Monte Halla e a despedida da Coréia do Sul

Ainda com a sombra do terrível incidente da morte do coreano na cabeça, fiz uma dura caminhada ao cume do Hallasan ou Monte Halla, situado a 1950 m de altitude, no centro da Ilha de Jeju antes de me despedir da Coréia do Sul.

Depois de 3 dias na inércia, decidi que já era hora de deixar o episódio da morte do coreano para trás. É claro que eu ainda tinha as cenas bem vivas em minha memória, mas já não aguentava mais ficar no albergue alimentando aquelas lembranças. Precisava fazer algo, e resolvi visitar o Monte Halla, uma cratera de vulcão adormecido a mais de 1000 anos.

Meu dia começou cedo. Levantei 5:30h da manhã, com tempo chuvoso e muito frio e de táxi fui até o pé da face norte da montanha. O albergue YEHA oferece uma promoção bem legal e divide o táxi com os hóspedes. A corrida sai por pouco mais de US$ 5, e leva apenas 15 minutos. 4 vezes mais rápido que o ônibus.

Eu havia checado a condição do tempo na internet e a forte neblina no pé da montanha não batia com a previsão que era de dia  ensolarado. Quase voltei com o mesmo táxi. Mas o yr.no, o site norueguês que uso para checar a previsão do tempo desde o projeto Noruega by Bike erra muito pouco. Resolvi acreditar mais uma vez nele e lá fui eu, com muito frio.

A face norte é a rota menos escolhida para chegar ao cume. São 8,9 km e é bem íngreme e complicada, com muito gelo no caminho e o uso de crampões ou grampões torna-se obrigatória. Em alguns trechos a neve estava bem fofa e acabei afundando algumas vezes até o joelho. Meu tênis chegou a molhar bastante, mas as meias de lã de carneiro que uso para pedalar quando está muito frio conseguiram segurar a onda. Foram 4 horas bem puxadas até o pico mas o esforço compensou. Depois que ultrapassei a forte neblina o sol apareceu e deixou o visual magnífico!

Início da trilha com muita neblina e gelo. Hallasan - Jeju - Coréia do Sul.

Início da trilha com muita neblina e gelo. Hallasan – Jeju – Coréia do Sul.

Depois da espeça nebilna o sol chegou com força e deixou o visual magnífico. Trilha do Monte Halla - Jeju - Coréia do Sul.

Depois da espeça nebilna o sol chegou com força e deixou o visual magnífico. Trilha do Monte Halla – Jeju – Coréia do Sul.

Trilha para o cume do Monte Halla - Jeju - Coréia do Sul.

Trilha para o cume do Monte Halla – Jeju – Coréia do Sul.

Lindo visual na trilha do Monte Halla - Jeju - Coréia do Sul.

Lindo visual na trilha do Monte Halla – Jeju – Coréia do Sul.

Vista do cume da cratera do vulcão do Monte Halla - Jeju - Coréia do Sul.

Vista do cume da cratera do vulcão do Monte Halla – Jeju – Coréia do Sul.

A descida pela face leste foi bem mais tranquila, embora um pouco mais longa, 9,6 km, é bem menos inclinada no entanto muito mais movimentada. Levei apenas 2 horas para descer. Fiquei impressionado com a quantidade de turistas que cruzei na descida. Na base da montanha, peguei um ônibus e voltei para o albergue.

A viagem de navio durou 12 horas noite adentro. Das 19h ás 7 da manhã. Em Busam, mais uma vez tive  a ajuda de Seok, que já havia me recebido na minha primeira passagem pela cidade e as coisas ficaram bem mais fáceis. Membro do Warm Showers, Seok já havia providenciado a caixa para empacotar a bike, me ajudou no processo e foi super gentil ao se levantar 4:30h da madrugada para me levar para o aeroporto, mostrando mais uma vez a incrível hospitalidade do povo coreano.

 

Coreano Seok de frente para um delicioso prato de sashimi à moda coreana.

Coreano Seok de frente para um delicioso prato de sashimi à moda coreana.

Tudo vinha bem na Ilha de Jeju, até que vi a morte de perto!

