Dia quente, sem montanhas, termina em churrasco na casa de brasileira.

Hoje pela primeira vez não precisei atravessar nenhuma montanha na Noruega.

Pista plana ao lado do rio Tana


Pedalei 43 km ao lado do rio Tana, o mais famoso rio do país quando se trata da pesca do salmão. O rio possui 318 km de extensão.
Quando cheguei a Austertana, em frente ao hotel, chamei a atenção de duas crianças. Quando o menino perguntou alguma coisa em norueguês, respondi que era brasileiro e então a menina sorridente disse que também era…
Juliana de 10 anos é filha de Alzenira que trabalha no hotel que estou hospedado. Chris de 6 anos é filho de Fgênia, que já mora aqui a sete anos e esta grávida de 9 meses. Fizemos um churrasco na casa de Alzenira que fica a poucos metros do hotel. Lá conheci Maria Carmen, o marido de Fgênia e seu outro filho Vinícius.
Ficamos de bate papo até as 23h. Mais uma vez fui muito bem recebido pelos brasileiros…

Alzenira, Fgênia e Maria Carmen. Ao fundo o marido de Fgênia

A hot day with no mountains ahead, ends up in a barbecue at a Brazilian’s house.

Today for the first time I didn’t have to cross any mountain in Norway.
I pedaled for 43 km along the river Tana, the most famous river to fish salmon in the country. The river is 318 km long.
I called the attention of two kids in front of the hotel when I got to Austertana. When a boy asked me something in Norwegian, I answered that I was Brazilian and then a smiling girl said she was also Brazilian…
Juliana a 10 year old girl is the daughter of Alzenira who works at the hotel where I am staying. Chris a 6 years old boy who is the son of Fgênia. She has been living here for seven years and is 9 months pregnant. We made a barbecue at Alzenira house a few meters from the hotel. There I met Maria Carmen, Fgênia’s husband and the other son Vinícius.
We chatted until 11pm. Once more I was very well received by the Brazilians…

La Macchina viaja na boléia de caminhão guincho

Ontem seguramente foi o dia mais difícil da viagem. Além de bater o recorde em distância pedalada, 100 km, pedalei sobre um imenso platô com cerca de 300m de altitude por 4 horas.

Dito local: Lugar onde o frio cresce, já que nasce aqui perto, no pólo...


A temperatura de 4⁰C somada ao vento e a umidade da roupa molhada de suor, causava uma sensação de – 4⁰C. Mesmo usando bala clava meu rosto ficou queimado devido ao frio.

Muito frio!


Para piorar o cenário, a paisagem melancólica! Apenas pedras e gelo. Céu cinzento. Nenhuma árvore em mais de 50 km.

Muito gelo ainda...


Uma certa beleza...


A recompensa foi falar com a Ana Laura ao telefone. Fazia tempo que não escutava a sua voz. Não sei se matei a saudade ou se ela ficou ainda maior…
No camping conheci um casal de finlandeses. Anssi e Leena viajam de moto pelo norte da Escandinávia. Aprendi um pouco mais da cultura local em uma longa conversa. Um casal simpático e alegre.

Anssi e Leena com uma paleta de rena seca... Ótimo tira gosto!


200m antes de chegar ao camping tive que descer da La Macchina e empurrá-la. A estrada passa por uma reforma e não existe asfalto. A bicicleta afunda nas pedras de britas. Mesmo desmontado, fiz um esforço grande para chegar ao camping.

Começando o dia... sol gostoso!


No jantar de ontem fiquei sabendo que a extensão da reforma é de aproximadamente 10 km.
Fiquei 3:45h para conseguir uma carona.

3:45h para conseguir carona.


Na verdade, foi o primeiro veículo que passou com possibilidade de carregar a bicicleta.

La Macchina sendo preparada para enfrentar 10km de solavancos...


Foto da boleia do caminhão

La Macchina takes a ride on a winch trunk

Yesterday it was doubtlessly the hardest day of the trip. I pedaled on a huge plateau about 300m high for 4 hours, and reached the distance pedaled record, 100km.
The temperature of 4°C plus the wind and the moisture from the wet clothes from sweat, caused a sensation of – 4°C. Even wearing a balaclava my face got burned because of the cold.
To make things even worse, the melancholic landscape! Just stones and ice. Gray sky. Not a single tree in 50 km.
The reward came when I spoke to Ana Laura on the phone. It had been a long time since I didn’t hear her voice. I don’t know if I miss her less or even more…
At the camping I met a couple of Finnishes. Anssi and Leena are travelling by bike on the coast of the North of Scandinavia. I learned a bit more about the local culture during a long talk. A nice and happy couple.
200m before arriving at the camping I had to take La Macchina out of the truck and push it. The road is being repaired and there is no pavement on it. The bike sinks into gravel stones. I was very tired but even though I made a big effort to get to the camping.
At dinner yesterday, I got to know that the repair extends for about 10 km.
I waited for 3:45h to get a ride.
In fact, it was the first vehicle that could ride carrying a bike.

