Rússia, a viagem e os encontros…

De Bologoye até Valday, pedalei em uma estradinha secundária bem tranquila, beirando rios, lagos, florestas e cruzando algumas vilas abandonadas. Meu objetivo do dia era conhecer o monastério de Valday, que fica em uma ilha no meio do lago que banha a cidade e achar um lugar para acampar por ali. Chegando lá, parei na ponte que da acesso a ilha, onde alguns locais tentavam a sorte em uma pescaria. Sempre estou atento à possibilidade de incrementar o meu jantar. Carrego um kit de pesca com iscas artificiais. Enquanto sondava a pescaria, dois meninos, atraídos pela minha bike vieram conversar comigo.

Nikita, Filipp e eu em Valday, Rússia.

Nikita, Filipp e eu em Valday, Rússia.

Acampamento ao lado do lago, Valday, Rússia.

Acampamento ao lado do lago, Valday, Rússia.

Filipp e Nikita, de 12 e 14 anos, passeavam pelo ilha com suas bikes e mesmo com um vocabulário limitado, se esforçaram bastante para me ajudar. É o que sempre digo! Quando existe boa vontade, dá-se um jeito de se comunicar. Com poucas palavras ditas em inglês, estabelecemos um diálogo suficiente para nos entender. De vez em quando usamos o tradutor do celular.

Crianças adoráveis! Quando acabei a visita no monastério, me indicaram um lugar para reabastecer minhas caramanholas, comprar comida e acampar. Comprei pão e queijo cottage na lojinha do monastério, que temperei com pimenta do reino, cebola picadinha e azeite. Os meninos, depois de me ajudarem a levantar acampamento e tentar achar minhocas para pescaria, se deliciaram com meu jantar.

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Monastério em Valday, Rússia.

Igreja do monastério em Valday, Rússia.

Igreja do monastério em Valday, Rússia.

Teto da igreja do monastério em Valday, Rússia.

Teto da igreja do monastério em Valday, Rússia.

A pescaria foi um fracasso. Mas a noite foi ótima. No outro dia, os dois me aparecem 7 da manhã com suco e maçãs e cheios de apetite pelo meu queijinho temperado. Estava uma delícia mesmo! Me levaram para um rápido tour em Valday e nos despedimos. Eu adoro encontrar locais pelo caminho, mas quando se trata de crianças, fico ainda mais feliz! Criança é certeza de sorriso e alegria! Uma curiosidade sadia, sem interesse!

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Feira de rua em Valday, Rússia.

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Típica vendinha de chá, café e tortas de beira de estrada. Rússia.

Cai de novo na auto-estrada e o pedal voltou a ser chato. Mas em uma viagem de bike, embora tudo possa parecer repetitivo, nunca um dia é igual ao outro. Sempre acontece alguma coisa que tempera a viagem. Depois de parar em um restaurante de beira de estrada para recarregar GPS e celular, segui viagem sem muita empolgação, tomando um cuidado danado com os caminhões, pois vez ou outra o acostamento ficava bem estreito.

E foi parado no acostamento que encontrei Bogdan consertando o pneu furado de sua bike. O sérvio, também seguia para St. Petersburgo e depois para a Finlândia, onde pretende arrumar emprego. Conversador, daqueles que fala mais que a boca, acabou sendo um boa companhia para acampar e viajar até Veliky Novgorod no outro dia pela manhã. Chegamos a cidade perto do meio dia. Ele se foi, eu fiquei, com a intenção de conhecer uma das cidades mais importantes do leste europeu na era medieval.

Borgdan, o sérvio que encontrei na estrada arrumando o pneu furado de sua bike. Rússia.

Borgdan, o sérvio que encontrei na estrada arrumando o pneu furado de sua bike. Rússia.

Pedalando na Rússia

Para ter uma ideia do tamanho da Rússia, pense no seguinte: O fuso horário entre Moscou e Brasília é de 6 horas. Dentro do território russo são 8 horas de fuso! Se adicionarmos Kaliningrado, um território russo entre a Polônia e a Lituânia, no mar Báltico, sobe para 9 fusos. A Rússia ocupa 1/9 da área terrestre. É enorme! E é claro que não se pode conhecer tudo de bike. Eu escolhi um roteiro entre as duas cidades mais visitadas do país: Moscou – St. Petersburgo.

Os 3 primeiros dias de pedal foram extremamente chatos. Meu GPS não me oferece alternativas de rotas e eu não consegui achar um mapa do país que não fosse em cirílico. Pedalei em uma estrada movimentada, barulhenta, entre um corredor de floresta de coníferas que encobria o horizonte.Vista limitada, templo nublado, vento contra, relevo ondulado. Fui vencendo os quilômetros sem muita empolgação usando o excelente acostamento da via. Quase não fiz fotos. Pois não havia nada interessante para isso além de umas casas abandonadas com fachadas interessantes. Uma igreja aqui, outra ali. O legal que fui encontrado anfitriões pelo caminho. Acampei apenas uma vez, nos outros dias fiquei na casa dos locais, me infiltrando na cultura e quebrando o preconceito de que os russos são frios e não sorriem. Tudo bem que eles não são como nós, mas estão longe de ser aquele ser gélido, sem emoções, que os norte-americanos nos enfiaram goela abaixo.

