Djerba – Destino turístico dos Tunisianos

Depois de visitar Tunes, a capital da Tunísia, segui para Ilha de Djerba sem saber direito como seria minha estadia por lá. Enquanto viajava, Mak, meu anfitrião, tentava estabelecer com seu network, contatos que pudessem me ajudar na ilha.

Cheguei por volta das 6h da manhã. Montei minha bike, organizei os alforjes e enquanto tomava meu café da manhã em um boteco na rodoviária, recebi uma mensagem de Mak com um número de telefone: “_ Liga para esse número. Samir vai te ajudar!

E que ajuda! O Sr. Samir, um recente aposentado, nascido e criado na Ilha de Djerba, me levou para sua casa e foi logo tratando de organizar minha estadia em um dos mais procurados destinos turístico da Tunísia. Com 53 anos, O Sr. Samir fez recentemente sua primeira viagem de bicicleta e se encantou! Casado com a Sra. Latifa, tem um filho chamado Hakin. Eles moram em uma deliciosa casa no distrito de Ghizen, no meio da Ilha que possui aproximadamente 510 km² de área e 150 mil habitantes divididos em vários distritos, sendo Houmt Souk sua capital. A ilha é famosa entre outras coisas, por estar na rota migratória dos flamingos rosas. Mas infelizmente eles só chegam no inverno. Mesmo assim, a Ilha dos Flamingos Rosas, que na verdade é uma península, recebe milhares de turistas todos os dias no verão que se deliciam nas águas mornas e esverdeadas do Mar Mediterrâneo.

O Sr. Samir me guiou em um bike tour, organizou passeios nos principais pontos turísticos e me apresentou pratos típicos deliciosos. Aliás a Sra. Latifa cozinha maravilhosamente bem!

Fomos a Erriadh, uma vila decorada por artistas de rua do mundo inteiro, que juntamente com a arquitetura local, transformou-a em uma grande atração. Visitamos o museu de história da ilha, sinagogas, a fábrica de cerâmicas e várias outras atrações.

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Meus anfitriões Hakim, Sr. Samir e Sra. Latifa, tradicionalmente jantando Keftaji, um delicioso prato local e Dourada (peixe) na varanda de casa. Ilha de Djerba. Tunísia.

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Day tour na Ilha do flamingos rosas. Djerba. Tunísia.

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Ghriba Sinagoga. Djerba. Tunísia.

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Hakim, Moez (guia turístico e amigo) em passeio em Djerba. Tunísia.

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Arte de rua em Erriadh. Ilha de Djerba. Tunísia.

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Arte de rua em Erriadh. Ilha de Djerba. Tunísia.

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Erriadh. Ilha de Djerba. Tunísia.

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Erriadh. Ilha de Djerba. Tunísia.

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Erriadh. Ilha de Djerba. Tunísia.

Por fim, o Sr. Samir organizou uma entrevista ao vivo na rádio local! Foram 30 minutos de conversa onde pude, com ajuda do meu tradutor oficial, Moez, falar um pouco da minha experiência em viajar de bicicleta.

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Falando da minha aventura na Rádio Ulysse FM. Ilha de Djerba. Tunísia.

Para minha surpresa o Sr. Samir se candidatou a pedalar comigo até Tunes. Amanhã. daremos início a nossa viagem que terá mais de 600 km ao longo da costa da Tunísia.

Com todos as atividades programadas e difícil acesso à internet, deixo registrado aqui mais uma parte da minha aventura!  Nos vemos em breve!

 

Bem vindos a Tunísia! E parabéns para mim e para o Projeto da China para casa by Bike!

Com todos os contratempos que tive no Egito, não me restou alternativas se não voar mais uma vez! Confesso que meu destino acabou sendo uma novidade até para mim. No entanto, a recepção que estou tendo nos meus primeiros dias me da a certeza que vim para o lugar certo!

A Tunísia é mais um país muçulmano que visito na minha jornada. No entanto, é um dos mais abertos devido a forte influência das culturas europeias, pois foi colônia francesa até 1956. Cervejinha e churrasquinho na praia é meio que rotina por aqui. E foi assim que comemorei o meu 45° aniversário, o terceiro que passo na estrada desde o início do Projeto da China para Casa by Bike, que completou 1001 noites no mesmo dia do meu aniversário! Uma incrível coincidência legal pra caramba!  Um conto de fadas real! KKKK

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Welcome to Tunis. Bem vindos a Tunísia.

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Cap Serrat. Extrmo norte da África. Tunísia.

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Cabana onde passamos a noite do meu aniversário. Cap Serrt. Tunísia.

Meus anfitriões Makrem e Chahrazed, ou simplesmente Mak e Cha, representando toda a hospitalidade local, me levaram para o ponto extremo norte do continente africano para um delicioso final de semana entre amigos. Praia, sol, churras, breja, luau, bate-papo e tudo mais! Um ambiente bem parecido com o nosso! Um baita presente de aniversário! Até ouriços crus rolou! É conhecido como Uni na gastronomia japonesa! Eu adoro! Me fez lembrar minha querida Japaratinga em Alagoas… deixando meu aniversário ainda mais nostálgico e gostoso! Com um limãozinho! Hummm… delícia!

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Vai um ouriço aí? Tunísia.