Pescaria no Mar de Barents

O Mar de Barents é uma parte do Oceano Glacial Ártico situado no Norte da Noruega e Rússia. Famoso pela extração de petróleo e pela pesca de caranguejos. Este pedaço de mar é muito procurado por pescadores de todos os países da Europa pelos enormes exemplares de Halibut e Cod(bacalhau).

Capitão Viking


Logo ao entrar no Viking Explorer fomos recepcionados pelo capitão que nos orientou sobre as regras, as condições do mar e os equipamentos de segurança da embarcação.
Estava ao mesmo tempo ansioso com a possibilidade de pescar um bacalhau pela primeira vez, e preocupado em marear. Este mar é muito instável e as ondas são enormes. Tomei um remédio, comi alguma coisa e lá fui eu…
Quarenta minutos mar adentra e chegou a hora de pescar. Maria José e Pilar, duas espanholas e eu, fazíamos de tudo para se equilibrar dentro do barco que balançava entre as grandes ondas. Às vezes o horizonte sumia em uma cava. O mar foi piorando com o passar do tempo. Ficou agitadíssimo! Só conseguimos estabilidade apoiados em um dos cantos do barco. Vento gelado!

Início da pescaria


Bom, para resumir a história, depois de 25 minutos a pescaria passou a ser um tormento. Mareei! Fiquei amarelo! Vomitei uma porção de vezes. Meu estômago quase saiu pela boca. Entre os minutos entre uma golfada e outra não obtive sucesso nenhum com os peixes. Nem eu, nem ninguém! Nas duas horas e meia de pescaria não conseguimos pescar nenhum peixe. Nada! Nem beliscar, beliscou!
Só retornamos quando Pilar mareou também…
Recuperados do mal estar, fizemos um delicioso peixe no jantar.

Jantar com amigas espanholas - Pilar a cozinheira da noite

Fishing in the sea of Barents

The sea of Barents is a part of the Arctic Glacial Ocean in the North of Norway and Russia. Famous for oil extraction and for crab fishing. This stretch of sea is sought after by fishermen of all the countries of Europe for spicemens of Halibut and Codfish.
Right after we got on board the Viking Explorer we were received by the captain who gave us instructions about the rules, sea condition and safety equipment of the boat.
I was at the same time anxious about the possibility of catching a codfish for the first time , and worried about getting seasick. This sea is very instable and the waves are huge. I took a medicine, had something to eat and there I went…
Forty minutes after going towards the open sea and it was time to fish. Maria José, Pilar, two Spanish girls, and I were doing everything we could not to fall inside the boat that was swinging between the big waves. Sometimes the horizon line would disappear in a furrow. The sea became worse as the time went by. It got really rough! We could only get stability by backing in one of the corners of the boat. Icy wind!
Well, to summarize the story, after 25 minutes the fishing turned into a torment. I got seasick! I was yellow! I threw up many times. I almost spit out my stomach. I had no success fishing in the minutes between one gush and another. Neither me nor anybody did! Two hours fishing and we couldn’t cash a single fish. Nothing! Not even a bite!
We just returned when Pilar got seasick too…
Recovered from the nauseas we made a delicious fish for dinner.

Linda viagem de navio e nada de tonturas…

Honningsvag


Honningsvag


Hoje foi um dia tranqüilo! Pedalei muito pouco. Em Honningsvag peguei o barco em direção a Mehamn. Quase cinco horas de viagem.

Proteção contra avalanche em Kjollerfjord


A boa notícia é que parece que estou totalmente recuperado da crise de labirintite. Já há alguns dias não sinto tonturas quando me deito e hoje, na viagem de navio, nada senti.

Vista do navio...


Logo após desembarque em Mehamn


Logo depois de fazer o check-in no albergue, quando ainda desmontava a La Macchina, a bandeira do Brasil chamou atenção de René, um suíço que está de férias pescando com 9 amigos. Um grupo alegre e simpático. Me convidaram para o jantar. Eles fizeram um postal muito original… Gostei!

10 amigos pescadores e um postal bem original.