Anastasiia e eu em Klin, Rússia.

Anastasiia e eu em Klin, Rússia.

Olya experimentando um filé à moda brasileira.

Olya experimentando um filé à moda brasileira. Tver, Rússia.

Em  Vyshny Volochyok, me encontrei com Alex, um membro do warmshowers que mora em Moscou. Ele veio pedalar comigo por dois dias. Aí foi legal! O tempo abriu e a temperatura subiu. Viajamos quase 200 km em dois dias por estradas secundárias, entre florestas, lagos, rios e vilarejos. Almoçamos com sua família em uma típica casa de campo onde passamos a noite entre seus familiares. Fui convidado para tomar um banho russo, ou banya. Algo parecido com uma sauna rústica. Relaxante e revigorante, comum em todas as casas de campo do país. Comida típica e deliciosa! Com destaque para o pimentão recheado de café da manhã. Um pimentão suave, que também é servido crú como salada. Fácil digestão. Quando como pimentão no Brasil, fico “conversando” com ele o dia todo. Com o pimentão russo não rola esse “bate-papo”.

Pimentão recheado no interior da Rússia.

Pimentão recheado no interior da Rússia.

Berries, frutinhas russas.

Berries, frutinhas russas.

Nesta época do ano as macieiras estão carregadas, e é possível achar vários tipos de frutas na beira da estrada. Morango silvestre, framboesa e vários tipos de “berries”.

Fazendo um lanche com Alex na beira da estrada. Rússia.

Fazendo um lanche com Alex na beira da estrada. Rússia.

Alex levando flores para a namorada. Rússia.

Alex levando flores para a namorada. Rússia.

No final do nosso segundo dia de pedal, nos encontramos com Alexey, outro membro do warmshowers que mora em uma pequena cidade chamada Bologoye. Ele também possui uma casa de campo onde fomos passar o dia com sua família. Churrasco e banya! Mais um dia perfeito.

Alexey na churrasqueira em um lindo dia de outono russo.

Alexey na churrasqueira em um lindo dia de outono russo.

Alexey e eu curtindo o Banya, típico banho russo.

Alexey e eu curtindo o Banya, típico banho russo.

Lindo entardecer em Bologoye, Rússia.

Lindo entardecer em Bologoye, Rússia.

Vai fazer cicloturismo? Saiba escolher a bicicleta Ideal.

Confira as recomendações do fundador do Clube de Cicloturismo do Brasil, Rodrigo Telles, sobre a melhor escolha da bicicleta para a prática de cicloturismo.

Uma boa magrela e acessórios de qualidade certamente não te deixarão na mão.

Estada na Mongólia

Há um velho lema do cicloturismo que diz que a melhor bicicleta para viajar é aquela que você tem. Isso demonstra a simplicidade do cicloturismo, em que não é necessário um grande investimento inicial para começar na prática. Mas esta regra tem um limite, porque não é indicado fazer qualquer viagem com qualquer bicicleta.

Conforme vamos aumentando a complexidade dos roteiros que escolhemos, também se faz necessário um equipamento mais específico. Isso para não termos dor de cabeça de quebras e manutenções excessivas durante a viagem.

Partindo em busca da bicicleta ideal, muita gente pensa em importar uma clássica de cicloturismo europeia, porém ela não é apropriada ao tipo de cicloturismo mais comum por aqui, predominantemente em estradas de terra e terreno muito íngreme. Já uma bicicleta tipo mountain-bike clássica também não é indicada para o nosso cicloturismo, por não fornecer o conforto necessário para longas horas de pedal e por dias seguidos.

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Assim, nós criamos o conceito de “Mountain Touring” para o cicloturismo brasileiro. Ou seja, é uma mountain bike personalizada para viagens de bicicleta em terrenos difíceis.

Não há uma bicicleta que seja boa para todas as pessoas em todas as ocasiões, pois há uma infinidade de opções de acessórios e ajustes a serem feitos. Porém, observando a nossa bicicleta e da maioria dos viajantes de longa data, vemos vários aspectos em comum que destacaremos aqui. São vários detalhes, mas cada um tem um porquê.