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Meus anfitriões Mak e Cha comendo ouriço e tomando uma cevejinha. Tunísia.

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Luau com a galera. Tunísia.

Até um bolo personalizado rolou!

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Receber o carinho de pessoas durante a minha jornada ajuda amenizar a saudade da minha filha, família e amigos, principalmente em momentos como esses. Pessoas que mal conhecemos demonstrando carinho pelo simples prazer de deixar alguém feliz! Deixo aqui meu muito obrigado a Mak e Cha e seus amigos! Gostaria de agradecer também as mais de 300 mensagens de feliz aniversário que recebi no face, messenger, e-mail e ligações. Esse carinho é um grande incentivo para eu seguir o meu caminho! Muito obrigado a todos!

Eu ainda não tive tempo de explorar Tunes, a capital do país. Devo fazer isso nos próximos dias e seguir viagem. Minha ideia é seguir de ônibus para a Ilha de Djerba, próxima a fronteira com a Líbia e percorrer cerca de 500 km retornando a Tunes, onde pegarei um barco para a Itália.

Vamos juntos explorar a Tunísia!

 

Cairo e as Pirâmides do Egito

Desde o momento em que fui impedido de pedalar no Egito devido aos riscos de me tornar alvo de ataques terroristas, deixei de ser cicloturista para me tornar um turista convencional. Não queria de forma alguma deixar de ver o que havia planejado em minha viagem ao Egito. Assim, tive que apelar para transporte públicos, táxi, ônibus intermunicipal, albergues e tudo o mais, indo parar direto nas mãos da extorsiva industria do turismo, e meu custo de vida (ou melhor, de viagem) aumentou bastante!

Depois de ser bloqueado na estrada, retornei ao hotel e analisei friamente a situação. Minha vontade era de tentar furar o bloqueio e seguir viagem. Estava com raiva! Nada que havia visto até então no país refletia a preocupação exagerada dos policiais. Mas na verdade nunca sabemos onde está o perigo nesta situação! Bom… decidi comprar uma passagem de ônibus até o Cairo…

A viagem foi péssima! A única coisa que me confortava era que a bike estava muito bem acomodada no bagageiro. Cheguei ao Cairo quase 5 da manhã. Pouco depois, Mr. Wael apareceu para me pegar e me levar para sua casa. Fascinado com a minha viagem de bike, resolveu aceitar o convite feito pelo pessoal que conheci em Sharm el´Sheikh.

A identificação foi imediata e com certeza Sr. Wael é mais um amigo que fiz para a vida toda! Me trouxe para dentro de sua casa mesmo sofrendo reformas, me apresentou sua esposa, filho e sogra, me levou para passear, organizou os passeios, me introduziu a gastronomia local e ainda ajudou a organizar a minha saída do Egito. Aliás, esse foi um assunto complicado!

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Eu e o Sr. Wael em seu restaurante favorito em Alexandria. Egito.

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Alexandria, Egito.

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Alexandria, Egito.

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Alexandria, Egito.

Sem ter como sair do país de navio, como era a minha ideia inicial, tratei de fazer toda aquela correria de sempre quando tenho que voar. E ainda tive que decidir o próximo destino de acordo com os preços das passagens. E garanto que o lugar para onde estou indo vai te surpreender! Passagens, política de bagagem, preço, caixa para a bike, transporte até o aeroporto e tudo o mais… Enquanto me divertia com os passeios organizados pelo Sr. Wael, nos bastidores ele ia deixando tudo pronto ou engatilhado! Ele foi uma mão na roda! Tks Mr. Wael!

Sr. Wael tirou uns dias de folga para ser meu guia. Foi a maneira que encontrou para diminuir a minha frustração de não poder pedalar. Senti que ele também estava triste! Fizemos um day tour em Ismaília, no canal de Suez e Alexandria, já nas margens do mar Mediterrâneo.

Alexandria foi fundada por Alexandre, “O Grande” em 331 a.C., tornando-se uma das cidades mais importantes do mundo. Foi capital do Egito por mais de 1000 anos, até a chegada dos muçulmanos que transferiram a capital para Fustat e depois Cairo. Foi um passeio rápido, e o ponto alto foi conhecer um dos restaurantes favoritos do Sr. Wael, onde abusamos dos frutos do mar.

Em Ismaília, a cereja do bolo foi jantar em uma fazenda de piscicultura em meio aos beduínos. A cidade é o centro administrativo do Canal De Suez.

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Jantar com beduínos em Ismaília. Egito.

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Jantar com beduínos em Ismaília. Egito.

As Pirâmides e o Museu Nacional, foram as duas atrações mais marcantes da minha primeira visita ao Cairo, e era essa a minha prioridade. E também tive tempo de me perder pelo centro da Capital, e relembrar a atmosfera dessa frenética cidade.

Olha só! Vamos combinar… Eu estou na correria no meu último dia de Egito e todo mundo já sabe a história das Pirâmides, não é verdade? Quéops, Quéfren e Miquerinos… estrutura mais antiga e uma das sete maravilhas do mundo antigo… 2600 a.C…. 140 metros de altura… túmulos dos faraós… A única coisa que gostaria de acrescentar é que desde quando decidi dar a volta ao mundo de bike, voltar nas pirâmides passou a ser um grande objetivo! Eu piro com elas!!!!

