Incrível o capote que levei!

Hoje levei um das mais espetaculares capotes da minha vida.
Calma pessoal, não estava pedalando…
Estava quentinho dentro do meu saco de dormir. Adiei o xixi até não poder mais. Sai da barraca puto da vida! Quentinho, tive que calçar as sapatilhas e ao invés de dar a volta no hotel todo, fui em direção ao barranco, a uns 5 metros da barraca. Coloquei a lanterna na cabeça e lá fui eu. O choque térmico fazia com que eu apressasse as coisas. Nos segundo em que fazia xixi, olhava ao redor e pude checar as horas. 2:45h da manhã. Vento gelado no rosto. O xixi soltava aquela fumacinha característica em contato com o frio.
Ao mesmo tempo que dava a última chacoalhada no “bitelo”, reparei nas estrelas e inclinei minha cabeça todo para cima. Foi a ultima coisa que me lembro.
Não sei o que aconteceu! Acho que minha pressão abaixou sem dar aviso. Blackout total! Despenquei ladeira abaixo por uns 5 metros no meio das pedras. Quando voltei, estava deitado no chão tentando entender o que aconteceu. Minha lanterna parou na metade do barranco.
Aos poucos fui sentindo dores em todo corpo.
Caralho! Não sei como não me machuquei gravemente! Estou com o rosto arranhado, a barriga na altura das costelas do lado esquerdo e os dois joelhos doloridos, o cotovelo e o ombro esquerdo ralados. Devo ter rolado ladeira abaixo! Não me lembro de nada!
De volta ao saco de dormir, fiquei tentando entender por alguns instantes o que aconteceu. Fiquei com medo! Olhei pra o relógio e passaram-se apenas 2 minutos. Adormeci com alguma coisa no meu olho incomodando e com dores principalmente no joelho direito.
Quando acordei desmontei o acampamento ainda tentando entender o que se passou. Pedalei o dia todo com a pulga atrás da orelha. Na verdade estava me sentindo inseguro. Aí, para piorar as coisas, estava em uma daquelas subidas intermináveis, e de repente o guard rail dá um estalo e se solta ao meu lado. Levei um puta susto! Quase caí da La Macchina!

Vistas do caminho

Foto do meu capacete

Logo em seguida um sequência de túneis. Definitivamente não gosto de pedalar em túneis. Eles são frios, sem iluminação. A sensação de insegurança me invade!


Decidi parar um pouco antes do programado. Estou em Sand. e pela primeira vez provei o deliciosa Monkfish.

Monkfish e um belo fettuccine...

Sand

Rolling down the hill

Today I rolled down the hill on such a way as I had never done before in my life.
Take it easy fellows! I wasn’t pedaling…
It was very warm inside my sleeping bag, but I needed to go pee. I waited the more I could. I didn’t want to go out of the tent! It was very warm, but I put on my shoes and instead of going all around the hotel, I went in the direction of the ravine, about 16 feet from the tent. I put the flashlight on my head and here I went. Because of the cold I hurried up a little. While I was peeing, I looked around and checked the time. It was 2.45am in the morning. The wind was very cold on my face. That small little smoke typical of the contact with the cold came out from my urine.
As I shook off the small little drops left from the pee, I noticed the stars and turned my head all the way up. That is the last thing I can remember.
I don’t know what happened! I think my pressure dropped without any advice. Total blackout! I fell down the hill for about 17 feet through stones. When I recovered, I was lying on the floor trying to understand what had happened. The flashlight went down half way down the ravine.
Little by little I started to feel the pain all over my body.
Shit! I don’t know how I got so badly hurt! My face is all scratched, as well as my belly over the ribs on the left. Both knees are hurting, and my elbow and left shoulder are also scratched. I guess I must have rolled all the way down the hill! I can’t remember anything!
When I got back to the sleeping bag, for some time I kept trying to understand what had happened. I got scared! I looked at the watch and only 2 minutes had gone by. I fell asleep but there was something disturbing in my eyes and I had pain mainly on my right knee. When I woke up I put down the tent and was still trying to understand what had happened. I pedaled all day long but I couldn’t stop thinking about the fact. Actually, I was insecure. Then to make things even worse, I was facing one of those endless hills, when all of a sudden the guard rails slaped and poped up besides me. I got god damned scared! Almost fell down from La Macchina!
Right after came a sequence of tunnels. I definitely don’t like tunnels. They are cold, with no light. The feeling of insecurity pervaded me!
I decided to stop a little before the time I had planned. I’m in Sand and for the first time I tasted the delicious Monkfish.