  • Quadro: ideal modelo com furação superior e inferior para adaptação de bagageiro e furação para duas caramanholas
  • Guidão: modelo mais alto para maior conforto
  • Selim: ideal um mais largo e macio que os de competição
  • Suspensão: de boa qualidade para suportar o peso extra da bolsa de guidão e alforje dianteiro
  • Marchas
  • : ideal uma relação mais leve para encarar subidas com a bicicleta carregada
  • Componentes– o grupo deve ser de boa qualidade, nem top de linha, nem simples demais
  • Freios– tipo V-brake pela facilidade de manutenção
  • Rodas– tamanho 26” pela facilidade de encontrar peças de reposição. Com aros de boa qualidade e raios de inox
  • Acessórios– espelho retrovisor amplo e plano, descanso lateral reforçado para suportar peso dos alforjes, para-lamas para pneus largos, manoplas e bar ends amplos para melhor apoio, campainha e firma-pés.

O planejamento de uma viagem de bicicleta envolve muitos aspectos, como preparação física, escolha da rota, equipamento, etc. A bicicleta é mais um entre eles, mas com certeza é um dos que merecem mais atenção antes da viagem. Uma bicicleta bem pensada e adaptada para viagens elimina uma série de problemas e preocupações durante a jornada.

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Rodrigo Telles  é Fundador e Diretor do Clube de Cicloturismo do Brasil, e um dos maiores conhecedores quanto se trata de viagem de bicicleta do país.  Engenheiro Elétrico e montanhista, é responsável pela criação e manutenção do site do Clube de Cicloturismo. É colunista da Revista Pedal. Realizou diversas viagens de bicicleta desde 1998, destacando-se: Expedição Titicaca (Bolívia e Peru), Pantanal, Sertão Nordestino, Serra da Canastra (MG), Chapada dos Veadeiros.

Moscou: Apaixonei!

Meu vou de Nova Deli para Moscou atrasou 6h. Por conta disso, fiz um cansativo voo noturno chegando na capital da Russia com o dia amanhecendo. A fila da migração estava enorme. Levei quase duas horas para receber o carimbo no meu passaporte. Aí, peguei minha bagagem e fui fazer os procedimentos de praxe. Toda vez que mudo de país, troco o chip do celular, e troco ou saco uma grana. Esses procedimentos são fáceis, complicado mesmo é arrumar uma condução para me tirar do aeroporto. Ou é caro, no caso do táxi, que às vezes é pequeno demais para a caixa da bike, ou dá um trabalho danado, se decido usar o transporte público. Nesse caso, saio carregando aos trancos e barrancos toda minha parafernália. O ideal, é montar a bike e sair pedalando. Mas estava cansado e o aeroporto ficava a 64 km da casa de Nickolay, onde me hospedei durante os dias que fiquei na cidade.

Cheguei em sua casa 6:45h. Tirei o rapaz da cama, nos apresentamos. Agradeci e  ele me colocou em um apartamento vizinho ao dele, onde mora sua mãe e irmã, que estavam viajando de férias, e descansei, ou melhor, desmaiei até as 13h.

Nickolay é fanático por bicicletas. Possui várias de diferentes modelos. Depois de ajudar a desempacotar a minha bike, fizemos um tour pelas principais atrações de Moscou. Era domingo. Pouco trânsito. O que deixou o passeio ainda mais gostoso.

Conheci os principais pontos turístico da cidade. Quando voltamos para casa, já eram 2h da manhã.

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Catedral de São Basílio, Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Catedral de São Basílio, Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Catedral de São Basílio, Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Catedral de Cristo Salvador, Mascou, Russia.

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Visão noturna do Kremlin ao lado do Rio Moscou.

Moscou possui mais de 15 milhões de habitantes e se revelou muito diferente do que imaginava. Quando se pensa em Russia, é inevitável, pelo menos para mim, pensar em frio, comunismo e é claro, vodka. Esperava uma cidade cinza, com frota automobilística velha, cheia de “Lada” (marca de carro). No entanto, cheguei com um calor de 30°C, céu azul. A cidade é repleta de parques, praças e lagos. Super arborizada! Incrivelmente verde!Limpa, organizada. Carros novos, prédios com lindas fachadas coloridas e se tratando de verão, muita, mas muita gente nas ruas. E meu amigo! Que mulherada linda!!! Coisa de louco! Fiquei com dor no pescoço e me apaixonei em cada esquina! Mãos, pés, cabelos bem tratados! Corpo esbelto e olhos maravilhosos. Uma combinação que de todos os lugares que andei só conheci no Brasilzão de meu Deus! Ao lado de vocês brasileiras, as russas passaram a ser as minhas prediletas. Ai, ai… como é bom sentir um perfume feminino novamente!

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Centro de Exibições, Moscou, Russia.

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Igreja Santíssima Trindade, Moscou, Russia.

Continuei meu passeio por Moscou me deliciando com o visual. Sempre de bike. Cheguei no domingo, e já na terça-feira, Nickolay e o pessoal da Kapibike, bicicletaria que me ofereceu todo o apoio que precisei, organizaram uma mini palestra onde tive o prazer de compartilhar meu estilo de viagem. Fiz uma rápida apresentação em power point e falei quase duas horas para 9 pessoas. Foi muito legal! A turma gostou e para mim, foi legal recapitular algumas histórias.