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A Esfinge de Gizé guardada pelas pirâmides. Cairo, Egito.

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Esfinge de Gizé e a pirâmide de Quéfren. Cairo, Egito.

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Pirâmide de Miquerinos. Cairo, Egito.

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A múmia no Egito!

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Quéops e Miquerinos. Cairo, Egito.

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Quéops, a maior das pirâmides. Cairo, Egito.

Quando visitei o Museu Nacional do Cairo pela primeira vez fiquei muito impressionado. Primeiro pelo seu incrível acervo de 120 mil peças, que tem como principal destaque a mascara Mortuária de Tutankhamon (1324 a.C.), um dos faraós mais famosos do Egito que morreu ainda na adolescência. Tutankhamon casou aos 8 anos com sua meia irmã, assumiu o reinado com 9 e morreu 10 anos depois sem herdeiros. Com um reinado curto, seu túmulo é relativamente simples se comparado a outros faraós, no entanto é o mais fascinante de todos! Ao ser descoberto em 1922, além de muitas peças de tecidos, textos sagrados, armas e roupas, seu processo de mumificação revelou uma máscara maciça feita em ouro e adornada por pedras preciosas. Thutankhamon é considerado um dos maiores tesouros da humanidade. Infelizmente não é permitido fotografar.

O outro ponto que me chamou atenção naquela época foi a incrível desorganização e falta de cuidado com o acervo. Em 1997, vi peças amontoadas, pessoas subindo nas estátuas para tirar fotos, visitantes manuseando o acervo, sujeira. Agora tudo está mais organizado e limpo. Valeu a pena voltar!

A primeira foto a esquerda é de Tutankhamon (arquivo internet), as outras são minhas.

Não posso dizer que o balanço da minha viagem de bike no Egito tenha sido satisfatório, afinal, dos mais de 1000 km planejados, só consegui pedalar pouco mais de 30%. No entanto, conhecer a região do Deserto de Sinai e Alexandria e voltar a Luxor e Cairo me trouxeram imensa satisfação.

Ufa! Achei que não iria dar tempo de postar. A internet aqui é péssima! Agora já estou com tudo praticamente pronto para deixar o Egito. Vou desligar o computador e na sequência finalizar os preparativos para deixar o país amanhã bem cedo.

O destino? Deixa seu comentário e dê o seu palpite! Sefor o primeiro a acertar ganha o direito de pedalar 15 dias comigo em qualquer lugar desse mundão de meu Deus! Mas não se esqueça, as despesas serão custeadas pelo vencedor! KKKK

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Terroristas bloqueiam meu caminho e frustram minha viagem no Egito.

Loga após deixar Luxor em direção ao Cairo, capital do Egito, policias do exército me impediram de seguir viagem alegando instabilidade política e alto risco para turista devido ações de grupos rebeldes na região.

Com isso, não me restou alternativa, a não ser percorrer o trecho de ônibus. Fato que me frustrou bastante, pois meu sonho de conhecer mais de perto os egípcios e o vale do Rio Nilo teve que ser adiado!

No entanto, sigo meu plano normal em visitar o país e em breve trago até vocês as pirâmides e muito mais… Aguardem!!!

Luxor: A antiga capital do Egito

Essa é a minha segunda vez em Luxor, um lugar tão fascinante que me fez voltar e rever os traços de uma das civilizações mais desenvolvidas de todos os tempos! A antiga Capital do Império Egípcio abriga o maior museu a céu aberto do mundo! Templos, mausoléus, tesouros, arquitetura! As histórias eternizadas pelas ferramentas dos artesões, em pilares e murais, esculpem personagens, mensagens e passagens que nos permitem entender um passado glorioso, testemunhado desde então, pelo único sobrevivente da época, o Rio Nilo!

O Rio Nilo ceifa a cidade em east bank (margem oriental) e west bank (margem ocidental). O lado east, lado em que o sol nasce, era a parte ocupada pelos vivos, enquanto o lado do pôr do sol foi dedicado aos mortos. Desde aquela época o Rio Nilo dita o ritmo da cidade, tornando as terras férteis e promovendo riquezas a região.

Eu me hospedei e comecei minha visita pelo lado west, onde se encontram as tumbas, mausoléus e necrópoles. Aliás, o Hotel Al Hambra foi um dos melhores custos benefícios de toda a viagem. Estrutura simples mas confortável. Um quarto com banheiro privativo, ar condicionado e sacada sai por US$ 10. Limpo e bem localizado! Sem falar que o dono é uma simpatia! Fica a dica!