Acampamento em Hjemeland

29/04 – No albergue em Prekestolen os quartos são coletivos e não existe distinção de sexo. As três francesas que dividiram o quarto comigo estudam em Oslo e vieram passar o final de semana aqui. Conversamos um pouco antes de dormir. Legal as meninas!
Acho que não ronquei! Não levei nenhuma travesseirada pelo menos!
Tomamos café da manhã juntos e logo depois nos despedimos.
Pedalei o dia todo fazendo varias mini paradas. É subida prá caralho!
Olha quem veio me visitar em uma das paradas…

Visita inesperada!


Cheguei a Hjelmeland e estou acampando no fundo de um hotel com um visual de dar inveja.

Levantando acampamento em Hjelmeland


Hjelmeland


Hoje não tive sorte na pescaria e acabei jantando uma salada de cebola, tomate, pimentão vermelho, e parmesão. Estava apostando em um bacalhau hoje! Um pão integral da padaria do Jakob serviu para dar uma calçada no estomago.

Tendando pescar o jantar e curtindo o visual em Hjelmeland


Apesar de cansado estou me sentindo bem. A única coisa que me aporrinha é não conseguir falar com a Ana Laura. Estou sempre na estrada e quando não, o fuso atrapalha.

Camping in Hjemeland

APR 29 th

Apr 29th– At the Preikestolen hostel rooms are collectives and there’s no distinction of sex. The three French girls who were sharing the room with me study in Oslo and they came to spend the weekend here. We talked for a while before we went to sleep. The girls were cool!
I think I didn’t snore! At least they didn´t throw pillows on me! We had breakfast together and soon after we said goodbye. I pedaled for the whole day and stopped for a short time for a few times. It was a fucking climb!
Look who came to visit me in one of the stops…
I got to Hjelmeland and I ‘m camping on the back of a hotel with an incredible view.
Today I wasn’t lucky when I went fishing, so I had to have an onion, tomato, bell pepper, and parmesan salad for dinner. I thought I would have codfish today! An integral bread from Jakobs bakery was fine to stop my hunger.
Although tired I am feeling well. The only thing that is pissing me off is that I haven’t been able to get in touch with Ana Laura. I’m always on the road and when I am not, there is the time zone problem.

Prekestolen – Um dia para ficar na história!

28/04 – Hoje foi um dia muito especial!
Helmer preparou um delicioso café da manhã e nos despedimos com a certeza de que iremos nos encontrar de novo. Gostaria de deixar registrado o meu muito obrigado a ele. Um cara sensacional que me recebeu de braços abertos e me tratou como um amigo de longa data. Valeu Helmer!
Em seguida pedalei em direção a Stavanger e fui encontrar com Clau na Jakob’s Brod. A carioca simpática de sorriso fácil me apresentou a Jakob que me recebeu muito bem. Me ofereceu uma receita de seus pães maravilhosos e me contou a história de sua padaria. Falou sobre a produção e distribuição também.

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Em seguida fiz a minha primeira travessia. De Stavanger, peguei o barco para Tau e depois pedalei até a entrada do parque em Prekestolen.
Estava ansioso para conhecer o lugar. Antes mesmo de fazer o chek-in no albergue, arrumei minhas coisas e segui para uma caminhada de 3800m com 334m de inclinação. Uma caminhada relativamente difícil, principalmente depois de pedalar o dia todo. Mas não conseguiria deixar para amanhã!
Durante a caminhada, distraído, com a cabeça nas nuvens, cruzei com um casal. Um pouco antes de cruzar com eles, parecia ter escutado algumas palavras em português. De longe, vi uma loirinha bem típica norueguesa e logo achei que estava louco. Quando nos cruzamos, nos cumprimentamos com um “Hi”. Dois metros depois, escuto a menina falar português. Resumindo,encontrei um brasileiro na trilha que namora uma norueguesa. Nos cumprimentamos rapidamente e seguimos em direção contrária. Quase ninguém na trilha, e eu trombo com um Brazuca! Puta conhecidencia!

Rápido encontro com Brazuca na trilha

Comigo, Clau e Jakob na padaria


Prekestolen é uma das principais atrações da minha viagem. Um lugar mágico! Um platô com 604m da altura a beira de um fiorde lindíssimo.

Um dos lugares mais sensacionais que conheci. Uma imensidão que me trouxe uma sensação de paz e felicidade. Quanta coisa passou em minha cabeça nessas duas horas e meia. Apenas um casal compartilhava o lugar comigo. Tranqüilidade total. Contemplei o visual por mais de duas horas. Esperei o último raio de sol para vir embora. Nem me lembrei do cansaço que agora, enquanto escrevo, me domina.
Hoje foi um dia para entrar para história como um dos mais espetaculares que já vivi.

Prekestolen


Prekestolen


Prekestolen


Prekestolen - nas alturas!