Jeju é a maior ilha da Coreia do Sul e um dos principais pontos turísticos do país. Além dos 560 mil habitantes, a ilha recebe todos os dias milhares de turistas. E não é por menos!

Formada por erupções vulcânicas, a ilha oferece lindos visuais de rochedos, praias de areias brancas e negras, cavernas, montanhas, cachoeiras, e muito contato com a natureza. A ilha também é famosa por diversos campos de golfes, plantações de tangerina e pelo chá verde.

Eu dei a volta completa na ilha. Pedalei exatos 231,5 km. Enfrentei vento forte, chuva e frio e o dia mais triste da viagem. Tudo vinha muito bem até aquele momento. Estava aprendendo bastante, animado com a boa comida e o lindo visual que a ilha oferece a cada curva contornada.

Fotografei os Dol-Harubang, as estátuas de pedras vulcânicas, consideradas deuses pelo povo local, que acreditam trazer proteção e fertilidade, além de proteger contra os demônios da realidade. Elas estão espalhadas por toda a ilha em diferentes formas e tamanhos.

Ilha de Jeju na Coreia do Sul

Dol-Harubang, estátuas de pedras vulcânicas na Ilha de Jeju na Coreia do Sul

Conheci as Haenyeo ou as Sereias de Jeju que contam uma história bastante interessante sobre a cultura local. O povo de Jeju possui uma relação estreita com a pesca. Com os homens trabalhando em alto mar por semanas, as mulheres começaram a explorar a costa em busca de alimentos e adotaram a prática do mergulho em busca de algas, mariscos e moluscos, uma fonte inesgotável de alimentos naquela região. Com mais gordura corporal, se adaptaram melhor a temperatura da água e em tempo de escassez, ou com a dificuldade dos homens em arrumar uma embarcação para trabalhar, elas passaram a ser chefes de família, criando um forte atrito na cultura machista da Coreia, deixando os homens com as crianças e cuidando do lar. Usando apenas o ar dos pulmões, elas chegam a ficar 1 minuto debaixo da água e alcançam a profundidade de 20 m. Para recuperar o fôlego, soltam uma espécie de assobio característico conhecido como sumbisori,  que me deixou com a pulga atrás da orelha antes de saber da história, sem saber de onde vinha o som ou onde estava o passarinho. Só mais tarde descobri que o som brotava dos pulmões.

Hoje, devido aos ataques de tubarões e riscos cardíacos causados pelo mergulho, e a falta de interesse das jovens em um trabalho tão difícil, existem menos de 5.000 mergulhadoras, e mais da metade acima de 60 anos. Embora em número bastante reduzido, essas mulheres se organizaram, criaram cooperativas, lojas e restaurantes e são consideradas as protetoras do mar e do meio ambiente, continuando a influenciar a cultura e o meio de vida dos moradores da ilha.

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As Haenyeo – Sereias da Ilha de Jeju. Coreia do Sul.

Mas foi no Seongsan Ilchulbong que a minha viagem na ilha terminou, mesmo tendo mais um dia de pedal. O Seongsan Ilchulbong é a cratera de um vulcão adormecido no extremo leste a Ilha de Jeju. Com 182 m de altura, possui formação cônica, típica de um vulcão, com uma enorme cratera criada a mais de 5 mil anos. Fiquei mais impressionado com a vista de fora do que propriamente da cratera. Mesmo porque, foi nas escadarias em busca do topo que tive a pior experiência da viagem.

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Seongsan Ilchulbong, vulcão na Ilha de Jeju, Coreia do Sul

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Cratera do Seongsan Ilchulbong, Ilha de jeju, Coreia do Sul

 

Eu vinha em passos firmes, degrau por degrau. Com o vento gelado e a eminência de chuva adotei um ritmo mais rápido que as pessoas e segui determinado. Subir, fazer umas fotos e descer o mais rápido possível para fugir do vento gelado e procurar algum lugar para comer e passar a noite. E não sei no que eu pensava… acho que contava os degraus. Estratégia para chegar logo ao topo e não prestar atenção no esforço físico. No caminho, famílias, crianças, idosos. Todos os bancos ocupados servindo de descanso para recuperar o fôlego. E eu lá, me sentindo orgulhoso com a minha forma física.