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Foto pós palestra na Kapibike bicicletaria.

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Palestra improvisada na Kapibike Bicicletaria, Moscou.

A Praça Vermelha é a principal atração da cidade. Lá encontra-se a Catedral de São Basílico, o Kremelin, o mausoléu de Lenin, o museu histórico, e um sofisticado shopping de compras. A Catedral Ortodoxa de São Basílico é o símbolo da cidade. Construída em 1561, é Patrimônio Mundial da Unesco e sua arquitetura é única! Não existe nada similar no país. Parece um castelo de contos de fadas. Lembrei da historinha de João e Maria e fiquei com uma vontade danada de comer um docinho.

O Kremlin, residência oficial do presidente a mais de 2.000 anos, é uma fortaleza que abriga também museus, galerias, praças, monumentos e exibe uma arquitetura interessantíssima. Imperdível!

O museu possui quase 2 milhões de objetos entre relíquias pré-históricas, obras de artes como quadros, esculturas e tudo o mais. A sua fachada é lindíssima!

O mausoléu abriga o corpo embalsamado do mais importante nome e fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS (1922-1991). Aqui cabe um estudo mais detalhado aos interessados na história. O corpo de Lenin (Vladimir Ilyitch Ulianov) 1870-1922 – ainda é visitado por milhares de Russos todos os dias. Lenin foi um líder que combateu a opressão popular da época e por isso é tão querido pela população.

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Eu entre Catedral de São Basílio e Kremlin, Praça Vermelha, Moscou, Russia.

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Vista do Kremlin, Moscou.

Na verdade Moscou é um museu a céu aberto. Prédios com lindas fachadas, parques, igrejas, monumentos. Visitei também um centro de exibições, o teatro Bolshoi entre outras atrações. Não dá para falar de tudo por que se não o post fica enorme e ninguém lê… kkk Foram 6 dias completos na cidade e conheci muita coisa legal!

Uma delas por exemplo, que vale a pena relatar, são as estações de metrô. São mais de 180 estações divididas em 12 linhas. São um luxo! Mais parece um hall de hotel 5 estrelas. Passei uma manhã inteira me “perdendo” e conhecendo algumas das mais interessantes. Em alfabeto cirílico, é impossível decorar os nomes das estações de primeira e com isso fica fácil se perder. Rapaz! É uma confusão danada! Existem tour especializados. Mas no final, achei que valeu a pena o passeio solitário. A ideia das construções das estações foi em homenagem aos trabalhadores  que ali transitam todos os dias.

Ainda me referindo ao cirílico, a Russia é um dos poucos países que conheci que não traduz os rótulos dos produtos industrializados para o inglês. Rapaz! Comprei bombons pela figura estampada no saquinho. Pensei que era crocante, mas era de maçã com castanha de caju. É impossível entender os cardápios também! E aqui, além de não falarem o inglês, parece que sou desprezado a cada lugar que chego dizendo “hello”. Em alguns lugares, simplesmente me dão as costas. kkk Mas sou insistente e fico ali até ser atendido. Em uma padaria, a mocinha me fez esperar por quase 5 minutos, parado em frente do caixa. A padaria estava vazia e ela fingia arrumar os pães. Quando olhava para mim, eu levantava a mão com o indicador para cima e dizia algo sorrindo. Na quinta vez ela resolveu me atender. Foi engraçado!

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Estação de metrô de Komsomolskaya, Moscou, Russia.

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Estação de metô de Elektrozavosdskaya, Moscou.

Ainda estou em fase de adaptação. Já comi algumas coisas interessantes como bisteca de porco, kebab, algumas saladas, tortas e outros quitutes mais. Em breve dou mais detalhes. No dia do meu aniversário, fiz algo que há 7 meses não fazia. Comprei um baita filé e fiz acebolado! 575 gramas e 3 cebolas em rodelas! Comi tudo, ainda querendo mais! kkkk Me desculpe os que são, mas eu não aguentava mais ser vegetariano!

Papo longo: Agradecimentos, minhas impressões, novidades e a surpresa do meu próximo destino

Pô Galera, show de bola esses 100 mil hein! Obrigado do fundo do coração!

