Fotos entre Casablanca e a linda praia de Legzira, Marrocos

As fotos abaixo contam um pouco de como foram meus primeiros 1000 km com Jordi nesta terceira carona (primeira na Nova Zelândia e segunda na Europa) que ele pega com o Projeto da China Para casa by Bike.

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Forte de Al Jadidia. Marrocos.

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Cozinha rica em frutos do mar e peixe em El Jadida. Marrocos.

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Marrocos.

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Estrada no Marrocos

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Hospitalidade Marroquina

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Linda vista mesmo em dia feio. Marrocos.

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Senhor Marroquino

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Chef orgulhoso de seu Tajine de peixe. Marrocos.

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Medina de Safi. Marrocos.

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Safi – Marrocos.

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Dura vida no campo. Marrocos.

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Medina de Mogador. Marrocos.

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Estradas do Marrocos

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Bete-papo na beira da estrada do Marrocos.

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Mulher marroquina.

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Ambulante. Marrocos.

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Jordi e eu preparando o café da manhã. Marrocos.

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Estradas do Marrocos.

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Boas lembranças do outro lado do Atlântico. Ehhh Saudade!!! Marrocos.

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Acampamento no Marrocos.

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Jordi se deliciando ladeira abaixo. Marrocos.

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Vai um cafezinho? Marrocos.

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Transportando bananas. Marrocos.

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Hora da reza. Marrocos.

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Pescaria. Marrocos.

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Padaria. Marrocos.

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O caminho no Saara. Marrocos

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Boa conversa… Marrocos.

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Da minha bicicleta. Marrocos

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A flora do semi-deserto. Marrocos.

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Filha e mãe. Marrocos.

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Acampamento na praia de Legzira. Marrocos.

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Arco de Legzira. Marrocos.

Marrocos: fortes emoções

Deserto, montanhas nevadas, lindas praias, cidades históricas, arquitetura, diversidade cultural, povo hospitaleiro, novos amigos, cheiros e sabores deliciosos e muita diversão! Minha viagem pelo Marrocos está sendo muito divertida e surpreendente!

Embora meu natal tenha sido melancólico, sozinho dendro de um quarto de hotel, meu Ano Novo não poderia ter começado melhor! Meus pais fizeram a gentileza de trazer minha filha Ana Laura, e juntos, além de comemorar seus 15 anos, passeamos pelos principais destinos do país. Uma viagem que me colocou frente a frente com as diferenças em viajar como turista convencional e de bicicleta. Acostumado a receber gentilezas quando estou com a minha magrela, estranhei um pouco o fato de não ser “mimado” pelos locais como de costume, e experimentei de maneira mais incisiva, a abordagem hiperbólica do mundo turístico na busca sedenta pelo dinheiro! Uma insistência que tira qualquer um do sério!!! Aquela velha prática da barganha do mundo árabe… e o vender a qualquer custo! Qualquer coisa!

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Passeio em família. Deserto do Saara. Merzouga. Marrocos.

O deserto do Saara é uma das principais atrações do Marrocos, ocupando grande parte do seu território. Para chegar até as dunas de areia é preciso cruzar o país e chegar bem pertinho da fronteira com a Argélia, atravessando a cordilheira Atlas ou Rif, que se estende por mais de 2400 km entre o oceano e o deserto. A montanha mais alta da cordilheira é  a Jbel Toubkal, com 4 167 m acima do nível do mar, a segunda mais alta da África, perdendo apenas para o Kilimanjaro na Tanzânia. Nesta época do ano, os picos mais altos estão nevados, deixando a paisagem ainda mais bonita!

Os Berberes são o povo do deserto. Nômades, vivem principalmente da criação de camelos e do turismo, explorando desde os fósseis da região até excursões para os entusiastas que desejam passar a noite debaixo do incrível céu estrelado do Saara. Acompanhar o pôr do sol, e as sutileza das mudanças de cores das dunas é imperdível.

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Deserto do Saara. Merzouga. Marrocos

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Deserto do Saara. Merzouga. Marrocos.