Olhava para cima sem parar de contar. 365, 366, 367… Aí notei algo errado! Um grito. Um som oco! Um corpo no chão! Pessoas pararam de subir obstruindo o caminho… Olhar de espanto! Meio que por instinto continuei a subir e o corpo escondido pelos degraus começou a aparecer. Vi a respiração agonizante e o desespero dos familiares enquanto todos os outros se afastavam… Exitei por alguns segundos… mas não pude me omitir…

A medida que me aproximava fui tirando a máquina fotográfica do pescoço e a mochila das costas… e fui buscar na memória os conhecimentos que obtive em um treinamento de primeiros socorros anos atrás. Apontei para uma moça que certamente era parente e disse apenas ambulance, fazendo o sinal universal de telefone com a mão. Eu me lembrava que a primeira coisa a ser feita é determinar uma pessoa para pedir ajuda. Caso contrário a ajuda pode não chegar. Tipo, deixa que eu deixo ou achei que alguém tinha feito isso. Enquanto fui alinhando o corpo pesado, um rapaz chamava o homem pelo nome, batendo no rosto na tentativa de acorda-lo. Vi restos de alimento dentro da boca. Me deu nojo! Ele agonizando…  Eu havia visto um segurança alguns metros abaixo. Sabia que ninguém ali falava inglês. Disse apenas duas palavras para um menino. Ele entendeu rápido e saiu descendo as escadas para chamar o segurança. Eu sabia que precisava verificar se havia alimento na garganta… O rosto começava a ficar cada vez mais vermelho e a respiração agonizante aumentava. Aquela visão me amedrontava e tirava a minhas forças. Aí veio uma respiração longa, o rosto foi avermelhando, a impressão que tive era que o homem explodiria… De vermelho ficou roxo,e a respiração parou… Minha nossa! Eu não tinha forças para colocar a minha mão, muito menos a minha boca na boca daquele homem… Me sentia culpado! Pedi para o rapaz enfiar a mão na garganta do homem e limpar, com outro gesto típico… Ele entendeu… e em meio a seus dedos veio um punhado de arroz… Fiquei ainda mais enojado e quase vomitei… Exitei mais uma vez e quase levantei… Sabia que era o único que poderia tentar fazer alguma coisa e comecei a pensar na distância que estávamos de algum socorro.

Comecei a comprimir o tórax… contando agora as compressões… 1, 2, 3… pensando que não ia dar para fazer respiração boca a boca… 11, 12, 13… estava com nojo e ao mesmo tempo assustado… 21, 22, 23… quando cheguei nos 30 pedi para o rapaz, mais uma vez com sinal. Me senti culpado! E nem olhei… Falei apenas 2 em inglês… Two… E comecei a manobra novamente… No 30 ele fez mais duas respirações… Mas o pavor tomou conta e ele começou a fazer a respiração em uma frequência menor e desordenada. Eu comecei a me cansar e já estava sem forças para afundar o tórax daquele homem como deveria… Pedi para o segurança assumir o meu lugar… Tentei explicar que precisaria ser mais forte e profundo… mas o homem continuou em seu ritmo, sem a força necessária. Tirei as luvas e o gorro. Já estava suando. Retomei. Sem antes notar a esposa segurando a mão com as pontas dos dedos roxo. Mas não consegui ficar muito tempo. O segurança reassumiu o meu lugar. Um fio de esperança… mesmo com a certeza do pior…ouvi a sirene da ambulância… muito tempo se passou… a sirene estava longe e por mais que corressem era impossível subir as escadas em menos de 5 minutos. Já estávamos perto do topo. Fui me afastando… peguei minhas coisas… vi o olhar do rapaz… ele me olhou… não sei se me agradecia ou se cobrava a minha presença. Eles pararam também. Eu subi, sem olhar para trás.

A pressa da subida desapareceu. Eu me sentei para esperar. Não queria ver aquele corpo novamente e buscava explicação para tudo aquilo. Por que justo na minha frente? E agora, como vou tirar isso da minha cabeça? Quebrou o clima da minha viagem! Que egoísta! O cara morreu!!! Mas justo na minha frente!!!