Situado entre enormes montanhas de calcário, O Vale dos Reis abriga túmulos de vários faraós. A entrada custa cerca de US$ 10, e da direito a visitar 3 das mais de 60 tumbas até hoje descobertas. Fiz questão de visitar as mesmas que visitei na primeira visita: 8  Merenptah, 34 Thutmes e 57 Horemheb. Como flash, fui lembrando de algumas imagens frações de segundos antes de realmente ver… Ahhh!! Me lembro disso e daquilo ali! Putz! Depois dessa curva tem uma escadinha e lá esta o sarcófago… o corpo talhado no seu interior… a mão…

Quase sempre escavadas, as tumbas são enormes corredores decorados com salas e anti-salas que preservam em adornos e hieróglifos a memória dos faraós e os costumes das civilizações de cada dinastia. Infelizmente não é permitido fotografar! Bom, infelizmente numas, né?! É proibido, mas os funcionários mais do que liberam, oferecem uma vista grossa por um click. Eu não pago! Aliás, qualquer favor feito por eles tem um custo extra. Uma imagem mais escondida, um lugar clássico para fotografar, um detalhe interessante… Meu amigo! Os caras pedem gorjeta até para falar bom dia! Você acaba ficando antipático, pois toda aproximação é da mesma forma e tem o mesmo fim! Olá, eu sou seu amigo bonzinho… e quero seu dinheiro! Aliás isso eu me lembro bem… continua da mesma forma que 20 anos atrás! Para piorar, com a escassez de turistas, você vira um alvo, ou melhor, um cifrão muito mais concorrido! Eu sei que isso é normal em cidades ou pontos turísticos… mas na boa, aqui é exagerado! Uma garrafa de água pode custar 10 vezes mais apenas pelo fato de eu ser turista!

O Templo Deir el-Bahari é um complexo de sepulturas e templos construído em um gigantesco penhasco que realça ainda mais sua magnitude. Com um padrão arquitetônico simples, com terraços e rampas moldado em linhas retas, o complexo repousa na solidez de suas colunas, tendo como principal atração o Djeser-Djeseru, templo dedicado a primeira faraó mulher de que se tem notícias, a Rainha Hatshepsut (século XV a.C.) que reinou por 22 anos.

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Templo de Deri el-Bahari. Luxor, Egito.

 

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Templo de Deri el Bahari. Luxor, Egito.

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Templo de Deri el-Bahari. Luxor, Egito.

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Templo de Deri el-Bahari. Luxor, Egito.

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Templo de Deri el-Bahari. Luxor, Egito.

 

Construído para celebrar a morte de Ramsés lll (reinado de 31 anos entre 1194 -1163 a.C. na XX dinastia egípcia), o Templo de Habu já abrigou o centro administrativo de Tebas, e o local é conhecido por registrar a primeira greve da história, quando os trabalhadores paralisaram as obras até receber o que lhes eram devido, descartando a hipótese de escravidão, como muitos pensavam.

Com gigantescos portais, estátuas, colunas e salões, este templo tem esculpidos em suas paredes, histórias que contam as vitórias militares de Ramsés III, oferendas, festas religiosas, cenas com arco e flecha, pesca e caça e outras que revelam detalhes daqueles tempos. No entanto, o que mais chama atenção são as gravuras retratando o tratamento aos criminosos. Ramsés III não tinha compaixão. Na primeira vez, era decepada a mão dos prisioneiros. Na segunda (puuutzzz) o pênis e na terceira a cabeça. Bonzinho né?! Talvez seria melhor pular a segunda!!!!

Ramsés III, como quase todos os faraós, trabalhou para associar sua imagem aos deuses. Ele preferiu adotar o nome de seu avô, Ramsés II, e não de seu pai, Setnakht, para seguir a doutrina de também se tornar uma lenda.

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Templo de Habu. Luxor, Egito.

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Templo de Habu. Luxor, Egito.

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Templo de Habu. Luxor, Egito.

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Templo de Habu. Luxor, Egito.

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Colosso de Memnon: Estátuas de Amenófis III consideradas as maiores esculturas do Egito.

 

Do outro lado do Nilo, soberanas, reúne-se as grandes ruínas do antigo império egípcio.

O Templo de Luxor, bem pertinho do Rio Nilo, foi engolido e sua arquitetura se funde com a cidade. Iniciado por Amenófis III na XIX Dinastia, teve sua estrutura ampliada na XIIX  Dinastia por Ramsés II e depois por Alexandre O Grande.

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Erguido em homenagem aos deuses tebanos Amon, Mut e Khonsu, o Templo abriga uma mesquita operante desde o século XIII. Sua entrada é colossal! Duas colunas de esfinges guardam a alameda até o Templo de Karnak, cerca de 3 km distantes, com duas enormes estátuas e um obelisco em frente a um paredão de pedras cujo o relevo, denuncia a ação do tempo.

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Templo de Luxor. Egito.

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Templo de Luxor. Egito.

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Templo de Luxor. Egito.

Lá dentro, estátuas, colunas, adornos e arquitetura vão resistindo ao tempo, eternizando os luxos e os hábitos, as culturas, as histórias e os mistérios dessa civilização que muito me fascina.

Cheguei no Templo de Luxor na hora mais quente do dia. O lado bom é que não havia quase nenhum turista e pude ver e sentir tudo com calma. Eu tinha 25 anos quando estive aqui pela primeira vez. Foi engraçado, ou trágico, dependendo se sou eu ou meu “inquilino” (como chamo a minha consciência), que interpreta o fato relembrado. Caminhando ao lado do Nilo, até o Templo de Karnak, fui pensando como poderia ter sido a minha vida se tivesse tomado outras decisões. Sem lamentações e arrependimentos! Não é isso! Não sei como começou a brincadeira… estava me divertindo tentando encontrar em retrospectiva, um outro caminho que me trouxesse a este momento da minha vida! Só isso! E foi legal pra caramba! Eu não encontrei é claro! Sempre os “mas” apareceram para bloquear o caminho… Mas este joguinho me fez relembrar emoções e sentimentos que me fizeram muito bem!