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Os berberes no deserto do Saara. Merzouga. Marrocos.

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Crianças berberes vendendo fósseis e souvenires. Saara. Merzouga. Marrocos

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Passeio de camelo nas dunas do Saara. Merzouga. Marrocos.

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Por do sol no Saara. Merzouga. Marrocos.

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Instituto Berbere em prevenção a língua e cultura berbere. Merzouga. Marrocos.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Estrada marroquina em direção as Cordilheiras Atlas.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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A fauna da Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Azrou. Marrocos.

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Cordilheira Atlas. Marrocos.

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Marrocos

Chefchaouen, a cidade azul, situada no norte do país, nas encostas da cordilheira, é outro ponto muito visitado do Marrocos. Fundada em 1471 para tentar impedir a invasão portuguesa no continente africano, a cidade acabou virando refúgio dos judeus a partir de 1930. Existe muitas teorias para explicar o azul, entre elas, que espanta mosquitos. No entanto, a teoria mais aceita é que os judeus, para preservar a tradição sagrada das roupas dos reis do Antigo Testamento, resolveram reverenciar o azul, fazendo da pacata cidade a “extensão do céu”. O número de judeus da cidade é bem pequeno nos dias de hoje, mas os habitantes ainda seguem a tradição, pintando as fachadas, ruelas e escadarias em diferentes tons de azul.

Chefchaouen passou a ser ponto obrigatório para os “malucos”. Dizem que o haxixe da região é um dos melhores do mundo!

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Chefchaouen. Marrocos.

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Chefchaouen. Marrocos.

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Chefchaouen. Marrocos.

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Chefchaouen. Marrocos.

As grandes cidades como Fez, Casablanca, Rabat (capital), Marraquexe e Tanger, possuem como principal atração os palácios reais, as grandes mesquitas e a Medina. Medina é o nome do bairro mais antigo da cidade. Toda cidade tem a sua, que geralmente é cercada por grandes muralhas que no passado serviam de fortificações. A dica é se hospedar dentro das muralhas em um Riad, nome dado aos pequenos hotéis tipo pousada. Geralmente administrado por famílias que também habitam o local.

As Medinas são verdadeiros emaranhados formados por ruelas, escadarias e becos que exigem bastante do senso de direção. Certamente você vai se perder dentro dela. Então, procure guardar o nome de um ponto de referência como uma mesquita, o nome do hotel ou um dos grandes portões das muralhas Todos os portões possuem nomes. E não se preocupe, há sempre um guia para te levar de volta em troca de alguns trocados.

Além da arquitetura genuína, as Medinas possuem identidade única, um comércio vibrante, onde turistas e locais se espremem em meio a carroças, motos e bicicletas em um agitado frenesi. Em geral, parecem desorganizadas, mas existe os Souks, setorizando diferentes áreas do comércio como vestimenta, especiarias, restaurantes e souvenir por exemplo.

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Medina de Fez. Marrocos.

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Riad em Fez. Marrocos.

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Fez. Marrocos.

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Curtume em Fez. Marrocos.

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Fez. Marrocos.

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Fez. A maior medina do mundo árabe. Marrocos.

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Medina. Fez. Marrocos.

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Mesquita Hassan II. Casablanca. Marrocos.

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Feira livre na Medina de Casablanca. Marrocos.

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Casablanca. Marrocos.

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Marraquexe. Marrocos.

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Marraquexe. Marrocos.

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Rabat. Marrocos.

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Rio Bouregreg. Rabat. Marrocos.

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Medina de Rabat. Marrocos.

