Denali National Park – Alaska

O Denali National Park está completando 100 anos  de um importante trabalho de preservação da fauna e da flora local. O parque é uma das maiores atrações do Alaska. São mais de 15.000 km² (maior que Alemanha, Holanda e Bélgica juntos), tendo como principal cartão postal o Monte Mc. Kindley, a montanha mais alta da América do Norte com 6.190 m de altitude. O Denali é um lugar único, onde é possível conviver com animais como ursos, lobos, renas, alces e outros em seu habitat natural, depois de um treinamento comandado pelos Ranger´s (Guardas do Parque).

Lagos cercados por montanhas cobertas de gelos, rios e corredeiras de degelo cortando vales de diferentes tons de verdes e muita vida animal fazem do Denali National Park um dos lugares mais lindos que já visitei no mundo. Vale a pena conferir!

 

Entre Saint-Louis e Dakar, a despedida de Jordi e os planos futuros.

A rota entre Saint-Louis e Dakar no Senegal representou o último trecho de mais uma etapa! No caminho alcancei o primeiro grande objetivo da viagem ao atingir a marca de 40.075 km pedalados, confirmando minha volta ao mundo de bicicleta. E me deliciei com o sorriso, o colorido e a hospitalidade dos senegaleses. Esses dias também marcaram a despedida do meu fiel companheiro Jordi depois de 2 meses de convivência e cumplicidade. E, como não poderia ser diferente, comecei organizar meus pensamentos para encontrar as respostas que definirão meus próximos passos.

Seis noites em Saint-Louis e algumas sessões de massagens me deixaram melhor, mas não foram suficientes para minha total recuperação. Estava irritadiço antes de reiniciar o pedal, preocupado com as dores e a sensação de dormência que se estendia desde o ombro até o dedão. E com a possibilidade de piora, já que minhas pesquisas apontavam vento contra e estrada de terra, com trechos de areão, que certamente nos fariam descer da bicicleta para empurrar, exigindo ainda mais do ombro. Para complicar ainda mais, não sabia a gravidade e as consequências da lesão, me sentindo um burro empacado em uma encruzilhada, sem ter como decidir o meu futuro.

Graças ao exercício de pedalar, o aquecimento corporal ocasionou o “milagre” de desaparecer com as dores já nas primeiras horas, remanescendo apenas a sensação de dormência, que persiste até hoje.

Associado a isso, o contato com as pessoas e o carinho das crianças ajudaram a espantar meu mau humor. Os senegaleses, de um modo geral, são mais reservados e tímidos se comparado aos habitantes dos outros países da África que visitei. Esbanjam simpatia e, ao serem cumprimentados, expressam um dos sorrisos mais genuínos que encontrei em toda minha viagem. Mesmo as crianças mais carentes, quase nunca abordam pedindo, e quando o fazem, pedem por cadeau (presente em francês), caneta ou lápis.

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Cercados pela curiosidade das crianças em Saint-Louis, Senegal.

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Ao pararmos nas vilas sempre somos cercados de crianças. Senegal

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Bonjour, monsieur!!! Senegal

A vaidade das mulheres é outra característica do Senegal que me chamou atenção. Os vestidos longos e soltos, brincos de argola, pulseiras, lenços na cabeça e sobre os ombros, e o quanto mais colorido melhor, são as tendências da moda por aqui. As mulheres mais jovens usam decote e exibem sensualidade nos ombros e costas. Já as casadas quase sempre se vestem com muita discrição. Mas todas expressam um sorriso simpático, oferecendo um charme todo especial ao país.

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Vestir-se bem mesmo quando o trabalho é duro, é regra das senegalesas. Senegal.

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Senegalesas.

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A beleza colorida das mulheres senegalesas.

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Senegalesa.

Nos dois primeiros dias, pedalamos por estradas secundárias de pouco movimento, onde nos deparamos com a simplicidade do povo local em pequenas vilas, muitas espécies de aves e cruzamos a incrível floresta de baobás, árvore símbolo do Senegal. Com exemplares gigantes e dispersos, os troncos e frondas sem folhagem lembram um cenário de ficção científica.

Diferente do que acontece quando pedalo em estradas secundárias, conseguimos encontrar boa comida apesar da simplicidade dos restaurantes, que oferecem apenas o Thieboudienne como opção. Thieboudienne é o prato nacional do país com arroz, legumes e geralmente peixe, mas que também pode levar carne e frango. O arroz “pegadinho” do fundo da panela oferece um sabor especial ao prato, sendo a paixão dos senegaleses. O ponto negativo é que não vendem água gelada, fato que associado ao forte calor, exigiu resiliência. A dica, se não quiser gastar em hospedagem nas grandes cidades, é procurar ajuda nas paróquias. Como 99% do país é devoto ao islã, a minúscula comunidade católica é bastante solícita. Em Thiés, Jordi e eu demos a sorte de encontrar uma igreja e não tivemos dificuldade em conseguir um lugar para acampar com segurança.