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Templo de Luxor. Egito.

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Templo de Luxor. Egito.

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Templo de Luxor. Egito.

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Templo de Luxor. Egito.

De tudo que eu queria rever em Luxor, o Templo de Karnak era a cereja do bolo e justamente por isso, deixei-o por último! Dedicado aos mesmos deuses do Templo de Luxor, cada faraó de diferentes dinastias, aumentou e deixou sua marca durante mais de dois mil anos, tornando-o maior complexo de templos do Egito. Iniciado em 2200 a.C., foi se expandindo até 360 a.C.,  e estima-se que mais de 80 mil trabalhadores estiveram ali durante a XIX  dinastia.

O complexo ficou debaixo das areias do deserto por mais de 1000 anos e só foi descoberto no século XVIII, sendo que os trabalhos de escavações e restaurações continuam até os dias de hoje.

É possível gastar horas lá dentro, mas priorize a Grande Sala dos Hipostilos. Preenchida por 134 gigantescas colunas de 21 metros de altura e 4 de diâmetro, é impossível não se emocionar e viajar no tempo com as inscrições e gravuras que ao mesmo tempo escondem os mistérios e revelam a história de milhares de anos atrás. As colunas são adornadas em forma de papiros, hora com os botões fechados, hora com eles abertos. Esta sala é para mim o lugar mais impressionante de Luxor.

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Templo de Karnak. Luxor, Egito.

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Templo de Karnak. Luxor, Egito.

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Templo de Karnak. Luxor, Egito.

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Templo de Karnak. Luxor, Egito.

 

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Templo de Karnak. Luxor, Egito.

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Templo de Karnak. Luxor, Egito.

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Templo de Karnak. Luxor, Egito.

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Templo de Karnak. Luxor, Egito.

Fiz questão de tirar um dia livre para perambular sem destino pela periferia da cidade e confirmar a impressão que eu vinha tendo do Egito. A primeira vista, o Egito me pareceu mais limpo e organizado do que na minha última visita. E de fato esta! Mas ao se embrenhar pelas ruelas da periferia, ainda se depara com muito lixo e falta de saneamento básico. A frota de carros se modernizou, mas as leis de trânsito me parecem as mesmas… ou seja… não existe leis e o buzinaço parece ser eterno, assim como as ruínas e o Rio Nilo!

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Centenas de embarcações paradas esperando o retorno dos turistas. Rio Nilo, Luxor. Egito.

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Loja de especiarias na periferia de Luxor. Egito.

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Periferia de Luxor. Egito.

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Vida tranquila na periferia de Luxor. Egito.

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Feira de rua em Luxor. Egito.

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Feirante em Luxor. Egito.

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Feirantes em Luxor. Egito.

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Simpatia estampada no rosto! Luxor, Egito.

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Mesquita em Luxor, Egito.

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Luxor, Egito.

Esta foi apenas uma curta visita em Luxor. A cidade tem muito mais a oferecer de acordo com seu interesse. Passeio de balão, viagens de barco, espetáculo de luzes, e uma infinidade de templos.

Na minha primeira visita ao Egito em 1997, fiz o trajeto entre Cairo e Luxor de trem. Agora, sigo o caminho oposto de bike! Estou super animado! Convido você a pegar uma carona na minha garupa e seguir comigo até as Pirâmides do Egito, as estruturas mais antigas do mundo!

O incrível deserto do Sinai no Egito.

Logo ao cruzar a fronteira entre Israel e Egito, e pagar tudo quanto são taxas… deparei me ao longo da estrada com dezenas de hotéis abandonados, o que aumentou ainda mais o meu alerta com relação aos terroristas. A estrada é linda, com visuais incríveis!  No entanto possui pouco movimento, longas subidas e alguns longos trechos sem asfalto. O sol cozinhava meus miolos… e eu só pensava em achar um lugar para me proteger da parte mais quente do dia! Ufa! Depois de uma curva em aclive, achei! Um posto de gasolina praticamente abandonado! Apenas dois funcionários que não falavam inglês. Foram simpáticos, me ofereceram um sofá onde pude descansar e comer com tranquilidade.

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Fronteira entre Israel e Egito ainda de madrugada. Taba border, Egito.

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Castelo egípcio no Mar Vermelho. Egito.

O primeiro contato com o Egito me deixou preocupado! Aqueles hotéis as moscas representavam um lugar que já havia sido próspero em turismo, mas que com as incidências de terrorismo, sofreu uma enorme debandada! Com a debandada, além dos grandes hotéis, pequenos comerciantes e pousadas também fecharam as portas. E com isso, cada vez mais, menos pessoas visitam o Sinai, e é claro, menos estrutura para um pobre ciclista mortal! Durante as 5 horas que fiquei no posto, apenas 5 carros vieram abastecer, sendo que 4 deles de uma empreiteira local.