Viajar de bicicleta pelo centro-norte do Marrocos é bastante excitante, com paisagens de tirar o fôlego! Geralmente o trânsito é moderado, mas as pistas sem acostamentos, as curvas nas regiões de montanha, a frota antiga e motoristas agressivos exigem muita atenção. As vilas ou cidades são frequentes, e os marroquinos estão sempre dispostos a ajudar, seja com um simples copo de água, passando por um prato de comida e até um lugar para passar a noite. Carente de saneamento básico, o povo do interior é muito simples, vivem quase que exclusivamente da produção rural de subsistência, calcado por grandes latifúndios de plantação de trigo, soja e milho, fazendo algum dinheiro com o excedente da produção. Os mais afortunados possuem pequenos comércios ou industrias de manufaturas que exploram a matéria prima local. Pequenas fábricas de azeite,pão, especiarias, tapetes, panelas de barro, artesanato são alguns exemplos.

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Estadas do Marrocos.

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Marrocos.

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Marrocos.

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Estradas do Marrocos.

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Estradas do Marrocos.

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Mulher marroquina vendendo hortaliças em feira livre. Chefchauoen. Marrocos.

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Mulher do campo. Marrocos.

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Tear. Marrocos.

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Mulher do campo II. Marrocos.

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Hospitalidade local. Marrocos.

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Pão fresco o dia todo. Marrocos.

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Um dos símbolos da superstição marroquina.

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Mulher do campo III. Marrocos.

A diversidade gastronômica do Marrocos é incrível! Quase sempre rústica, com carnes variadas, peixes e vegetais, o país se orgulha do cuscuz (sêmola de trigo), e do tajine. Na verdade tajine é o nome da panela em forma de vulcão, geralmente de cerâmica, que dá nome ao prato servido com uma carne e vegetais. O tajine de cordeiro é o meu preferido.

Os restaurantes de beira de estrada possuem um açougue agregado que servem os dois pratos típicos e também churrasco. Os miúdos como fígado, coração e rins também são muito apreciados. Você escolhe a parte que quer assar, compra por peso, e é adicionado uma taxa para preparar. Um quilo de carrê de cordeiro sai em torno de US$ 7.

O Harira é uma sopa de grão de bico, o Maticha, espécie de omelete que pode levar queijo, tomate ou embutidos, também são muito populares, assim como os peixes e frutos do mar, que podem ser encontrados, fritos, empanados ou na brasa.

Nas casas a comida é geralmente servida em um único prato. O pão acompanha todas as refeições, fazendo o papel dos talheres, que são encontrados apenas em restaurantes mais sofisticados. Embora o país seja o paraíso das especiarias, o cominho é predominante em todos os pratos. Até ovo cozido é “xunxado”  no cominho em pó. Embora os pratos não sejam picantes, o molho de pimenta chamado Harissa acompanha tudo, sempre servido separadamente.

Todas as refeições são acompanhadas de chá, que no geral são de hortelã e bem doce. Por ser um país muçulmano não é comum encontrar bebida alcoólica por aqui. As frutas secas, nozes e castanhas, verduras e hortaliças são abundantes. O quilo de tâmaras custa em média US$ 2,5. Nem preciso falar que caio matando, né? kkk As frutas também são deliciosas, com destaque para a maça, pêra tipo portuguesa e as minhas favoritas mexericas. Ual! São deliciosas!!! Lembra as da minha infância no sítio dos meus avós.

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Típico restaurante de beira de estrada. Marrocos.

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Comendo um peixinho. Marrocos.

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Tajine de cordeiro. Meu prato favorito. Marrocos.

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Tajine. Marrocos.

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Fábrica de panela Tajine. Marrocos.

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Jantando com amigos em Tanger. Marrocos.

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Cozinha típica de restaurante do Marrocos.

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Vendedor de pimenta. Rabat. Marrocos.

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Comida de rua. Marrocos.

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Jantar com a família de Yacine, membro do warmshower. Sale. Marrocos.

Nesta época do ano a produção de azeite de oliva está a todo vapor! Geralmente são as mulheres que debulham as azeitonas do pé com longas varas, na base da pancada. Daí, os frutos são recolhidos e enviados para pequenas fábricas ou para moendas movidas por animais. O quilo da azeitona sai por US$ 2, e o azeite USS 6 o litro. Estou abusando do azeite, azeitonas e um queijo tipo coalhada vendido por mulheres na beira de estrada. Delícia sem fim!

