Estrada Nacional n° 6… de tirar o fôlego!

A estrada nacional n° 6 é a maior da Nova Zelândia com 1 162 km. Situada na ilha sul, ela liga Invercagill (extremo sul), até Blenheim (extremo norte), sendo a única opção para cruzar a costa oeste do país. A rodovia não é lá muito segura para os ciclistas. Além de caminhões em alta velocidade, praticamente não existe acostamento, é muito sinuosa e geralmente a pista está molhada e com neblina, já que chove muito nesta região. Para dificultar, ela é extremamente ondulada, um sobe e desce danado… quando não é sobe, sobe, sobe… Em contrapartida, a estrada oferece vistas lindíssimas e todo ciclista que encontrei possui ela no roteiro.

De Wanaka, já percorri 617 km na Highway 6, como ela é conhecida, cruzando os alpes, planícies ou contornando o litoral. Entre cidades, vilarejos, povoados, e atrações turísticas espalhadas pelo caminho, a estrada possui longos pontos sem apoio e paisagens bucólicas que contrastam com a velocidade dos caminhões que abastecem os grandes laticínios da região. Ainda tenho cerca de 300 km para percorrer na n° 6 até Picton, e aí vale a torcida por um tempo melhor, para não dar M…, como sugere a última foto! kkk

Wanaka - Nova Zelândia

Wanaka – Nova Zelândia

Lake Hawea - Nova Zelândia

Lake Hawea – Nova Zelândia

Lake Hawea - Nova Zelândia

Lake Hawea – Nova Zelândia

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Fox Glaciar – Nova Zelândia

Franz Josef Glaciar - Nova Zelândia

Franz Josef Glaciar – Nova Zelândia

Floresta ao lado da estrada n° 6 - West Coast - Nova Zelândia

Floresta ao lado da estrada n° 6 – West Coast – Nova Zelândia

Estrada n° 6 - West Coast - Nova Zelândia

Estrada n° 6 – West Coast – Nova Zelândia

Pankake Rocks - Paparoa national Park - Nova Zelândia

Pankake Rocks – Paparoa national Park – Nova Zelândia

Estrada n° 6 - West Coast - Nova Zelândia

Estrada n° 6 – West Coast – Nova Zelândia

Emergência!!! Parada estratégica em Camerons - Nova Zelândia.

Emergência!!! Parada estratégica em Camerons – Nova Zelândia.

 

Jordi: Um bravo ciclista espanhol!

Encontrei com Jordi no aeroporto de Christchurch no dia em que chegamos na Nova Zelândia. Passamos a noite no aeroporto e depois seguimos por caminhos diferentes. Dias atrás nos encontramos em Wanaka, e estamos pedalando juntos desde então!

Jordi e eu começando o dia em Franz Josef Glacier

Jordi e eu começando o dia em Franz Josef Glacier

Jordi é um guerreiro audacioso! Muito resistente ao frio! Destemido! Pedala sem roupas impermeáveis e não quer nem saber! É um daqueles caras que serve para desmistificar o meu post anterior! Ele começou a pedalar na Austrália e não sabe ao certo sobre o futuro, mas pretende chegar em Auckland pedalando, depois vai voar para Hawai e USA. Sua força e coragem é de impressionar! Parabéns Jordi!

Jordi pedalando na chuva com muita bravura!

Jordi pedalando na chuva com muita bravura!

 

Ahhh… e quando chove? Nada de “Aureliar”, hein!!!

Uma das poucas vezes que tive coragem de tirar a máquina fotográfica do alforje. Dá-lhe chuva!!

Uma das poucas vezes que tive coragem de tirar a máquina fotográfica do alforje. Dá-lhe chuva!!

Muita gente tem curiosidade em saber como é viajar de bicicleta com chuva. Então sobe na garupa aí que vou explicar!

Choveu e ventou muito na última semana. Na boa, em 7 dias de pedal apenas duas manhãs com sol! De resto, garoa, chuva moderada, pé d´água! Sempre molhado!

Quando está calor é uma coisa, mas quando está frio a coisa muda de figura!

A primeira providência a ser tomada quando chove e está frio é com a vestimenta. Ficar molhado e exposto ao frio pode comprometer a viagem seriamente e é por isso que uso roupas impermeáveis. Da cabeça aos pés, tudo coberto! Assim, a temperatura corporal mantem o corpo aquecido… o problema começa a surgir com o suor. Depois de algum tempo pedalando a transpiração é inevitável e se é possível não permitir que a água da chuva penetre, é inevitável evitar o suor. Para amenizar a sensação de frio, visto uma camada de roupa conhecida como “primeira pele”, que é feita de um tecido sintético que mesmo molhado, mantém a temperatura corporal, mesmo porque, a próxima camada de roupa, geralmente de fleece ou lã, retem o calor que vem do corpo e isola o frio que vem de fora… E só então visto a roupa impermeável e contra vento. Assim sigo confortável, sem frio, até que meu corpo resfrie novamente… Geralmente isso acontece quando paro para descansar… O corpo esfria, a roupa gela rapidamente e a única coisa a fazer é trocar a primeira pele ou voltar a esquentar o corpo pedalando!