Tudo que eu pensava me gerava culpa e frustração… Será que fiz tudo que eu pude? Mas não era minha responsabilidade… Que é isso!!! Nessas horas tem que se doar ao máximo! Por que eu parei antes de chegar o socorro! Meu amigo, passou mais de 15 minutos… chances zero! Ahhh.. Agora virei Deus!! Matei o sujeito! É realidade!!

Eu estava confuso e dava tudo por um consolo… Não sabia em que pensar… Aí surge essa imagem no céu…

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… um raio de luz em meio ao mal tempo…

Seria uma mensagem, a alma indo embora ou um recado para minha falta de fé? Minha nossa! Não sei como consegui tirar a foto! Pura coincidência!! Quando vou conseguir apagar essa imagem da cabeça?

Com a cabeça molhada de suor o frio me trouxe de volta a razão… Desce logo ou você será o próximo! Para com isso meu! Eu já entendi… vou descer… mas não precisa dramatizar assim…

E enquanto eu descia minha mente trabalhava e ao mesmo tempo que me senti vulnerável sabia que precisava ser forte.

Passei pelos médicos e socorrista… o corpo ainda estava lá! Olhei pela última vez, mesmo sem querer… me desculpei! Continuei descendo… fora de mim…

Quando cheguei na sala de operações, onde havia deixado minha bike, avistei um desfibrilador… Minha bicicleta estava bem em frente, obstruindo a passagem…

Aqui?! Isso era para estar lá em cima!!!!! Tive vontade de gritar com os funcionários… não tive força! Calmamente apontei para o aparelho e fiz um sinal com o indicador… Lá em cima! Eles abaixaram a cabeça complacentes… Se o aparelho tivesse lá em cima as chances do homem eram bem maiores…

Mas não tinha forças de falar naquela hora…

A imagem daquele homem parece uma sombra em meus pensamentos. Não consigo pensar em outra coisa. Tudo que eu faço não é capaz de apagar o que vivi. Sei que só o tempo vai amenizar. Isso já faz 3 dias. E resolvi escrever para tentar colocar para fora e esquecer de vez essa história. Até tentei ilustrar o texto com algumas histórias interessantes. Acho que estou confuso! Me desculpem por isso! Não sei! Um sentimento triste toma conta de mim…

 

 

Algumas fotos que fiz de Seul até Busan na Coréia do Sul

Com um frio de lascar fica difícil fazer fotos. Quando se tira a luva os dedos enrijecem rapidamente e depois fica dolorido segurar no guidão. As pontas dos dedos adormecem e isso acaba me desestimulando um pouco. Outro ponto é que em algumas vezes a máquina que viaja no quadro da bike não responde muito bem ou simplesmente não funciona. O botão do zoom, por exemplo, quando acionado para aproximar a imagem não para e corre até o final. Mesmo assim, consegui alguns clicks nessa primeira etapa da viagem pela Coréia do Sul.

Ponte refletida em rio congelado - Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Ponte refletida em rio congelado – Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Por-do-sol na  Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Por-do-sol na Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Neve na floresta - Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Neve na floresta – Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Cascata de gelo - Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Cascata de gelo – Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Rio parcialmente congelado - Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Rio parcialmente congelado – Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Vendedora de mariscos - Mercado de peixes - Busan - Créia do Sul

Vendedora de mariscos – Mercado de peixes – Busan – Créia do Sul

Busan - Coréia do Sul

Busan – Coréia do Sul

Foto clássica da Gwangandaegyo Bridge - Busan - Coréia do Sul

Foto clássica da Gwangandaegyo Bridge – Busan – Coréia do Sul

 

Ciclovias na Coréia do Sul

Em 2012 o governo sul-coreano investiu pesado na construção de ciclovias inter municipais e busca cada vez mais incentivar a população a usar a bicicleta como forma de lazer e promoção de saúde. Oficialmente o país possui mais de 2.000 km de ciclovias pavimentadas, muito bem sinalizadas e seguras, e com boa estrutura para cicloturistas, que aumenta a cada ano.