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Mulher colhedora de azeitonas. Marrocos.

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Colhendo azeitonas. Marrocos.

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Moenda de azeitonas. Marrocos.

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Azeitonas do Marrocos.

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Vendedora de queijo. Marrocos.

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Queijo tipo coalhada. Marrocos.

Mesmo ao nível do mar, as temperaturas durante a noite são baixas, exigindo proteção. Em algumas noites, dormi em restaurantes de beira de estrada, aproveitando da hospitalidade do povo local. Chove pouco nesta época do ano, os ventos são relativamente fortes e mudam bastante de direção.

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Restaurante onde passei a noite atrás do balcão. Marrocos.

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Restaurante onde montei minha barraca para passar a noite. Marrocos.

Ainda em Tanger, conheci Leighton, um canadense, e no nosso primeiro dia de pedal, cruzamos o inglês Luck, escalando a primeira grande subida em território marroquino. Todos com planos bem parecidos, seguimos juntos nos primeiros dias. Nos entrosamos bem, mas como estava indo encontrar a minha família me separei precocemente dos amigos. Lucas chegaria em Marraquexe e voltaria para casa. O canadense, voltou para a França, e infelizmente fiquei sabendo que teve a bicicleta roubada. Um duro golpe para o garoto que tinha ambição de chegar ao sul da Croácia.

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Leighton, eu e Lucas, tomando chá em Chefchaouen. Marrocos.

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Leighton, Lucas e eu recebendo o carinho do povo local em uma fazenda onde passamos a noite. Marrocos.

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Leighton e Lucas descansando depois de longa escalada. Marrocos.

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Eu e meus amigos ajustando a rota em casa abandonada onde passamos a noite. Marrocos.

Agora minha férias acabou! Curti tudo que pude, claro, querendo mais! Ainda posso sentir o cheiro de todos! E isso me alimenta! Me sinto com as baterias carregadas para enfrentar, ou melhor, curtir 2017 de maneira intensa! Meu coração está pronto para as emoções!

Já renovei meu passaporte, e o visto da Mauritânia, meu próximo destino, estréia meu novo documento. As atenções agora se voltam aos preparativos para enfrentar um dos grandes desafios do projeto Da China para Casa by Bike até aqui. Para chegar a Mauritânia será preciso desbravar o maior deserto do mundo, o Saara. Mas antes disso, ainda tem um longo trecho de Marrocos até chegar lá! A boa notícia é que meu velho e companheiro Jordi, o catalão que já pedalou comigo na Nova Zelândia e Europa, está chegando para me acompanhar por mais um trecho.

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A vice-cônsul, Sra. Silvia Ali e Khalid, com meu novo passaporte. Mais uma vez muito bem tratado em uma embaixada. Rabat. Marrocos.

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Welcome Jordi! The Saara is waiting for us! Bem vindo Jordi! O Saara nos espera!

Esse é o meu primeiro post do ano. Aproveito a oportunidade para desejar um ótimo 2017 a todos, e dizer que a sua visita no blog, as curtidas, os recados e mensagens, continuam sendo um grande combustível para eu seguir em frente!

Para me ajudar um pouco mais, da um clik no botão de seguir aí do blog! Fica lá em cima, a direita! Convida um amigo! Tenho como objetivo para esse ano, melhorar a propagação da minha aventura.

Muito obrigado e vamos juntos, de peito aberto, com ou vento a favor, ou não, para o melhor ano de nossas vidas! INSHA’ALLAH (em árabe: esperança em um acontecimento; se Deus, ou Alá, quiser).

Lisboa: o ponto final!