Os conflitos abalaram significativamente a economia não apenas do Sinai, mas de todo o Egito. A maioria da população do Sinai é composta por beduínos, que deslumbraram por um tempo, todos os benefícios que o turismo traz a uma região, deixando de lado suas origens. Agora, os beduínos encontram bastante dificuldade em voltar a difícil labuta do dia-a-dia de outrora, e se agarram a esperança de que tudo vai voltar ao normal um dia! Quem viver verá!

Bom, mas a minha impressão começou a mudar logo em seguida, quando cheguei ao meu primeiro destino no Egito. Na cidade de Nuweiba, cerca de 70 km de distância da fronteira, encontrei o Sr. Maged (warmshowers), proprietário do Habiba Camp e de uma fazenda orgânica que possui um programa voluntário extra curricular para as crianças locais. Tudo é muito simples mas extremamente agradável! Além de usufruir de um dos quartos da pousada, tive a oportunidade de ministrar uma mini palestra para as crianças, onde mostrei minha rota e meus equipamentos de viagem, visitei a fazenda e aprendi muito sobre a região. Para saber um pouco mais do projeto que busca voluntários, click:  http://www.habibaorganicfarm.com/

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Habiba Camp. Nuweiba, Sinai – Egito

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Habiba Camp. Nuweiba, Sinai – Egito.

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Sr. Maged orgulhoso da sua plantação de tâmaras. Habiba Farm. Nuweiba. Sinai – Egito.

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A amiga Nour em meio a plantação de quinoa. Habiba Farm. Sinai – Egito.

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Centro de aprendizado Habiba Farm. Nuweiba, Sinai – Egito

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Centro de aprendizado Habiba Farm, Nuweiba, Sinai – Egito.

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Centro de aprendizado Habiba Farm, Nuweiba, Sinai – Egito.

O Sr. Maged também organizou algumas excursões na região. Em uma delas, fui visitar um oásis em um desfiladeiro no meio do deserto do Sinai. Depois de uma caminhada de meia hora no leito de um rio seco, uma piscina natural faz a alegria dos beduínos e de turistas também…

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Oásis. Deserto de Sinai – Egito.

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Oásis. Deserto de Sinai – Egito.

Também visitei a cidade de Santa Catarina, seu famoso mosteiro ortodoxo, e fiz uma linda caminhada ao pico do Monte Sinai. A cidade fica em meio as montanhas e possui um clima muito mais ameno se comparado ao “caldeirão” ao nível do mar. Através do Sr. Maged, conheci Dr. Ahrmed, um entusiasta das ervas medicinais. Além de produzir e comercializar, o Sr. Ahrmed trata muitos pacientes com as plantas, que vem de longe para serem consultados. Ele me disse que primeiro herdou o conhecimento do pai e dos beduínos e depois, através de livros, se tornou autodidata e fez vários cursos em vários países do mundo. Na sua pequena propriedade, além das plantações e consultório, funciona um pequena pousada e foi lá que pernoitei. É um lugar que vale a pena conhecer! No final do dia, tomar um chá com Dr. Ahrmed é uma opção bastante interessante para mergulhar na cultura local e vivenciar a sua rotina de consultas.

O Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina foi construído em 565 d.C. aos pés do Monte Sinai, em homenagem a Transfiguração de Jesus, que consiste em um episódio do Novo Testamento no qual Jesus é transfigurado (metamorfoseado) e se torna radiante do alto de uma montanha,. É um lugar sagrado para os judeus, cristãos e muçulmanos. Com 2285 metros de altitude, foi lá que Moisés recebeu os 10 mandamentos, e o local é visitado por milhares de peregrinos todos os anos.

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Mosteiro de Santa Catarina, Egito.

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Mosteiro de Santa Catarina. Egito

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Trilha ao Monte Sinai, Egito

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Caminhada rumo ao Monte Sinai. Egito.

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Igrejinha no alto do monte Sinai. Egito

Entre Nuweiba e Sharm El-Sheik, cidade situada no extremo sul do Sinai, foram dois duros dias de pedal e uma noite péssima em um posto de gasolina em Dahab. Forte calor, grandes montanhas e quase nada de apoio. No entanto, quando cheguei a capital egípcia do mergulho, ou Sharm, como a cidade é carinhosamente chamada, os amigos que fiz em Noweiba e Santa Catarina me receberam com a típica hospitalidade egípcia. Entre um mergulho nas águas translúcidas do Mar Vermelho, passeios e boas conversas, pude descansar e organizar a próxima etapa da minha aventura.

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Sharm El-Sheik, Egito

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Sharm El-Sheik, Egito

Minha ideia era cruzar o Mar Vermelho de balsa e seguir para Luxor e depois Cairo pelo Vale do Rio Nilo. No entanto, sem me avisar, cancelaram a balsa e fiquei na mão. kkkkk Acontece que o número de turistas no Egito caiu abruptamente e consequentemente as operadoras de turismo estão sofrendo muito. Aliás, como já mencionei acima!

Com isso restaram duas opções. Seguir pedalando pelo Sinai rumo ao Canal de Suez e de lá seguir para o Cairo, ou pegar um ônibus até Luxor, e de lá seguir o meu plano inicial. Optei pela segunda opção, pois terei a oportunidade de pedalar no Vale do Rio Nilo, um cinturão verde em meio ao deserto do Saara que muito me fascina.