Fiz o blog para minha família e os amigos mais próximos me acompanharem durante os 100 dias que pedalei na Noruega. Além de me empurrar para esse super desafio, a crise da meia idade também me alertou sobre a necessidade de me aventurar no mundo tecnológico. O blog me ajudou desde os primeiros dias, exigindo rotina e disciplina para escrever, postar e estudar as minúcias do projeto, e me forçou a ficar mais tempo no computador, tornando inevitável  aprender um pouco mais. O blog veio logo depois de fechar o conceito “Aventura, Fotografia e Gastronomia” das minhas viagens. Com ajuda, mesmo porque não fazia ideia por onde começar, fui criando página por página, e entendendo como administrá-lo.  Aos poucos fui percebendo que ele era parte do projeto, ajudando a divulgar o meu estilo de viagem, atraindo um número cada vez maior de simpatizantes. Daqueles que me acham um bravo aos que me acham um doido! Mas sempre demonstrando carinho e preocupação, se divertindo e se emocionando junto comigo. Percebi também que se tornou fonte de pesquisas par cicloturistas, e referência para quem vai pedalar na Noruega. Para comemorar os 100 mil acessos, decidi criar a página “O Pai da Matéria”, com opiniões, depoimentos e dicas de especialista sobre preparação física, nutrição esportiva, equipamentos, tipos de hospedagem, fotografia, planejamento e todo universo que abrange as minhas viagens de bicicleta. Uma página para ajudar todo mundo que curte aventura. A página estreia em breve!

Wanaka, Nova Zelândia em 18/11/14.

Wanaka, Nova Zelândia em 18/11/14.

O blog se tornou em pouco tempo a principal atenuante da variável solidão e preencheu um enorme vazio que atormenta qualquer um que viaja sozinho por um longo período. Ganho fôlego a cada curtida… Me emociono com os comentários… de chorar mesmo! No duro! Você não imagina o tamanho do favor que me faz ao me enviar um recadinho, compartilhar ou marcar os meus posts! Muito obrigado mesmo!

Pôr-do-sol em Boracai, Filipinas - 13/05/14.

Pôr-do-sol em Boracai, Filipinas – 13/05/14.

Bom! Vamos ao caso! Falei que hoje o papo é longo!

Como já expliquei antes, nem mesmo a intervenção diplomática brasileira fez com que eu conseguisse o visto paquistanês. A solução foi aplicar o visto para o Irã e sair de Deli de avião, passando por cima do Paquistão. O processo do visto é longo e complicado. A primeira parte podendo levar até 10 dias úteis. Nesse meio tempo, fiz um tour como turista convencional, de trem e ônibus. 11 dias pelo Rajastão. Terminei o tour e retornei a Deli no último dia do prazo para receber o protocolo, e dar entrada na segunda etapa, aqui na embaixada do Irã em Deli. Ao dar entrada, levaria de 3 a 5 dias úteis. Os dias foram passando! Com passagem comprada para o dia 8 e o visto indiano expirando no dia 10, o tempo passou a pressionar. Esperei o dia limite! Nada! Mandei e-mails solicitando uma posição e fui ignorado. Até cheguei a pensar que caí em um golpe usando um site falso. Sem opção, troquei minha passagem. No mesmo dia, mais tarde, recebi uma resposta da iranianVisa.com dizendo que precisariam de mais dias. Como meu roteiro passaria muito próximo de uma área em estado de alerta por conflito militar, sob ameaça de terroristas, e tratando-se de viagem de bicicleta, certamente  o processo passaria por uma análise mais minuciosa. Com isso, abrem-se as possibilidades de descartar ou adiar a minha ida ao Irã, fato que me deixa triste. Assim como o Japão, foram as grandes baixas nessa etapa que está se encerrando. 15 países, 21.000 km pedalados, 20 meses de viagem. Ásia e Oceania.

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Hoje deixo a Índia para desbravar outras fronteiras, outros ares, outros mundos… Ahhh, a Índia!

Varanasi, às margens do sagrado Rio Ganges. Índia

Varanasi, às margens do sagrado Rio Ganges. Índia

Como não defini-la como incrível? Apesar de testar todos os meus limites em mais de 1.100 km pedalados, saio da Índia com a sensação de quero mais.  Sim! Minha opinião mudou! E estou super feliz por isso!

Posso elegê-la como o país do contraste! Ame e/ou odeie! E isso depende muito do seu espírito! Depois de um início turbulento, comecei a entender as regras do jogo e fui me encaixando. Demorou mais que nos outros países, mas também a diferença é muito maior! Uma atmosfera única, que te deixará excitado só de ver o colorido dos sáris (roupas típicas das mulheres), a espiritualidade, a devoção, os aromas únicos e sabores exóticos. O acervo turístico é enorme! Museus, templos, fortes, castelos, montanhas, desertos e praias. Coisas que você só vai encontrar aqui!

De tudo que vi e senti, além da incrível herança arquitetônica, dou destaque para a atmosfera da cidade de Varanasi, berço de religião Hindu; o Taj Mahal em Agra; os incríveis fortes do Rajastão; e para o insano misticismo religioso que rege o país, capaz de levar milhões de fiéis a beberem água do poluído Rio Ganges ou venerarem um templo com 20 mil ratos, entre outros exemplos. O caos e a sujeira também vai marcar qualquer um que se aventura por essas terras. É impossível vir a Índia e não experimentar a confusão causada por 1.25 bilhões de pessoas, seja no trânsito ou em uma passeio nas vielas das grandes cidades. Carros, tuktukes, rikshas, vacas, camêlos, cachorros, pessoas e até elefantes disputando os centímetros no tapa, como dizemos no interior. Infelizmente não é possível deixar a Índia sem falar na sujeira. Eu nunca estive em um país sujo como a Índia. A forma com que os indianos convivem com o lixo, em pleno século XXI, é deprimente! Se você não estiver com o espírito preparado, a Índia pode se tornar uma roubada. Por mais que eu sabia de tudo e tal, foi um choque para mim!