Geralmente na noite anterior faço uma pesquisa na internet para saber se vai chover, que horas ela está prevista e em que intensidade. Então já deixo tudo preparado e organizado. O problema maior em se pedalar na chuva é quanto a segurança, já que o asfalto fica mais escorregadio e a visibilidade dos carros diminuem. Todo molhado e com luvas fica difícil fazer fotos e geralmente pedalo mais forte para se livrar dessa situação o mais rápido possível. O foco de um dia de muita chuva é conseguir um abrigo e terminar o pedal o mais rápido possível!

A  coisa pode piorar um pouco se tiver que acampar. Até montar a barraca tudo bem, já estou molhado mesmo!!! Aí tem que trazer os alforjes (molhados) para dentro da barraca, tirar a roupa molhada, colocar a roupa seca com cuidado para não molhar… pois tudo está molhado! E onde colocar as roupas para secar? As mais importantes como o fleece e a primeira pele vão para dentro do saco de dormir comigo… a temperatura corporal ajuda a secar… Aí a aguá escorre das roupas impermeáveis e o chão da barraca começa a ficar alagado… Uso qualquer pano para secar, ou mesmo alguma peça de roupa. Pô! Mais eu estou com fome! Então com tudo organizado dentro da barraca começo a preparar algo pra comer…

Seco, barriga cheia, confortável dentro do saco de dormir, eu que não vou sair daqui para fazer xixi, então uso uma garrafa pet (de boca larga, já que propaganda nunca é demais, kkkk) e durmo pensando: Putz!!! Vou ter que guardar a barraca toda molhada dentro do alforje pela manhã! Mas fazer o quê? Na boa! É claro que eu prefiro pedalar com tempo bom… e muitas vezes nem tô aí quando pego chuva no caminho! Mas confesso que começar o pedal quando está chovendo… ahhh isso eu detesto!!!!

Acampamento em Ianthe Lake - Nova Zelândia

Acampamento em Ianthe Lake – Nova Zelândia

E sabe o que é o pior de tudo isso? É que alguns amigos do clube de cicloturismo do Brasil criaram o verbo “Aureliar”, referindo-se a minha falta de vontade de pedalar quando esta chovendo! Pura injustiça!!!

 

Proibido pedalar com chuva! kkkkk

Proibido pedalar com chuva! kkkkk

 

 

 

Quennstown, a capital mundial dos esportes radicais tem sotaque português e veste verde e amarelo!

Queenstown é linda! Lugar paradisíaco!

Queenstown - Nova Zelândia.

Queenstown – Nova Zelândia.

Cercada por lindas montanhas com picos nevados, lindas florestas de pinheiros e as margens das águas azul-esverdeadas do lago Wakatipu, a cidade de pouco mais de 20 mil habitantes é considerada a capital mundial dos esportes radicais. A lista para quem gosta de aventura é enorme! Vai de caminhadas a saltos de pára-quedas, passeios de elicópteros, bungy jump, escaladas, ski, canoagem, pista de downhill… e tudo o mais que se pode imaginar.

O problema são os preços… para se ter uma ideia o bungy jump mais barato gira em torno de NZ$ 175,00. É sempre assim, onde tem turista os preços são altíssimos! Eu consegui economizar uns trocados em hospedagem graças ao Guilherme, brazuca de Vitória. Ele se identificou com a minha viagem e acabou me convidando para ficar em sua casa. O cara tem uma história interessante, largou tudo no Brasil e tem a ideia de viajar o mundo. Chega nos lugares, junta uma grana e viaja até a grana acabar. Aí arruma outro trampo, e sai viajando de novo! (Ele dá dicas sobre a Nova Zelândia e mostra um pouco das suas aventuras https://www.facebook.com/theworlduponmyshoulders?pnref=lhc)

Guilherme segurando a minha bike na varanda da casa em Queenstown.

Guilherme segurando a minha bike na varanda da casa em Queenstown.