Beautiful trip on the ship without any sickness

Today it was a quiet day! I pedaled very little. In Honningsvag I took the boat towards Mehamn. A trip of almost five hours.
The good news is that it seems that I am completely recovered from the labyrinthitis crises. For a couple of days I haven’t felt dizzy when I lay down and I didn’t feel anything on the ship.
Right after the check in at the hostel, when I was still dismantling La Macchina, the Brazilian flag called the attention of René, a Swiss who is on vacation fishing with 9 friends. A lively and friendly group. They invited me for dinner. They made a very original post card…I liked it!

71⁰10’21’’ – Cheguei ao extremo norte da Europa pedalando!!!

Quase não consegui dormir. Para piorar a internet ficou fora do ar. A ansiedade não cabia dentro de mim. Chegar pedalando em NORDKAPP era o principal desafio da viagem. O lugar mais próximo do pólo norte. A instabilidade do clima, os fortes ventos, a temperatura. Nada conspira á favor.

Espelho


Os 31 km que me separavam de NORDKAPP foram sensacionais! Muitas montanhas, vento gelado. Mas nada importava. Nada mais podia me deter!
Cantei, falei sozinho, ri, chorei… Me emocionei várias vezes!
Parecia que a viagem terminaria ali! Sucesso garantido… Nem me importei com os quase 1500 km que ainda tenho que percorrer. Para falar a verdade, tive orgulho de mim… e mais uma vez experimentei a sensação maravilhosa de realizar um sonho. Acho que não consigo mais viver sem esse sentimento…

O mais longe possível...


Orgulho


Mais um sonho realizado

71⁰10’21’’ – I got to the extreme North of Europe pedaling!!!

I could hardly sleep. To make things worse there was no internet. The anxiety came over me . The main challenge of the trip was to reach NORDKAPP pedaling. The closest place to the North pole. The instability of the weather, strong winds and the temperature. Nothing was nothing on my behalf.
The 31 km between me and NORDKAPP were sensational! Many mountains, a freezing wind. But nothing mattered. Nothing else could stop me!
I sang, spoke to myself, laughed and cried… I got very emotional several times!
It seemed as if the trip would end there! Guaranteed success… I didn’t even care about the 1500 km that I still would have to go. To tell the truth, I was proud of myself….and once more I experienced the wonderful sensation of having a dream come true. I think I will not live without this feeling anymore…

Honningsvag – a cidade mais ao norte do mundo

Chegando ao extremo norte


Hoje cheguei a Honningsvag, a cidade mais ao norte do mundo a 71⁰ de latitude norte. Honningsvag é uma espécie de acampamento base para os mochileiros que vão a Nordkapp. É o último albergue. Fica a 33 km até o ponto extremo norte da Europa. Muita gente vai até lá e volta no mesmo dia. Meu plano é esse também.
Para chegar aqui pedalei 52 km. Peguei o maior túnel da viagem com 6870m. O túnel cruza o oceano chegando a 212m abaixo do nível do mar. Um congelador! 4 km de subida.

O pior de todos os túneis

Honningsvag – the Northernmost city in the world

Today I arrived in Honningsvag, the northernmost city in the world at a latitude of 71⁰North. Honningsvag is a kind of camping base for the backpackers going to Nordkapp. It is the last lodge. It is 33 km before getting to the extreme North of Europe. Many people go there and return at the same day. This is also my plan.
I pedaled 52 kms to get here. I rode through the longest tunnel of the trip, 6870m. The tunnel crosses the ocean reaching 212m below sea level. A freezer! Going up for 4 km.

Quem tem preguiça paga caro no banho!!!!

Venho pedalando duro já á 3 dias para chegar, se não no meu principal objetivo que é a divisa com a Rússia, no mais difícil deles, Nordkapp, o ponto mais ao norte da Europa.

Nordkapp aparece pela primeira vez na placa


No primeiro dia, quando deixei Alta com destino a Skaidi escalei duas grandes montanhas, 250m e 385m acima do nível do mar, sempre com o vento contra e gelado. Um raro dia que não vi o mar. Pedalei em um planalto lado a lado com o gelo. Muitas renas no caminho. Quase nada de interessante. Um dia chato na verdade! Estou na região de Finnmark, a menos povoada da Noruega. Pela primeira vez dormi em um hotel sem internet. Quando questionei o Marroquino que trabalha na recepção do hotel, ele respondeu: _ No internet acsses… Sorry! You are in Finnmark my friend!