O lixo impera ao redor da mais importante mesquita do país. Deli, Índia.

O lixo impera ao redor da mais importante mesquita do país. Deli, Índia.

Estou sentado no saguão do aeroporto agora. Meu voo atrasou. Vou tentar fechar esse post antes de embarcar.

Já fazia tempo que estava com a intensão de pegar um avião somente para cruzar o Atlântico em direção as Américas. Paquistão e Irã seguia um roteiro lógico, dando continuidade à uma linha imaginária que me deixariam cada vez mais perto de casa. Com esse fato, abriram-se algumas possibilidades. Uma delas, seria apenas dar sequência ao roteiro e voar para a Turquia, e dali, optar por umas das bifurcações que a geografia impõe. Descer para o Oriente Médio e África; seguir em frente em direção a Europa, ou subir para o Leste Europeu. Até poderia cometer uma loucura e combinar duas dessas possibilidades, dando um giro maior. Mas seria uma decisão difícil deixar qualquer uma delas para trás. Vários interesses se conflitavam na minha decisão. Pontos turísticos, culturas diferentes, época do ano (clima) e é claro a gastronomia.

Como eu sempre digo: Não há mal que não venha para o bem!

Já que teria que voar, escolhi um voo longo, que se por um lado pode descaracterizar uma “volta ao mundo de bicicleta” para alguns, por quebrar essa “linha lógica imaginária”, por outro, me possibilita abranger  praticamente todos os países que tenho curiosidade em conhecer, quase sem descartes, e isso faz todo o sentido para mim. Nessa nova etapa, que inicia-se na Rússia, tenho a intenção de pedalar pela parte “central” do globo terrestre. Leste Europeu, Europa, Oriente Médio e África. O roteiro ainda não está definido. De concreto, tenho apenas o primeiro trecho: Moscou / São Petersburgo.

Estou feliz com a minha decisão!

É hora de embarcar…

Nos vemos em Moscou!

 

 

Muito louco! Show de bola!

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“A verdadeira motivação vem da realização, desenvolvimento pessoal, satisfação no trabalho e reconhecimento.” (Frederick Hezberg)

21.000 km, 15 países, 20 meses… e ainda tem muito mais! É muito bom saber que não estou sozinho!

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Quando criei esse blog, não tinha a menor ambição com números. Mas 100 mil visitas é legal, hien! Estou orgulhoso e quero agradecer a você, que vem sempre aqui me visitar, ou passa de vez em quando para curtir as fotos, ler os texto, pesquisar ou simplesmente  saber de mim… acompanhar como uma longa viagem de bicicleta, recheada de desafios,surpresas, emoções, encontros, sabores e aromas, vem moldando um “velho menino”…

Continue na garupa!

Muito Obrigado!

A “minha” comida indiana.

Assim como a pimenta e a grande variedade de ervas e especiarias, a diversidade de pratos é uma das principais características da culinária indiana. Eu precisaria da vida toda para experimentar tudo que vi por aqui e mais dez vidas para provar o que ainda não vi, principalmente viajando de bicicleta.  Por isso o título leva a palavra MINHA.

Enquanto pedalei, com exceção ao rico período que fiquei na casa de Juity e Amam e nas cidades turísticas como Varanasi e Agra, não tive muitas oportunidades de experimentar algo bacana devido a baixa qualidade e os padrões de higiene dos restaurantes de beira de estrada.

Samosa,com massa  parecida com nosso pastel, geralmente recheada com vegetais.

Samosa,com massa parecida com nosso pastel, geralmente recheada com vegetais. Pode até parecer quentinho. Mas  a fumaça é de incenso,  para tentar deixar os mosquitos longe.Foto tirada da minha bicicleta.

Barraquinha de comida na beira da estrada, Allahabad. Uttar Pradesh, Índia. Foto  tirada da minha bicicleta.

Barraquinha de comida na beira da estrada, Allahabad. Uttar Pradesh, Índia. Foto tirada da minha bicicleta.

De vez em quando encontrei uma samosa com “a cara boa”. No geral, esses pasteizinhos fritos de massa grossa, geralmente recheados com batata levemente apimentados, são encharcados de óleo e ficam expostos a mosquitos e poeira. São muito saborosos! Fritos na hora, diminui o risco de dar merda. Literalmente!  Abusei dos pães. Eles não possuem o valor nutricional como os da Noruega, por exemplo, mas são apetitosos! Lembram o pão sírio no formato. São vários tipos com diferentes formas de preparo! O meu preferido é o tandoori butter naan. Bem queimadinho, vai que é uma beleza com o massala tea. Uma das minha opções prediletas no café da manhã.