Lisboa foi a última cidade visitada pelo Projeto da China para Casa by Bike na Europa. Foram mais de 180 dias no velho continente, incluindo a primeira passagem no Leste Europeu. Era a minha terceira visita na cidade, e desta vez, mesmo sendo a mais curta, foi a melhor! Não tive a oportunidade de ir as principais atrações turísticas, nem de voltar a alguns restaurantes ou conhecer outros tantos… nem mesmo fui a Belém comer um pastel! Não fui ao Jõao do Grão, um dos restaurantes favoritos do meu mais português dos parentes, meu querido Tio João Caetano… e também não escutei fado! Mas por outro lado, a bicicleta, esse meio de transporte incrível, me colocou em contato direto com os lisboenses, me dando a oportunidade de ver a cidade através da ótica dos moradores locais, seus pontos de vistas, como pensam e vêem a cidade, e conhecendo seus lugares favoritos.

Fiquei hospedado na casa de Gonçalo Peres via warmshowers. Sempre disposto a ajudar e disponível, Gonçalo me ajudou com os preparativos para deixar a Europa, me levou a um show de uma banda popular, por um tour na cidade e fez questão de me apresentar alguns pratos típicos para ajudar o meu projeto.Enveredamos por vários assuntos em longas conversas interessantes, onde tive a oportunidade de aprender bastante com o novo amigo.

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Lisboa – Portugal.

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Castanhas portuguesas. Lisboa – Portugal

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Atenção a TV do bar. É hora de Benfica x Sporting. Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Simpatia dos lisboenses. Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Delícias de Lisboa. Portugal.

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Lisboa – Portugal.

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Bob Marley em Lisboa – Portugal.

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Mosaico de Amália Rodrigues. Lisboa – Portugal.

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Sandra e Gonçalo. Meus amigos portugueses. Lisboa – Portugal.

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Lisboa – Portugal.

Agora a aventura toma outros rumos! Depois do Sudeste Asiático, Oceania, parte da Ásia Central e Oriente Média, totalizando 44 países e mais de 36.600 km pedalados, o Projeto da China para Casa by Bike volta para a África. Depois de Egito e Tunísia, te convido mais uma vez a subir na minha garupa, e seguir comigo para o Marrocos.

Portugal, o último país visitado na Europa.

Minha passagem por Portugal durou apenas 10 dias, infelizmente! Tinha planos audaciosos, mas tive que sacrificá-los em virtude do tempo de permanência na Europa. Cheguei em Portugal na véspera da data limite de saída! Era preciso correr, pois não sabia direito quais as retalhações que sofreria na migração. Já havia feito algumas pesquisas com várias informações diferentes. Multa, proibição de voltar a Europa temporária ou definitivamente, e até extradição. Essas eram algumas das possibilidades que me deixavam preocupado. Por outro lado, achei relatos de pessoas que não tiveram problemas. Sabia que estava infringindo uma lei importante, no entanto, apostava no bom senso, sorte e principalmente na impressão que o tamanho da minha viagem já vem causando nas pessoas. Os números da minha aventura se transformaram em um aliado muito interessante. Percebo um certo respeito e admiração por onde passo e com isso as pessoas parecem mais dispostas a ajudar. E sinceramente, apostei todas as minhas fichas nesse quesito. Sabia que de alguma forma esses números ajudariam em um momento delicado como esse. Mas ao mesmo tempo, sabia que quanto mais tempo eu permanecesse irregular, menor seria a tolerância.

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Fronteira entre Espanha e Portugal.

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Pedrogão de São Pedro. Portugal

Entrei em Portugal por uma cidadezinha chamada Aldeia da Ponte. E logo comecei a receber o carinho e a hospitalidade dos patrícios, via couchsurfing, warmshowers e até mesmo em encontros imprevisíveis. Um deles foi bem inusitado!

Vinha subindo a encosta de um grande desfiladeiro depois de cruzar uma barragem no sopé do vale. O sol já vinha baixo, com seus raios não sendo mais capazes de vencer as altas montanhas. O frio começava a açoitar e enquanto vencia metro por metro aquela dura subida, elaborava em minha cachola uma estratégia para passar a noite. Investiguei um casarão abandonado na beira da estrada. Tinha condições razoáveis, mas o susto que levei com um pássaro me “dando um rasante”, pareceu-me um presságio! Resolvi seguir em frente!