Buscando incentivar ainda mais a prática de viajar de bicicleta, a Korea Turism Organization criou um Passaporte e distribui várias cabines de certificação pelas ciclovias. Cada cabine possui um carimbo e a cada ciclovia percorrida, uma estampa é anexada ao passaporte. Quando o passaporte é totalmente preenchido o cicloturista recebe uma medalha de honra.

Além de mapas e guias, o site: http://www.bike.go.kr, oferece todas as informações necessárias para viajar de bicicleta pela Coréia do Sul.

Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Jovens coreanos se divertindo na Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Disparado, essa foi a melhor ciclovia que já conheci. A maior parte do percurso é por faixas exclusivas, e quando é compartilhadas com carros, são usadas sempre estradas secundárias com pouquíssimo movimento. Placas de sinalização alertam os motoristas e também guiam os ciclistas com precisão, sem causar nenhuma dúvida do caminho a seguir. Nessa primeira etapa, pedalei por 600 km e não encontrei dificuldades em seguir o percurso. Bombas de ar para encher os pneus, áreas de descanso, água e banheiros são encontrados de tempos em tempos. Sempre margeando os rios, é praticamente plana. Foram apenas 4 montanhas de no máximo 550 m de altitude.

Bomba de ar, informações e mapas na Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Bomba de ar, informações e mapas na Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Mapa detalhado na Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Mapa detalhado na Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Jeff, amigo que fiz durante a viagem, orgulhoso com seu passaporte em uma das cabines de certificação na Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Jeff, amigo que fiz durante a viagem, orgulhoso com seu passaporte em uma das cabines de certificação na Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Jejj mostrando os carimbos de seu passaporte. Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Jejj mostrando os carimbos de seu passaporte. Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Placas de sinalização na Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Placas de sinalização na Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

Definitivamente o inverno deve ser evitado. Além de pedalar com temperaturas abaixo de zero, as paisagens perdem um pouco do fascínio, já que tudo está queimado pelo gelo. Se for pedalar no inverno, o melhor é seguir de Seul para Busan, pois o vento sopra prioritariamente neste sentido nesta época do ano, no verão, a coisa inverte.

Último centro de certificação na Ciclovia Seul - Busan - Coréia do Sul

Último centro de certificação na Ciclovia Seul – Busan – Coréia do Sul

 

 

 

A incrível hospitalidade dos coreanos

Estou impressionado com a hospitalidade e solidariedade dos coreanos. A cada dia uma surpresa diferente e já posso afirmar que seu povo é o que o país tem de melhor!

Ainda em Seul conheci Jinwon Choi. Ele abriu mão do sábado com a família para me dar apoio em busca de uma bicicletaria, me levou para jantar e ainda me apresentou o Jjimjilbag, o tal SPA, super apreciado pelos coreanos. Tivemos tempo de bater um longo papo! Daqueles de amigo de longa data, sabe como é?! Parecia que nos conhecíamos a muito tempo, e com certeza fizemos uma amizade para sempre.

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Eu e Jinwon Choi em típico restaurante coreano em Seul.

 

Depois foi a vez de encontrar no final do meu primeiro dia de pedal na Coréia do Sul três garotos que me ajudaram a encontrar um Jjimjilbang. Nos encontramos na ciclovia e curiosos ao ver minha bicicleta super carregada começamos a conversar. Com um plano modesto de viajar por um dia até Yangpyonggun, lugar onde nos encontramos, os garotos ficaram empolgados com a minha história. Era domingo e o único Jjimjilbang da cidade estava fechado. Determinados em não me deixar na mão, fomos em duas igrejas que negaram a investida de me dar abrigo. Embora muito cansados, não mediram esforços em me guiar até a cidade vizinha e só se deram por satisfeito depois que a recepcionista do Jjimjilbang arrumou um lugar seguro para minha bicicleta e alforjes. Eles realmente estavam bem cansados, pois um deles não conseguiu acompanhar o nosso ritmo em uma subida e ficou aguardando seus amigos voltarem. Ficamos apenas uma hora juntos. Infelizmente não consegui gravar os nomes. Mas pela feição dos garotos acho que eles ficaram tão felizes quanto eu!

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Ajuda muito bem vinda em Yangpyonggun – Coréia do Sul.