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Torradinho! Levemente crocante. Quentinho, com manteiga. Nota 10!

Massala tea é o chá mais popular da Índia, pelo menos nos lugares onde passei. Vai leite e especiarias, com uma leve predominância do cardamomo. Pena que em muitos lugares ele é muito doce. Mas é beeeeeem gostoso.

Não é fácil encontrar supermercados, inclusive nas grandes cidades. Por sorte encontrei um em Agra, o único, no mais, consegui recarregar meu estoque de frutas secas, castanhas e biscoitos em feiras de rua ou pequenos armazéns. Frutas e água não foram problemas. Encontrei com relativa facilidade por todo caminho.

Pedalava sempre com a ideia de encontrar um restaurante minimamente confiável, que me oferecesse o conforto de um ventilador para amenizar o calor. As vezes até encontrava um velho ventilador de teto, mas energia sempre foi um problema para mantê-los funcionando. Impressionante como falta energia em Uttar Pradesh. Na estrada encontrei muitos cardápios em Hindi (हिन्दी), alfabeto completamente diferente do nosso. Comi muitas vezes sem saber o que estava comendo. Escolhia meu prato na “dedada”, apontando, depois de passar o olho nos pratos dos fregueses.

Durante todo esse tempo na Índia, praticamente não comi carne.  Mais de 95% das refeições foram vegetarianas. É possível encontrar frango e cabrito, mas as condições de higiene e armazenamento não são nada incentivadoras. A esmagadora maioria da população no norte da Índia não come carne. Não sei como é no resto do país.  Não vi carne de gado, é claro, pois elas são sagradas, também não vi carne de porco. Peixe vi em apenas um cardápio, e duas vezes na beira da estrada ao cruzar um rio, sendo vendido com “aquele” padrão de higiene. Puta cheiro e mosca prak7!

Para cozinhar comprei os produtos na hora. Apenas o que iria usar. Fiz ovos mexidos, batatas, mas me dei bem mesmo foi no penne com berinjela, cebola, tomate e alho. Quando dava sorte de achar, incrementava com um queijinho. Repeti essa receita várias vezes.

Uma boa surpresa foi o leite e seus derivados. Em saquinho, e quase sempre bem gelado, o leite é encorpado com um leve sabor de queijo coalho. Uma delícia!Lembrou o leite que tomava na infância e adolescência, ordenhado no sítio dos meus avós. Foi outra boa opção de café da manhã. O iogurte e a coalhada também são ótimos! Eles são vendidos em todos os lugares. Sempre que achei em boas condições de higiene eu tomava um lassi. O Lassi foi uma das melhores coisas que provei na Índia! Iogurte batido com água e frutas ou especiarias na versão salgado. O mais exótico que tomei foi o Bhang Lassi, com estrato de cannabis. Caí no conto do meu grande amigo e colaborador de assuntos relacionados a Índia, Allex Ferreira, fotógrafo dos bons, diga-se de passagem. Aprendeu comigo! (Ele vai ficar puto!kkkk). Com aquele jeitão dele: _ Pode tomar! Não pega nada! Vai no médio! Eu já dei mancada contigo? Aí eu fui né?! Rapaz!! Fiquei com uma leseira dos diabos! O trem é doido! Logo depois de tomar, fui assistir o ritual religioso de Varanasi. O que foi aquilo, meu irmão! O misticismo da cerimônia e os efeitos mental causados pela bebida me transportaram por lugares que nunca estive antes. kkkk Seguinte, se você tiver a oportunidade de tomar, vai no “small”. O médio foi uma pancada para mim! Relaxei! kkkkk Se não tiver coragem, vai no de abacaxi com coco, é o meu favorito!

Lassi, bebida à base de iogurte.

Lassi, bebida à base de iogurte.

O queijo é outro derivado do leite que também é ótimo! Chamado de paneer, fica entre o minas, cottage  e coalho, possui ótima consistência para cozinhar. Meu prato vegetariano (lacto-vegetariano) favorito é com ele: Paneer Butter Masala, pedaços de queijo mergulhados em um molho vermelho grosso, bastante aromatizado com coentro, cominho e outras especiarias.

Aloo Phujia e chapati (pão indiano)

Aloo Phujia e chapati (pão indiano)

Em Deli, fui apresentado a um restaurante local onde o cardápio é bem variado. É sujo, fica em uma rua com pouco movimento, já vi rato, limpam a mesa com um pano imundo que fica no chão, colocam as mãos na comida, baratas, mas está sempre lotado! Os pratos são simples, bons e baratos. Um típico restaurante de e para locais.  Nunca vi um turista ali, e talvez por isso fui muito bem tratado. Lá tive contato com vários pratos do dia a dia. Um deles que gosto muito é o Aloo Phujia, um prato a base de batatas bastante picante e aromatizado com sementes de cominho. Muito bom também!