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Jordi pousando para foto com os baobás ao fundo. Senegal.

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Jordi empurrando a bicicleta para cruzar o areão. Senegal.

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Puxando um ronco! Senegal.

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Transporte público. Senegal

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Thieboudienne: Prato nacional do Senegal que leva peixe, legumes e arroz.

Já no terceiro e último dia, ao nos aproximar de Dakar, enquanto vivia a expectativa de completar a quilometragem equivalente à circunferência da Terra, Jordi e eu tivemos que redobrar a atenção em uma estrada movimentada e estreita, com motoristas apressados, conduzindo uma frota caindo aos pedaços.

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Perto de fechar mais uma etapa. Dakar, Senegal.

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Periferia de Dakar. Senegal.

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Periferia de Dakar, Senegal.

Muitos me perguntam sobre os prós e contras em viajar acompanhado. Uma dúvida que também sempre tive antes de começar a viajar de bicicleta. Cheguei a pedir, inclusive, depoimentos para alguns cicloturistas mais experientes, para deixar na página “O pai da Matéria” (Página do meu blog que criei para ajudar a informar, dar dicas, esclarecer e mostrar outras opiniões que não a minha). Mas nunca recebi resposta.

Durante essa minha empreitada prioritariamente solitária, também tive oportunidade de viajar em dupla, em grupo e em casal, embora a única mulher tenha sido minha irmã. Pessoas com características diferentes já pegaram “carona” no meu projeto, por períodos curtos e longos. O que me levou a refletir sobre alguns pontos importantes sobre o assunto.

Não entenda como conselho, mas talvez minha experiência possa te ajudar a ponderar.

Quando se viaja em dupla ou em grupo, fica evidente as vantagens no quesito segurança, compartilhamento de tarefas e emoções, supervisão mútua, economia. Assim como combinar prioridades e interesses comuns, cumprir horários e manter o cronograma, ou ter sucesso em sites de hospedagens são alguns pontos desfavoráveis. As chances de sucesso aumentam quando o parceiro é amigo “véio”, evidente. Mas na estrada, os encontros são casuais. Embora geralmente a afinidade é imediata, sempre é bom investigar a personalidade do novo amigo.

No entanto, acredito que saber “de você” é mais importante do que saber sobre o outro.

Antes de convidar ou aceitar um convite, sempre procuro identificar o momento que estou passando. Nas fases introspectivas prefiro estar só. Tenho dificuldades em penetrar como gostaria nos meus pensamentos quando estou acompanhado. Acontece, mas exige um estado de concentração no qual me torno ausente, sem vontade de conversar e mais impaciente. Em uma fase mais efusiva, evidentemente, sou mais comunicativo, flexível, bem como aceito melhor as interferências.

Outro ponto importantíssimo é saber sobre o quanto quero interagir com os locais. Estou sentindo na prática que quanto maior o grupo, menos o contato se torna íntimo. Percebo que em países mais ricos, no qual a população é, digamos, mais fria, viajar em dupla não faz muita diferença, pois o contato já é restrito naturalmente. Nos países onde a população tem característica acolhedora, percebo mais receptividade quando estou só. Além disso, não ter com quem conversar me torna ao mesmo tempo mais receptivo e disponível.

Jordi é o parceiro que mais tempo viajou comigo. A primeira vez na Nova Zelândia, a segunda na Europa e agora na África. Apesar de sermos extremamente diferentes, conseguimos nos ajustar e nos tornamos grandes amigos. Mas nem sempre foi assim! Logo no terceiro dia, ainda na Nova Zelândia, nossas divergências, personalidades e estilo em viajar de bicicleta, me obrigou a chamá-lo para uma conversa franca, na qual debatemos nossos pontos de vista. Percebi através do tempo que Jordi se adaptou bastante ao meu projeto de viagem. Em contrapartida, consegui respeitar sua individualidade. A partir daí, conseguimos administrar nossas diferenças, aumentando a compreensão e a paciência um com o outro. O fato de termos a interação com os locais como prioridade, nos coloca em alinhamento.

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Um brinde a nossa amizade, Jordi! Obrigado por tudo e até a próxima!

Posso dizer que o destino nos uniu e que a paixão em viajar de bicicleta solidificou a nossa parceria. Seguimos diferentes, discordantes em vários pontos, mas a amizade é sólida e as chances de pedalarmos juntos no futuro é muito grande! Enquanto Jordi segue pedalando até a Gâmbia, fico em Dakar para me recuperar, definir e planejar, entre 3 opções, os meus próximos passos.

O tempo me pressiona, e a decisão precisa ser tomada em poucos dias! A saudade pede para voltar, o instinto para seguir…

O que acha que vou fazer: voltar para casa, continuar na África ou cruzar o Atlântico? E se você estivesse em meu lugar, por qual dessas alternativas optaria? Deixe sua resposta nos comentários e aguarde novidades!