A coisa que já não estava muito boa piorou no caminho de Skaidi até Russenes. O sol já não brilhava e o vento aumentou consideravelmente vindo de nordeste. Segundo os noruegueses é o vento mais gelado que se pode obter nesta região. Escalei outra montanha de 238m para depois alcançar o nível do mar em Russenes.
Sem saber as condições do tempo, já que estava sem internet, cometi o erro de ficar em Russenes. Minha idéia inicial era chegar a Repvag, onde estou agora. Seria mais 45 km. Depois de comer, fiquei com preguiça e resolvi descansar em Russenes. Uma bela refeição e uma noite longa de sono custou caro!
Quem pedala não pode ter preguiça meu amigo! Acordei 6:30h, esperei pelo café da manhã as 8:00. Uma depois já estava na estrada. Pedalei os 45 km mais difíceis da minha vida para chegar a Repvag. Vento gelado, 13m/s, direto no meu nariz. Para piorar, chuva! Muita chuva!
Cheguei batendo os dentes de frio. O hotel estava fechado. Dei sorte de achar a última chave disponível.

Sorte de pegar a última cabine disponível


Guardei minhas coisas dentro da cabine e corri para o banho, ainda tremendo. A zona de banho fica fora da cabine, cerca de 25 m. Tirei minha roupa e quando entro no boxe percebo que água quente só a base de moedas. Kr 10 por 6 minutos. Pergunta se eu tinha moedas? Claro que não! Quem pensa em pegar moedas para tomar banho tremendo de frio. Coloquei a roupa gelada novamente e voltei correndo para a cabine. Coloquei o aquecedor no máximo e liguei o fogareiro elétrico entre meus pés. O vento lá fora fazia a cabine balançar. Sem brincadeira!!! Quando me preparava para tirar a roupa molhada e colocar uma seca, mesmo sem banho, lembrei-me de um troco que recebi quando comprei um refrigerante alguns dias atrás e simplesmente joguei dentro do alforje dianteiro da bicicleta. Ufa! Achei! Duas moedinhas de Kr 10. 12 minutos de banho quente! Delícia!

If you are the lazy type you may pay high for a bath!!!

I have been pedaling hard for 3 days to get to one of the main goals of the trip which is by the way, probably the toughest one, Nordkapp, Northernmost point in Europe. The main goal is to get to the border with Russia.
On the first day, when I left Alta going to Skaidi I climbed two high mountain, 250m and 385m above sea level, always with the cold wind blowing against me. One of the few days I don’t see the sea. I pedaled on a plateau side by side with the ice. A lot of reindeers on the way. Almost nothing interesting. A really boring day! I am at the region of Finnmark, the least inhabited place in Norway. I slept in a hotel without internet for the first time. When I asked the Marrocan who works in the reception of the hotel, he answered: – No, internet acesses… Sorry! You are in Finnmark my friend!
The situation which wasn’t very good got even worse on the way from Skaidi up to Russenes. The sun no longer shone and the wind coming from the northeast blew even stronger. According to the Norwegians its the coldest wind in the region. I climbed another mountain of 238m before reaching the sea level in Russenes.
I didn’t know the weather forecast, once there was no internet, so I made the mistake to stay in Russenes. The first idea was to get to Repvag, where I am now. There would be still 45 km more. After eating. I got lazy and decided to rest in Russenes. A nice meal and a long sleeping night cost me a high price!
The ones who pedal can’t get lazy my friend! I woke up at 6:30h, waited for the breakfast at 8 am. An hour later I was on the road again. I pedaled the hardest 45 km of my life to get to Repvag. There was an icy wind, 13m/south, straight into my nose. To make things even worse, the rain! A lot of rain!
I arrived shivering with cold The hotel was closed. I was lucky enough to take the last key available.
I kept my things inside the cabin and run for the bath, still shivering The bathing area is outside of the cabin, about 25 m away. I took off my cloth and when I entered the box I noticed that the hot water was only released by inserting coins. Kr 10 for 6 minutes. Guess, did I have any coins on me? Of course not! Who would think about bringing coins shivering the way I was. I put on the freezing cloth again and run back to the cabin. I turned the heater on the maximum heat and turned on the electric small stove between my feet. The cabin was bouncing because of the strong wind outside. No kidding !!! When I was getting prepared to take off the wet cloth and put on a dry one, not even having taken a bath, I remembered of a change I had received when I bought some soft drinks some days before. I had simply thrown the coins inside the bike’s saddlebag. Wow! I found them! Two little coins of Kr 10, 12 minutes of a hot bath! Delicious!