A pimenta está presente na maioria dos pratos. Ela pode chegar suave ou arrebentando. Em restaurantes acostumados com fregueses estrangeiros o garçom sempre pergunta. Nos restaurantes de beira de estrada o bicho pega! Comi pratos muito apimentados.  De peidar e queimar a cueca! Por outro lado, muitas vezes me surpreendi, hora com a delicadeza, hora com a robustez das ervas e especiarias.

Pimenta verde empanada. Índia.

Pimenta verde empanada. Índia.

Vendedores de especiarias, Índia

Vendedores de especiarias, Índia

A pimenta é característica importante da culinária indiana.

A pimenta é característica importante da culinária indiana.

No período que fiquei na casa de Juity e Aman, nos revezamos na cozinha. Foi uma troca de experiências bem bacana. Pude prestar atenção em vários preparos, conhecer alguns ingredientes local, como vegetais frescos e especiarias. Proporção dos temperos e como eles se relacionam e se interferem. Temperatura do fogo. Um detalhe bastante interessante é que cozinham sem forno, em um fogão de apenas duas bocas. Com isso adquiriram agilidade, habilidade e criatividade na arte de preparar um jantar mais sofisticado. E eu ali, só de butuca! Aproveitando a oportunidade.

Durante minha visita no Rajastão, em um dia de chuva forte, entrei por acaso em um restaurante que também oferece aulas práticas. Na aula, cada um escolhe um prato do menu e todos acompanham o preparo, com um pequeno acréscimo na conta.  Foi uma experiência interessante. Foram 3 pratos: O Paneer Butter Masala (o meu favorito); o Palak Raita, um prato a base de espinafre e yogurte; e o Mutter Mushroom, cogumelos com ervilhas servido em um espesso molho de tomate com castanha de caju.

O arroz também é muito consumido. A variedade é enorme! São aromatizados, saborosos e coloridos. Os currys também aparecem em quase todos os cardápios, assim como sopas ou caldo de lentilhas com vegetais chamados dals. O ghee, ou manteiga sem a parte da lactose, é indispensável na cozinha indiana. Substitui o óleo e supre a falta de azeite. Ela tem a característica de realçar o sabor e aroma dos alimentos.

As sobremesas que provei são extremamente doces e na grande maioria usa-se leite como base. O arroz-doce foi meu favorito. Também com uma leve predominância do cardamomo. O doce de mamão verde e uma espécia de ambrosia também agradaram. Tem um sorvete de cardamomo em forma de cone que também é interessante.

A comida de rua indiana é variada e abundante. Infelizmente as condições de higiene são precárias. Confesso que me arrisquei algumas vezes, mas no geral, segui referências de guias de viagens ou moradores locais. Vi muita coisa que gostaria de ter provado, mas não tive coragem de arriscar. Uma experiência incrível foi fazer um tour gastronômico guiado em Chandni Chowk, um dos maiores centros comerciais de Deli. Guardadas as proporções, poderia ser comparada com a região da 25 de Março em São Paulo. O tour dura 3,5 h. Você paga o que comer e no final oferece a quantia que achar justo para o guia. São de 8 a 10 surpresas entre quitutes, pratos e sobremesas. Só lugares tradicionais. Foi ali que comi a samosa mais apetitosa, um carneiro gostoso, e tive coragem de experimentar o Jalebi, que tinha um pouco menos de mosquitos do que nas outras vendas. Foi legal pacas!

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Mercado de rua em Chandni Chowk, Deli, Índia.

Rabri Faluda, doce indiano

Rabri Faluda, doce indiano à base de leite, açúcar e cardamomo servido  sobre espaguete (noodols) de arroz.

Jalebi, doce indiano.

Jalebi, doce indiano. Massa frita com xarope de açúcar.

O mundo culinário da Índia, assim como quase tudo, mostrou seus altos e baixos. Por um lado, a falta de higiene e cuidado com os alimentos, e a dificuldade em obter qualidade, foram os pontos negativos. E aqui falo da regra, não da exceção. (Infelizmente, os padrões de higiene da sociedade refletem diretamente na forma em que os indianos manipulam os alimentos, e o resultado disso é de tirar o apetite).  Por outro, a robustez e seus sabores fortes e exóticos foram marcantes, confirmando a minha expectativa; mas também me surpreendi ao encontrar sutileza. Experimentei pratos onde os sabores não se sobrepõem, chegando cada um no seu tempo, dando as boas vindas, deixando a língua incrivelmente excitada. Combinações improváveis, enormes quantidades de temperos usados em cada prato, novos ingredientes. Tudo isso aguçou a minha curiosidade e imaginação. A cozinha indiana é tão especial, que mesmo eu sendo um carnívoro voraz, consegui sobreviver numa boa no mundo ovo-lacto-vegetariano. E isso, nem eu sabia que era capaz!