 

No segundo dia de pedal encontrei 5 amigos na ciclovia. Quatro rapazes e uma garota que era a única que falava um pouco de inglês. Mesmo muito mais rápidos do que eu, pois viajavam apenas com uma pequena mochila nas costas, faziam questão de me esperar a cada bifurcação, mesmo eu mostrando meu GPS. Simpáticos e sorridentes, mas sobre tudo curiosos, me pagaram o almoço e pedalamos juntos até que um deles começou a sentir o joelho. Expliquei a minha pressa, pois tinha que encontrar Kim, membro do warm showers, e segui em frente, pois já estava bem atrasado e Kim me esperava em um ponto da estrada exposto ao frio. Foi uma despedida rápida, e não lembramos de trocar os telefones. Deixei o meu cartão em um centro de certificado da ciclovia, passagem obrigatória para colher um carimbo no passaporte, que totalmente carimbado, dá direito a um certificado e uma medalha de conclusão, e fiquei torcendo para eles encontrarem. Dois dias depois me ligaram. Pelo que entendi, um outro grupo achou o meu cartão e coincidentemente se encontraram em um Jjimjilbang. Vou saber detalhes desta história daqui uns dias, pois prometemos de nos reencontrar em Busan.

Eu e os garotos coreanos em uma rápida parada para lanche.

Eu e os garotos coreanos em uma rápida parada para lanche.

A minha primeira experiência com warm showers por aqui foi sensacional!

Kim Jun Young pedalou 11.000 km pelos EUA e 10 países da Europa, e fez de tudo para retribuir o carinho que recebeu por lá. Eu fui seu primeiro hóspede do warm showers e só posso dizer que estou muito agradecido pelo carinho que recebi dele e de seus pais. Dedicado em querer ajudar de todas as formas, não poupou esforços para buscar informações, me deu dicas valiosas e conseguiu depois de muito trabalho, desenhar a rota até Busan em meu GPS. Me levou para um city tour na região, e me apresentou deliciosos pratos típicos. O Sr. e a Sra. Kim, pareciam viver dentro de casa as histórias do filho durante sua dura jornada. Simpáticos, hospitaleiros e com um sorriso que deixava claro a felicidade em retribuir o carinho que o filho recebeu do outro lado do mundo. A casa dos Kims foi mais um daqueles lugares que eu fui embora querendo ficar mais.

Família Kim. Chungju - Coréia do Sul

Família Kim. Chungju – Coréia do Sul

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Kim Jun Young preparando um típico prato sul coreano.

 

Passeio na região gelada de Chungju, Coréia do Sul.

Passeio na região gelada de Chungju, Coréia do Sul.

Depois foi a vez de encontrar um trio de garotos coreanos, Jaekang, Keanha e Minbum, que também estão pedalando até Busan. Nos encontramos já perto de anoitecer e pedalamos no escuro por quase 20 km em busca de um Jjimjilbag. Nessa altura já havíamos pedalados perto de 100 km e o frio de – 3 ° C castigava bastante. Já perto do Jjimjilbang, decidimos comer em um restaurantes, aliviados com a proximidade do nosso destino. Jantamos e mesmo com dificuldade em nos comunicar, já que não falam muito bem inglês, conseguimos bater um bom papo e saber o que cada um faz. Aquele papo trivial que sempre rola no primeiro encontro. Quando chegamos ao Jjimjilbang foi como um balde de aguá fria receber a notícia de que ele fechava ás 23h. Já era 22h. Além de voltar a pedalar no frio com o corpo já frio novamente, eu sabia que teríamos de pedalar mais 28 km para encontrar o próximo Jjimjilbang, caso contrário teria que gastar uma boa grana em um dos hotéis de luxo da cidade. Enquanto eu buscava um lugar barato nos aplicativos Hoteis.com e Bookung.com sem sucesso no meu celular, meus amigos conversavam entre eles e faziam o mesmo. Minutos depois, acharam um hotelzinho e me convidaram para dividir um quarto US$ 5 mais caro que o Jjimjilbang a apenas 1.5 km. Um achado!

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Eu, Jaekang, Keanha e Minbum em Gumi Coréia do Sul. Garotada nota 10!