Assim como o Guilherme, existem muitos brasileiros vivendo aqui! No duro! Muito mesmo! Enquanto entrava na cidade pedalando, dois me pararam para bater papo quando viram a bandeira na minha bike; quando fui ao mercado, o carinha que arrumava as gôndolas conversava com a menina da padaria: _ O que vai rolar hoje?; A caixa era brasileira, quem fazia compras eram brasileiros… até na beira da lagoa, arriscando uma pescaria encontrei um casal de brazucas… A moça do hambúrguer, o cara da pizza… a menina da loja, o carinha do restaurante… No duro mesmo!!! Tudo brasileiro!! E onde tem brasileiro meu amigo, tem festa!!

As informações são variadas, no mínimo 3.500 e pode chegar a 8.000… Cada brazuca que encontrei fala em um número diferente… De qualquer forma, a comunidade verde-amarela empresta a irreverência e a alegria, ajudando deixar a cidade com um astral altíssimo. Queenstown é diferente de todas as outras cidades que encontrei na Nova Zelândia até agora. Agitada, cheia de festas e baladas,e muita gente nas ruas… é claro que nosso gingado deve contribuir bastante para isso!

Queenstown de longe - Nova Zelândia

Queenstown de longe – Nova Zelândia

 

 

 

 

 

 

 

 

Bati na porta da sorte!

Rapaz! De vez em quando agente dá uma sorte né?

Dias atrás eu mandei um mensagem para os Begg via warmshower solicitando um lugar para passar a noite. O Sr. John gentilmente me respondeu dizendo que não poderia me hospedar na data que solicitei, deixando a porta aberta caso meus planos mudassem…  Meus planos mudaram… consegui pedalar bem mais que eu esperava… Mandei uma mensagem e pumba!!! Na mesma hora ele respondeu dando o aval e lá fui eu… depois de uma noite sem banho na barraca, feliz da vida pensando em um delicioso banho quente.

Eles moram em Waimate, 310 km de Christchurch ao sul do estado de  Canterbury . Cheguei perto das 18h. Enquanto nos apresentávamos e trocávamos as primeiras palavras entre a cozinha e a sala de jantar, o cheiro do fogão parecia me dar as boas vindas… e depois de uma xícara de chá já estava seguro que conhecer os Begg seria uma ótima experiência gastronômica.

Ao saber que um dos meus objetivos é coletar receitas para o meu novo livro, Ms Glenda me convidou para ficar mais um dia para acompanhar a produção de 3 tipos de queijos. Mussarela, feta e o delicioso halloumi, uma espécie de queijo fresco de origem grega ótimo para fritar. Aí foi só alegria! Além dos queijos, ela se inspirou no meu objetivo e tratou de caprichar no rango! Ms Glenda adora cozinhar! Faz queijo, conservas, chuteneys, dips, pão e tudo mais! Cozinha que é uma belezura!

Fazendo queijo na casa dos Begg´s.

Fazendo queijo na casa dos Begg´s.

Café da manhã: Delicioso ovo com espinafre.

Café da manhã: Delicioso ovo com espinafre.

John servindo o almoço: Torta de salmão com molho de mostarda e curry com massa de arroz integral.

John servindo o almoço: Torta de salmão com molho de mostarda e curry com massa de arroz integral.

Jantar: Pizza.

Jantar: Pizza.

Além de boa comida e boa conversa, também encontrei carinho e hospitalidade na casa de John e Glenda. O casal me ofereceu um confortável quarto, lavanderia para colocar minhas roupas em ordem, internet, passeios na região e até uma pescaria… sem sorte é verdade, nada de peixes… mas o visual compensou!

Vinícola onde John trabalha.

Vinícola onde John trabalha.

Pescaria de madrugada... lá vem o sol!!!

Pescaria de madrugada… lá vem o sol!!!

Aí, ontem na estrada, depois da despedida, pedalei pensando: Não foi a sorte que bateu em minha porta, fui eu quem bateu na porta dela!

 

 

 

 

 

 

 

Por-do-sol e lua cheia, tempo nublado e ensolarado … Tudo ao mesmo tempo!

Situada na Ilha Sul, Christchurch foi meu ponto de partida na Nova Zelândia. A cidade está em fase de reconstrução já que em 2011 foi parcialmente devastada por um terremoto de 6,3° de magnitude na escala Richter. Com aproximadamente 350 mil habitantes é a segunda maior  cidade do país. Cerca de 70.000 pessoas deixaram a cidade depois do terremoto.

Igreja parcialmente destruída pelo terremoto de 2011. Christchurch – Nova Zelândia.

 

Minha ideia é seguir para o sul pelo lado leste até Dunedin. Depois vou cruzar a ilha para oeste passando por Queenstown e seguir para a Ilha Norte, conhecer a capital Wellington e algumas outras cidades fazendo meu ponto final em Auckland.