Vista de prekestolen


Prekestolen

Preikestolen – A day to go down in history!

Apr 28th – Today it was a very special Day!
Helmer prepared a delicious breakfast and we said goodbye although we were sure we would meet each other again. I would like to let him know that I’m very thankful to what he did for me… A great guy who has received me with open arms and has treated me like if we were friends for long years. Thanks Helmer!
Than I went to Stavanger to meet Clau at the Jakob’s Brod. The friendly girl from Rio de Janeiro with an easy smile introduced me to Jakob who was also very friendly. He gave me a recipe for his delicious bread and told me the story of his bakery. He told me about the production as well as about the distribution.
Right after I crossed the first river on the trip. From Stavanger, I took a boat to Tau and than I pedaled to the entrance of the Park in Preikestolen.
I was eager to know the place. Even before making the check-in at the Hostel, I arranged my things and went on a 2.4 miles hike with an inclination of 1982 feet. It is a quite difficult walk, especially after having pedaled all day long. But I couldn’t leave it for tomorrow!
During the hike, I was distracted with my head on the clouds when I run across a couple. I little while before I met them, I thought I had heard some words in Portuguese. From far I could see a typical Norwegian blondie and I thought I was getting crazy. When we met, we said “Hi”. Two meters ahead, I heard a girl speaking Portuguese. In short, I met a Brazilian in the track who dates a Norwegian. We briefly greeted each other and went on opposite directions. Almost no one in the track, and I bump into a Brazilian chap! Fucking coincidence!
Preikestolen is one of the main attractions of my trip. A Magic place! A plateau 2.000 feet high on the edge of a beautiful fjord.
One of the most sensational places I have ever been to. A hugeness that brought me a sensation of peace and happiness. How many things have passed through my mind along this two hours and a half. Only a couple was sharing the place with me. Total tranquility. I contemplated the view for more than two hours. I waited until the last sun ray disappeared before I left. I didn´t even remember how tired I was, now while I am writing, I realize that I am really tired. Today it was a day to go down in history, one of the most spectacular in my life.

Stavanger

Depois de conhecer a Catedral e o Museu do Petróleo Norueguês encontrei com Flávia, uma brasileira que mora aqui já a 8 anos e sua amiga Adela que é do leste europeu. Fomos juntos a Jakob’s Brod. Uma padaria orgânica que é muito popular na cidade. Lá encontramos outra brasileira. Clau é uma brasileira de sorriso fácil que trabalha na padaria. Como cortesia nos brindou com uma cesta de pães maravilhosos e meu deu uma aula sobre a manufatura dos pães.

Stavanger


Catedral de Stavanger


Museu do Petróleo (Stavanger)


Flávia e Clau na Jakob's Brod


Brasileira Clau, sorriso fácil!!

Stavanger

After visiting the Cathedral and the Norwegian Petroleum Museum I met Flávia, a Brazilian who has already been living here for 8 years and her friend Adela who is from Eastern Europe. We went together to Jakob’s Brod. An organic bakery very popular in the city. There we met another Brazilian. The easy smiling Clau, who works in the bakery. As a courtesy she offered us a marvelous basket of bread and gave us a lesson of how to make bread.

Na Cozinha com Helmer

Ontem, logo quando cheguei à casa de Lili, senti falta da bandeira do Brasil que carrego em meu trailer. Fiquei desamparado e imediatamente resolvi voltar para procurá-la. Desconectei o trailer, tirei os alforjes e meti o pé!
Estava me sentindo péssimo! A bandeira do Brasil porra! Parecia que tinha perdido parte do meu corpo. Um vazio tomou conta dos meus pensamentos e decidi não voltar enquanto não resgatasse a bandeira. Pedalei o mais rápido possível e encontrei-a cerca de 5 km depois. O vento forte quebrou o mastro. Fiquei aliviado! Quase chorei quando a vi no chão.
Depois de um delicioso café da manhã e bate papo na casa de Lili, rumei para Sandnes.
Dei uma volta pelo centro da cidade e fui para casa de Helmer. Ele havia deixado a chave comigo.

Sandnes


Foto do meu capacete em Sandnes


Tomei banho e quando ele chegou do trabalho fomos ao mercado para comprar os ingredientes para preparar a “Especialidade da Leonora”. Um dos seus pratos prediletos que possui o nome da avó de Celma. Uma receita tradicional da família que leva purê de batatas, carne moída, cebola, azeitonas, pimentão e queijo gratinado.

Helmer com a mão na massa...


Especialidade da Eleonora


Plataforma de petróleo em Sandnes


De sobremesa tomamos sorvete com calda de “cloudberry”, uma espécie de erva silvestre que só é encontrada no norte do hemisfério norte. Sensacional!

