe daqueles que amo!

Mesmo que o dia tenha sido maravilhoso, todas as noites que entro na barraca e fecho o saco de dormir, parece que coloco todo mundo lá dentro comigo! Minha imaginação e preocupação sustentam alguns diálogos por alguns instantes. Estou sempre conversando com alguém! Meio que pedindo ou dando a benção! Manja?! Conforme com quem converso! Eu gosto desse momento! Quando está tudo quieto do lado de fora da barraca! Só escuto meu coração! Choro pra burro! kkk. Sem tristeza!

Mesmo de longe, procuro acompanhar as obrigações da Ana Laura, assim como suas diversões e histórias. É o ensaio do teatro, a festinha de uma amiga, o dever de casa, a nota de matemática e tudo o mais! Graças ao skipe, facetime e outras ferramentas tecnológicas, consigo estar sempre virtualmente presente.

Na verdade sinto que quase não me escapa nada! Se algo acontece, fico sabendo muito logo! Das peripécias dos meus sobrinhos, até um problema de saúde de alguém próximo. Falo com meus pais toda semana e quando abro o facebook, uma das primeiras coisas que faço é parabenizar os aniversariantes do dia. Me esforço quase sempre, em me manter por perto!

Mas confesso que todo o aporte tecnológico disponível não me supre! Ameniza, mas não supre! Eu gosto de contato, abraço, beijo, cheiro! E foi tudo isso que tive nas últimas semanas! Quase toda família reunida!

Desfilamos a nossa irreverência como turistas convencionais pelas ruas espanholas, brincamos, rimos, nos divertimos a beça! Trocamos carinho e colocamos o papo em dia! Comemos e bebemos muito bem!

Agora estou com a bateria recarregada! Já estou novamente em Atenas e amanhã saiu para cumprir os quase 1300 km que me separam de Istambul. Chegando lá, dou por encerrada mais uma perna do Projeto da China para Casa by Bike. Ainda espero alguns acontecimentos e notícias para definir a próxima etapa, coisa que só o farei na capital Turca.

Abaixo, segue algumas imagens de Atenas.

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Museu de Acrópole. Atenas, Grécia.

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Artirsta de rua em Acrópole, Atenas – Grécia.

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Acrópole, Atenas – Grécia

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Vista de Atenas a partir de Acrópole – Grécia

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Bandeira grega nas ruelas de Atenas – Grécia.

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Ruínas de Atenas – Grécia.