Um pouco mais acima, parei uma camionete com um típico Sr. do campo, com cara de poucos amigos, chapéu “tolado”(como dizemos no interior, que significa que o chapéu está socado na cabeça), um cigarro na mão que segurava o volante, e um bigodão branco com pontas amareladas, escondendo uma acarda dentária irregular, impregnada de nicotina. Cumprimentei-o!

_ Boa tarde! Procuro um lugar para passar a noite. Sei que vai chover e gostaria de colocar a minha barraca em um lugar coberto. Um barracão, garagem ou coisa assim…

_ Por aqui não há! Disse o velho, acelerando sua sofrida camionete, e arrancando morro acima! Me cobrindo com uma fumaça preta e fedorenta!

O velho foi tão rápido e rude, que demorei um pouco para assimilar o golpe!Dei umas tossidas,  tomei um gole de água e continuei… ainda tentando entender a indelicadeza do velho.

Rapaz! Eu não andei 200 m. Ainda podia sentir em minhas narinas aquela fumaça preta. Duas mulheres passeando com os cachorros… vinham descendo o morro, aparecendo na mesma curva que o velho desaparecia. Notei o momento que elas o cumprimentaram, tentando controlar os cães que bradavam contra o veículo. Um pensamento maldoso veio à minha mente! Toma velho! Pega eles cão! Me controlei e exorcizei o pensamento na mesma fração de segundo.

Com a minha aproximação, elas pararam fora da pequena estrada, segurando os cães com cuidado, esperando que eu passasse. Sorriram ao mesmo tempo que acenaram a mão, com um sorriso antagônico ao do velho. Por um instante, devido ao encontro recente, exitei em perguntar! Mas mudei de ideia! De novo na mesma fração de segundos…

_ Nós já acomodamos outro ciclistas por aqui. Temos um quartinho com uma lareira, e você também pode tomar um banho quente!

Enquanto escutava a resposta, parecia não acreditar… Em 200 m duas respostas completamente diferentes! Pensei bastante sobre isso! Janice e Leola são mãe e filha. Inglesas que vivem já a 4 anos em Portugal. Super simpáticas, me ofereceram o jantar, café da manhã e frutas secas, tangerinas e vinho para eu levar comigo. Foi um encontro legal! Muito boa conversa!

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Leola, Janice e eu. Ameixal. Portugal

Num outro dia, estava mais uma vez na boca da noite quando parei no restaurante Zé Galante. Precisava de água. A D. Lurdes me atendeu com tanto carinho que além da água, me ofereceu um prato de sopa e um dos quartos da pousada para eu pernoitar.

Em Mouriscas tive um outro encontro super legal! Era hora de comer algo e resolvi pedir informação para um rapaz que tomava um sol, sentado na mesa em frente a um bar. Ele acabou me levando para um restaurante de amigos. Conversa vem, conversa vai, os meninos acabaram me oferecendo um sanduba e umas cervejas. Bate- papo descontraído e divertido!

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Jorito, eu, Tiago e Raquel. Mouriscas. Portugal

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Rio Tejo. Abrantes. Portugal.

Houve outros vários encontros. Como com os meninos do Clube de futebol de Tramagal, os meninos do colégio agrícola, a dona do café que fez questão de me oferecer um café com leite e uma broa…. no entanto, de todos os amigos que fiz em Portugal, foi com Gonçalo de Lisboa que rolou a maior identificação. Além de me hospedar, Gonçalo veio ao meu encontro para chegar comigo em Lisboa. Foi um dia de pedal bem legal, com sol forte, ótima comida e estradinhas secundárias perfeitas para pedalarmos lado-a-lado. Conversamos bastante!

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Gonçalo e eu a caminho de Lisboa. Portugal.

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Meu primeiro bacalhau em Portugal.

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Cegonhas. Portugal

Agora é preparar e organizar a minha saída da Europa e torcer para que tudo corra bem! E enquanto isso, lógico, fazer uma rápida visita em Lisboa.