Cloudberry

In the kitchen with Helmer

Yesterday, right when I got to Lili’s house, I missed the flag of Brazil which I was carrying in my trailer. I got real sad and immediately decided to go back and look for it. I detached the trailer, took off the saddle bags, and speeded up!
I was feeling terrible! The flag of Brazil, my Lord! It seemed as if I had lost part of my body. I felt an emptiness in my mind and I decided not to return before rescuing my flag. I pedaled the fastest I could and I found it about 3 miles ahead. The strong wind broke the pole. I was relieved! I almost cried when I saw it on the ground.
After a delicious breakfast and chatting at Lili’s place, I headed to Sandnes.
I took a ride around the town and went to Helmer’s house. He had left the key with me.
I took a bath and when he arrived from work, we went to the market to buy the ingredients to prepare “Leonora’s specialty”. One of his favorite dishes named after Celma’s grandmother. A traditional family recipe with mashed potatoes, ground beef, onion, olives, bell pepper, and cheese gratin.
For dessert we had ice cream with “cloud berry” syrup, kind of wild berry only found in the northern hemisphere.
Sensational!

Nada como comer bem!!!

Helmer me apanhou no hotel por volta das 10h para fazer um tour na região. Helmer é uma enciclopédia! Me deu aulas sobre a cultura norueguesa. Em todas as atrações que fomos Helmer discorreu sobre o tema com autoridade de um historiador.

Casa de fazenda de 350 d.C


Contraste do antigo e moderno


Cultura Viking


Monastério


Depois de conhecer vários lugares almoçamos uma deliciosa perna de cordeiro em um restaurante a beira-mar. Já estava sentindo falta de uma carne vermelha.

Perna de cordeiro


Almoço com Helmer


Helmer me levou de volta ao hotel onde peguei minhas coisas e segui viagem para Kleppe, onde encontrei Lili, que é brasileira casada com Vidar que é norueguês. O casal tem um filho que se chama Daniel que é muito fofo. Bochechudo!!! Uma graça!

Família Lura


Jantamos Komle, uma espécie de bolo de batatas e farinha recheado com carne de porco. Uma delicia! Para acompanhar, cenouras cozidas, salsichas e bisteca defumada. Curiosamente bebe-se leite para acompanhar.

"Kolme"


Bisteca defumada e salsicha

There’s nothing better than eating well!!!

Helmer picked me up at the hotel at around 10am to go for a tour around the region. Helmer is like an encyclopedia! He gave me lessons about the Norwegian Culture. Everywhere we went Helmer would give a lecture about the place as if he were an Historian.
After visiting several places we had a delicious lamb leg for lunch in a restaurant by the sea. I was already missing red meet.
Helmer took me back to the hotel, I took my things and went to Kleppe, where I met Lili, who is Brazilian and married to Vidar who is Norwegian. The couple has a very cutie round cheeked-son called Daniel!!! Very sweaty!!!!
We had Komle, a kind of a potato cake with flour stuffed with pork meet. Delicious! Cooked carrots, sausage and smoked T-bone to accompany. It is oddly served with milk.

Ótima companhia, almoço maravilhoso

Depois de um delicioso café da manhã fui conhecer as terras de Svein que oferece lindas vistas.

Vista das terras de Svein


Logo em seguida, arrumei minhas coisas e segui em direção a Egersund para encontrar o Helmer que é marido da Celma que é Vice Cônsul Honorária do Brasil em Stavanger. Ele veio de Sandnes para me encontrar. A Celma esta no Brasil.

Almoço com Helmer


Almoçamos juntos e conversamos bastante. Helmer me deu uma aula de história sobre a região enquanto eu comia um delicioso bacalhau fresco com legumes.

Bacalhau fresco... delícia!


Ficamos de nos encontrar amanhã para um passeio.
Helmer se foi e segui pedalando na estrada 44 em direção a Stavanger. Com vento a favor em um terreno plano, consegui desenvolver boa velocidade. Parei em Bryne, cerca de 53 km de Egersund.

Na estrada 44


Foto pedalando

Wonderful company, delicious lunch

After a delicious breakfast we went out to visit Sveins’ land with its beautiful views.
Right after, packing my things, I went to Egersund to meet Helmer who is Celma’s husband. Celma is the Honorary Vice Consul of Brazil in Stavanger. He came from Sandness to meet me. Celma is in Brazil.
We had lunch together and talked a lot. Helmer gave me a lesson of the history of the region while I had a delicious fresh codfish with vegetables.
We set an appointment for the next day to go for a ride.
Helmer went away and I pedaled on the road for about 27 miles in the direction to Stavanger. With the wind in my favor, pedaling on a flat ground, I could develop a good speed. I stopped in Byrne, around 33 miles from Egersund.