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Minha bike no bagageiro do ônibus rumo a Luxor, Egito.

Ao pedalar em regiões inóspitas como o deserto, a prioridade passa ser conseguir o mínimo de conforto, como uma garrafa de água gelada, um cantinho com ventilador para passar a noite ou mesmo uma sombra na beira da estrada para poder descansar e se proteger do sol escaldante. Com isso, até consigo durante o pedal, fazer uma ou outra boa foto, mas o lado gastronômico passa para o segundo plano, e conseguir uma receita que vale a pena passa a ser questão de sorte! Comi alguns pratos bons e diferentes durante a minha estadia no Sinai, mas nada que valesse a pena registrar ou catalogar para o livro. Espero que na beira do Nilo isso possa mudar.

Gostaria de finalizar esse post agradecendo todos que de alguma forma contribuíram e fizeram dos meus dias no Sinai muita mais agradáveis! Muito obrigado!

 

 

Deserto de Israel rumo ao Egito

Entre Jerusalém e Eilat, cidade localizada às margens do Mar Vermelho em Israel, bem próximo ao Egito, enfrentei mais uma vez a hostilidade de um deserto, com temperaturas superiores a 40°C, muitas montanhas, e longos trechos sem apoio. No entanto, diferentemente da empreitada no deserto da Jordânia, recebi ajuda em todas as cidades que pernoitei, que além de deixar a minha vida um pouco mais confortável com cama, banho e comida, me proporcionou um contato direto com a cultura local.

Como relatei no post anterior, minha ideia era fazer parte deste trecho pela Palestina, me poupando pelo menos, 45 km de pedal, ou meio dia de sofrimento no calor escaldante. Mas um atentado deixou a região em estado de alerta, e pensando e minimizar o risco, dei uma volta maior e fiz o percurso todo por Israel.

Antes de deixar Jerusalém, estudei a rota, cataloguei os quilômetros entre as cidades e/ou pontos de apoio e organizei meu estoque de comida e água. Não corri riscos com meus suprimentos, mas trabalhei sempre no limite para pedalar com o menor esforço possível. Gastar energia desnecessária neste tipo de clima é muito perigoso. Em geral, não me importo em pedalar mais carregado para dar qualidade as minhas refeições. Mas desta vez fui econômico, e só carreguei o básico. Estava tudo certinho e organizado na minha cabeça! Gastaria cinco dias de pedal (4 noites na estrada) e teria hospedagem na casa de um membro do Warmshowers (o velho e bom site de hospedagem para quem viaja de bike) na segunda noite.

Mas meu amigo! Todo planejamento fura! Por mais que tudo esteja certinho na cachola, em uma viagem de bike sempre rola surpresas! E quando o planejamento fura, é preciso contar com Deus e Nossa Sra. Aparecida! kkkk … Tô zoando!  Não… quer dizer… isso também, se você acredita… Mas quando o planejamento fura, o negócio é manter a calma e focar no problema, isso, além de um pouco de intuição e experiência, geralmente resolvem o problema.

Ao final do meu primeiro dia, estava pedalando em uma estradinha bem no meio da fronteira entre Israel e Palestina. Zona de alto risco! A estrada toda ladeada com cerca de arames farpados, blocos e muros de concretos e sinais de acesso proibido. Os únicos carros que trafegavam ali eram do exército de Israel. Guaritas e brigadas militar a cada poucos quilômetros. Ficou claro que mesmo se eu achasse meio metro quadrado entras as cercas para armar a minha barraca, não me deixariam acampar ali. Não me restou alternativa e o jeito foi continuar pedalando até que a estrada se afastasse da divisa. A noite caiu, ascendi as lanternas da bike e segui, num sobe e desce desgraçado!

Seguindo a rota no meu GPS, notei a estrada se afastando da zona de risco e lá na frente, um conjunto de luzes anunciava civilização. Era a minha chance de achar um lugar para montar a barraca ou armar minha rede. Meu GPS, apesar de mostrar um conjunto de meia duzia de ruas, não dava nome a localidade, o que me fez suspeitar ser uma base militar, e se fosse, teria que pedalar um pouco mais, pois não me deixariam ficar ali.

Já se passava das 22h, e meu velocímetro já apontava 101 km quando me deparei com uma cerca e um portão fechado na entrada do lugar. Não me pareceu base militar, o que me encorajou dar uns berros para chamar a atenção do segurança que estava dentro da guarita a uns 30 metros do portão. Demorou um pouco, tempo suficiente para eu ficar apreensivo… Mas o sujeito abriu!

Para a minha surpresa estava em  Lahav Kibutz! Kibutz é uma fazenda comunitária israelense que oferece trabalho, moradia, estudo e iguais condições aos seus integrantes. Já vinha ouvindo falar deles, e queria muito conhecer! Na minha cabeça, era uma comunidade fechada, com vida simples e pessoas alternativas ou religiosas… Mas que nada! Carros sofisticados nas garagens, internet, equipamento agrícola de última geração, salas de aula equipadas e todas as modernidades que as cidades oferecem. O legal em viver em um Kibutz é que todos os recursos são compartilhados, com uma estrutura similar ao socialismo. O que para muitos é tida como utopia, aqui rola legal!