Nova Zelândia

Nova Zelândia

Meus primeiros dias de pedal foram no mínimo interessante. Deixei Christchurch debaixo de chuva e com vento forte vindo da lateral, pouco tempo depois o sol surgiu e o vento diminuiu consideravelmente, tornando a viagem agradabilíssima. Confesso que o relevo plano também me surpreendeu e acabei pedalando 115 e 97 km nos dois primeiros dias.

No primeiro dia minha intenção era pedalar até Rakaia, cerda de 60 km de Christchurch. Incentivado pelo bom clima e pelo terreno plano resolvi esticar até Ashburton, 30 km adiante. Depois fui forçado a pedalar mais 25 km procurando um lugar para acampar. Só achei um lugar na boca da noite, depois do por do sol. Pela primeira vez passei apuro para achar um lugar para acampar. Os pastos das fazendas chegam até bem próximo da estrada e são totalmente cercados e para piorar existe uma linha férrea ao longo de praticamente toda a estrada. Acabei acampando ao lado de uma estrada secundária, na entrada de uma fazenda. As fotos abaixo foram tiradas no mesmo momento, alguns minutos antes de eu encontrar um espaço para a barraca.

De um lado o por-do-sol...

De um lado o por-do-sol…

Do outro a lua cheia...

Do outro a lua cheia…

No segundo dia o terreno continuou plano. Apenas em Timaru cruzei pequenas montanhas. O fato curioso ficou por conta do clima. Do lado das montanhas com picos nevados, tudo cinza, muitas nuvens carregadas. Já do lado do litoral, céu azul e um colorido de tirar o fôlega!

Neve e céu nublado nas montanhas...

Neve e céu nublado nas montanhas…

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Hobart: meu último destino na Austrália e mais um amigo que fiz para a vida toda!

Meus últimos dias de Austrália não poderia ser melhor! Posso dizer que serviram para fechar com chave de ouro!

Apesar de achar que fiquei tempo suficiente na Austrália, estou partindo com uma sensação estranha… não sei explicar direito, mas é aquele negócio de achar que aqui poderia ser o lugar certo para viver, ou talvez, seria uma mistura de sentimentos de inveja e desejo que nosso país fosse parecido com a Austrália… É jargão brasileiro que mora aqui dizer que a Austrália é o Brasil que deu certo! Mais ou menos com as mesmas dimensões, praias e lugares maravilhosos, clima semelhante… Nem vou me aprofundar nesse assunto… Para o bom entendedor, meia palavra basta, não é verdade?

Com o compromisso de pegar o avião, cheguei em Hobart com alguns dias de antecedência. É sempre um perrengue viajar de avião com bicicleta. É aquele negócio todo de ter que desmontar e empacotar a bike, sair correndo em busca de uma caixa para colocar a bike dentro, distribuir o peso para não pagar excesso de bagagem, organizar o transporte para o aeroporto e tudo mais…

Só que desta vez foi diferente! Fui super bem acolhido por Jivanta, aquele mesmo cara que me falou do eclipse na travessia entre Melbourne e Tasmânia. Jivanta mora em Calrton River, perto de Hobart, a 30 km do aeroporto. Com todas as características de um bom anfitrião, me deixou super á vontade, fez questão de me mostrar as principais  atrações da região, me levou para pescar, e ainda me ajudou com os preparativos pré voo.

Com a ajuda de Jivanta, que até me emprestou seu carro, levei muito menos tempo que de costume para organizar as coisas e com isso sobrou tempo para um giro pela região. Se o vento gelado estragou a nossa pescaria, por outro lado trouxe o frio e a neve, dando um colorido todo especial ao Mount Wellington, uma montanha com 1271 m de altitude que é o principal cartão postal da cidade.

Mount Wellington - Hobart - Tasmània

Mount Wellington – Hobart – Tasmània

Dia gelado em Mount Wellington - Hobart - Tasmània

Dia gelado em Mount Wellington – Hobart – Tasmània

Hobart - Tasmània

Hobart . Ao fundo Mount Wellington – Tasmània

A foto acima foi a última que fiz na Austrália e me ajudará a lembrar por muito tempo o quanto esse lugar é bonito. Foram pouco mais de 4 meses, 3.700 km pedalados, e lugares únicos como a Great Ocean Road, Uluru, Sydney, Tasmânia, Kakadu National Park e muito mais.

Em meio a tudo isso, conheci pessoas e histórias maravilhosas, que vão temperando a minha viagem com muito aprendizado, me oferecendo a possibilidade de enxergar o mundo por diferentes prismas, ajudando na minha eterna busca em ser uma pessoa cada vez melhor.

 

Jivanta com os filhos em Hobart - Tasmània

Jivanta com os filhos em Hobart – Tasmània