Os caras me ofereceram banho, comida e um quartinho bagunçado com ventilador para eu passar a noite!

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Coloquei o colchonete aí no meio e dormi sem problemas depois de pedalar mais de 100 km. Lahav Kibutz. Israel

No segundo dia, segui o meu plano! Levantei bem cedinho, pedalei com o vento nas costas ajudando, fiz uma longa parada na parte mais quente do dia em um pequeno bosque com árvores na beira da estrada, e cheguei no final da tarde, na casa de Tamir do Warmershowers. Ele, a esposa Adi e a filhinha Zivi, vivem em Midreshet Ben Gurion, uma cidade no meio do deserto de Negev, a beira de um vale maravilhoso. A cidade é um centro avançado de estudos sobre o deserto. Quase todos que vivem na cidade são professores, mestres, doutores ou pesquisadores, com projetos de pesquisas que buscam tirar o máximo que um deserto pode oferecer. Acabei ficando por 3 noites com a família, e foi super legal! Me fazendo sentir em casa, o casal me proporcionou viver a cultura local e conhecer de perto seu tranquilo e simples estilo de vida. Tive tempo para curtir o Vale Zin, descansar e repor as energias e o melhor, comi bem e consegui mais uma receita para o meu futuro livro. A família vive em forma de cooperativa, fazendo trabalhos em conjuntos. Um deles, eu achei bem interessante. Seis famílias cuidam de algumas cabras, e um dia por semana cada família fica responsável em tratar e ordenhar os animais. Com isso, dividem os gastos, trabalham apenas um dia na semana e se abastecem de leite até a semana seguinte. Genial! Fui com eles ordenhar e fizemos um queijo com a produção. Fiquei surpreso com a simplicidade do processo e com o sabor! E o melhor, rola com qualquer tipo de leite! Segura aí que no livro vai rolar a receita!

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Tamir, Adi e Zivi trabalhando na ordenha das cabras. Midreshet Ben Gurion, Israel.

 

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Vale Zin, deserto de Negev, Midreshet Ben Gurion. Israel

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Cervos selvagens no Vale Zin, deserto de Negev, Medreshet Ben Gurion, Israel.

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Cervos no desfiladeiro do Vale Zin, deserto de Negev, Israel.

Tamir conseguiu através de um amigo, um lugar para eu passar a noite em Mitzpe Ramon, cerca de 35 km da casa dele. O proprietário estava viajando. A namorada do cara foi me buscar na entrada da cidade e me deixou na boa, passar a noite sozinho no apto. do namorado com ar condicionado e tudo o mais! Neste dia, pedalei apenas no período da tarde. Apesar da curta distância, levei quatro horas para cumprir o percurso… subidas longas e váaaarias paradas para curtir o visual.

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Pedal no deserto de Negev em Israel.

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Vale Zin, deserto de Negev, Israel

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Deserto de Negev, Israel.

Meu penúltimo dia foi o mais bonito. Cruzei paisagens incríveis…

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Deserto de Negev, Israel

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Deserto de Negev, Israel.

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Deserto de Negev, Israel

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Chegando em Eliat, às margens do Mar Vermelho, Israel

E no meu último dia, depois de passar a noite na rede, na bifurcação entre as estradas 40 e 12, em frente a um restaurante, segui para o mais difícil dia desta perna da viagem. O sobe e desce continuou exigindo, só que desta vez, para piorar, o vento soprou forte e contra, e não encontrei uma sombra para descansar no meio do dia, me obrigando a pedalar debaixo de um baita solzão! Cheguei em Eilat 13:45h. Fervendo! Transpirando mais do que tampa de marmita, como diria meu pai.

Eilat fica no extremo sul de Israel bem perto da fronteira com o Egito. Com cerca de 60 mil habitantes, a cidade chega quadruplicar a população em alta temporada. Extremamente turística devido suas belezas naturais como o mar vermelho e seus recifes de corais e as altas montanhas adjacentes, a cidade é um dos points preferidos de famílias em busca de um mergulho relaxante no mar e jovens em busca de badalação. A cidade ferve! Lembra um pouco o Guarujá, para nós de São Paulo. Manja o esquemão?!

Já estou com o visto do Egito pronto. Apliquei em um dia e busquei no ouro.Neste tempo, encontrei Fabiana, uma brasileira gente fina que trabalha no hotel que me hospedei. Ela fez as honras de anfitriã, me descolando desconto na hospedagem, e ainda me levou para um rolê pela cidade depois do trabalho! Muito obrigado pelo carinho Fabiana! Você é mais uma amiga que fiz na estrada, para a vida toda!

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Agora estou indo para o Sinai, no Egito. Uma área conturbada, com forte presença de terrorista. Estou estudando a melhor opção de cruzar a região. Minha ideia é levantar algumas informações na fronteira e tomar a decisão de pedalar ou usar um meio de transporte mais rápido. Todo cuidado é pouco! Depois de atravessar o Mar Vermelho as coisas tendem a se acalmarem novamente.

Apesar de continuar pedalando no deserto, estou super ansioso para desvendar o Egito com a minha bicicleta! Templos, museus, pirâmides!! Vamos juntos para a terra dos Faraós! Sobe na garupa, se segura, e vem comigo! O bicho vai pegar!!!